sábado, fevereiro 24, 2007

Um pedaço de ti nos nossos corações, Lis...

Não é a coragem que me faz avançar, é a necessidade de buscar a felicidade, o desejo de ser mais do que simplesmente alguém que gasta os seus dias e não faz uso das suas horas.
Não sou guerreira, nem mais forte, nem mais fraca, ou mais frágil que outra pessoa!
Sou alguém que planta, ceifa e colhe.
Sou alguém que não desiste, mesmo se parece ser o fim da estrada!
E se fosse o caso, eu abriria um novo caminho e caminharia por ele de cabeça erguida. Porque para mim a VIDA é bem mais que aceitar caminhos todos feitos e por eles caminhar.
A minha vida tem sido uma luta constante, mas vou continuar a lutar.
Desistir ???? Jamais !!!
Sou uma mulher e o meu arco-íris ainda vou encontrar,
SOU MULHER



Eterna saudade... descansa em Paz...


sexta-feira, janeiro 19, 2007

Perco-me

Morro... renasço... morro novamente... e volto a renascer.

São dias, horas, instantes... são emoções á flor de mim.
Abanam-me, ferem-me, acordam-me.
Páro e morro.... deixo morrer simplesmente.
Fecho as portas, tranco-me dentro de mim mesma.
Sinto, penso, procuro-me.
Não me encontro, não me reconheço.

Perdi-me.

Então rasgo, parto, choro.
Renasço no vazio, viro a página.
Sinto medo, sinto alívio... sinto simplesmente.
Fecho os olhos, abro as portas, levanto-me.
Acalmo-me e sigo em frente.
Chamo por mim, rebusco-me, procuro-me.

Acordo... e encontro-me.

Luto, fujo, esqueço, não penso.
Morre o sonho, nasce a saudade.
Aperto no peito... deixo doer simplesmente.
Espero por mim, fujo de mim, reinvento-me.
Sinto-me perto, sinto-me forte, aguento.
Suspiro, respiro, sigo caminho.

Olho-te... e perco-me novamente.

terça-feira, janeiro 16, 2007

O meu peito

O meu peito está entre o "satisfaz mais" e o "satisfaz bastante". Um belo peito descobre-se com o tempo, mas há quem já não perca muito tempo a apalpar as mulheres. Talvez os decotes tenham sido destronados pelos tops da barriguinha à mostra.
Será então que o silicone já passou de moda?
Eu diria que não, que o silicone é tão útil como o puré de batata de pacote, ou seja, há bocas que comem tudo e não percebem a diferença.
Eu pessoalmente gosto muito de receber elogios ao meu decote... aprecio-os. É verdade que por esta altura, por ser Inverno, sofro sempre um bocadinho, por não poder usar tanto os decotes como gostaria.
A verdade é que eu gosto de decotes, e de evitar os soutiens... o meu maior prazer é evidentemente não usá-los. Coisa que faço sempre que posso. Apesar de, como já vos disse, me dar a ideia de que hoje em dia já não se liga tanto a um bom par de mamas.
E o tamanho das mamas será que conta?
Eu tenho a ideia que a importância do tamanho é relativa, porque tenho amigas, que tendo-as pequenas, as aproveitam muito bem. O frio, como sabem, é bom amigo das maminhas, porque as torna arrebitadas, e mais bonitas. Mas não abusem, porque apanhar uma constipação acaba sempre por dar cabo de tudo.

terça-feira, janeiro 09, 2007

Ser como nós


Passamos demasiado tempo escondidos nas palavras, escondidos no sentimento de revolta que nasce dentro de nós. Alimentamos a dor com demasiado carinho, sem sequer pensar, sem sentir sem chorar. Somos como gotas de espuma derretendo nos dedos, esquecidos no orvalho da manhã, abraçados a essa mãe que nos embala junto ao peito, essa mãe, que se chama solidão. Fechados neste nosso mundo de fantasmas que voam entre as quatro paredes. Ficamos apenas, abraçados a nós mesmos, com esses olhos de criança que não quer mais sonhar.
Chegou a altura de mudar, de rasgar o sentimento e partir para novos mundos. Ter a coragem de soltar as velas neste vento que nos embala, que nos refresca a alma, e nos faz sonhar. Chegou a altura de sorrir, querer mais, partir. Partir para a aventura de viver. De ser mais como nós! Poetas que transmitem nas palavras, a alegria de ser feliz, de sonhar e de amar!

De ser como nós!

Ps: Obrigado por poder dar um pedaço de mim!!

Um Abraço!!

sábado, dezembro 30, 2006

O meu "pedaço" de 2006 ...

