domingo, outubro 28, 2007

Aquela música...

Quantos de nós já não esteve num lugar em que de repente se está a ouvir uma música e pensa de quem será a música?
Talvez porque a melodia nos diz algo, ou até porque a letra tem algum significado para nós...
Pois foi isso que me aconteceu ontem... e como tal gostava de partilhar aquela música que despertou a minha atenção...


Ivete Sangalo - Quando A Chuva Passar

Pra quê falar
Se você não quer me ouvir?
Fugir agora não resolve nada

Mas não vou chorar
Se você quiser partir
Às vezes a distância ajuda

E essa tempestade um dia vai acabar
Só quero te lembrar
De quando a gente andava nas estrelas
Nas horas lindas que passamos juntos
A gente só queria amar e amar e hoje eu tenho certeza

A nossa história não termina agora
Pois essa tempestade um dia vai acabar

Quando a chuva passar
Quando o tempo abrir
Abra a janela e veja eu sou o sol
Eu sou céu e mar
Eu sou seu infinito
E o meu amor é imensidão

Só quero te lembrar
De quando a gente andava nas estrelas
Nas horas lindas que passamos juntos
A gente só queria amar e amar
E hoje eu tenho certeza
A nossa história não termina agora
Pois essa tempestade um dia vai acabar

sexta-feira, outubro 26, 2007

Pedaços de Uma História


"Há histórias que já começam com um final escrito. São obras fechadas, caminhos traçados. Não adianta querer pintá-las com as cores que mais gostamos ou desejar que o tempo possa mudar o seu rumo. Elas são assim... inalteráveis"
("Páginas ao Vento" publicado a 19 de Março de 2007)
Inalteráveis? Que sabia eu?! A vida mostrou-me que não existem finais escritos.
Como diz o meu amigo Pedro Arunca , "cada dia que passa é uma página do livro que nos compete escrever". E eu escrevi. Escolhi o tipo de papel mais macio que encontrei, peguei na lapiseira que melhor se moldava á minha mão e soltei as palavras que bem entendi. Fui escrevendo, capítulo a capítulo, ao sabor do meu desejo... a história que, um dia, julguei estar terminada. Não estava. E hoje sei...
Não foi um caminho fácil... e tantas vezes quase desisti. Quase.
"Não gosto dos quases que existem na minha vida. Não me libertam. Não me reconfortam. Pelo contrário, transformam tudo o que esteve quase... em quase nada."
( "Quase" publicado a 8 de Julho de 2007)
Corrijo. Gosto deste quase. Dizer que quase desisti, significa que não o fiz. Significa que transformei toda a minha história num desafiante talvez. Talvez tenha sido a minha teimosia, talvez a minha força, talvez até atrevimento... ou, quem sabe, talvez tenha sido apenas o saber esperar que o tempo mudasse o seu rumo.
"E que tempo é este? Amigo? Perdido? Nosso? Ou apenas meu?"
("Tempo" publicado a 12 de Dezembro de 2006)
Era o tempo que eu precisava para chegar aqui. Era o tempo que tu precisavas para saberes onde querias chegar.
Era um tempo amigo... jamais perdido... meu, teu... e sem dúvida, NOSSO.

terça-feira, outubro 16, 2007

O Meu Olhar Sobre o Mundo

Melgaço é uma cidade linda, apesar de pequena, com pessoas simpáticas, onde a beleza das paisagens e a magnitude da natureza se mostram vestidas de tonalidades que preencheriam a mais completa palete de cores.



Conta-me histórias, de tempos, a que eu gostaria de voltar
Tenho saudades, de momentos, que nunca mais vou encontrar
A vida talvez seja só três dias
E eu quero andar sempre devagar, até a ti chegar...


fotografia: Å®t Øf £övë
música: Ninguém (é de ninguém)

segunda-feira, outubro 15, 2007

Like a dream

Não era para ser, mas foi...

Não era para sentir, mas sentiu...

Não era para acontecer, mas aconteceu...

Angústia? Alguma... Receio? Muito... Felicidade? Sempre...

Retroceder? Impossível...

Avançar? Talvez...

Insegurança? Um pouco...


A noite brilhava por entre o escuro. As memórias que não identificava misturavam-se nas recordações sobrantes. Ora se encolhia de medo, ora sorria deliciada. Virava-se, revirava-se, revoltava-se... contorcia-se... alucinada...

Olhou-o. Sem encontrar o seu corpo, viu-o, sentiu-o, ouviu-o, sorriu... sem ansia, sem medos, sem certezas nem interrogações, tranquilizou-se a si mesma num sono prolongado como um beijo demorado. O dele.

sexta-feira, outubro 12, 2007

Consumo

Recebi a conta da EDP. Digo já, não sou daqueles que telefona a dizer a quanto vai o contador da minha casa, e sou sincero, prefiro nem saber.
E acho que deve ser assim, não quero saber o quanto gasto de energia.
Se eu, um dia, tivesse um contador no meu corpo, podia controlar perfeitamente os meus consumos, provavelmente até entrar numa de poupança... mas não, não quero, não faço leituras, não as dou a ninguém, não sei o quanto estou a gastar, nem quanto vou pagar no final.
Nas emoções sou mesmo um gastador, e sabem porquê? Vivo um dia de cada vez, e acreditem que vivo mesmo.

"Ninguém é tão velho que não possa viver mais um ano,
Nem ninguém é tão novo que não possa morrer já"

quinta-feira, outubro 11, 2007

Um Sorriso / Uma Viagem pela Alma

Liberta-te…
Passeia agora bem no fundo de tua alma, sente a vibração que o amor te entrega. Vagueia chafurdando nos sentidos, percorre a fundo a estrada que te leva até ao Nirvana…

Liberta-te…

Solta bem alto esse grito da alma, esse teu inconfundível sorriso, és livre agora, és cada vez mais apenas tu…

Vagueia…

Olha para o céu abrindo os braços, sente o conforto que a vida te traz, o calor que o sol te oferece…

Olha para mim e escuta, apenas escuta…

Por vezes a nossa vida mais parece um deserto melancólico, percorrido entre as areias de tristeza e monotonia por nós criadas, por outros criadas ou simplesmente criadas ao acaso do vento. Mais parece não haver saída, entre a espada e o frio da parede um dia acabamos por acordar, porquê? Fiz algo de mal? A vida é mesmo assim e pronto! Nada mais há por explicar. Até que um dia vemos um sorriso! Um simples e profundo sorriso, um olhar, um olhar profundo que entra bem no fundo de nós e vasculha o nosso coração e a nossa alma. É então que acabamos por descobrir que afinal aquelas melancólicas areias que percorremos no nosso próprio deserto, existe afinal um brilho bonito, um arco-íris de cores que nos fazem sorrir sonhar voar, e é mesmo nesse preciso momento que sentimos que afinal naquele deserto existe uma brisa fresca que nos refresca a alma, e se continuarmos a procurar quase de certeza que vamos encontrar uma queda de água que nos vai matar a sede e nos vai fazer cantar e voltar a sorrir, e quando menos esperarmos vamos começar a ver no horizonte um raio de luz a nascer, um raio de luz que nos rasga a tristeza, uma luz tão forte que atravessa as areias e as faz brilhar, a água passa então a luzir pequenas gotinhas de cores maravilhosas, e lá no fundo mas bem no fundo começamos a ouvir a musica que a brisa nos traz…

Ao som de "Shine On You Crazy Diamond" dos Pink Floyd

segunda-feira, outubro 08, 2007

O meu "Pedaço" # 15

Não me adianta procurar, porque não existem livros para homens que sejam pais... nem na secção de ciências ocultas.
Depois do bebé nascer deixamos de fazer parte da equação natural.
Não se trata de uma conspiração. As mulheres até tentam manter os homens dentro da equação. O problema é que nós não sabemos como nos manter maternos.
Seremos homens capazes de inventar um complexo químico qualquer que nos permita manter integrados neste acto solene de paternidade sem bocejar?
Porque raio ninguém até hoje criou um código de conduta que discipline a actuação do homem numa família?
Talvez seja porque o pai é apenas o selvagem num meio que exige harmonia e paz.
Eu disse... apenas?
Isso já me parece imenso...

domingo, outubro 07, 2007

Viagem


Existem lugares que marcam a nossa vida. São lugares cheios... não cheios de gente, mas cheios de nós.

São lugares que contam a nossa história, sussurram-nos lembranças, gritam os nossos segredos. Guardam em cada parede um olhar, em cada canto uma lágrima, em cada objecto um sorriso. São lugares que nos queimam por dentro e nos roubam a alma por instantes.
Fazem-nos viajar a recantos de nós que julgávamos não mais existirem. Ressuscitam emoções que um dia quisemos deixar morrer.
Voltei a um desses lugares... onde tantas vezes me perdi de mim mesma, e onde tantas outras me encontrei. Onde o tempo parava para me ouvir gritar sentimentos em silêncio... embalados por uma música cuja letra contava uma história igual á minha.
Voltei e revi-me... revi-me em cada canto, em cada objecto, em cada palavra. Senti na pele o calor das noites sem fim e na boca o doce amargo sabor de cada momento ali vivido.

Saí de mim mesma e deixei-me ir... como quem vai em busca de uma qualquer resposta, supostamente deixada ao acaso num dos cantos daquele lugar. Deixei-me novamente embalar pelas velhas musicas que ainda contam a mesma história. Uma história que ainda é a minha.

Esqueci quem sou e procurei quem fui. Viajei por mim mesma e reencontrei caminhos já esquecidos. Caminhos que ficaram ali guardados, sem nunca levarem a lugar nenhum...
Chegada a hora de ir embora, voltei a mim. Despedi-me de quem fui e abracei quem sou. Deixei que cada refrão me contasse uma história diferente daquela que foi a minha... talvez a que ainda quero viver.

