quarta-feira, abril 02, 2008

O Camponês e a Rapariga

Era uma vez um camponês de pensamentos simples e poucas posses que se apaixonou pela rapariga mais bonita da aldeia. Ela tinha tudo o que a ele lhe faltava: graça, inteligência, popularidade, brilho, mistério. Ela era bonita, ele igual a tantos outros. Ela era alegre e divertida, ele timido e metido consigo mesmo. Ela era fogosa e provocadora, ele mais parecia uma mosca morta. Ela tinha graça quando andava, ele parecia que tinha os sapatos pequenos para os pés. Ela brilhava, ele era fosco como uma lâmpada. Ela tinha a força do sol, ele a sombra da lua. Ela não gostava de ninguém e ele gostava dela.

Um dia, junto á fonte, declarou-lhe o seu amor e ela riu-se dele. Então ajoelhou-se aos seus pés e jurou-lhe amor eterno. Ela riu-se novamente e respondeu com escárnio e desprezo: amor eterno, isso não existe. Mas ele não desisitiu. Queria amá-la para sempre e estava disposto a honrar o seu amor por ela.

Então ela olhou para ele com mais atenção e pensou que até podia amar um dia aquele homem, tão igual a tantos outros, e lançou-lhe um desafio. Durante cem dias e cem noites ficarás debaixo da minha janela á minha espera. Faça chuva ou faça sol, caia neve ou trovoada, noite e dia, dia e noite. Cem dias e cem noites. Se aguentares tanto tempo, então é porque mereces o meu amor.
O camponês regressou a casa com o coração cheio de esperança. Cem dias era um preço baixo a pagar para ter a sua amada. O tempo iria voar, tinha a certeza.

No dia seguinte, fez um farnel e foi para debaixo da janela dela. Esperou que ela aparecesse e acenou-lhe quando a viu espreitar por entre as frestas das portadas. O mesmo aconteceu na segunda noite. E na terceira. E na quarta. E em todas as noites que se seguiram.
Todos os dias, a qualquer hora, lá estava ele, á espera de um sinal dela, para lhe mostrar que estava ali, de pedra e cal á espera de merecer o seu amor. Acabou o Verão. Chegou o frio. Depois a chuva. Depois a neve. E o camponês sempre perfilado como um soldado na parada, á espera que ela o espreitasse pelas portadas para lhe poder mostrar que estava ali, a cumprir o seu designio, a resgatar a sua promessa.

Nunca durante todos esses dias ela abriu a janela para o saudar. Nunca lhe abriu a porta e o convidou a entrar e descansar da sua vigilia. Nunca lhe ofereceu um sorriso, uma palavra de afecto, um instante de atenção.
Mas ele continuava lá, agora já cansado, enregelado pelo frio, ferido pela indiferença dela, desgastado pelo vento e pela chuva, faminto e triste, sentindo-se cada vez mais só...

Na nonagésima nona noite ele esperou mais uma vez por ela. E mais uma vez ela não apareceu. O camponês abanou a cabeça, sentou-se no passeio e chorou durante muito tempo. Tanto tempo que a noite passou e o dia começou a nascer.
Tantas horas de espera, tantos sonhos no seu coração, tanto amor para dar e afinal nada valera a pena. A rapariga continuava a ignorá-lo, a fazer troça do seu amor. Sentado no passeio, chorou e viu as suas lagrimas formarem um fio de água que ia ter ao rio, e este ai ter ao mar. Viu o seu amor diluir-se, sentiu que a sua paixão não era nada, comparada com outras paixões que moveram mundos, povos e montanhas. Era só mais um fio de água que corria para se juntar ao mar.

Foi então que o camponês percebeu. Percebeu que não era ele que não era digno do amor dela, ela é que não merecia o amor dele. Que tudo o que ele amava naquela rapariga era uma ilusão, não existia. Que o seu esforço só lhe tinha servido para aprender a conhecer-se e a aceitar-se melhor a si próprio. Era um homem livre.
E no dia seguinte, quando ela abriu a porta para se entregar a ele, rendida por tanto amor e paixão, ele tinha-se ido embora...


