terça-feira, janeiro 25, 2011
quarta-feira, dezembro 30, 2009
Carta ao Menino
Escrevo-te estas linhas direitas - faz-me o favor de não as leres tortas - porque tem muita gente reclamando que o ano não lhe tem corrido bem. Antes disso, espero que tenhas Net Portátil aí na manjedoura. Sei que a Tua caixa postal deve estar a abarrotar mas vê se tens um tempinho para ler o correio. Nem tudo dependerá de Ti mas temos esperança que faças por nós aquilo que esteja ao Teu alcance. O pessoal cá por baixo ou anda à "pêra" ou anda a meio mundo a enganar o outro e as coisas assim não podem continuar. Dá um olhinho pelo Sudão e fala com o S. Pedro para ele dar mais chuvinha lá nos países onde a água rareia. Não vejo necessidade dos tsunamis e os surfistas também dispensam essas ondas.
Eu até nem sou "queixinhas" e estou grato pelo que Teu Pai tem feito por mim. Ele sabe do que falo.
Sim, eu sei que nasceste há poucos dias mas podes meter uma cunha. Certo? Ok.
Não conheço muitos santos e parece que todos têm o seu pelouro. Fala com o da Paz, do Amor, da Saúde, do Ambiente e das Finanças, para trabalharem um pouquito mais.
Este ano foi difícil para a grande maioria de nós. É provável que os Reis cheguem mais magros e se cortem nas oferendas. Não estranhes, pois a vida não está fácil.
O pessoal anda descontente e com pouca fé.
Fala com o teu Pai - Ele que nos desculpe qualquer coisinha - para que nos traga coisas boas neste novo ano.
BOM ANO PARA TI E PARA OS TEUS.
"Pedaço" publicado por Pedro Arunca às 12:01 a.m. 1 Deixaram Pedaços de si
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sábado, novembro 07, 2009
Perfil virtual
Mulheres cultas e belas
Com lábios sensuais
Falam do melhor delas
Exibem seios fenomenais
Pouca roupa nelas
Talvez calor a mais
Sonham com as estrelas
Algumas choram demais
Sonham vidas de novelas
tomam banho de sais
E há quem queria vê-las
no maior dos pedestais
Nós, homens, todos machões
inteligentes, bonitos, musculados
ricos, cultos e muito viajados
armados em cagões
Vivemos à grande, enclausurados,
cheios de ilusões
Mandamos piropos elaborados
para atrair corações
Somos fotógrafos experimentados
captamos emoções
Psicólogos reputados
arranjamos soluções
Fomos todos enganados
no que toca a relações
"Pedaço" publicado por Pedro Arunca às 7:15 p.m. 2 Deixaram Pedaços de si
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sexta-feira, maio 08, 2009
CO3
Passados uns vinte minutos, resolvi certificar-me dum barulho que se tornou repetitivo. Tive a sensação de que mais minuto menos minuto poderia abrir aquela porta de vidro e estender-lhe os meus braços. Sentei-me perto a observá-la com especial atenção para todos os seus detalhes. Era a primeira vez que o fazia. Nestes dois anos de convivência não me atrevi a ir tão longe e muita coisa desconhecida. Os manuais tornam a vida mais fácil.
A sua escolha foi uma decisão ponderada com base noutras experiências do passado. Com boas referências, qualidades de trabalho reconhecidas, de bom nome, bonita e discreta, convenceu-me.
Seu corpo saboreava por momentos o prazer daquela imersão. Após essas pausas consentidas, reagia agitada e libertava no ralo a água perfumada que eu adivinhava nas suas peças de roupa. Testemunhei as suas paragens e os seus mais lentos movimentos. Ansiei pelo fim daquela tortura a que me expus. Na minha cabeça, o barulho dum tambor alternava com o som de turbina de avião. Meus pensamentos giraram a velocidades estonteantes, não sei a quantas rpm.
Contorceu-se uma e outra vez. Nem deu pela minha presença! Reparei em algo que chamou a minha atenção: CO3(!). Segui o rasto das últimas gotículas desliziguezagueando pelo vidro embaciado.
A minha viagem de observação e conhecimento durou precisamente: dez eternos minutos. Descobri novos horizontes para a nossa relação e sei, agora, do seu problema a requerer ajuda dum especialista. Podemos escolher programas diferentes - que não tardarei experimentar - em altas temperaturas, com mais tempo para ela e menos para mim. Sei o tempo que precisa para realizar cada uma das suas potencialidades. Reconheço-lhe outras capacidades.