Devolvi cada emoção a cada parede, a cada canto, a cada objecto ... e, lançando-lhes um último olhar á saída, pedi-lhes baixinho que continuassem a guardar as minhas lembranças, para nelas seguir viagem sempre que me apetecer ali voltar.

terça-feira, setembro 25, 2007

Perdi-me

Fiz-me cúmplice do doce frio da espada que me encosta, a esta parede chamada vida.

Habituei o corpo ao fracasso, ao gosto ternurento do despreso.

Perdi-me nos caminhos do não… do talvez um dia. Escrevi com lágrimas e traições a infame estória de minha vida.

Perdi, chorei, sofri, deixei-me cair nos caminhos da descrença da pouca vontade de sorrir…

Perdi-me…

Mas não morri…

Ainda não morri…

domingo, setembro 23, 2007

De Visitante a Participante

O “Pedaços de Nós” fez 2 anos de existência, razão pela qual deixo os meus parabéns a todos vós. Não é fácil manter um espaço em que a diversidade de comunicação é grande. Assim sendo, se ainda existe é porque coabitam moderação e coesão dentro desta “família”.

Fui pois convidada pelo Art a fazer parte dela também. Aceitei com o maior carinho por várias razões.
A primeira, prende-se com o facto de o “conhecer” desde que iniciei a minha caminhada no mundo da blogosfera. Umas vezes com mais contacto, outras menos, mas são as circunstâncias de vida que nos levam a tal. O que interessa no entanto, é o facto de ainda permanecer o elo de ligação.
Em segundo lugar porque já vos leio há algum tempo, e sempre admirei o respeito que é dedicado às mais variadas posturas encontradas neste núcleo. Associo ainda a grande diversidade de informação, se assim o quisermos designar, proporcionadora de uma amplitude na qual pode haver identificação ou não. No entanto, tal como é salientado, a liberdade impera.

Pela minha parte, considero que embora seres sociais, somos acima de tudo unos. Logo, a resposta que cada um de nós dá a um mesmo estímulo tende a variar. E é desse grande leque de respostas que o conhecimento, a aprendizagem, a discussão salutar, podem aparecer com a consequente evolução, seja ela em termos latos ou restritos.
É portanto com esta forma de estar que deixarei aqui a minha contribuição para o crescimento desta família que, apesar de todas as vicissitudes, ainda se encontra reunida após 2 anos de vida.

A foto que usei neste post é o que considero a minha identificação no meio em que todos nós nos encontramos. É possível que já me tenham visto por aí…
O meu MUITO OBRIGADO a todos e um agradecimento especial ao Art.
Obrigado Art, pela oportunidade que me facultaste!

PS: Aparece como identificação as letras Alx. É somente a forma que usei para registo visto que o nome que utilizo é Alexandra.

terça-feira, setembro 18, 2007

2º Aniversário

Parabéns ao "Pedaços de Nós"

Parabéns a todos nós...



Porquê o Cubo Mágico?
Provavelmente porque representa um pouco de cada um de nós aqui no "Pedaços"...
Umas vezes com todas as nossas "cores" em sintonia... outras vezes com as "cores" completamente desligadas umas das outras...
O Cubo Mágico representa um pouco o que é viver... existir... um verdadeiro quebra-cabeças, em que tentamos arranjar maneira de encaixar de forma perfeita todos os pormenores e objectivos da nossa vida.
Na vida, como para resolver o Cubo Mágico, há que ter a capacidade de virar e revirar as peças até obtermos as suas seis faces cada uma com a sua cor. Mas para isso há que conhecer bem o cubo, afeiçoá-lo, alimentá-lo, e dar-lhe um pouco de colinho e carinho, porque os cubos são muito sensíveis, tal como a vida... tal como o "Pedaços de Nós".

sexta-feira, setembro 07, 2007

O Meu Olhar Sobre o Mundo

Óbidos é lindíssima, e o ambiente que a rodeia é deslumbrante.
Cercada por uma muralha espectacular permite-nos passear, e desfrutar da pousada que é divinal. Cada cantinho parece ter sido tirado de um quadro qualquer.
Vale a pena passar lá um fim-de-semana romântico.
Os seus restaurantes e demais lugares, como bares e casas típicas são um sítio óptimo para descansar, e para fugir ao stress citadino. Neste sentido, digo-vos que nem que seja por uma vez na vida vale a pena ir a Óbidos e apreciar o encanto deste lugar único.

Quando posso lá vou eu dar uma escapadela até este lindo lugar, porque pensar num fim-de-semana de pura descontracção e tranquilidade, é uma ideia inevitável... e possível de ser concretizada... é um sonho tornado realidade... para uma sempre necessária revitalização, rodeado de aromas e sabores especiais, entre uma Ginjinha e um Toupeiro, ao som de "Sometimes You Can't Make It On Your Own"...


Tough, you think you've got the stuff
You're telling me and anyone
You're hard enough

You don't have to put up a fight
You don't have to always be right
Let me take some of the punches
For you tonight

Listen to me now
I need to let you know
You don't have to go it alone

And it's you when I look in the mirror
And it's you when I don't pick up the phone
Sometimes you can't make it on your own

We fight all the time
You and I... that's alright
We're the same soul
I don't need... I don't need to hear you say
That if we weren't so alike
You'd like me a whole lot more

I know that we don't talk
I'm sick of it all
Can you hear me when I sing
You're the reason I sing
You're the reason why the opera is in me...

Where are we now?
I've got to let you know
A house still doesn't make a home
Don't leave me here alone...

fotografias: Å®t Øf £övë
música: "Sometimes You Can't Make It On Your Own"

quarta-feira, setembro 05, 2007

Poesia alentejana

Estava há pouco, fazia muito tempo, à volta do Abacate dos meus "Versos de afrudite" quando o meu amigo Cavaleiro da Costa (alentejano de gema e clara alfacinha) me brinda com a porra dum mail com poema que fala assim:

O CARACOLI...

Tava eu tirando moncos
lá da cana do nariz
enquanto fazia uma mija
assim tipo chafariz

Tinha a bexiga tã chêia
que fiquê lá uma hora
quando me assomê em volta
tinha ido tudo embora

Sacudi o coiso e tal
enquanto coçava a bilha
de tal manêra atascado
que o entalê na braguilha

tirê as botas do lodo
que fizera na mijada
sacudi tamém as calças
sempre com ela entalada

pedi ajuda à Ti micas
que cerca dali morava
mas depilou-me os tomates
a força com que a puxava

ensanguentado na pila
fui aos tombos pelo monti
vomitando quasi as tripas
nã sêi se queres que te conti

como comera dôs pães de quilo
e um garrafão p'a empurrare
na admira que tivesse
três horas a vomitare

Detê-me na palha fresca
para ver se descansava
enterrê-me logo em bosta
de uma vaca que passava

E foi assim que essa tarde
conheci um caracoli
os dois deitados na palha
c'os cornos a secare ao soli
_______________
Comentário dele:
"QUANDO TIVER UM BLOG, VOU FAZER POESIA DENTRO DESTA LINHA DE PENSAMENTO. FAZ MAIS O MEU GÉNERO. (á poeta dum cabrão) !!!!
__________________
Minha resposta:

Este fez-me chorare
de tanto já me rire
não me leve a male
mas vou imprimire

Nã diz quem foi autore
Mas escrebe dirêto
Talvez seja doutore
o sacana tem jêto

Poema desta natureza
não é uma brincadêra
Escreve com pena tesa
Não bateu na azinhêra

segunda-feira, agosto 27, 2007

Talvez um dia...


Sim, talvez um dia me dispa de preconceitos e venha a publico admitir as variações das ondas P da minha caixa de fusíveis. Quem sabe nesse dia, talvez me solte das falas mansas e discurse os sentimentos em uma só voz de comando. Mande uns quantos gritos de revolta em torno deste nosso sentimento, que nos empurra a alma para o charco. E quem sabe, talvez nesse dia acabe de vez com este nosso estranho fado que nos obriga a gostar de estar na merda.
Talvez quem sabe um dia…
Assuma de uma vez por todas este meu movimento Narcisista, esta minha estranha forma de me sentir bem. Talvez nesse dia venha a descobrir que não faço suspirar todas as mulheres que se atravessam em meu passeio, que afinal não me observam atentamente enquanto desço a calçada em suaves passos de estilo.
Quem sabe talvez um dia…
Venha mesmo a descobrir a combinação secreta, que abre esse teu coração escondido na dor. Talvez nesse dia te assalte a alma e te roube esse teu sentimento de imponência, que te rasga o sorriso em cada passo teu, em cada momento em que me dizes que não.

Quem sabe…

Talvez um dia…

Venhas a entender a dor que me percorre a alma…

O amor que me assola os sentidos

A raiva que me rasga o coração

Quem sabe talvez um dia...

sábado, agosto 18, 2007

Love or sex?