Texto e Imagem gentilmente cedidas por: Claudia Morais, a habitar no blogue " Ser ou não Ser"

Espero que gostem tanto quanto eu....

terça-feira, abril 01, 2008

O Meu Olhar Sobre o Mundo


E eu, e tu
Perdidos e sós
Amantes distantes
Que nunca caiam as pontes entre nós

fotografia: Å®t Øf £övë
música: Pontes Entre Nós

domingo, março 30, 2008

Persegue um sonho...



Persegue um sonho, mas não o deixes viver sozinho!
Deixa-te levar pelas vontades, mas não enlouqueças por elas!
Acelera os teus pensamentos, mas não permitas que eles te consumam!
Procura os teus caminhos, mas não magoes ninguém nessa procura.
Arrepende-te, volta atrás, pede perdão!
Não te acostumes com o que não te faz feliz,
Revolta-te quando julgares necessário.
Alaga o teu coração de esperanças, mas não deixes que ele se afogue nelas.
Se achares que precisas voltar, volta!

Se perceberes que precisas seguir, segue!
Se estiver tudo errado, começa de novo.
Se estiver tudo certo, continua.
Se sentires saudades, mata-as.
Se perderes um amor, não te percas!
Se o achares, segura-o!

Fernando Pessoa

sábado, março 29, 2008

Tempo ao tempo

Já há algum tempo que não escrevia nada aqui… espero não ser penalizado… :)
Por falar em tempo, vou falar de tempo. Mais precisamente das horas de verão.

Prefiro horas de verão. Dias grandes. Sol à noite. Boa disposição até tarde. Sorrisos até à noite.
Dias grandes. Dias positivos. Cheios de energia. Com mais vida.
Horas de inverno deprimem-me. Cortam-me. Só gosto dos primeiros dias. Depois cansam-me.
Verão é cor. Calor. Alegria.
Horas cheias. Horas quentes. Horas grandes. Horas vivas.

É rua. É sol. É esplanada. É mar.

São palavras feitas conversas. São conversas feitas sensações.
É dar tempo ao tempo. Livre.

Gosto das horas de verão.
Pronto!

sexta-feira, março 28, 2008

Memórias da Alma sem Luz

Tenta esquecer a percentagem de água que te compõe, apaga da alma o amontoado de pele e ossos que te estruturam. Guarda bem guardadas todas as memórias no recanto do bolso. Não penses, não chores, tenta afastar os medos. Não sussurres baixinho os segredos…
Viaja apenas com a tinta da alma e escreve… Descreve com mágoa ou carinho toda a composição lógica do ser, todas as dores, todos os males. Despeja agora os suspiros escondidos, as paixões mal revolvidas, a banalidade de uma viagem no parque.
Folha após folha, mágoa por mágoa, lágrima por lágrima, tenta transpor em papel a cor de tua alma…
Agora guarda, guarda em cada recanto de tua casa, em cada palha de teu ninho, guarda cada folha bem longe da alma, bem longe da vista, dia após dia, ano após ano…
Volta a pegar um dia, alguns anos depois, muitas memórias passadas, muita fome vivida, muita dor traída, volta a pegar em tuas memórias, em cada pedaço de alma estampada no papel.
Junta de novo todas as folhas, todas as tuas histórias e atira-as bem alto no ar, mil e uma memórias caídas do céu, sem tempo sem espaço e sem sentido, volta a pegar sem organizar, sem sequer olhar…
Lê de mente aberta, cada pedaço teu…
E descobre quem és, encontra a cor de tua alma, descobre quem realmente és…
Todos nós somos memórias, todos nós somos passado…


NunoSioux 2008 in: Memórias da Alma sem Luz

segunda-feira, março 17, 2008

Coragem

Não sou amarga, por mais que me contrariem o coração. Sou apreciadora de homens com sensibilidade, e com bom senso, embora normalmente o bom senso seja muito relativo...
Desde muito nova que me apaixono com facilidade, por isso decidi trocar o termo "paixão" por "fascínio", porque me fascino com tudo o que as pessoas têm para me mostrar, e com tudo o que lhes posso conquistar. Gosto desta luta, que por vezes se assemelha à improbabilidade de encontrar uma casa de banho limpa num festival de Verão.