No fim do banho, abri-lhe a porta e senti de imediato o seu calor e cheirei o perfume do amaciador. Meia hora de lavagem e a roupa quase seca. Valeu a pena porque sei que a minha relação vai mudar. No manual de instruções li que CO3 significa que não centrifuga. Amanhã vou ligar para a assistência da minha máquina de lavar roupa.
"Pedaço" publicado por Pedro Arunca às 1:00 a.m. 4 Deixaram Pedaços de si
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segunda-feira, maio 04, 2009
Fazer tempo
Na verdade, somos donos do tempo – nosso e dos outros. Podemos: acordar mais cedo ou mais tarde e não dormir; alterar a hora das refeições, comer rápido ou nem comer; fazer uma pausa no trabalho ou faltar; esquecer, cancelar ou adiar um compromisso. Vivemos condicionados por hábitos e impostas rotinas. Naturalmente, cada um de nós encontra boa ou má desculpa, para o que quer deixar para trás, e um pretexto para algo que entenda resolver. Cada qual, à sua maneira, encontra tempo para fazer o que lhe convém. Tudo depende da necessidade de; da predisposição, preparação, oportunidade e motivação para.
A pressa anda de mãos dadas com o erro e de braço dado com o stress. Não é confiável. Tudo tem o seu tempo, podendo, ou não, coincidir com o nosso. Não adianta forçar o botão de chamada do elevador – moderno, claro – que ele não chega mais rápido. O chá deve esperar pela fervura da água. O banco abre às 8h30m. O Natal, só em Dezembro. E o vermelho não é para parar mas para (já) estar parado. Conscientes ou não, a acção gera consequência.
Acordamos e temos mais um dia de trabalho à nossa espera. Tudo corre bem até ao momento que, já a meio caminho, damos pela falta do telemóvel. Apalpamos-nos de alto a baixo, três, quatro vezes e nada. Elas, verificam a mala, mexendo e remexendo em toda a artilharia cosmética e, em desespero, despejam uma cascata de "milhentas" coisas impossíveis de imaginar naquele espaço (vi uma mola da roupa!?). Se não nos roubaram, se não o perdemos e se procurámos bem, não restam dúvidas: ficou em casa. Que fazer? Decida você! Eu vou aproveitar o tempo. Hoje nem trabalho. Já me aconteceu isso, por mais que uma vez, e reagi de modos diferentes. Cheguei a fazer inversão de marcha, apanhar mais uma hora no trânsito (com o qual justificava o atraso) e ter de gerir o mesmo serviço em menos tempo ou, então, ter de prolongar o horário. E das vezes que não o fiz, recordo-me da agradável estranheza da ausência de chamadas, de maior produtividade e mais concentração nas tarefas da jornada e, ainda, do alívio da falta do “apêndice” (no fim do dia, pesava quilos no bolso do meu casaco!).
Tenho estado a fazer tempo para ver se chega a inspiração para as tintas. Obrigado pelo vosso tempo.
"Pedaço" publicado por Pedro Arunca às 2:09 a.m. 6 Deixaram Pedaços de si
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quarta-feira, dezembro 17, 2008
Lápis
Alguém viu o meu lápis?
"Pedaço" publicado por Pedro Arunca às 4:40 p.m. 2 Deixaram Pedaços de si
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sexta-feira, setembro 26, 2008
Publicidade e Arte
Meio zonzo, ligo o computador. Enquanto ele se instala, os meus olhos lutam por vencer a luz do sol que já inundou o escritório. Meto a ****** e o Gmail avisa que tenho quatro novas mensagens. Sobre as duas primeiras:
Trata-se dum filme publicitário a “Móveis para divorciadas”, duma reputada marca. Práticos e modernos, com dupla função, respondem a uma crescente faixa de mercado. Para elas, as instruções mais parecem um mapa de estradas em obras e, ainda por cima (e debaixo), sem a ferramenta necessária, não vão longe. Logo, imagino que o tipo metido no gavetão seja um “amigo com jeito para montagens” e naquele fim-de-semana foi lá, apenas, “dar uma mãozinha” mas não vai ser apresentado aos filhos dela que, entretanto, regressam de casa do pai.