Gosto tanto de ouvir-te como de tocar-te.
Só depende do momento.
Quando os dois momentos são um só, fica perfeito.
E então, gosto de olhar-te,
Enquanto te cheiro
E perco-me a sentir-te...

sábado, agosto 11, 2007

Nada Vence as Paixões Profundas de Cada Um

As paixões opõem-se às paixões, e podem servir de contrapeso umas às outras; mas a paixão dominante não se pode conduzir senão pelo seu próprio interesse, real ou imaginário, porque ela reina despoticamente sobre a vontade, sem a qual nada se pode. Contemplo humanamente as coisas, e acrescento nes­se espírito: nem todo o alimento é próprio para todos os cor­pos; nem todos os objectos são suficientes para tocar deter­minadas almas. Quem acredita serem os homens árbitros soberanos dos seus sentimentos não conhece a natureza; consiga-se que um surdo se divirta com os sons encantado­res de Mureti, peça-se a uma jogadora, que está a jogar uma grande partida, que tenha a complacência e a sabedo­ria de se enfadar durante a mesma, nenhuma arte pode fazê-lo.
Os sábios enganam-se quando oferecem a paz às paixões: as paixões são inimigas dela. Eles elogiam a mo­deração para aqueles que nasceram para a acção e para uma vida agitada; que importa a um homem doente a delicadeza de um festim que lhe repugna? Nós não conhecemos os defeitos de nossa alma; mas ainda que pudéssemos conhecê-los, raramente havería­mos de os querer vencer.
As nossas paixões não são distintas de nós mesmos; al­gumas delas são todo o fundamento e toda a substância da nossa alma. O mais fraco dos seres iria querer perecer para se ver substituído pelo mais sábio? Dêem-me um es­pírito mais justo, mais amável, mais penetrante, aceito com alegria todos esses dons; mas se me tiram também a alma que deve desfrutar dele, esses presentes não são nada pa­ra mim.
Isso não dispensa ninguém de combater os seus hábitos e não deve inspirar aos homens nem abatimento nem tristeza. (...) A virtude sincera não abandona os seus amantes; os próprios vícios de um homem bem-nascido podem passar a contribuir para a sua glória.

Luc de Clapiers Vauvenargues, in 'Das Leis do Espírito'

segunda-feira, julho 23, 2007

A vida serve para foder, amar, e morrer...

Passamos a vida a tropeçar em desencontros, em chegar tarde de mais ao que queremos viver. Por isso é que vivo tudo o que me dá na real gana. Estes últimos anos foram prodigiosos, sinto que rejuvenesci... sim, porque o sexo renova.
A quantidade de flirts, noites com Harmony, e outras menos harmoniosas que passei, fazem-me saber bem o que quero... quero continuar a viver de uma forma despreconceituosa. A opinião dos outros sobre a minha vida é pouco relevante.
É bom saber que vou sempre a tempo de viver o que quero, porque o coração nunca se deve adiar.

domingo, julho 22, 2007

Poema com palavras usadas

( Tardei em responder ao meu próprio desafio... mas cá está!)

Mega & JB

Reconhecer o talento
Ocultar os disparates
Dinheiro excêntrico
Aplausos aos dislates

Coleccionador de nomes
Minha sombra, meu ego
Imperfeições sublimes
Sentimento sem apego

Fantástico é o poder
Libertar o criador
Fantástico é parecer
Essa a arte do sedutor

Público poderoso
Agir para o que for
Trabalhar e expor
Num museu fabuloso
_____________
Pedro Arunca
2007/07/22

domingo, julho 08, 2007

Quase...


"Pior que a convicção de um não
ou a incerteza de um talvez
é a desilusão de um "quase"
é o quase que me incomoda, que me entristece,
que me mata trazendo tudo o que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou, ainda joga
Quem quase passou, ainda estuda
Quem quase morreu, está vivo
Quem quase amou, nunca amou"
(Luís Fernando Veríssimo)
Muitas vezes penso nas coisas que quase fiz, nas palavras que quase disse, nos lugares onde quase cheguei, nas pessoas que quase conheci, nos desejos que quase realizei, nos momentos que quase vivi.
Não penso nelas como uma perda... na verdade, nunca cheguei a tê-las. Estive perto. Estive quase.
Nunca ninguém me disse que não as podia ter. Nunca ninguém me disse que não as merecia. Apenas me desencontrei de umas e cheguei tarde a outras.

Consigo lidar bem com as perdas definitivas. Sou Escorpião e, tal como dizem os astros, morro e renasço facilmente. Supero o que não é possível. Esqueço o que não está ao meu alcance.
Um não doi, magoa, fere... mas liberta-me e faz-me querer virar a página. Consegue ter em mim um poder regenerador, que me faz querer seguir em frente, mesmo que noutra direcção.

Já o talvez desafia-me, atiça-me, motiva-me. Saber que talvez possa ir por ali, ou por acolá... saber que talvez possa chegar onde quero... que talvez possa ser, sentir, viver o que desejo... deixa-me inquieta, ansiosa e desperta em mim uma teimosia sem limites.
O talvez incomoda, enerva, fervilha... mas tem um gosto doce de possibilidade, que só perderá ao transformar-se num não.

Mas o quase... deixa uma sensação de vazio. Vazio de algo que esteve próximo, mas não chegou a estar.
É um talvez que deixou de o ser, mas que nunca chegou a ser não. É um livro que perdi, sem ter acabado de ler.
Dizer que se esteve "quase a.." poderá parecer reconfortante. Afinal, significa que tentámos, que fizemos alguma coisa e que quase conseguimos. Não foi uma derrota imediata. Tivemos possibilidade e estivemos quase lá.
Quase... mas não chegámos a estar.

Não gosto dos quases que existem na minha vida. Não me libertam. Não me reconfortam. Pelo contrário, transformam tudo o que esteve quase... em quase nada.

sexta-feira, julho 06, 2007

Hey Joe...

O Pedro Arunca propôs-nos publicarmos aqui no "Pedaços de Nós" um texto retirado de um jornal, o qual ele irá utilizar como base de inspiração para construir um poema.
Vou transcrever um artigo de opinião do Fernando Marques, intitulado "Hey Joe...", e publicado no Jornal de Notícias do dia 01/07/2007.

Quando eu for rico como Joe Berardo e tiver uma colecção de arte ainda mais moderna e contemporânea do que a dele, hei-de lembrar-me que o dinheiro pode comprar aplausos para os meus disparates, mas jamais será capaz de ocultar as minhas imperfeições. Hei-de lembrar-me de não agir como dono do mundo, porque, querendo parecer o que não sou, serei exactamente aquilo que pareço uma ilusão.

Quando eu for excêntrico como Joe Berardo e quiser expor os meus valiosos tarecos artísticos num museu, hei-de lembrar-me que não fui eu que os fiz; e que, por isso, é inútil e ridículo emprestar-lhes o meu nome, oferecer-lhes a minha sombra, sobrepor-lhes o meu ego. Hei-de lembrar-me de os libertar do meu sentimento de posse, do meu apego, para que, destituídos de mim, exprimam o que realmente são.

Quando eu for poder como Joe Berardo, hei-de lembrar-me de designar as pessoas pelos seus nomes. Hei-de lembrar-me de não dizer "O homem não está a ser bem aproveitado, talvez até nem precise de trabalhar", como se esse homem sem nome - que, por acaso, se chama António Mega Ferreira e, por acaso, é presidente do CCB e, por acaso, é um criador e não um coleccionador - fosse apenas mais um objecto do meu acervo.

Quando eu for extraordinário, sublime, fantástico, belo e sedutor como Joe Berardo, hei-de lembrar-me de permitir que os outros sejam tão extraordinários, sublimes, fantásticos, belos e sedutores como eu. Por exemplo, hei-de lembrar-me de reconhecer o talento de Rui Costa e o direito que ele teve de cumprir o melhor da sua carreira fora do Benfica. E hei-de lembrar-me - apesar do tipo fabuloso que eu serei quando for extraordinário, sublime, fantástico, belo e sedutor como Joe Berardo - de pensar duas vezes antes de emitir juízos públicos sobre outras pessoas. Não porque isso pesasse realmente no curso próspero da minha vida. Apenas para evitar que eu, um homem tão rico, excêntrico, poderoso, extraordinário, sublime, fantástico, belo e sedutor como Joe Berardo, tivesse que andar sempre a pedir desculpas pelos meus dislates.

Pedro desejo-te boa sorte para esta iniciativa, e espero que o texto te inspire...

Texto original pode ser lido [Aqui]

quarta-feira, julho 04, 2007

Poema com palavras usadas

Não, não é uma campanha nem uma corrente. É um desafio a que me proponho. Só preciso que, pelo menos um dos inquilinos deste blogue, me forneça um, dois ou três textos (artigo, notícia, ensaio, etc) retirado(s) dum jornal e/ou revista conhecido(s) (DN, JN, Público, Expresso, etc).
A ideia é tentar construir um poema a partir das palavras usadas nesse(s) texto(s).
O(s) texto(s) deverá(ão) ser "postados" previamente (digitalizado se possível e mantido na posse do "postador").