Os dias sucederam-se a uma velocidade atroz e mais um ano chegou ao fim para dar lugar a um Novo Ano.
Mais uma vez me vejo naquele momento em que fazer uma meditação sobre o ano que finda se torna obrigatória e necessária. Se olhar para trás numa tentativa de fazer uma reflexão minuciosa, capaz de discernir pessoas de sentimentos e emoções, e avaliar cada momento vivido separadamente e todos os momentos como fazendo parte dum todo, avalio o ano que agora termina como, francamente, positivo.
Foi um ano de contemplação, de reflexão, de muito sofrimento e sobretudo uma tentativa incansável e incessante de solidificar e definir sentimentos e vontades. Hoje, após doze meses decorridos dum ano em que depositei toda a minha força e esperança, sinto-me mais “crescida”, mais ciente da pessoa que sou, que gosto de ser e que quero continuar a ser... Posso, sem sombra de dúvida, dizer que 2006 foi o ano que me acordou para a minha realidade...
Deste curto período de tempo a que definimos como um ano, surgiram, passaram e fizeram parte do meu dia-a-dia, da minha existência, pessoas muito importantes e que condicionaram o meu crescimento como ser humano... algumas nem sabem que o foram ou o são... outras a quem tive, talvez, a pouca sensatez e tacto, de dizer que eram efectivamente importantes para mim, simplesmente... “assustaram-se” e “fugiram”... lamento... por elas, não por mim... porque essas pessoas não se permitiram estreitar laços, vínculos humanos, não experimentaram o sabor de uma amizade desinteressada, pura... e eu, eu ganhei... ganhei porque não perdi... não perdi, porque mais uma vez fui fiel a mim mesma, aos meus sentimentos...
Eu sei que é fácil gostarem de mim, como também sei que é muito mais fácil odiarem-me, ignorarem-me até... sei que atraio pela força que dizem que emano, pela forte e vincada personalidade que também dizem que possuo mas, igualmente sei que essas “particularidades” que me definem, em determinadas situações, erguem uma barreira invisível ao meu redor e me afastam, principalmente das pessoas que muitas das vezes mais queria ao meu lado... este ano senti essa barreira erguida, lamentavelmente, algumas vezes...
Confesso que termino o ano com um ligeiro travo amargo... mas quero crer que seja do recheio de amêndoa amarga do bombom que, inadvertidamente, meti à boca neste preciso instante...
Mas, “Ano Novo, Vida Nova”... um novo ano se avizinha e o que mais desejo é, afinal, a continuação do que sou, do que construo para mim neste momento, ainda que consciente e antecipadamente saiba que passarei por mais alguns menos bons momentos... quero degustar todos os instantes que me pertencerem e sentir na pele o tempo a passar... desejo serenidade para aceitar as coisas que não poderei modificar, coragem e determinação para modificar aquelas que puder... e sabedoria para reconhecer a diferença entre uma e outra...

A vós, a todos os que fazem parte desta família... a família “Pedaços de Nós”, desejo que o Ano de 2007 vos brinde com muito Amor, Saúde e principalmente com muita Paz nos vossos corações.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

A Musicalidade do Natal

Last Christmas
I gave you my heart
But the very next day
You gave it away
This year
To save me from tears
I'll give it to someone special


Estava eu a andar de carro hoje de manhã quando ouço este clássico e pensei: "É Natal...lá temos de levar outra vez com o Last Christmas". Mas depois aprofundei o pensamento, como sempre faço enquanto conduzo, e apercebi-me que a letra não tem absolutamente nada a ver com o Natal... tirando o título.
Pus-me de imediato a reflectir se tirando o título e o facto de esta música inundar as rádios por esta altura do ano haveria mais alguma razão para estar conotada como música natalicia...
Curioso... como todos os anos ouvimos um milhão de músicas natalícias na rádio. Uma banda pode não ter nenhuma música de jeito, mas se tem alguma que diga "Christmas", é certo e sabido que se torna num êxito radiofónico nesta época. Mas isto já nós sabíamos.
O que eu queria dizer vem a propósito do clássico "Last Christmas".

Last Christmas (Último Natal)

No último Natal
Eu dei-te o meu coração
Mas no dia seguinte, tu traiste-me
Este ano
Para me salvar das lágrimas
Eu vou dá-lo a alguém especial

Uma vez magoado, terei mais cuidado no futuro
Eu fico longe
Mas tu ainda chamas a minha atenção
Diz-me, querida
Reconheces-me?
Bem,
Já passou um ano
Não me surpreende
Eu embrulhei e enviei-te
Um bilhete escrito a dizer "Eu te amo"
A sério
Agora sei o quanto eu fui tolo
Mas se tu me beijasses agora,
Eu sei que me enganarias de novo

Um lugar cheio
Amigos com os olhos cansados
Eu estou a esconder-me de ti
E da tua alma gelada
Meu Deus, eu pensei que tu fosses
Uma pessoa confiável
Eu?
Acho que podia ser um ombro para tu chorares

Talvez no ano que vem eu dê o meu coração para alguém
Eu o darei para alguém especial



No Natal do ano passado a rapariga a quem entregou o seu coração não correspondeu aos seus sentimentos. Mas este ano é que é, desta vez vai dá-lo a alguém especial!
Só que no ano seguinte lá vem outra vez com a mesma conversa... Será que não aprende que tem mesmo azar no amor?
Todos os anos aparece todo confiante do estilo "agora é que é!", só que depois no ano seguinte confessa que foi um balde de água fria...