Elas separam-se e depois desenrascam-se como podem. Sabem do lugar das coisas e da sua função mas, sózinhas, não dão conta do serviço. O meu apoio.
Arte nua e crua
Sempre achei que Serralves (com pena minha) ficava no Cu de Judas. Afinal parece que é ao contrário. Bem longe de Cascais.
Mal abri o mail, dei de caras com o dito cujo!
No momento senti-me incomodado, enojado e, de algum modo, violado na minha integridade. Com que lata o artista ousou expôr aquele ponto de vista e qual a motivação de quem lhe abriu as portas (das trás?) de tão distinto museu?
É preciso arrojo, numa grande dose de descaramento, para alguém exibir o orifício traseiro numa demonstração pública de falta de pudor. Não há tela que aguente e se sujeite ao prazer dum analfóbico que nela resolveu esfregar o ávido pincel. Com tal destino nem o cavalete lhe valeu.
Fiquei a matutar na busca de um ponto de vista mais condescendente. A cultura acima de tudo. Embora não ponha lá os cotos, admito já ter visto coisas piores em lugares mais famosos e também bem frequentados. Já vi sangue e dor, retratados por famosos, com direito a prémios. Nada contra desde que esse dinheiro fosse para os vitimizados modelos e para minimizar ou acabar com as guerras, as doenças e a fome que os perseguem. Sou apreciador do erotismo e de todas as artes que o exprimam. As mãos, os olhos, o nariz, os lábios e a língua são pedaços de nós e dum todo atreito a afectos e emoções.
Sujeito a reacções, pode um buraco suscitar diversas opiniões. Para mim um buraco “é nada com uma coisa à volta”, daí eu não dar, sequer, cinco tostões por muitas “obras” feitas sem coisa nenhuma. Se o objectivo é passar mensagens, façam-no ao vivo em sítios com mais gente.
"Pedaço" publicado por Pedro Arunca às 4:11 p.m. 2 Deixaram Pedaços de si
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quarta-feira, setembro 24, 2008
O humor é curtido
A política, a economia, a saúde, a educação, a segurança, a justiça, a informação, a ciência, a tecnologia, o desporto, e tanta coisa mais, têm o seu merecido lugar na organização do espaço social. Não lhes faltam porta-bandeiras na rua, no papel e nas instituições. Bem-haja a quem as reclama, promove e defende. Não contesto.
A magia do palhaço, a piada oportuna, a cena cómica, o gesto divertido, a anedota, o texto satírico, o discurso irónico, etc, são estímulos desinibidores e indicadores de actividade mental de e para quem se manifesta. Confesso, no entanto, já me ter surpreendido a rir de cenas tristes e inflamados discursos com que alguns sorumbáticos poderosos nos brindam. Involuntáriamente, decerto. Não nego.
O humor é a consciência que fazemos do nosso quotidiano. É grito de alerta e arma de defesa e ataque. Confronta, desperta, transforma e marca. Liberta-nos perante a vida, sem ele que graça teria? Não tem limites ou barreiras e não se confina a bandeiras: é universal e livre. Composto de ciência, inspiração e arte, nessa coisa indefinível. É filosofia. Não contesto.
Somos um universo de emoções e, conscientemente ou não, giramos à volta delas. Das nossas e dos outros. Para o bem e para o mal. Aos anos que vamos carregando, acrescentamos tiques de rigidez que nos tornam ainda mais velhos. Se dermos folga aos músculos do rosto ele cai, como um pano. Por isso me inquieto. Não o praticamos. Não o promovemos. Não o exigimos. Não desisto!
Factos, constatações e interrogações:
o político ri para todos; o génio ri dele próprio; o cego não vê piada em nada; o pobre não tem piada; o rico conta piadas; o coxo, o fanhoso e o gago dão vontade de rir; o avarento não dá um sorriso; o tímido ri de boca fechada; o gordo tem muita piada; o vizinho ri da desgraça alheia; o ignorante ri de tudo e de nada; o convencido ri de lado; o general não pode ordenar um ataque de riso; o humor negro tem um lado cómico; o brasileiro parte o coco a rir; o africano parte a moca a rir; o chinês tem sorriso amarelo; as crianças riem de nós; a Graça está em Lisboa; anedota boa é loira; o alentejo tem montes de piadas; o economista ri pouco; o dentista ri entre dentes; o vigantivo riposta; o poeta rima; humor inteligente é snobismo; o ladrão rouba piada; a hiena ri de quê?; se rir é o melhor remédio porque é que não vem nas receitas médicas?