Uma desta noites sentados na mesa de um bar, e com a vista mais bonita com que poderia sonhar como pano de fundo, ele por quem me sentia apaixonada, disse-me:
"É estranho, mas eu nunca me senti tão à vontade a falar com ninguém como contigo"
E eu perguntei: "E isso é bom, ou mau?"
Ele respondeu-me: "É assustador"
Depois dele me dizer isto a música do bar parou, e os empregados limparam os últimos copos. Então eu quase a cambalear levantei-me, fui até ao balcão, e ajudada por tudo o que tinha bebido e ouvido, dirigi-me ao barman e disse-lhe:
"Eu percebo que queiram todos ir para casa descansar, mas não parem a música, para não me pararem este momento"
Voltei à mesa dos copos vazios, de todas as palavras que ele ainda não me tinha dito, e de todas as confissões, e voltamos a ouvir a banda sonora da noite, que por acaso era péssima devo dizer, mas o que quer que fosse teria soado bem naquela noite.
Saímos do bar directos para o carro, de mão dada, e unidos pela paixão. Ele deixou-me em casa e fui dormir. Nunca mais estive com ele...!!!

Vejo-o muitas vezes, ele sorri-me a medo, e eu procuro nem olhar para ele. Quando estou acompanhada, ele arrisca em vir dar-me um beijo, porque sabe que assim não corre o perigo de eu o questionar. Vem com o seu ar "politicamente correcto" e pergunta-me: "Estás boa?". Depois afasta-se confiante, e com a sensação de ter cumprido o seu papel.
Deve pensar que eu acho que ele até é um gajo porreiro... e até acho, só que para mim um gajo porreiro é uma coisinha insuficiente, porque na minha avaliação, seja de uma queca, ou de um amor, a positiva só começa a partir da coragem.

Não percebo como ele pode ter sido tão cobarde, e há de certeza quem ache que eu deveria vingar-me dele, enxovalhá-lo, ou desprezá-lo num momento "politicamente correcto", mas eu nunca lhe faria uma coisa dessas, porque a vingança é uma motivação muito perigosa, por isso prefiro sorrir, sabendo que um dia ele vai lembrar-se de mim quando precisar de coragem.
A coragem só podia ser mesmo uma palavra feminina...

sexta-feira, março 14, 2008

Mais um pedaço...

Portal Liquido, Francisco Panachão


Estava a ouvir Maria João Pires a tocar e pensava… “Que raio, de facto, quando algo faz parte de nós, mesmo que só muito tarde seja descoberto, não há nada nem ninguém que nos faça separar daquela sensação”. Isto, porque pensando com os meus botões, tinha a impressão de que nem escrever conseguia, pelo menos, não como antes. Só que, associado ao piano que estava a ouvir surgiu o pensamento: “Se já soubeste tocar piano alguma vez na tua vida, o escrever não é mais do que isso mesmo. Escreve como se tocasses piano!”.