Há gente que nunca muda!...
E eu sou um deles... um eterno apaixonado...

É Natal, um Tempo que deveria ser de Paz, de juntar os que mais amamos à nossa volta, de dar e receber carinho em forma de presentes embrulhados em papel de sonho, ou apenas em abraços feitos de alegria.
É tempo de emoção, de celebrar crenças, fé ou tão simplesmente a amizade.
Tempo de vos dizer como todos vocês que fazem parte desta família que é o "Pedaços de Nós" são importantes para mim, e que vos desejo a todos um Natal cheio de felicidade, e um Ano de 2007 melhor... muito melhor... muitíssimo melhor...

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Palco da Vida

“Você pode ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não se esqueça de que a sua vida é a maior empresa do mundo. E você pode evitar que ela vá à falência.
Há muitas pessoas que precisam, admiram e torcem por você. Gostaria que você sempre se lembrasse de que ser feliz não é ter um céu sem tempestade, caminhos sem acidentes, trabalhos sem fadigas, relacionamentos sem desilusões.
Ser feliz, é encontrar força no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros.
Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso, mas reflectir sobre a tristeza. Não é apenas comemorar o sucesso, mas aprender lições nos fracassos. Não é apenas ter júbilo nos aplausos, mas encontrar alegria no anonimato.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus, cada manhã, pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples, que mora dentro de cada um de nós. É ter maturidade para falar "eu errei". É ter ousadia para dizer "me perdoe". É ter sensibilidade para expressar "eu preciso de você". É ter capacidade de dizer "eu te amo". É ter humildade da receptividade.
Desejo que a vida se torne um canteiro de oportunidades para você ser feliz...
E, quando você errar o caminho, recomece, pois assim você descobrirá que ser feliz não é ter uma vida perfeita, mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância. Usar as perdas para refinar a paciência. Usar as falhas para lapidar o prazer. Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.
Jamais desista de si mesmo. Jamais desista das pessoas que você ama. Jamais desista de ser feliz, pois a vida é um obstáculo imperdível, ainda que se apresentem dezenas de factores a demonstrarem o contrário.”

(Augusto Cury)

sexta-feira, dezembro 15, 2006

O melhor piropo!

Achei fantástico e quis partilhá-lo com vocês:

Já se sabe qual o piropo ganhador de 2006 (só do Norte...) que destronou o magnifico piropo de 2005:
"És como um helicóptero. Gira e boa"

O prémio de melhor piropo do ano 2006 vai então para:

"OLÁ MINHA ESTRELA! QUERES COMETA?"
Agradecimentos à comunidade trolheira de Portugal.
E mai nada...

terça-feira, dezembro 12, 2006

Tempo

Tempo...
Ás vezes um amigo
Companheiro
Cúmplice...
...quando parece abrandar o seu próprio tempo
no tempo das coisas boas...
...quando faz o tempo de um bom momento
parecer um tempo sem hora para acabar...
...quando me dá tempo para fazer de um instante
uma eternidade no tempo...
Outras vezes inimigo
Inconstante
Assustador...
...quando se prolonga num tempo
que ninguem sabe a que tempo vai dar...
...quando me arrasta por um tempo
sem dizer quanto tempo tem para durar...
...quando me deixa perdida algum tempo
de um tempo onde gostaria de estar...
E que Tempo é este?
Amigo?
Perdido?
Nosso?
Ou apenas meu?

sexta-feira, dezembro 01, 2006

O meu "Pedaço" # 12

Quando um homem ama uma mulher, parece que odeia todas as outras mulheres. Com as mulheres já não é bem assim. Vá lá alguém saber porquê. A indiferença parece que as atrai... desafia-as... diverte-as... sei lá... deve enfurecê-las pensar:
"Este gajo não quer nada de mim..."

"Não penses que sou um gajo como os outros" - disse eu a uma que só queria dormir comigo - "sem fazer nada" - como elas gostam de dizer. Como se dormir não fosse já gravíssimo!!!
Abri um livro, e comecei a ler... ela começou a rir-se... esticou o dedo do pé até tocar no meu pé, e respondeu...
"Eu sei... vi logo que eras um gajo diferente..."
Continuei a ler...
"Diz-me uma coisa bonita" - pediu ela
E eu disse...
"És a rapariga mais bonita que já vi..."
E ela perguntou...
"Quantas viste até hoje?"
E eu respondi...
"Contigo treze..."