VIVA O HUMOR!
"Pedaço" publicado por Pedro Arunca às 3:20 p.m. 4 Deixaram Pedaços de si
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segunda-feira, maio 12, 2008
Coisas do arco do ego
Não sou fã das alturas, mas nunca me adego em copos baixos. O sangue - meu lado positivo - ainda corre tinto, como um rio. Conduzo desembriagado, contrário ao sentido das coisas, sem desatropelos e não agrafo ninguém contra a parede. Respeitando as bermas, apenas derrubo as placas depois das ervas e dos arbustos que se antecipam aos sinais (do tempo?). Lembro de, em nenhures, ter lido: “Bem-vindo a Moitas” e “Hospital 500m”. Enfim, são os atalhos para a morte dum paciente. Quem não sente tem o corpo dormente.
Sou um contribuinte incomum que declara, comodamente na Net e fora de prazo, os seus impostos e paga, a horas, as respectivas coimas. Evito as bichas e as pessoas das repartições, poupando as senhas de vez. Só de me lembrar da última, vez, que estive numa fila para o IRS, do senhor, com a senha nº 70, declarar a quem o não queria ouvir: - Aquela funcionária está há mais de uma hora com o 69! Sem comentários… Não há pernas que aguentem tantas demoras em pé.
Olhamos para a Política e para a Religião da mesma reforma. Não lhes revejo fronteiras: quase tudo se traduz em promessas e se resume a milagres. Dum lado, os que prometem futuros milagres e não cumprem. Do outro, os que cumprem promessas aos que no passado fizeram milagres. O crente é sempre o pagante. Por isso, apego-me ao futebol e pouco ligo à fé.
Quem não deve não treme.
As bolsas e os mercados não têm terras, fábricas e poços de petróleo, somente determinam o preço que pagamos para viver. Há um monopólio sem regras, onde crescem as ruas hipotecadas e praças vazias que ninguém compra. Se o diabo se lembra de cobrar os seus serviços vamos pagar ainda mais pelo pão. É previsível uma nova explosão demográfica de chineses – dos que não ganham pró arroz . Dirão xau-xau à terra que os viu comer e convertidos em comerciantes repovoarão, com lojas coloridas, as ruas de outros países. Cêntimos que não chegam para o petróleo. Barris de dólares inconvertidos para atestar a minha incapaz viatura. Não tarda, veremos anúncios para venda de carros usados, do tipo:
“Procuro dono com poder de compra”, “Gasto 100€ aos 100” , “Ano 2008. Impecável com 10 km”, etc.
Sete da manhã. A rua cheira-me a batatas fritas. O autocarro que vai para os Prazeres tem escrito: “movido a óleo Fula”. Ou estou fulo ou o pessoal anda mais frígido.
"Pedaço" publicado por Pedro Arunca às 4:06 p.m. 2 Deixaram Pedaços de si
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quinta-feira, janeiro 31, 2008
O nexo e a verdade
A necessidade faz eclodir o engenho e a ocasião faz explodir o sujeito. Não há máquina sem sonho subjacente, nem solução sem problema adjacente. Sonhar, anima a malta. Acreditar, é o que faz falta. Recordar Gedeão.
Dar de vencida a paixão pela coisa, não valoriza os sentidos - que o disse Leonardo.
O génio é incipiente, o louco é vidente e herói é o agente.
Para tudo existe um meio: a virtude. Mora numa casa a que todos chamam sua mas poucos a pernoitam. Somos virtuosos nas obras desfeitas. Tudo malta porreira. Prato cuspido é prato servido. Cuidemos da obra feita. Valha-nos Deus!
Em todas as coisas há causas que motivam os homens e as mulheres crentes. A fé alimenta o espírito, dedicado e indissolúvel, nas contendas do fala só ou ao cardume de Vieira.
Opulentos espíritos enfardam os magros proveitos dos que não vingam. Barrigas ocas e cabeças boas, não combinam – excepção a Teresa. Uma migalha de pão faz milagres. Justifica-se Sudão?
Na Geografia, somos: “inos”, “eiros”, “eses”, “itas”, ”avos” e “anos”. No Mundo, fazemos de: pequeninos, estrangeiros, fregueses, eruditas, parvos e humanos.