Estranho… mas o que é certo é que enquanto escrevo através de um teclado, estou a usar as mãos da mesma forma que usaria para tocar…

Vi há dias um filme que já aqui foi falado (“A Estranha em mim”).
Já muita coisa mexeu comigo e este foi mais um dos filmes que na verdade, tocou fundo!
Para além de uma interpretação genial, o filme trata de um assunto deveras subjectivo mas muito importante. Até que ponto conhecemos os nossos limites?
Lembro-me de numa determinada aula um professor nos ter dito: “A linha que separa o normal do patológico, é somente um fio de cabelo!”. Esta frase em determinado contexto faz todo o sentido, mas se fizermos uma analogia para os limites que acima falo, estamos perante a mesma situação…

Só experimentamos determinadas sensações/sentimentos se formos expostos a factos que nos determinem essa direcção. Enquanto tal não acontece, podemos fazer uma ideia, mas… muito ténue. Todavia, se algo nos obrigar a ter que chegar ao nosso limite, é como se passássemos uma película de água, da qual nem nos apercebemos.

Lembro-me de algures no mesmo filme, ouvir uma frase idêntica a esta: “ Uma estranha é o que és agora e… já não há regresso!”.

Recordo a frase de Albert Einstein, muito usada por uma grande amigo que já não se encontra entre nós - “A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original”.

Não é fácil depararmo-nos com o estranho que há em nós, mas uma vez encontrado, seja de que forma for, não há regresso possível ao que antes éramos. Passamos a existir de uma forma diferente, modificamo-nos e, talvez essa seja a nossa forma de evolução…

sexta-feira, março 07, 2008

Pedaços de mim

Às vezes é dificil prosseguir... Parece que tudo é contra... Parece que o céu desaba... Parece que ninguém entende e tudo conspira...

Às vezes a saudade aperta... Às vezes não se pode explicar... Ou não se consegue...

Às vezes não lembramos e ficamos confusos... Às vezes não compreendemos... Ou não queremos...

Como é que explico que te recordo. Que te sinto. Que te oiço.

Como lhes explico que durante aqueles dias e todas aquelas noites nos mantivemos abraçados... E que isso fez aquelas máquinas não pararem.

Às vezes é possível sentir mesmo quem não está. Às vezes o beijo é tão longo que não acaba.

Às vezes o amor é tão forte que se torna eterno. E eu sei que partiste mas ficaste em mim.

Como explicar que eu sei. Eu também sei tal como eles, mas como posso dizer-lhes... se não quero...

sábado, fevereiro 23, 2008

O Meu Olhar Sobre o Mundo

Fui descansar "à sombra" da Serra da Lousã, um local magnífico... a serra, porque a cidade não é muito atractiva. A parte nova é desinteressante, e a zona antiga está praticamente abandonada, apesar dos inúmeros solares e palacetes que por lá existem.

Mas a Serra da Lousã tem algo de especial que ainda não sei bem o que é. Talvez sejam as maravilhosas e exuberantes paisagens, algumas de cortar a respiração pela sua beleza e magnitude... ou talvez tenha sido a companhia.
O que de melhor a Lousã nos oferece é o seu espaço natural... a serra, com as suas aldeias serranas com casas de xisto... lindas, onde os sentidos despertam, e em que dá vontade de conhecer todos os seus recantos. Um bom local para quem quiser viver longe de tudo, apenas rodeado pelo silêncio, pelos veados, javalis, e milhafres.

Ao falar da Serra da Lousã não me posso esquecer de falar no Castelo de Arouce, situado no topo de um outeiro, e que se assemelha à quilha de um navio.
A Serra da Lousã é um local especial, quase mágico. Adorei lá estar, porque me ajudou a hierarquizar as prioridades da vida, e faz-me perceber e acreditar que a simplicidade nos torna mais humanos, porque nos faz sentir que ser diferente num mundo igual, faz de nós pessoas tão especiais, únicas, e belas.
A Serra da Lousã tem este encanto: o de despertar em nós sentidos...

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

:)

Há monstros assim. Feios, maus e estúpidos.

Há momentos assim. Felizes, eufóricos, hilariantes.

Às vezes há milagres que acontecem.

Às vezes há monstros que se vencem.


Há lugares que marcam a memória.

Há gente gravada na recordação.