Fodemos como doidos... mas eu queria ler!!!
Amei-a... depois tentei esquecer... e ela enrolou-se numa almofada e dormiu...
Agora o que me custa mais não é tanto lembrar-me desses momentos... é não os esquecer...
O que é que se faz com o que nos fica na cabeça, quando já não há nada a fazer?

quinta-feira, novembro 30, 2006

Mãos

Saber quando deixámos de sentir é uma tarefa cansativa. Retomar a rédea da emoção requer dedicação, paciência e muito amor-próprio. Estou a tentar retomar a minha sensibilidade com a responsabilidade de voltar a ser... Constato isso na pele, tatuando a minha identidade perante o mundo. Não tenho muitas mãos de amparo... mas, tenho mãos de expectativas e cobranças. “Será que ela vai conseguir voltar a sentir as mãos e através delas a delicadeza da vida?” Brinco com a metáfora das mãos como sensores de emoções. As minhas mãos estão cansadas. Elas estão estendidas à espera de afago. Quero... preciso... gostaria de carinhos que durassem mais que a respiração. Toques que não exigissem nada para se fazerem toques. Não quero amores condicionados que enlouquecem à sombra da insegurança.
Tenho muitos defeitos e para os conhecer tive que me expor a mim mesma. Fiz isso com a responsabilidade de quem assume devaneios; com o mistério de quem não sabe não SER! Quero ser especial para quem amo, não somente por pertencer. Não quero ser propriedade, posse. Sou mais que isso... Posso ser sonho, posso ser poesia, posso ser alegria e encantamento. Tudo posso ser, sem máculas.
Mãos...
Não me envergonho de as unir em oração! Estou à espera de mim mesma! Estou em silêncio, é verdade. Mas através destes longos dedos, sei que grito aos quatro cantos que poderia ser mais feliz... Eu sei como posso ser feliz... e como posso fazer alguém feliz!
Em momentos como este, de mãos com tactos tristes, anseio o próximo acto da minha vida para mostrar que tudo pode não ter um fim....
Minha vida é uma construção eterna de acenos, de palmas, de dedos estrelados, de apertos aflitos e de toques delicados de mãos amantes...

Olho-as...
As minhas mãos são apaixonadas... ainda que momentaneamente tristes...

quinta-feira, novembro 23, 2006

A vida não passa de uma viagem de comboio

Neste texto compara-se a vida a uma viagem de comboio.
Quero partilhá-lo, por ser muito bonito, com todos os que atravessam a vida no mesmo comboio que eu... a minha família, os meus amigos de sempre, os meus amigos da blogosfera, e em especial a todos que fazem parte desta família que é o "Pedaços de Nós", mesmo eu sabendo que muito dificilmente me encontrarei com alguns de vocês pessoalmente, sei que, seguramente, são já, parte de mim, do meu dia-a-dia, e do meu Ser...

A vida não passa de uma viagem de comboio, cheia de embarques e desembarques, alguns acidentes, surpresas agradáveis, e grandes tristezas.
Quando nascemos, entramos neste comboio e deparamo-nos com algumas pessoas, que julgamos que estarão sempre nessa viagem connosco.
Os nossos pais.
Infelizmente isso não é verdade, porque em alguma estação eles descerão e irão deixar-nos órfãos do seu carinho, amizade, e companhia insubstituível.
Mas isso não impede que durante a viagem, pessoas interessantes, e que virão a ser super especiais para nós embarquem.
Chegam os nossos irmãos, amigos e amores maravilhosos.
Muitas pessoas apanham este comboio apenas em passeio, outros encontrarão nesta viagem só tristezas, há outros que andarão pelo comboio apenas para ajudar quem precisa.
Muitos saem e deixam saudades eternas, muitos outros passam por ele de uma forma que quando desocupam o seu lugar quase ninguém percebe.
Curioso é verificar que alguns passageiros, que nos são tão queridos, entram em carruagens diferentes da nossa, e por isso somos obrigados a fazer a viagem separados deles.
O que não nos impede de que durante a viagem atravessemos com grande dificuldade a nossa carruagem e cheguemos até eles. Só que infelizmente jamais nos poderemos sentar junto a eles, porque já lá está alguém a ocupar o lugar.
Não importa, é assim a viagem, cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, despedidas.... mas nunca retornos.Devemos por isso tentar fazer esta viagem da melhor maneira possível, tentando relacionar-nos bem com todos os passageiros, procurando em cada um deles o que tiverem de melhor.
Temos que nos lembrar sempre que em algum ponto da viagem eles poderão fraquejar e provavelmente precisamos entender isso, porque nós também fraquejaremos muitas vezes e de certeza haverá alguém que nos entenderá.
O grande mistério afinal é que nunca saberemos em que estação iremos descer, muito menos os nossos companheiros, nem mesmo aqueles que estão sentados ao nosso lado.
Eu penso que quando descer deste comboio sentirei saudades. Acredito que sim.
Separar-me de alguns amigos que fiz nele será no mínimo doloroso, e deixar os meus filhos continuar a viagem sozinhos será muito triste.
Agarro-me à esperança que em algum momento eu estarei na estação principal e que terei a grande emoção de vê-los chegar com uma bagagem que não tinham quando embarcaram. O que me vai deixar feliz.
Vamos fazer com que a nossa viagem neste comboio seja tranquila e que tenha valido a pena.
E que quando chegar a hora de deixarmos o comboio, o nosso lugar vazio deixe saudades e boas recordações para aqueles que continuarem no comboio.
Autor: Silvana Duboc