Na Sociedade, parecemos: rabinos, forasteiros, malteses, parasitas, cravos e ciganos.
Na Vida, queremos ser: peregrinos, herdeiros, burgueses, alvos e mundanos.
O que nos motiva é o que nos consome. Falha a sensatez numa casa farta e quebra a lucidez num homem com fome.
O prato cheio não é tudo e vazio não é nada. Nem só por pão morre o Homem. Só a razão é eterna paixão.
A verdade é uma inacabada manta rota de retalhos. Devia ser escrita e subscrita, conjuntamente, por todos aqueles que a: procuraram e a encontraram, ouviram e a contaram, hesitaram e não desistiram, lutaram e tombaram, venceram e convenceram e por nós (que confiamos neles e a aceitamos passiva ou activamente). Somos dela merecedores, não do castigo. Conhecemos o ABC dos tempos mas muito pouco de Z. Oramos a Alá, rezamos a Deus ou somos ateus. E seguimos Buda e apostulamos Cristo e lemos Gandhi e acreditamos nos homens e não somos fariseus.
O que nos fascina é atravessar o denso nevoeiro que envolve o sonho. Esperamos Sebastião?
Perante o Inferno, optemos por Dante. Andamos confusos?
(são 6:30h, vou aquecer chá de cidreira e fazer uma torrada com mel. Volto já.)
______
Pedro Arunca
2008-01-31
"Pedaço" publicado por Pedro Arunca às 8:07 a.m. 2 Deixaram Pedaços de si
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quarta-feira, janeiro 02, 2008
Dia da Vassoura
Conferindo as minhas contas, para apurar o saldo de 2007, noto que parte delas estiveram paradas o ano inteiro. Foram abertas, há não sei quanto tempo e com que capital, e não são movimentadas por nenhum dos titulares. Nem me darei ao trabalho de saber se algumas têm saldo de jeito vou, simplesmente, encerrá-las e apagá-las dos meus registos.
Sou obrigado e estou determinado a simplificar a minha vida, em todos os sentidos. Vou fazer o balanço e análise das minhas contas com: despesas, relações, tempo, ocupações, interesses, hábitos, costumes, consumos e coisas. Vou instaurar, definitivamente, o meu "Dia da Vassoura" para a limpeza geral.
O "Dia da Vassoura" (marcado à toa) foi, durante muito tempo, o meu grito de guerra à limpeza de casa. Nesse dia, muitas das coisas que ganhavam pó - excepto as garrafas de tinto velho -, bolor, ferrugem, "verdete", incomodavam a vista ou que nunca eram utilizadas iam direitinhas ao contentor do lixo ou, se alguém lhe visse utilidade, a outro lar.
Finalmente, o Dia da Vassoura vai ter data certa e ser aplicado em muito mais coisas, para além da casa.
Darei atenção aos "manuais do utilizador", "prazos de validade", prazos de utilidade, frequência de utilização, data da última utilização, grau de utilidade, sinais de inutilidade, funcionalidade, actualidade, espaço de ocupação, rentabilidade, consumo de energia, índice de poluição, grau de satisfação, etc.
Espero, sinceramente, não criar um deserto à minha volta. Quanto à data, vou fazer umas pesquisas nas minhas antigas agendas e pela Net e cá voltarei.
"Pedaço" publicado por Pedro Arunca às 12:01 a.m. 2 Deixaram Pedaços de si
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sábado, novembro 24, 2007
Partir
Vejo, por mim e por outros que conheço, que gerimos mal: o tempo, os sentimentos e as relações. Somos tão obtusos. Não atingimos que, numa relação plena, devíamos optar por assumir uma atítude inversa e oposta à que adoptamos (alguns!) na condução: ignorar sinais e avisos e demorar o máximo de tempo a percorrer o caminho nos limites máximos da (nossa) velocidade. Confuso? Não! Sugestão: fazer marcha a trás, acender as luzes e voltar a engatar.
Que nos impede, num impulso impetuoso, de beijar e abraçar quem realmente nos agita, arrebate, confunde e baralha as horas e os dias?
Não é um lamento, apenas um momento em que sou, simultaneamente, juiz, réu e vítima de mim.
"Pedaço" publicado por Pedro Arunca às 5:18 p.m. 2 Deixaram Pedaços de si
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quarta-feira, outubro 31, 2007
Falar do quê?