Há pedaços que nos mantém vivos.

Há vitórias que se aguardam, se desejam, se alcançam.

E sabem tão bem!

(Beijo. Obrigada. Até já)

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Palavras para quê???

Normalmente no Pedaços de Nós, gosto sempre de mencionar uma música (a que estou a ouvir no momento), pois acho que é uma maneira simples de deixar um pedaço de mim...
Esta música ouvi-a pela 1ª vez na semana passada, mas depois de ouvir todo o álbum simplesmente amei... até porque desconhecia a cantora em questão... aconselho...

Leona Lewis - Bleeding Love

Closed off from love
I didn't need the pain
Once or twice was enough
And it was all in vain
Time starts to pass
Before you know it you're frozen

But something happened
For the very first time with you
My heart melts into the ground
Found something true
And everyone's looking round
Thinking I'm going crazy

But I don't care what they say
I'm in love with you
They try to pull me away
But they don't know the truth
My heart's crippled by the vein
That I keep on closing
You cut me open and I

Keep bleeding
Keep, keep bleeding love
I keep bleeding
I keep, keep bleeding love
Keep bleeding
Keep, keep bleeding love
You cut me open

Trying hard not to hear
But they talk so loud
Their piercing sounds fill my ears
Try to fill me with doubt
Yet I know that the goal
Is to keep me from falling

But nothing's greater
Than the rush that comes with your embrace
And in this world of loneliness
I see your face
Yet everyone around me
Thinks that I'm going crazy, maybe, maybe

And it's draining all of me
Oh they find it hard to believe
I'll be wearing these scars
For everyone to see

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Valentine's Day

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sexta-feira, fevereiro 01, 2008

O meu "Pedaço" # 17

E se houvesse um medicamento que depois de tomado nos fizesse esquecer a pessoa que amamos?
As farmácias seriam invadidas de gente à sua procura.
E se existisse uma operação que nos removesse a parte da memória que nos faz lembrar esse mesmo alguém?
As listas de espera para essa cirurgia ficariam enormes.
Mas não existe... não há... não se vende... nem se opera...

Então pode-se esquecer?
Pode... digo eu... usando a técnica vulgarmente chamada de "fogo contra fogo", que consiste em lançar outro fogo na direcção do que vem a arder.
O que há a fazer é queimar o que ainda houver de bom, e fazer com que as coisas que estejam associadas à pessoa que queríamos, não nos pareçam assim tão agradáveis. Aqui o grande problema pode ser o vento reacender as chamas.

E o que poderá ser esse vento?
Pode ser uma chamada dela - Há que não atender o telefone.
Pode ser uma vontade de lhe ligarmos nós - Apague-se já o número.
Pode ser uma fotografia dela ainda guardada, ou uma carta que imbecilmente relemos, ou quem sabe aceitarmos um convite para um café em casa dela... Bem, mas isto já não seria bem vento, mas possivelmente um tornado.

Portanto, voltando à técnica do "fogo contra fogo", o mais importante é queimarmos tudo à volta sem usarmos um único fósforo, e assim, extinguirmos o pouco que ainda pudesse existir, não permitindo recaídas, que sabemos que só iriam adiar o inevitável.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