quarta-feira, novembro 22, 2006

Lembro-me...

Lembro-me do teu rosto... ainda com a mesma expressão daquela jovem de vinte e poucos anos que um dia eu vi ir embora. É assim que me lembro de ti. Não te conheci de outra forma. Não te vi envelhecer. Na verdade, nem sei quem tu és. Não conheço a tua história, as tuas alegrias, as tuas dores. Não sei o que te faz rir ou chorar, não conheço os teus desejos, vontades ou caprichos. Não conheço a tua essência.
Sei que o tempo passou por ti e por mim... o mesmo tempo que criou esta distância entre nós e fez com que os nossos caminhos nunca mais se cruzassem. Tambem não sabes quem eu sou. Mal conheceste a menina e hoje... definitivamente não conheces a mulher. Não me viste crescer, não me levaste á escola pela mão, não me repreendeste pelos disparates que fiz, nem tão pouco estiveste lá quando me portei bem. Nunca te falei das minhas amizades, dos meus sonhos, dos meus medos. Não foi a ti que falei das minhas primeiras paixões, nem te contei sobre o meu primeiro beijo. Não foi nos teus braços que me refugiei sempre que me senti triste ou perdida, nem foi contigo que ri das coisas felizes.
Talvez me lembre da tua voz... mas não me lembro de te ouvir falar. Nem sei o que dizes, o que pensas, o que sentes. Nunca encostei a cabeça no teu colo para ouvir os teus conselhos, nem nunca te ouvi dizer " Vem cá...está tudo bem ", seguido de um beijo carinhosamente dado na minha face. Aliás, nem sei a que sabe um beijo teu.
Penso poucas vezes em ti, confesso. Sei que existes, porque eu existo. Sei que foste família um dia, que me puseste no mundo. Deste-me um corpo e um nome. Mas não me deste a mão pelos caminhos da vida. Nunca nos sentámos á mesa para falar de coisas fúteis, nunca tivemos conversas de mulher para mulher. Nem mesmo conheço essa mulher que és tu. Nem tu sabes quem eu sou. Não tenho muito para lembrar, nem tenho do que sentir falta ou saudade. Nunca ocupaste um espaço e por isso... não deixaste um vazio.
Talvez um dia passe por ti na rua. Talvez te reconheça. Talvez tu te lembres de mim. Talvez até possamos trocar algumas palavras... e tentar encontrar nelas alguma coisa que faça sentido. Ou não. Talvez nesse dia poderemos sentir alguma coisa, alguma emoção, alguma saudade do que nunca tivemos. Ou provavelmente não sentiremos nada.
Lembro-me do teu rosto... lembro-me da tua voz... mas não me lembro e nem sei o que é chamar-te "Mãe".

terça-feira, novembro 21, 2006

Não foi o acaso...