Um abraço

domingo, junho 24, 2007

O Meu Olhar Sobre o Mundo


Like a Summer in Paris... at night
Far away from all my worries... I can live again
Far away from the cool... I run away... to Paris
And in your arms, I forget myself... all night long

Summer in Paris...
Like a Summer in Paris... at night
A sublime desire of a Summer in Paris
I miss that kiss...
On Summer in Paris...


fotografia: Å®t Øf £övë
música: Summer in Paris

sábado, junho 23, 2007

A mulher que oferecia pedras

“Nunca escreveu cartas de amor. A mulher, que também poupava palavras, não deixou nunca de lembrança escritos de amor a ninguém. Não porque não o sentisse, apenas não o escrevia. Por que haveria de o fazer? Quando amava alguém, estivesse essa pessoa perto ou distante, oferecia pedras. Não eram preciosas, senão para ela. Pedras normais. Podia recolhê-las na praia, numa serra, na rua. Podiam ser brita, pedras cristalinas, calcárias, pirites, quartziticas... Podiam ser ovais, macias, rugosas, redondas... um cubo tosco da pedra de calçada. Eram sempre diferentes. Todos os seus amantes tinham uma pedra sua. Só uma, que a mulher nunca foi de excessos. Afinal, bastava dizer uma vez que os amava. Mesmo as cartas de amor não são tão frequentes. Na pedra estava tudo o que sentia.
Um dia a mulher morreu. No seu funeral reuniram-se os amantes. Cada um com a sua pedra. Não era algo que não guardassem. Não se rasga como se faz com uma carta de amor. E nunca levariam consigo uma carta de amor, já a pedra...
Ao encontrarem-se não evitaram a comparação. Não seria por isso que as teriam levado? Qual seria a mais bonita. A mais rara. A de mais valor. Qual mostraria uma maior indiferença. Não contava ali a duração da relação. Nem tão pouco as relações que implicaram uma vida a dois. Apenas as pedras. Uma pedra pequena, branca, igual a tantas outras em qualquer praia, só poderia significar desdém. A pedra-pomes valeria mais do que o granito comum? Um deles garantia que a sua pedra oval de um esverdeado transparente era, sem dúvida, rara. Se as cartas de amor que, a cada altura e para cada pessoa, são escritas com a mesma verdade, beleza e intensidade, porque não poderiam ser as pedras iguais? Cada uma, única. Cada uma bela. Cada uma amável. Cada uma, a seu tempo, no seu tempo, especial. Mas para eles, que se exaltavam já, tinha de haver uma hierarquia. A mulher diria, como Angel Cabeza, ao vê-los, se os visse “Os homens sofrem como as pedras: cheios de musgo verde e caras feias”.
Um dos amantes esteve sempre em silêncio. A sua pedra, a mais pequena, que fechava na sua mão, tinha escrito o nome da mulher. Sorriu. Foi embora. Nada disse, como a pedra, que nada dizendo, disse-o.”

Voz que se cala

Amo as pedras, os astros e o luar
Que beija as ervas do atalho escuro,
Amo as águas de anil e o doce olhar
Dos animais, divinamente puro.

Amo a hera que entende a voz do muro
E dos sapos, o brando tilintar
De cristais que se afagam devagar,
E da minha charneca o rosto duro.

Amo todos os sonhos que se calam
De corações que sentem e não falam,
Tudo o que é Infinito e pequenino!

Asa que nos protege a todos nós!
Soluço imenso, eterno, que é a voz
Do nosso grande e mísero Destino!...

(Florbela Espanca)

segunda-feira, junho 18, 2007

Com pouco... se diz muito...

"A infelicidade é não saber o que se quer
e fazer um esforço enorme para consegui-lo"

sexta-feira, junho 15, 2007

like a dream

No silêncio da noite sentiu a memória tocar-lhe os lábios.

Num tempo fugaz. Efémero. Mordaz.

De mãos aveludadas percorreu-lhe o corpo, em doces palavras murmuradas. Caladas. Consentidas.

Vibrou ao orgasmo duma lua ofuscada.

Sensações encontradas, apanhadas, guardadas numa ansiedade violada.

No calor do abraço roubou-lhe o beijo, o fôlego e a paixão.

Num tempo curto, demasiado curto de tão longo, permitiu-se viver, reviver, cansar-se, atordoar-se, esgotar-se.

Revolveu-se. Revoltou-se.

Escutou. Indagou. Protestou. Consumou.

Na calada da noite, num momento fugaz, efémero, mordaz, o medo possuiu-se. O pânico emulou-se, o silêncio calou-se e o tempo... adormeceu.


quarta-feira, junho 13, 2007

O meu "Pedaço" # 14

Não compreendo as mulheres que choram a qualquer momento por tudo e por nada... Irritam-me... porque parece que vertem lágrimas como se estivessem a fazer chichi.
Ao menos eu, quando sinto vontade de chorar, finjo que estou com um aperto, vou à casa de banho e abro as torneiras para molhar a cara.
Não pensem que sou contra o choro. Não, nada disso, até porque as lágrimas nas mulheres... refrescam-me... levantam-me a moral... e às vezes até lhes lambo os cantos dos olhos... a mim sabe-me como beber umas caipirinhas... só que sem álcool... inteiramente naturais!!!
Quando digo "não chores" funciona sempre, porque só de mencionar o verbo "chorar" emociona-as, e liberta-as para chorarem ainda mais!!!
Só intervenho com palavras de esperança, e de amor quando elas vão longe de mais e começam a pingar do nariz.
As mulheres depois de chorar ficam quase sempre com vontade de fazer amor. É como se apanhassem uma chuvada... ficam todas molhadas... e eu funciono como a toalha que está mais à mão...
E as que choram depois de fazerem amor? Estarão assim tão arrependidas? Comovidas? Simplesmente agradecidas?
Gostaria de pensar que sim... de preferência as três coisas ao mesmo tempo... mas a verdade é que nem elas próprias sabem!!!
Riem-se logo de seguida... mas as piores são as que se riem logo ao princípio... mas a verdade é que as piores também são as mais queridas...
É horrível, não é?
Mas só um santo é que não se aproveitaria...

domingo, junho 10, 2007

A Idade do Silêncio

A primeira linguagem que os humanos tiveram foi os gestos. Não havia nada de primitivo nesta língua que brotava das mãos das pessoas, nada que hoje se diga que não pudesse ser dito nesse imenso rol de movimentos possíveis com os ossos finos das mãos e dos dedos. Os gestos eram complexos e subtis, envolvendo uma delicadeza de movimentos que se perdeu completamente desde então.
Durante a Idade do Silêncio, as pessoas comunicavam mais, e não menos. As necessidades de sobrevivência exigiam que as mãos quase nunca estivessem paradas, e a única altura em que as pessoas não estavam a dizer isto ou aquilo (e por vezes nem aí) era quando estavam a dormir. Não havia qualquer distinção entre os gestos da linguagem e os gestos da vida. A acção de construir uma casa, por exemplo, ou de preparar uma refeição, exprimia tanto como fazer o gesto para dizer, Eu Amo-te ou Sinto-me sério. Quando uma mão era usada para esconder uma cara assustada por um ruído violento, isso era dizer alguma coisa; e quando os dedos das mãos eram usados para apanhar alguma coisa que alguém deixara cair no chão, também aí, algo estava a ser dito. Naturalmente, também havia mal-entendidos. Por vezes, um dedo podia ser erguido apenas para coçar o nariz, e no caso de haver um contacto visual fortuito com um amante nesse preciso momento, então o nosso amante poderia tomar acidentalmente esse gesto, em tudo idêntico, ao que usaríamos para dizer, Agora percebo que fiz mal em amar-te. Estes mal-entendidos eram de partir o coração. No entanto, como as pessoas sabiam como era fácil eles acontecerem, como não viviam na ilusão de se entenderem perfeitamente umas às outras, estavam habituadas a interromper-se umas às outras para perguntar se tinham entendido bem. Às vezes estes mal-entendidos eram até desejáveis, pois davam às pessoas o ensejo de dizer Desculpa, estava só a coçar o nariz. Claro que sei que fiz bem em amar-te. Devido à frequência destes erros, com o tempo o gesto para pedir perdão evoluiu para a forma mais simples. O simples gesto de abrir a palma da mão passou a querer dizer: perdoa-me.
Tirando uma excepção, praticamente não existe nenhum registo desta linguagem primeira. A excepção, na qual se baseia todo o conhecimento sobre o assunto, é uma colecção de setenta e nove gestos fossilizados, impressões de mãos humanas congeladas a meio das frases, conservadas num pequeno museu em Buenos Aires. Uma delas representa o gesto para Às vezes quando a chuva, outra para Ao fim destes anos todos, e outra para Terei feito bem em te amar?
Se em grandes reuniões ou festas, rodeados de pessoas de quem nos sentimos distantes, sentimos por vezes as nossas mãos pender desajeitadamente na ponta dos braços – se não sabemos bem o que fazer com elas, possuídos pela tristeza que sobrevém quando reconhecemos a estranheza do nosso próprio corpo – é porque as nossas mãos têm memória de um tempo em que a divisão entre corpo e mente, cérebro e coração, o que está dentro e o que está fora, era muito menor. Não é que nos tenhamos esquecido da linguagem dos gestos por completo. O hábito de movermos as nossas mãos enquanto falamos ficou-nos desse tempo. Bater palmas, apontar com o dedo, esticar o polegar para cima: são tudo artefactos de gestos antigos. Dar as mãos, por exemplo, é uma forma de relembrarmos a sensação de estarmos juntos sem dizer nada. E à noite, quando a escuridão já não nos deixa ver, sentimos a necessidade de gesticular uns aos outros para nos fazermos entender.

quarta-feira, junho 06, 2007

Be happy

Felicidade é olhar para trás e acreditar,
que ainda assim, tudo valeu a pena!

sábado, junho 02, 2007

A idade do fio

Há tantas palavras que se perdem. Mal saem da boca perdem a coragem, errando objectivos até serem engolidas pela valeta como folhas secas.
Houve um tempo em que não era invulgar usar-se um bocado de fio para orientar as palavras que de outro modo poderiam perder-se pelo caminho e não chegar aos seus destinos. As pessoas tímidas traziam pequenos novelos de fio nos bolsos, mas considerava-se que os palradores também necessitavam deles, pois quem estava habituado a fazer-se ouvir inadvertidamente por toda a gente sentia por vezes dificuldade em ser escutado. A distância física entre as pessoas que usavam os fios podia ser muito pequena; por vezes, quanto menor era a distância, mais o fio era necessário.
A prática de atar copos à ponta dos fios veio muito mais tarde. Há quem diga que esta está relacionada com a necessidade irreprimível de levarmos conchas aos ouvidos, de ouvirmos o eco que ainda subsiste da expressão primordial do mundo. Outros dizem que foi iniciada por um homem que guardou a ponta de um novelo que se foi desenrolando através do oceano por uma rapariga que partiu.
Quando o mundo se tornou maior, e já não havia fio suficiente para impedir que desaparecessem na imensidão do mundo as coisas que as pessoas queriam dizer, foi inventado o telefone.
Às vezes não há fio que seja suficientemente comprido para dizer aquilo que é preciso dizer. Em tais casos a única coisa que o fio pode fazer, qualquer que seja a sua forma, é conduzir o silêncio de uma pessoa...

quarta-feira, maio 30, 2007

O pensamento masculino




O que dificulta o pensamento do Homem (estou também incluído) é a localização do nosso cérebro...!!!

segunda-feira, maio 28, 2007

O Outro

Depois de lerem este texto verdadeiramente fabuloso, vão entender porque não resisti a transcrevê-lo!!!
Quando chegarem ao final só conseguem dizer: realmente é uma grande verdade...