A memória é mais fiel à imagem do que à palavra. O passado é uma projecção de slides, ao som das músicas que o preencheram, com algumas palavras e frases soltas. Guardamos fotos e poucas legendas. Há quem tenha o seu "Diário" e nele descreva as imagens de cada dia. Reza o ditado: "uma imagem vale por mil palavras". Cada um de nós tem o seu próprio registo. Único.
Cuido de escrever sobre o tudo o que me vem à tona com o rigor da minha objectiva. A memória é algo de tão extraordinário comparável à visão, mas em sentido contrário: vê para dentro.
"Pedaço" publicado por Pedro Arunca às 1:04 a.m. 4 Deixaram Pedaços de si
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quarta-feira, setembro 05, 2007
Poesia alentejana
O CARACOLI...
Tava eu tirando moncos
lá da cana do nariz
enquanto fazia uma mija
assim tipo chafariz
Tinha a bexiga tã chêia
que fiquê lá uma hora
quando me assomê em volta
tinha ido tudo embora
Sacudi o coiso e tal
enquanto coçava a bilha
de tal manêra atascado
que o entalê na braguilha
tirê as botas do lodo
que fizera na mijada
sacudi tamém as calças
sempre com ela entalada
pedi ajuda à Ti micas
que cerca dali morava
mas depilou-me os tomates
a força com que a puxava
ensanguentado na pila
fui aos tombos pelo monti
vomitando quasi as tripas
nã sêi se queres que te conti
como comera dôs pães de quilo
na admira que tivesse
três horas a vomitare
Detê-me na palha fresca
para ver se descansava
enterrê-me logo em bosta
de uma vaca que passava
E foi assim que essa tarde
conheci um caracoli
os dois deitados na palha
c'os cornos a secare ao soli
_______________
Comentário dele:
"QUANDO TIVER UM BLOG, VOU FAZER POESIA DENTRO DESTA LINHA DE PENSAMENTO. FAZ MAIS O MEU GÉNERO. (á poeta dum cabrão) !!!!
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Minha resposta:
Este fez-me chorare
de tanto já me rire
não me leve a male
mas vou imprimire
Nã diz quem foi autore
Mas escrebe dirêto
Talvez seja doutore
o sacana tem jêto
Poema desta natureza
não é uma brincadêra
Escreve com pena tesa
Não bateu na azinhêra
"Pedaço" publicado por Pedro Arunca às 4:32 p.m. 1 Deixaram Pedaços de si
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domingo, julho 22, 2007
Poema com palavras usadas
Mega & JB
Reconhecer o talento
Ocultar os disparates
Dinheiro excêntrico
Aplausos aos dislates
Coleccionador de nomes
Minha sombra, meu ego
Imperfeições sublimes
Sentimento sem apego
Fantástico é o poder
Libertar o criador
Fantástico é parecer
Essa a arte do sedutor
Público poderoso
Agir para o que for
Trabalhar e expor
Num museu fabuloso
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Pedro Arunca
2007/07/22
"Pedaço" publicado por Pedro Arunca às 1:31 a.m. 1 Deixaram Pedaços de si
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quarta-feira, julho 04, 2007
Poema com palavras usadas
A ideia é tentar construir um poema a partir das palavras usadas nesse(s) texto(s).
O(s) texto(s) deverá(ão) ser "postados" previamente (digitalizado se possível e mantido na posse do "postador").
Um abraço
"Pedaço" publicado por Pedro Arunca às 12:39 a.m. 1 Deixaram Pedaços de si
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quarta-feira, maio 16, 2007
Questionando o Amor
Há momentos que nos interrogamos sobre o Amor.
- "Será que ela me ama?", - "É amor o que sinto?", - "Ele ainda me ama?"