Não foi por acaso que a paixão nos envolveu, que se apossou das nossas vontades e desejos... os meus desejos iam de encontro às tuas vontades e os teus desejos eram as minhas vontades...
Não foi por acaso que a paixão se transformou em amor... um amor tão imenso e intenso que nos aprisionou duma dependência, inquestionável, de corpo e alma...
Não foi por acaso que a cumplicidade se manifestou entre nós... encontrávamos, sempre, um no outro, as respostas às nossas dúvidas...
Não foi por acaso que embalaste os meus sonhos ao som da tua flauta... harmoniosas melodias que tocaste para mim, para nós, que nos deixavam num êxtase inconcebível e nos transportavam ao infinito das profundezas das nossas almas... lá, onde conseguíamos, ambos, chegar... lá, onde só existíamos os dois, um mundo só nosso e só reconhecido por nós... lá, onde os dois sonhámos o mesmo sonho...
Não é por acaso que ainda te revejo por entre laivos de memória, de olhos semicerrados, os longos e esguios dedos dançando e tapando os orifícios daquele pequeno instrumento musical, emitindo o som do nosso amor que preenchia o nosso quarto... deleitava-me permanecer imóvel sobre o teu peito a ver-te, a olhar-te, a sentir-te... tão meu, tão em mim... vezes sem conta adormeci no calor dos teus braços, feliz pela tua presença na minha vida, pelo teu desejo de mim, pelo carinho que emanava cada gesto teu, feliz pelo manifesto amor que tinhas por mim e que ainda, hoje, sei que tens...
Não foi por acaso que os nossos corpos se saciavam um no outro, instrumentos dos prazeres e dos desejos do nosso voluptuoso querer... foste tu quem me fez mulher... foi contigo que descobri e apreendi os prazeres de fazer amor... e como fizemos amor...! Ai, meu amor, não é por acaso que te guardo no meu coração...
Não foi um acaso nem por acaso que perante o nosso Deus te disse que “sim”, que seria tua para todo o sempre...
Não foi por acaso que durante anos me fizeste a mulher mais preenchida da tão desejada felicidade...
Não foi por acaso que os frutos do nosso amor foram concebidos... eles que são o testemunho vivo do quanto nos amámos...
Não foi por acaso que edificámos uma vida juntos... que construímos o nosso “porto de abrigo”...
Mas... e também...
Não foi o acaso nem por acaso que em uma qualquer esquina da vida, nos perdemos um do outro...
Meu amor, o que daria para, de novo, encontrar essa esquina, achar-te e trazer-te para junto de mim... Hoje, olhamo-nos e não nos vemos... tocamo-nos e não nos sentimos...
Não é por acaso que se soltam as lágrimas ao escrever estas palavras... elas são a saudade que sinto de ti e tenho de nós...
Não é por acaso que quando nos olhamos, sentimos e temos tão presente o quanto nos quisemos... mas, hoje, apenas os nossos olhos percebem e reconhecem a saudade que sentimos um do outro... as palavras não falam e os nossos corpos não se procuram...
O acaso não existe... o acaso fomos nós que o fizemos... o acaso somos nós que o fazemos...

Assim como não foi por acaso que este texto foi redigido... realidade ou ficção, permanece, talvez, a incógnita... mas uma certeza é certa... não é por acaso que quero que faça parte das memórias do “Pedaços de Nós”...

sexta-feira, novembro 17, 2006

Acaso

Não creio no acaso... o acaso não existe... o acaso somos nós que o procuramos e fazemos...
Ao longo da vida somos nós que escrevemos o argumento da nossa história... é no “hoje”... com os comportamentos, decisões, escolhas que tomamos, que convergimos para o dito acaso... que moldamos e condicionamos o acaso do dia do “amanhã”...
Não foi por acaso que nos conhecemos... não foi por acaso que um dia, entre tantos dias das nossas vidas separadas, num mesmo espaço, o mesmo meu momento coincidisse com o teu e... os nossos olhos olharam-se, nos nossos rostos nasceram uns esgares de tímidos sorrisos que escondemos perante a surpresa que ambos tivemos quando percebemos que era comum o nosso sentir... eu, menina-mulher... tu, homem-homem... seguro, ciente da tua envolvente, contagiante e forte presença... não foi por acaso que me encantaste ao primeiro olhar... ainda hoje guardo o brilho do teu olhar... ainda hoje sinto as carícias que os teus olhos fizeram aos meus, quando se tocaram... não é por acaso que guardo na memória o teu jeito calmo, emanando uma imensa tranquilidade... a tua mão no meu ombro, foi o nosso primeiro contacto físico quando me beijaste pela primeira vez... um único beijo no rosto acompanhado de um sussurrado olá ainda com os lábios colados em mim... não foi por acaso que estremeci e não foi por acaso que naquele instante ambos percebemos que haveria um futuro em comum...
Não foi por acaso que o sangue correu acelerado nas nossas veias quando as nossas mãos inadvertidamente se tocaram... desse dia em diante procuravam-se consciente e inconscientemente...
Não foi por acaso que um abraço espontâneo surgiu, após um breve período de ausência, e nos fez pulsar nos braços um do outro... percebemos que aquele era o primeiro de muitos abraços...
Não foi por acaso que a amizade que entre nós nasceu, em pouco tempo, não nos bastasse e quando percebemos já não conseguíamos estar um sem o outro, unicamente pensávamos em nós como um único ser, indivisíveis...
Não foi por acaso que...
continua