Após acompanhamento de vários casos, ficou provado que toda mulher precisa de dois homens: um em casa e outro fora de casa. Para entender, é muito simples:

O marido cuida da parte financeira, paga as contas dos filhos, da esposa, e da casa.
O outro cuida de você.

O marido fala dos problemas, das contas a pagar, das dificuldades do dia.
O outro fala da saudade que sentiu de você durante a sua ausência.

O marido compra uma roupa nova para ir a um compromisso de trabalho.
O outro tira essa mesma roupa só para você.

O marido dorme com aquela camiseta velha e de cueca (às vezes até de meia).
O outro dorme completamente nu, abraçadinho a você.

O marido reclama das coisas que tem que consertar em casa.
O outro te recebe no apartamento onde tudo funciona perfeitamente.

O marido telefona para casa e fica perguntando o que tem que comprar no supermercado, padaria, etc.
O outro telefona só para dizer que comprou um champanhe que você vai adorar.

O marido reclama do chefe, do trabalho, do cansaço de acordar cedo.
O outro reclama a sua ausência e os dias que fica sem te ver.

Então põe-se a questão:
- Porque não trocar o marido pelo amante?
- Pelo simples facto de que o amante, se for viver com você, passará para o papel de marido e logo, logo, você precisará arrumar outro.

Ah... esqueci o imprescindível:
O outro nunca vai tomar cerveja com os amigos numa sexta-feira!!!

quinta-feira, maio 24, 2007

Eclipse

Andava eu a vaguear pela net, quando descobri este texto da Silvana Duboc, que muito provavelmente muitos de vocês já conhecem, mas mesmo assim decidi partilhá-lo aqui, porque o acho muito bonito...


Quando o SOL e a LUA se encontraram pela primeira vez, apaixonaram-se perdidamente. E a partir daí começaram a viver um grande amor. Acontece que o mundo ainda não existia, e no dia em que Deus resolveu criá-lo, deu-lhe então o toque final... O BRILHO!
Ficou decidido também que o SOL iluminaria o dia, e que a LUA iluminaria a noite. Sendo assim, seriam obrigados a viverem separados.

Abateu-se sobre eles uma grande tristeza quando tomaram conhecimento de que nunca mais se encontrariam. A LUA foi ficando cada vez mais amargurada, mesmo com o brilho que Deus lhe tinha dado, ela foi-se tornado solitária, e o SOL por sua vez tinha ganho um título de nobreza “ASTRO REI”!
Mas isso também não o fez feliz.
Deus então chamou-os e explicou-lhes: "Vocês não devem ficar tristes, ambos agora já possuem um brilho próprio. Tu LUA, iluminarás as noites frias e quentes, encantarás os enamorados, e serás diversas vezes motivo de poesias. Quanto a ti SOL, sustentarás esse título porque serás o mais importante dos astros, iluminarás a terra durante o dia, e fornecerás calor para o ser humano, e a tua simples presença, fará as pessoas mais felizes".

A LUA entristeceu-se muito com o seu terrível destino e chorou dias a fio...
Já o SOL, ao vê-la sofrer tanto, decidiu que não poderia deixar-se abater, porque teria que dar-lhe forças, e ajudá-la a aceitar o que tinha sido decidido por Deus. No entanto a sua preocupação era tão grande, que resolveu fazer um pedido a Deus: "Senhor, ajude a LUA por favor, ela é mais frágil do que eu, e não suportará a solidão". E Deus, com a sua imensa bondade, criou então as estrelas para que lhe fizessem companhia. A LUA sempre que está muito triste recorre às estrelas, que fazem de tudo para consolá-la, mas quase sempre não conseguem.
Hoje eles vivem assim... Separados!

O SOL finge que é feliz, e a LUA não consegue esconder que é triste. O SOL ainda aquece de paixão pela LUA, e ela ainda vive na escuridão da saudade.
Dizem que a ordem de Deus era que a LUA deveria ser sempre cheia e luminosa, mas ela não consegue isso... porque ela é mulher, e uma mulher tem fases. Quando está feliz consegue ser cheia, mas quando está infeliz é minguante, e quando está minguante nem sequer é possível ver o seu brilho.

LUA e SOL seguem seu destino...
Ele solitário... mas forte!
Ela acompanhada pelas estrelas... mas fraca!

Os Humanos tentam constantemente conquistá-la, como se isso fosse possível. Por vezes alguns deles conseguem chegar até ela e voltam sempre sozinhos. Nenhum deles jamais conseguiu trazê-la até à Terra. Nenhum deles realmente conseguiu conquistá-la, por mais que se convençam que sim.
Acontece que Deus decidiu que nenhum amor nesse mundo seria de todo impossível, nem mesmo o da LUA e do SOL... e foi aí então que ele criou o ECLIPSE.
Hoje o SOL e a LUA vivem à espera desse instante. Desses raros momentos que lhes foram concedidos, e que custam tanto a acontecer.

Quando olhares para o céu a partir de agora, e vires que o SOL encobriu a LUA, é porque ele se deitou sobre ela e começaram a amar-se. E é ao acto desse amor que se deu o nome de ECLIPSE.
Também é importante lembrar que o brilho do êxtase deles é tão grande que se aconselha a não olhar para o céu nesse momento, porque os nossos olhos podem cegar ao ver tanto amor...

quarta-feira, maio 23, 2007

"A origem dos sentimentos"

(continua... se alguém pegar)... Posso pegar Pedro? Vou ousar pegar, sim!
Não quero, nem sei questionar o Amor. Não questiono sentimentos mas sim, comportamentos, atitudes e decisões, tudo quanto seja sujeito à decisão do Homem.

"Amor é um não-sei-quê, que surge não sei de onde, acaba não sei como e dói não sei por quê." – Que melhor definição poderia haver para definir o que é, seguramente, indefinível?

O amor, os sentimentos, o que são, como se manifestam, qual a sua origem... “Questionando o Amor” recordou-me um livro que li recentemente, que gostei e porque entendo que em tudo se coaduna, passo a transcrever um excerto.

Os sentimentos não são tão antigos como o tempo.
Tal como houve um primeiro momento em que alguém esfregou paus para fazer uma faísca, houve uma primeira vez em que se sentiu a alegria, e uma primeira vez para a tristeza. Durante algum tempo, estavam constantemente a ser inventados novos sentimentos. O desejo nasceu cedo, bem como o arrependimento. Quando a teimosia foi sentida pela primeira vez, despoletou uma reacção em cadeia, criando o sentimento de ressentimento, por um lado, e a alienação e a solidão por outro. Poderá ter sido um certo movimento de ancas a marcar o nascimento do êxtase; um raio de trovão a causar o primeiro sentimento de assombro. Ou talvez fosse o corpo de uma rapariga. Contrariamente à lógica, o sentimento de surpresa não nasceu imediatamente. Só chegou depois de as pessoas terem tido tempo suficiente para se habituarem às coisas como elas eram. E quando esse tempo passou, e alguém experimentou o primeiro sentimento de surpresa, houve mais alguém, algures noutro sítio, a sentir o primeiro assomo de nostalgia.
Também é verdade que por vezes as pessoas sentiam coisas para as quais não havia palavras, e que por isso passavam em claro. Talvez a emoção mais antiga no mundo seja a comoção; mas descrevê-la – só nomeá-la – deve ter sido como tentar apanhar qualquer coisa invisível.
(Donde, mais uma vez, o sentimento mais antigo do mundo poderá ter sido simplesmente a confusão).
Tendo começado a sentir coisas, o desejo das pessoas de sentir foi crescendo. Queriam sentir mais, sentir mais profundamente, por mais que às vezes doesse. As pessoas tornaram-se viciadas em sentimentos. Esforçavam-se por descobrir novas emoções. É possível que tenha sido assim que nasceu a arte. Forjaram-se novas formas de alegria, bem como novas formas de tristeza: a eterna desilusão da vida como ela é; o alívio de um adiamento inesperado; o medo de morrer.
Mesmo hoje, ainda não existem todos os sentimentos possíveis. Há ainda aqueles que estão para além da nossa capacidade e imaginação. De tempos a tempos, quando uma peça de música que jamais foi escrita, ou um quadro que jamais foi pintado, ou qualquer outra coisa impossível de prever, imaginar, ou sequer descrever, tem lugar, surge um novo sentimento no mundo. E depois, pela milionésima vez na história dos sentimentos, o coração dispara e absorve o impacto.

“A história do amor” - Nicole Krauss

sexta-feira, maio 18, 2007

Empedernida...