O nexo e a verdade

Há um princípio e um fim em tudo o que se torna premente. Que sentido teria a vida, sem nexo? Cada um dá-lhe a direcção e a força que os seus próprios cavalos aguentam. Prego a fundo porque assim se faz gente.
A necessidade faz eclodir o engenho e a ocasião faz explodir o sujeito. Não há máquina sem sonho subjacente, nem solução sem problema adjacente. Sonhar, anima a malta. Acreditar, é o que faz falta. Recordar Gedeão.
Dar de vencida a paixão pela coisa, não valoriza os sentidos - que o disse Leonardo.
O génio é incipiente, o louco é vidente e herói é o agente.
Para tudo existe um meio: a virtude. Mora numa casa a que todos chamam sua mas poucos a pernoitam. Somos virtuosos nas obras desfeitas. Tudo malta porreira. Prato cuspido é prato servido. Cuidemos da obra feita. Valha-nos Deus!
Em todas as coisas há causas que motivam os homens e as mulheres crentes. A fé alimenta o espírito, dedicado e indissolúvel, nas contendas do fala só ou ao cardume de Vieira.
Opulentos espíritos enfardam os magros proveitos dos que não vingam. Barrigas ocas e cabeças boas, não combinam – excepção a Teresa. Uma migalha de pão faz milagres. Justifica-se Sudão?
Na Geografia, somos: “inos”, “eiros”, “eses”, “itas”, ”avos” e “anos”. No Mundo, fazemos de: pequeninos, estrangeiros, fregueses, eruditas, parvos e humanos.
Na Sociedade, parecemos: rabinos, forasteiros, malteses, parasitas, cravos e ciganos.
Na Vida, queremos ser: peregrinos, herdeiros, burgueses, alvos e mundanos.
O que nos motiva é o que nos consome. Falha a sensatez numa casa farta e quebra a lucidez num homem com fome.
O prato cheio não é tudo e vazio não é nada. Nem só por pão morre o Homem. Só a razão é eterna paixão.
A verdade é uma inacabada manta rota de retalhos. Devia ser escrita e subscrita, conjuntamente, por todos aqueles que a: procuraram e a encontraram, ouviram e a contaram, hesitaram e não desistiram, lutaram e tombaram, venceram e convenceram e por nós (que confiamos neles e a aceitamos passiva ou activamente). Somos dela merecedores, não do castigo. Conhecemos o ABC dos tempos mas muito pouco de Z. Oramos a Alá, rezamos a Deus ou somos ateus. E seguimos Buda e apostulamos Cristo e lemos Gandhi e acreditamos nos homens e não somos fariseus.
O que nos fascina é atravessar o denso nevoeiro que envolve o sonho. Esperamos Sebastião?
Perante o Inferno, optemos por Dante. Andamos confusos?

(são 6:30h, vou aquecer chá de cidreira e fazer uma torrada com mel. Volto já.)
______
Pedro Arunca
2008-01-31

quinta-feira, janeiro 24, 2008

A nossa casa

Todos nós recebemos sempre alguém em nossa casa, por educação, ou costume, mostramos todas as divisões da mesma, explicamos o que escolhemos, as vantagens, o que vamos modificar e até estamos abertos a sugestões decorativas. Alguns dirão: é o minimo a fazer, para que o nosso convidado, alguém que estimamos, ou importante para nós se sinta minimamente confortável nos nossos aposentos.
Transporto tudo isso para a nossa vida, sim, as relações... tudo bem mais simples na apresentação da "nossa casa", a nossa pessoa.
Aqui é a minha divisão preferida, gosto de futebol, não perco um jogo, e se possível com algumas cervejas e os meu melhores amigos. Vês! Está justificado o ecrã gigante e o frigorifico cheio de minis...
Está é a divisão onde mostro o meu lado mais terno e sensível para contigo, pois... é o quarto, e por aí fora.
Mostrar a quem nos visita o que na realidade ela vê, bem como a explicação sobre o mesmo. Não sei se tal evitaria problemas ou discussões, mas estou convencido, na minha humilde opinião, que iria evitar a velha e esgotada expressão... Como tu me enganas-te...

quarta-feira, janeiro 16, 2008

O Meu Olhar Sobre o Mundo

África é um Continente de contrastes, e se queremos conhecer uma cidade desenvolvida, e ao mesmo tempo cheia de contrastes, então Marrakech é essa cidade.