terça-feira, novembro 14, 2006

Infidelidade

Pensando que ainda tenho metade da vida para viver, não sei se é mais fácil sobreviver no amor, ou viver no desamor. A verdade é que já experimentei ambas as situações. Considero-me uma mulher vivida e sofrida, até infiel já fui algumas vezes... poucas...
Será que me deveria arrepender de o ter sido?
Não, não arrependo, porque para mim a infidelidade foi sempre um estado de transição. Uma resposta aos impulsos do corpo, e um desafio à minha consciência.
Para mim, ser infiel é um sinal de alerta, é como quando bebemos muito e o fígado manda para o exterior sinais de descontentamento.
O que eu não sei mesmo, e me pergunto muitas vezes, é se alguma vez fui enganada. Não sei se alguma vez alguém que amei dormiu com alguém que não fosse eu.
Se é importante?
Nada... nadinha...
Quanto a mim posso dizer que já tive sexo com outras pessoas antes de descobrir que já não estava apaixonada pela pessoa com quem mantinha uma relação. Era um sinal... e foi...
Quando era mais nova, lembro-me de que sabia que estava apaixonada, por não desejar mais ninguém, por não ver mais ninguém que não fosse o "meu" Amor. Às vezes parecia que tinha aversão ao mundo, porque só desejava a pessoa que estava comigo. Entretanto tudo isso mudou... cresci, alarguei os horizontes, e tornei-me disponível.
Em primeiro lugar para amar, mas também para sofrer por amor.
Diria que talvez na minha idade, a minha vida seja o reflexo dos meus pecados passados. Mas como me recuso a aceitar isso, procuro estar mais atenta... vivo um período de busca acentuada, mesmo quando parece que não procuro nada... como agora.
Ao ter começado a namorar muito nova, aumentei as probabilidades de vir a ser infiel... e fui. E como dizer que não voltarei a ser, se estou disponível para amar?
Continuo sem saber se já alguma vez fui enganada, mas já fui abandonada, e a dor torna-se maior quando não sabemos porquê.
O amor é mesmo mais o meu género, mas o problema é que a paixão é mais o género da infidelidade...

segunda-feira, novembro 13, 2006

Procura-se um Amante

Muitas pessoas têm um amante, e outras gostariam de ter um. Há também as que não têm, e as que tinham e perderam. Geralmente são estas últimas que vêem ao meu consultório para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de insónia, apatia, pessimismo, crises de choro, ou as mais diversas dores.
Elas contam-me que as suas vidas correm de forma monótona e sem perspectivas, que trabalham apenas para sobreviver e que não sabem como ocupar o tempo livre. Enfim, são várias as maneiras que elas encontram para dizer que estão simplesmente a perder a esperança. Antes de me contarem tudo isto, já tinham estado noutros consultórios, onde receberam as condolências de um diagnóstico firme: "Depressão"... além da inevitável receita do anti-depressivo do momento. Assim, depois de as ouvir atentamente, eu digo-lhes que elas não precisam de nenhum anti-depressivo. Digo-lhes que o que elas precisam é de um Amante!
É impressionante ver a expressão dos olhos delas ao receberem o meu conselho. Há as que pensam: "Como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa destas ?!".
Há também as que, chocadas e escandalizadas, despedem-se e não voltam nunca mais. Às que decidem ficar e não fogem horrorizadas, eu explico-lhes o seguinte: Amante é "aquilo que nos apaixona". É o que toma conta do nosso pensamento antes de adormecermos, e é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir. O nosso Amante é o que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta. É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida.
Às vezes encontramos o nosso amante no nosso parceiro, outras vezes, em alguém que não é nosso parceiro, mas que nos desperta as maiores paixões e sensações incríveis. Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no desporto, no trabalho, na necessidade de nos transcendermos espiritualmente, numa boa refeição, no estudo, ou no prazer obsessivo do nosso passatempo preferido...
Enfim, Amante é "alguém" ou "algo" que nos faz "namorar" a vida e nos afasta do triste destino de "ir vivendo". E o que é "ir vivendo"?
"Ir vivendo" é ter medo de viver. É vigiar a forma como os outros vivem, é o deixarmo-nos dominar pela pressão, andar por consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos, afastarmo-nos do que é gratificante, observar decepcionados cada ruga nova que o espelho nos mostra, é aborrecermo-nos com o calor ou com o frio, com a humidade, com o sol ou com a chuva. "Ir vivendo" é adiar a possibilidade de viver o hoje, fingindo contentarmo-nos com a incerta e frágil ilusão de que talvez possamos realizar algo amanhã.
Por favor, não se contentem com "ir vivendo". Procurem um amante, sejam também um amante e um protagonista da vossa vida...
Acreditem que o trágico não é morrer, porque afinal a morte tem boa memória e nunca se esqueceu de ninguém. O trágico é desistir de viver, por isso, e sem mais delongas, procurem um amante.
A psicologia, após estudar muito sobre o tema, descobriu algo transcendental:
"Para se estar satisfeito, activo, e sentirem-se jovens e felizes, é preciso namorar a vida".

Texto: Dr. Jorge Bucay
Livro: "Hay que buscarse un Amante"

terça-feira, novembro 07, 2006

Lamento...