Ela havia perdido o rumo da sua vida. Perdida da vida e na vida e, também, perdida de si mesma. Encontrava-se todas as vezes que olhava um espelho que nada reflecte a não ser o beijo dele, o cheiro dele na sua pele. O reflexo do amor aos pedaços que se unia numa fragrância única, e a inebriava pela sua ausência...
Se fechasse os olhos, nem que fosse num subtil piscar, o sabor do corpo dele no seu regressava de imediato... o seu toque, esse visitava-a vezes sem conta... e ela ouvia-o como no primeiro aperto dos seus corpos.
E ela continuava a encontrar-se nele, no espelho, no reflexo da alma, no reflexo do seu próprio corpo, no reflexo da cama ainda desfeita e quente depois da noite em que se amaram mais uma vez perdidamente e pela última vez...
Ensandecia... a sobrevivência é terrível, não deixa lugar para o sentimentalismo. A falta de escrúpulos é um pesadelo... e é na sombra do escrúpulo que está plantada a semente da decadência... e a decaída dela desenrolava-se abruptamente...
Então, ela fingia... findavam-se as pressas, prostrava-se à vida... sentia-se calma e serena, ou fingia que assim fosse... fingia cá para fora a verdade que vivia dentro dela, ou fingia que vivia...
Sentia um prazer enorme em fazer sentir aos outros aquilo que não era. Para isso bastava-lhe, logicamente, ser alguém distante de si própria. Pediam-lhe, exigiam-lhe e ela correspondia...
Perante determinadas situações, criava, brincava, fingia-se perdida, estúpida, idiota e sorria, sorria... mesmo sem vontade... Teatralizava palavras, afastava sentimentos, fazia, fosse o que fosse e sempre alguma coisa que os outros gostavam que ela fizesse, e o esperavam dela... mesmo sem gostar... É tão simples e tão complexo, demonstrar uma ignorância contida, numa procura de si própria! E ela, o seu verdadeiro eu, continuava na sombra, teimosa em se esconder da realidade.
Hoje, permanece estática, petrificada de tanto tempo ter ficado parada... na ânsia de ser descoberta...
Assim continua, estátua de carne, onde nem os olhos se movem, nem a boca fala... só os braços se balançam em símbolo de um calado gritante não...

quarta-feira, maio 16, 2007

Questionando o Amor

(De há muito que venho ensaiando uma teoria sobre este assunto. Quando se questiona o Amor… já foi)

Há momentos que nos interrogamos sobre o Amor.
- "Será que ela me ama?", - "É amor o que sinto?", - "Ele ainda me ama?"

Não o sabemos definir, jamais descrever ou identificar e, muito menos quantificar. Ninguém nos vale na hora de precisarmos de ajuda e, sem receita não vamos longe. Há quem viva, sonhe, lute, sofra e morra por ele. Não há solução, fórmula, sentença, remédio ou cura para o Amor. O Amor baralha (e volta a dar):

- "O amor é uma luz que não deixa escurecer a vida" - Camilo Castelo Branco
-
"Amor é fogo que arde sem se ver" - Camões
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"O amor é a força mais subtil do mundo" - Mahatma Gandhi
- "Amor: uma perigosa doença mental" - Platão
-
"Amor é um não-sei-quê, que surge não sei de onde, acaba não sei como e dói não sei por quê" - Scudery
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"O amor é uma flor delicada, mas é preciso ter a coragem de ir colhê-la à beira de um precipício" - Sthendal

Independentemente do que quer que seja, o Amor, todos sentimos qualquer coisa no que respeita a uma relação amorosa. É o tal não-sei-quê, vindo do sei-lá-donde e que se instala sem sabermos como. Tudo muito bonito. Tudo encanta, enquanto dura, e é eterno: as conversas, as noitadas (dentro, fora, dentro e fora e dentro e fora), as flores, o cinema, as músicas, os passeios, os almoços e jantares românticos, as prendas, as surpresas e o etc...

Mas no Amor, como nos telemóveis, por vezes a rede falha e a bateria descarrega. Nessa altura olhamos pró tecto e falamos com as paredes. Cada um reage como cada qual. Com os telemóveis (como no Amor?) há que aguardar pelo sinal de rede, recarregar ou mudar a bateria e tudo fica OK. No Amor pode dar-nos para o questionarmos. E quando questionamos, a “coisa” treme. Se o leite azeda? Aí, meus amigos, cada um reage consigo próprio e seja o que o Amor quiser. Sem Deus que nos acuda, sacudimos a água do capote, e dizemos-lhe que é uma santinha (com ironia) e nós os maus da fita (com convicção) pensando: “o sol quando brilha é para todos” mas se chove “só eu é que me molho”………………………… (continua… se alguém pegar)
______
Pedro Arunca
2007/05/16

terça-feira, maio 15, 2007

Ser Mãe

O dia da Mãe já foi há uns dias, mas desde esse dia que este pensamento não me sai da cabeça...
Eu nunca quis ser mãe, mas ainda assim tenho uma vontade inesgotável de dar amor aos meus amigos, e deve ser por isso que todos eles acham que eu daria uma boa mãe... eu também acho, mas não quero...
Nunca tive essa vontade, e não a vou contrariar. Vivo feliz os meus dias de liberdade, de prazer, e de amor.
Sempre me senti feliz por nunca ter pensado em filhos, e ainda hoje continuo firme na minha certeza, mas a verdade é que esta minha convicção não me livra de uma tragédia... a tragédia seria ficar grávida sem querer.
Há uns tempos atrás corri o risco estúpido de engravidar. Tinha todos os sintomas, e um pai para a criança de que me orgulharia. Se a gravidez se tivesse confirmado, a minha vida não seria a coisa boa que é.
Na minha idade, e com dinheiro e inteligência suficiente para criar uma criança, eu não faria um aborto, mas também não gostaria de ser mãe, por não ser essa a minha opção de vida.
E se a natureza me fintasse e fizesse de mim mãe à força?

segunda-feira, maio 14, 2007

rebobinando


"Quando a dor atinge o seu auge, descobre-se que finalmente não dói mais, que nada nem ninguém pode magoar, que nenhuma ferida será sentida de novo.

Vislumbra-se o mundo em redor, cheio de azuis, amarelos, vermelhos, laranjas, verdes, lilases e rosas e dilui-se o preto e cinza.

Uma força superior a tudo, não nos deixará capitular. Sonhos e pesadelos são deixados nos lençóis ao acordar. Tornamo-nos guerreiros vencedores.

Alcança-se uma paz e tranquilidade, um sentimento de libertação que nos leva mais além e nos mostra uma infinidade de coisas, gente, sentimentos, que já lá estavam e nos recordam que o mais importante da vida é a própria vida e nela o maior valor somos nós.

Então, a felicidade singela como ela própria, invade-nos."

(alyia, 2006)


(perdoa-me Art mas tive uma imensa vontade de recordar e este pareceu-me o único espaço certo)

domingo, maio 13, 2007

Guio na noite

Guio em direcção ao horizonte. Na cabeça, palavras que (não) disseste ecoavam. Terias falado com intenção ou teria a boca contrariado o coração?
Uma hora. Duas. Minutos que passam. Um. Outro. Silêncio. As curvas sucedem-se. A estrada mantém-se, fiel, igual, constante. Fria mas presente. Frio: é o que sinto, o coração arrepia-se pelas lembranças de ti. Estás sempre presente. Mesmo agora que, com a recordação de ti, lágrimas abrem caminho pelo meu rosto.
Perco a noção de tudo: não sei onde estou, não sei se conduzo há uma hora ou 3 dias, não sei dizer se é noite ou faz sol. Foi sempre assim, contigo. Nunca soube há quanto tempo te conhecia. Não percebia se eram 5 ou 10 os minutos que passavam sem te beijar. Não sei se te amava, se te adorava, apenas. Sei sim, que sem ti, o meu dia cedo se tornava noite e eu, inevitavelmente, adormecia. 1,50 Kms.
Estou algures. Perdido na noite, com ajuda da lua, vejo a neve, que se mantém branca, e uma casa, ao fundo. Tímidas, as luzes que a iluminam no interior. Ainda a neve: mesmo á distância da velocidade, nota-se que é espessa, mas fina. Assim eras tu, ainda que nem sempre presente, a tua voz não me largava nunca, as tuas palavras que me murmuravam o caminho, a direcção, sem nunca me deixar afundar. Desespero. Não oiço a tua voz. A compreensão de que repetir tal acto seja uma impossibilidade esmaga-me, rasga-me o coração em dois. Não sei o que fazer. Não consigo dizer se, ao chorar, grito o teu nome ou o sussurro, baixinho... Preciso de ar. Sufoco nas memórias.
Saio na noite, o carro aquece o ar, derrete a neve. Olho a lua que se sente pequena com a tua ausência. Não suporto recordar os teus últimos dias, não posso evitar fazê-lo. Foram dias intensos, vividos por mim com uma alegria melancólica, por ti com uma dor grotesca: tinhas-me diante de ti, o infinito que não conseguirias nunca alcançar. E chorávamos juntos. Baixinho. Lágrimas rebentavam no chão com uma suavidade tremeneda.
Aterrado. Foi como te vi partir, cada vez mais longe de mim, cada vez mais perto do nada. Vazio. Fixas os teus olhos em mim. A tua face é de novo a lua. Volta o choro. Com ele, soluços que não consigo controlar e que são também a única expressão possível da dor que não suporto, que me consome.
Aperto a neve, com firmeza. Como tu antes dela, escapa-se-me por entre os dedos, por muito que tente contrariá-lo. Não sei quem sou. Perdi a minha identidade. O meu eu põs-se a caminho. Persegue agora o tu que o completa, apercebendo-se no caminho que nunca te alcançará. Não desiste, acelera sempre, sabendo-o em vão. Duas lágrimas que caem. Já desesperado, rendido á evidência, grita o segredo que só tu conheces. Amo-te.