Não o sabemos definir, jamais descrever ou identificar e, muito menos quantificar. Ninguém nos vale na hora de precisarmos de ajuda e, sem receita não vamos longe. Há quem viva, sonhe, lute, sofra e morra por ele. Não há solução, fórmula, sentença, remédio ou cura para o Amor. O Amor baralha (e volta a dar):
- "O amor é uma luz que não deixa escurecer a vida" - Camilo Castelo Branco
- "Amor é fogo que arde sem se ver" - Camões
- "O amor é a força mais subtil do mundo" - Mahatma Gandhi
- "Amor: uma perigosa doença mental" - Platão
- "Amor é um não-sei-quê, que surge não sei de onde, acaba não sei como e dói não sei por quê" - Scudery
- "O amor é uma flor delicada, mas é preciso ter a coragem de ir colhê-la à beira de um precipício" - Sthendal
Independentemente do que quer que seja, o Amor, todos sentimos qualquer coisa no que respeita a uma relação amorosa. É o tal não-sei-quê, vindo do sei-lá-donde e que se instala sem sabermos como. Tudo muito bonito. Tudo encanta, enquanto dura, e é eterno: as conversas, as noitadas (dentro, fora, dentro e fora e dentro e fora), as flores, o cinema, as músicas, os passeios, os almoços e jantares românticos, as prendas, as surpresas e o etc...
Mas no Amor, como nos telemóveis, por vezes a rede falha e a bateria descarrega. Nessa altura olhamos pró tecto e falamos com as paredes. Cada um reage como cada qual. Com os telemóveis (como no Amor?) há que aguardar pelo sinal de rede, recarregar ou mudar a bateria e tudo fica OK. No Amor pode dar-nos para o questionarmos. E quando questionamos, a “coisa” treme. Se o leite azeda? Aí, meus amigos, cada um reage consigo próprio e seja o que o Amor quiser. Sem Deus que nos acuda, sacudimos a água do capote, e dizemos-lhe que é uma santinha (com ironia) e nós os maus da fita (com convicção) pensando: “o sol quando brilha é para todos” mas se chove “só eu é que me molho”………………………… (continua… se alguém pegar)
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Pedro Arunca
2007/05/16
"Pedaço" publicado por Pedro Arunca às 2:38 p.m. 3 Deixaram Pedaços de si
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quarta-feira, maio 09, 2007
Penso, blogo existo
Quantas vezes não tropeçamos numa palavra, esbarramos numa frase, chocamos com uma ideia, detemos-nos num pensamento, somos assaltados por uma emoção ou então, desatamos a discursar (em off) e depois… Nada. Musa do tijo.Passado não sei quanto tempo, e por dá cá aquela palha, algo nos incomoda, mas já não há pistas que nos levem ao assunto. Perdemos-lhe o rasto. Chapéu. “Não devia ser nada importante”- dizemos nós.
A verdade é que somos uma cambada de preguiçosos, não mexemos um dedo para escrever o que quer que seja. Não fazemos a ponta dum corno para levar uma ideia até ao meio, quanto mais até ao fim. Ao fim e ao cabo, estamos-nos nas tintas. “Não sou pago para pensar”, é uma frase que ouvi muitas vezes de colegas de trabalho que, curiosamente, deviam receber por reclamarem (tanto, de tudo e de todos).
Sabendo das coisas, devemos partilhar. Conhecendo as causas, devemos informar. Entendendo as razões, devemos esclarecer. Ignorando, devemos questionar. Se nada fizermos, nada seremos.
Porque todos temos uma palavra a dizer, falemos!
As novas tecnologias não abriram portas só à “Guerra das Estrelas”, abriram também (não sei a que preço) portas, onde podemos e devemos entrar, em que as estrelas somos nós.
Por tudo isto, aquilo e não sei por que mais: faça o seu blog, partilhe blogs, leia blogs, comente blogs, divulgue blogs. Adira à Blogosfera.
Revele o bloguista que há em si.
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Pedro Arunca
2007/05/09
"Pedaço" publicado por Pedro Arunca às 4:28 p.m. 3 Deixaram Pedaços de si
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segunda-feira, abril 30, 2007
Pontes
Pilares profundos
Dedos unidos
A ligar mundos
A luz de um olhar
apontada no escuro
Sorriso a brilhar
Caminho seguro
Saudar com alegria
Todos os visitantes
Fazer da noite dia
Rostos cintilantes
Sonho não é miragem
Nevoeiro não é fumo
A vida é uma viagem
Sem remo e sem rumo
Respeitar a diferença
Dividir com lealdade
Sentimento de pertença
Sinal de igualdade
Homem e Mulher
Alicerces do mundo
Elo que requer
Amor profundo
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Pedro Arunca
2007/04/30
"Pedaço" publicado por Pedro Arunca às 8:17 a.m. 3 Deixaram Pedaços de si
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