Não é fácil deitar fora um livro
que nunca chegou a ser lido
arrancar cada lembrança
como se fosse uma página a rasgar
onde nunca se escreveu
onde as palavras nunca se expressaram
onde as frases nunca chegaram a falar

Deixar para trás uma história
que nunca chegou a ser contada
onde ninguem foi rei ou princesa
nem teve um final feliz ou infeliz
história sem cor, sem cenário
sem cheiro e sem som
que não tem como deixar raíz

Perder uma guerra que nunca houve
onde ninguem se vestiu para lutar
onde não há aliado ou inimigo
sem bandeira a defender
guerra sem nome, sem batalha
armas que nunca dispararam
vitória que não chegou a ser

Tirar do coração uma música
que não chegou a ser tocada
sem acorde, sem pauta
sem verso ou sentido
melodia que ninguem ouviu
concerto adiado no tempo
cantor num palco esquecido

Esquecer o que nunca foi feito
relembrar o que nunca foi dito
deixar para trás o vazio
que ficou parado no tempo
onde o amanha não chegou
e onde se encontra um coração
que só sabe dizer "lamento"

(por Ana)

segunda-feira, novembro 06, 2006

Linguagem do amor

Encaro cada sensação que me proporcionas
Como uma linguagem nova nunca antes estudada...
Movimentos e sons, cheiros e electricidade nos teus dedos...
Tudo percorre o meu corpo de ponta a ponta.

Não consigo fechar os olhos
Vendo-te... aprendo...
Com o meu corpo... ensino-te...

O meu peito ofegante marca o ritmo do desejo que me invade...
No compasso das sílabas da linguagem da nossa paixão...
Eu traduzo que me queres... que gostas do meu gosto...
Que precisas das minhas mãos... que precisas de mim.
Nos meus olhos... lês que te desejo em mim...
Finalmente...
Começamos a respirar em conjunto...
Esquecemos a pontuação...
E sem reticências...
Juntos escrevemos a palavra... fim...

As palavras desta linguagem... nós repetimo-las...
Sussurrando... gritando...
Só nós as sabemos...
Só nós as dizemos de forma tão profunda...
Só nós a conversamos assim...

É esta a linguagem...
Que juntos...
Criámos...
Aprendemos...
Que... um com o outro... falámos...

domingo, novembro 05, 2006

Memórias do ontem...

Penso em ti hoje, como se o hoje fosse o ontem... O ontem de algum tempo atrás, de um tempo passado, mas presente...
Mantenho-te vivo na minha memória, revivendo o tempo que nos pertenceu, os momentos que nos permitimos compartir, os ápices que o destino reservou para nós...
Ontem... ontem descansaste nos meus braços, enrolado em mim, entrelaçado nas minhas pernas partilhando o mesmo ensejo, o mesmo desejo...
Ontem... ontem deslizaste nos meus lençóis procurando-me dentro de mim, como se fosse possível encontrar ainda mais um pouco da minha alma que desconhecesses e não te pertencesse...
Ontem preencheste todos os lugares, cantos e recantos do meu corpo que guardo, no silêncio dos meus desejos, para ti...
Ontem... brincámos como duas crianças... rimos porque sim, porque estarmos juntos, sentirmos o calor, a presença um do outro, faz-nos sorrir, rir do tudo e do nada... porque partilharmos o mesmo minuto das nossas vidas separadas, nos completa, nos preenche...
Hoje... hoje na ânsia de ainda te sentir meu e em mim, nego a tua ausência... nego a insana firmeza do meu olhar procurando-te no escuro da minha alma... pois que hoje não mais os meus olhos alcançam os teus... estes olhos com sorrisos presos nas íris chuvosas... olhos de um mundo perdido para mim...
Hoje... hoje nego a intensidade com que ainda sinto, meramente na memória, os teus lábios a cobrir o meus... a tua língua dançando com a minha... as nossas mãos enlouquecidas pelo prazer de nos sentirmos, percorrendo os nossos corpos... os gemidos impossíveis de serem contidos...
Encosto-me ao espelho do ontem, ofegante, e sei, sei dolorosamente que do outro lado estás tu, encostado, cansado, perdido nos teus medos particulares, os teus monstros, os teus ossos, o teu livro, quase sinto a tua respiração. Grito o teu nome, grito, grito até à loucura, quero-te presente, quero-te aqui... Quebro o espelho. Estilhaços por toda a parte... Estilhaços de mim... Desespero de te querer fora de mim e simultaneamente dentro.
Teço e abraço o silêncio que deixaste com a tua partida... Trago-o em mim... Perfumo-o com a minha memória... Embriago-me dele, como se de um pedaço de ti se tratasse...
Onde estás agora, em todos os momentos em que sufoco pela impossibilidade de te ter, fazer meu e fazer-me tua?
Neste espaço limitado que é o meu ser, a minha alma contorce-se na angústia de te sentir apenas no ontem...
Hoje mais que todos os outros dias...
Hoje fico sozinha a afogar-me na minha fraqueza que és tu...