Desisto do caminho, sabendo-o a minha morte.
Adeus.

sábado, maio 12, 2007

Um pedaço do meu amor

Hoje quero partilhar com vocês um pedaço do meu amor, a música é linda!
Espero que o Art a consiga colocar aqui para que todos a disfrutem.
Hoje estou assim...



Para tu amor lo tengo todo
Desde mi sangre hasta la esencia de mi ser
Y para tu amor que es mi tesoro
Tengo mi vida toda entera a tus pies
Y tengo también

Un corazón que se muere por dar amor
Y que no conoce el fin
Un corazón que late por vos
Para tu amor no hay despedidas
Para tu amor yo solo tengo eternidad

Y para tu amor que me ilumina
Tengo una luna, un arco iris y un clavel
Y tengo también
Un corazón que se muere por dar amor
Y que no conoce el fin
Un corazón que late por vos
Por eso yo te quiero tanto que no sé como explicar
Lo que siento

Yo te quiero porque tu dolor es mi dolor
Y no hay dudas
Yo te quiero con el alma y con el corazón
Te venero
Hoy y siempre gracias yo te doy a ti mi amor
Por existir

Para tu amor lo tengo todo
Lo tengo todo y lo que no tengo también
Lo conseguiré
Y para tu amor que es mi tesoro

Tengo mi vida toda entera a tus pies
Y tengo también…

Un corazón que se muere por dar amor
Y que no conoce el fin
Un corazón que late por vos
Por eso yo te quiero tanto que no sé como explicar
lo que siento

Yo te quiero porque tu dolor es mi dolor
Y no hay dudas
Yo te quiero con el alma y con el corazón
Te venero
Hoy y siempre gracias yo te doy a ti mi amor

Juanes "Para tu amor"

quarta-feira, maio 09, 2007

Penso, blogo existo

Quantas vezes não tropeçamos numa palavra, esbarramos numa frase, chocamos com uma ideia, detemos-nos num pensamento, somos assaltados por uma emoção ou então, desatamos a discursar (em off) e depois… Nada. Musa do tijo.
Passado não sei quanto tempo, e por dá cá aquela palha, algo nos incomoda, mas já não há pistas que nos levem ao assunto. Perdemos-lhe o rasto. Chapéu. “Não devia ser nada importante”- dizemos nós.

A verdade é que somos uma cambada de preguiçosos, não mexemos um dedo para escrever o que quer que seja. Não fazemos a ponta dum corno para levar uma ideia até ao meio, quanto mais até ao fim. Ao fim e ao cabo, estamos-nos nas tintas. “Não sou pago para pensar”, é uma frase que ouvi muitas vezes de colegas de trabalho que, curiosamente, deviam receber por reclamarem (tanto, de tudo e de todos).

Sabendo das coisas, devemos partilhar. Conhecendo as causas, devemos informar. Entendendo as razões, devemos esclarecer. Ignorando, devemos questionar. Se nada fizermos, nada seremos.

Porque todos temos uma palavra a dizer, falemos!

As novas tecnologias não abriram portas só à “Guerra das Estrelas”, abriram também (não sei a que preço) portas, onde podemos e devemos entrar, em que as estrelas somos nós.

Por tudo isto, aquilo e não sei por que mais: faça o seu blog, partilhe blogs, leia blogs, comente blogs, divulgue blogs. Adira à Blogosfera.

Revele o bloguista que há em si.
____________
Pedro Arunca
2007/05/09

segunda-feira, maio 07, 2007

O único defeito da MULHER!!!

O meu pedaço de hoje vai para um Homem, Sérgio Gonçalves, redator da "Loducca", que demonstra conhecer verdadeiramente a alma feminina!
Temos, de facto, que concordar com ele!!!!


"Se uma memória restou das festinhas e reuniões de familiares da minha infância, foi a divisão sexual entre os convivas: mulheres de um lado, homens do outro.
Não sei se hoje isso ainda acontece. Sou anti-social ao ponto de não frequentar qualquer evento com mais de 4 pessoas, o que não me credencia a emitir juízos.
Mas era assim que a coisa acontecia naqueles tempos. Tive uma infância feliz: sempre fui considerado esquisito, estranho e solitário, o que me permitia ficar quieto a observar a paisagem. Bem, depressa verifiquei que o apartheid sexual ia muito além das diferenças anatómicas. A fronteira era determinada pelos pontos de vista, atitude e prioridades.
Explico: no lado masculino imperava o embate das comparações e disputas.
"O meu carro é mais potente, a minha televisão é mais moderna, o meu salário é maior, a vista do meu apartamento é melhor, a minha equipe de futebol é mais forte, eu dou 3 por noite" e outras cascatas típicas da macheza latina.

Já no lado oposto, respirava-se outro ar. As opiniões eram quase sempre ligadas ao sentir. Falava-se de sentimentos, frustrações e recalques com uma falta de cerimónia que me deliciava.
Os maridos preferiam classificar aquele ti-ti-ti como mexerico. Discordo.
Destas reminiscências infantis veio a minha total e irrestrita paixão pelas mulheres.
Constatem, é fácil:
Enquanto o homem vem ao mundo completamente cru, as mulheres já chegam com quase metade da lição estudada.
Qualquer menina de 2 ou 3 anos já tem preocupações de ordem prática. Ela brinca às casinhas e aprende a pôr um pouco de ordem nas coisas. Ela pede uma bonequinha a quem chama filha e da qual cuida, instintivamente, como qualquer mãe veterana. Ela fala em namoro mesmo sem ter uma ideia muito clara do que vem a ser isso.
Noutras palavras, ela já nasce a saber. E o que não sabe, intui.

Já com os homens a historia é outra.
Você já viu um menino dessa idade a brincar aos directores?
Já ouviu falar de algum garoto fingindo ir ao banco pagar as contas?
Já presenciou um bando de meninos fingindo estar preocupados com a entrega da declaração do IRS?
Não, nunca viram e nem hão-de ver. Porque o homem nasce, vive e morre uma existência infanto juvenil.

O que varia ao longo da vida é o preço dos brinquedos. Aí reside a maior diferença.
O que para as meninas é treino para a vida, para os meninos é fantasia e competição.
Então a fuga acompanha-os o resto da vida, e não percebem quanto tempo eles perdem com seus medos.
Falo sem o menor pudor.
Sou assim. Todos os homens são assim.

Em relação ao relacionamento homem/mulher, sempre me considerei um privilegiado.
Sempre consegui ver a beleza física feminina mesmo onde, segundo os critérios estéticos vigentes, ela inexistia.
Porque todas as mulheres são lindas. Se não no todo, pelo menos em algum detalhe.
É só saber olhar.
Todas têm a sua graça.

E embora contaminado pela irreversível herança genética que me faz idolatrar os ícones da futilidade, sempre me apaixonei perdidamente por todas as incautas que se aproximaram de mim. Incautas não por serem ingénuas, mas por acreditarem.
Porque todas as mulheres acreditam firmemente na possibilidade do homem ideal.

E esse é o seu único defeito."

sábado, maio 05, 2007

Ver mais além...

O "Pedaços de Nós" foi nomeado pela Ana do Cantinho da Anokas como um blogue que a faz pensar... e convenhamos que tem toda a lógica, pela razão óbvia que se ela aqui escreve, é obrigada a pensar...
A verdade é que este é um espaço, onde todos nós escrevemos aquilo que sentimos, e aquilo que somos, porque aqui damos um pouco de cada um de nós, daquilo que acontece connosco, e da forma como sentimos as coisas, e o mundo...
E por falar no mundo, gostaria de trazer aqui um tema, que não deixando de ser polémico, certamente nos obrigará a pensar e muito...
Antigamente, a Igreja utilizava o personagem "Diabo" para intimidar as pessoas. Agora que estamos no século XXI temos um novo "Diabo", que é o Osama Bin Laden, porque se alguma coisa má acontece, ou se há algum atentado, ele é o bode espiatório. Não quero com isto dizer que ele é um santo, apenas digo que ele é tão idiota e mau, como muitos outros, como por exemplo o George W. Bush. A verdade é que o Bush precisa deste personagem, para manipular as massas, e utiliza-o sempre que precisa de instalar o pânico e o medo no mundo.

Reparem nas semelhanças entre a imagem que nos passam do Diabo, e do Bin Laden. Ambos têm barba e a mão a fazer o mesmo sinal


A imagem que tentam passar-nos é de que o Bin Laden é do eixo do mal, e o Bush é o salvador que quer trazer a paz ao mundo. Vejam a imagem que passam dele. O emblema da presidência dos EUA por trás da cabeça dele dá a sensação de ser uma "auréola", como se ele fosse um Messias.
Não há dúvida de que há quem saiba muito bem o poder que uma imagem tem...



Aqui, com esta perspectiva, tentam passar-nos a imagem de "santinho"...





Portanto, há que saber pensar, analisar, colocar perguntas a nós mesmos sobre todos os assuntos. Procurar fontes de informação alternativas, e não nos limitarmos a acreditar somente na verdade que nos querem "vender", como sendo a única e inquestionável "verdade". Vamos olhar para tudo o que nos rodeia procurando analisar as coisas das mais diversas perspectivas, porque só assim podemos encontrar o outro lado da verdade. Só assim podemos começar a ver mais além, e iluminarmos a nossa visão sobre tudo o que nos rodeia.

