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quarta-feira, novembro 23, 2005

O árbitro e a Michelle

Apesar de haver dias em que não posso ouvir falar de bola, mesmo que o meu clube tenha dado uma cabazada ao rival, confesso que gosto muito de futebol. E gosto de todas as maneiras: pela frente, por trás, de joelhos... ops, raios... isto era doutro post..
Gosto de discutir futebol no café, gosto de ver futebol na televisão, sentado no sofá, a beber cerveja e a roer as unhas, gosto de ler notícias de futebol nos jornais. Mas, sobretudo, gosto de ir ao estádio ver aqueles gajos a correr atrás da bola, a dar caneladas uns nos outros, a escarrar e a assoar o nariz com os dedos. E adoro quando os vejo chamar nomes aos árbitros. Sobretudo quando toda a gente vê e ouve, menos o árbitro.
Assim podem continuar em campo, a partir canelas, a cuspir e a tirar moncas do nariz. Uma vez por outra até podem marcar um golito, para animar ainda mais a coisa :)
Mas o que eu gosto mesmo, o que adoro, com o que deliro, é de ser eu a chamar nomes ao árbitro! No sofá, é de 5 em 5 minutos. No estádio há sempre uma ocasião especial... ou porque o sacana marca uma falta que não foi, ou porque marca a falta e não mostra cartão amarelo, ou porque mostra o amarelo mas não mostra o vermelho, ou porque...
Há sempre uma razão para lhe chamar cabrão ou filho da puta! E se não houver, inventa-se! Que gozo, que alegria, que êxtase. Quase um orgasmo! Passar um jogo inteiro sem lhe chamar um nome (a ele ou à mãe, tanto faz), isso é que não. Nem pensar!
Em suma, meus amigos, minhas amigas... ir ao futebol e não insultar o árbitro, alto e bom som, é como estar uma noite inteira na cama com a Michelle Pfeiffer, toda linda e toda nua, com aquele sorriso de morrer e aquelas pernas maravilhosas, a boca ternurenta a pedir dentadas, as orelinhas a pedir sussurros, o pescoço a pedir chupões e... não dar uma queca!
Frustrante!!!!

sexta-feira, outubro 14, 2005

Um pedaço do Amadeu



Amadeu era o meu avô.
Coração sem fim, distribuia quantidades enormes de generosidade entre todos os que o rodeavam.
Não sabia ler nem escrever mas, por mais que eu viva, nunca alcançarei a sua sabedoria.
Durante toda a sua vida só foi duas vezes ao médico. Quando caiu do burro e partiu umas costelas e quando, aos 82 anos, se constipou. Morreu três meses depois, com pneumonia. Já lá vão 30 anos.
Tudo o que aqui escrever terá um pedaço dele. Obrigado pelo convite!