Depois desta reflexão, e voltando de novo a esta espécie de jogo, e para o completar, terei que nomear cinco blogues do meu interesse. Contudo, depois de muito divagar, cheguei à brilhante conclusão que os blogues que me fazem mais pensar são os de alguns elementos que fazem parte aqui do "Pedaços de Nós", não tanto por aquilo que escrevem nos seus espaços próprios, mas mais por aquilo que não escrevem!!!...
Por isso a quem vou distribuir os meus Thinking Blog Awards, é precisamente a eles mesmos para ver se os levo a escreverem qualquer coisinha... o que desde já confesso que duvido muito.
Os nomeados são:

- Porquê? do Cumplicidades, porque o último post que tem no seu blogue, é de Novembro do ano passado (!!!), e fala de encontros e desencontros... ora só posso concluir que o desencontro é tão grande que nem ela consegue descobrir o caminho até ao seu próprio blogue, ou então o encontro que teve foi tão intenso que não tem tempo para nos escrever nada de novo.

- Dulcineia do De Castelo Novo... para o mundo, porque a última vez que deu "sinais de vida" foi em Abril para nos transmitir que tinha descoberto que já estava em 2007 (!!!)... sinceramente, penso que na realidade ela ainda nem isso descobriu...

- menina do menino & menina, porque depois de quase meio ano (!!!) sem nos dar "notícias", apareceu para nos dizer que tinha 69 emails da última vez que abriu a caixa de emails... ora com ausência tão prolongada, só pode mesmo andar com o 69... na cabeça... é claro.

- Tazaroteno do Eu.Taz, porque desde que foi etiquetado, simplesmente desapareceu

- Finalmente ao Pedro Arunca, por ser o membro mais recente do "Pedaços de Nós", e por ter um espaço ao qual vos convido a explorar um pouquinho melhor, porque vale mesmo a pena.

sexta-feira, maio 04, 2007

Cervejas Portuguesas... e Mulheres...

Parece-me que pode ser uma combinação muito agradável, e por vezes até explosiva... Por isso este fim-de-semana bebam muita cerveja... escolham aquela que mais vos convier... ou melhor... apetecer... e descubram o "sabor" de cada uma delas...

SUPER BOCK - é igual à nossa mãe... a melhor delas, a mais respeitada
SAGRES - é igual à mulher da casa... a número 1
CRISTAL - é igual à mulher do vizinho... quase nunca ninguém provou, mas não se pode negar que é boa
TAGUS - é igual à sogra... amarga que se farta, e dá dor de cabeça
CINTRA - é igual à amante... nem todos gostam, é sempre uma segunda opção, mas vive a pensar em chegar a Nº1
CORAL - é igual à mulher dos amigos... todos querem vir a provar... um dia
BOHEMIA - é igual à cunhada... vale mesmo a pena experimentar
IMPERIAL - é igual à mulher feia... no desespero, e com uns copos em cima, também marcha

segunda-feira, abril 30, 2007

Pontes

Braços estendidos
Pilares profundos
Dedos unidos
A ligar mundos

A luz de um olhar
apontada no escuro
Sorriso a brilhar
Caminho seguro

Saudar com alegria
Todos os visitantes
Fazer da noite dia
Rostos cintilantes

Sonho não é miragem
Nevoeiro não é fumo
A vida é uma viagem
Sem remo e sem rumo

Respeitar a diferença
Dividir com lealdade
Sentimento de pertença
Sinal de igualdade

Homem e Mulher
Alicerces do mundo
Elo que requer
Amor profundo

______________
Pedro Arunca
2007/04/30

domingo, abril 29, 2007

like a gift

"Hoje queria levar-lhe algo importante. Não podia chegar lá de mãos vazias. Um presente. Tinha de encontrar um presente. Mas não um presente qualquer.

Contou as moedas que ainda lhe restavam. Não eram muitas, mas haviam de chegar para alguma coisa. Vestiu o casaco azul, que lhe enalteciam os olhos negros. Saiu.

Percorreu as ruas escuras. As montras iluminadas mostravam-se tentadoras, mas àquela hora todas as lojas estavam fechadas. De qualquer forma, mesmo que estivessem abertas, não viu nada que o seduzisse. Queria levar-lhe algo especial. Não servia um qualquer objecto.

Cruzou-se com um rapaz mal-encarado, devia ter aproximadamente a idade dele mas não vestia um casaco azul, nem tinha os olhos negros como breu. Estendeu-lhe a mão onde brilhava um relógio “é de marca, 30 euros”, disse. Um relógio. Levar-lhe um relógio. De marca. Provavelmente roubado, não se sabe onde. 30 euros. Não tinha nem metade de trinta euros e um relógio, mesmo de marca, não era nada especial. Serviria, quando muito, para atrasar as horas que lá permanecesse, ou nem isso, os relógios de marca não atrasam.

Entrou no centro comercial. Ali as lojas estavam abertas à noite, encontraria o que procurava. Tinha de ser alguma coisa especial. Parou e recordou as míseras moedas no bolso. Não chegariam para grande coisa e ele queria levar-lhe algo muito especial. Atravessou o centro e acabou por sair de mãos vazias, pela outra porta.

Chegou à rua dela. À porta dela. Parou. Hesitou. Queria levar-lhe algo especial. Um presente inolvidável e continuava sem nada. Ficou ali, estático, petrificado, em desalento, a olhar a campainha.

Não queria entrar sem lhe levar algo. Pensou que podia ter comprado um livro no centro, mas sabia que as poucas moedas não teriam permitido. Pelo menos uma flor, não era nada de muito importante, mas não chegaria lá no seu metro e noventa, de mãos vazias. Tinha consciência da enormidade do seu corpo másculo e da pequenez dos seus bolsos.

Queria levar-lhe algo que ela nunca mais esquecesse. E estava ali, parado em frente à porta sem nada, além de si. Tocou.

Ofereceu-se-lhe."

quarta-feira, abril 18, 2007

Paixão


Bebíamos Green Sands e ouvíamos o Angie. Tínhamos no sangue a rebeldia da idade.
Queríamos abraçar o tempo e cerrávamos as mãos para agarrar a vida... a vida que sempre nos parecia correr depressa demais.
Fazíamos dos portões do liceu a nossa porta para o Mundo... um mundo só nosso, onde podíamos ser quem quiséssemos, onde éramos livres.
Eu era aquela menina franzina, de caracóis longos e olhar sonhador. Tu esbanjavas sorrisos marotos numa pose à la Don Juan.
Eu era um nascer do dia calmo e sereno. Tu eras um pôr-do-sol que anuncia uma noite quente de Verão.
Eu desejava alcançar as estrelas. Tu querias ser o céu!
Éramos dois, mas éramos um só.
Soltavas palavras ao som da tua viola. Eu soltava sonhos ao som das tuas palavras.
Trocávamos olhares cúmplices em silêncios prolongados.
Éramos tão diferentes. Éramos tão iguais!
Presos por uma paixão adolescente, livres na certeza que seria eterna.
Gravámos os nossos nomes no livro das memórias e guardámos momentos no baú da saudade.
Jurámos nunca esquecer aquela paixão.

Hoje ouvi o "Angie"... e lembrei-me.


E tu, ainda te lembras?

sexta-feira, abril 13, 2007

O meu "Pedaço" # 13

Falamos de amor. Inventamos as nossas vidas, e esquecemo-nos de tudo.
Ela é o meu amor, e eu sou o amor dela. Damos as mãos... mas não fazemos nada... mas também não reparamos.
Não vamos a lado nenhum... não podemos... mas mesmo que pudéssemos, não iríamos.
Não fazemos planos... não os temos... estamos juntos de vez em quando, e é a única coisa com que nos importamos.
Ela não me ama como eu a amo, mas eu também não a amo como já amei. No entanto falamos como se nos amássemos mais que nunca... nada mais é importante... e o meu coração morre sozinho...

quinta-feira, abril 12, 2007

I'm so sorry Art


E desejo que o tenhas festejado muito bem
Um grande, enorme, gigantesco, beijo para ti

sábado, abril 07, 2007

Vida...

... é aquela "coisa" ali à frente! Para quê olhar para trás?!


segunda-feira, abril 02, 2007

aldeia global

Existe no mundo um espaço de cor, imagem, palavra e sentimento.

Um espaço que não posso tocar, não consigo cheirar, não vejo, só sinto.

Um espaço onde uma multidão se move, se expõe, se comunica.

No mundo em que vivo existe um espaço de medos, pavores e saberes. De guerras e de paz, de amizades e… amores.

Espaço ilimitado, grandioso, de pequeninos espacinhos abertamente privados.

Sem me mover, saltito em cada um deles. Olho. Viajo. Desvendo. Medito.

Sem corpos, sem rostos, sem vozes, sem cheiros, sei que estão lá. Adivinho-os.

Reconheço-os quando me estendem a mão. Amparo-os no meu colo.

Sorriem no meu riso e nas lágrimas que escasseiam.

Falo-lhes ao ouvido palavras que não ouvem e escuto-os no silêncio da música que escolho.

Existe no mundo um espaço imenso onde todos cabemos num monitor. Guardo-o na caixinha preta que transporto enquanto vivo neste mundo.


Chamo-me Ana, Maria ou Joana. Devo ser morena, loira ou ruiva. Talvez seja professora, balconista ou agricultora. Criança, adolescente, adulta ou anciã.

Existe no mundo um espaço infinito, onde não temos corpo, não temos rosto, nem temos voz mas existimos, cada um de nós. Eu sei, porque o sinto quando o leio.


Existe no mundo um espaço onde escrevo…

Largo pedaços de mim...

for you…

and me.