Tudo é possível em Marrakech, e tudo existe em Marrakech... desde cobras na praça central, aos condutores dos "petit Taxis", passando pela Medina... tudo é incrível, e impossível de esquecer.
Marrakech é uma cidade que nos fascina por tudo... pelas cores, pelos sabores, pelos odores, pelo povo, pelos sons, pelos contrastes, pelo exotismo, pela arquitectura, e principalmente pelo branco da neve que paira por esta altura do ano no pico das Montanhas do Alto Atlas.

Estas Montanhas têm uma beleza bem característica, porque estão sempre com neve no topo seja Verão ou Inverno. E é tão bom atravessá-las rumo ao Sul...

terça-feira, janeiro 15, 2008

Cão Natal

Nas minhas férias de Natal na Madeira, tive o privilégio de ver isto no Funchal:



Infelizmente, minutos depois o cão envolveu-se com outro cão, e quase que ninguém os separava. Mas essa parte não registei.

Será exploração canina (no vídeo não se percebe, mas o dono bate as palmas e diz "vamos!", e o cão levanta-se agarra o cesto e vai...), mas está genialmente criativo.

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Tudo que eu aprendi na vida…

Porque este é um espaço de partilha, onde deixamos bocadinhos de nós. Porque este é um espaço que me é querido por diversas razões. E porque não sei quando, como ou se, aqui poderei voltar, decidi hoje deixar registadas as palavras que me acompanham há anos, oferecidas por um amigo que espero encontrar de novo um dia qualquer...


"Eu aprendi:
Que não posso exigir o amor de ninguém,
posso apenas dar boas razões para que gostem de mim
e ter paciência para que a vida faça o resto;
Que não importa o quanto certas coisas
são importantes para mim, tem gente que não dá
a mínima e jamais conseguirei convencê-las que posso
passar anos construindo uma verdade
e destrui-la em apenas alguns segundos.

Eu aprendi:
Que posso fazer algo em um minuto e ter que responder
por isso o resto da minha vida;
Que por mais que você corte o pão em fatias,
esse pão continua tendo duas faces,
e o mesmo vale para tudo o que cortamos de nosso caminho.

Eu aprendi:
Que vai demorar muito para me transformar
na pessoa que quero ser, e devo ter paciência;
que posso nunca chegar a ser ou simplesmente não ter tempo;
ou posso acabar por sê-lo sem sequer dar por isso;
Que posso ir além dos limites que eu próprio coloquei;
Que eu preciso escolher entre controlar meus pensamentos
ou ser controlada por eles.

Eu aprendi:
Que os heróis são pessoas que fazem o que acham
que devem fazer naquele momento,
independentemente do medo que sentem;
Que perdoar exige muita prática; condenar é mais fácil !
Que há muita gente que gosta de mim,
mas que muitos não conseguem expressar isso,
ou fui eu que nem reparei.

Eu aprendi:
Que em momentos mais difíceis, a ajuda veio
justamente daquela pessoa que eu achava
que iria tentar piorar a minha vida;
e que a outra que eu esperava que estivesse nem apareceu.
Que eu posso ficar furioso, tenho o direito de me irritar,
mas não tenho o direito de ser cruel.
Que é difícil traçar uma linha entre ser gentil,
não ferir pessoas, e saber lutar pelas coisas que acredita.

Eu aprendi:
Que a palavra amor perde o sentido, quando usada sem critério;
Que certas pessoas vão embora de qualquer maneira;
quer você queira ou não;
Que minha existência pode mudar para sempre em poucas horas,
por causa de gente que nunca vi antes.

Eu aprendi:
Que meu melhor amigo vai me magoar de vez em quando,
que eu tenho que me acostumar com isso;
e que aquela pessoa que eu mais amo ainda me vai magoar mais,
e eu a ela e posso nem perceber porquê.
Que não é bastante ser perdoado pelos outros,
eu preciso me perdoar primeiro;
Que, não importa o quanto meu coração esteja sofrendo,
o mundo não vai parar por causa disso.

Eu aprendi:
Que por mais que eu queira proteger meus filhos,
eles vão se machucar e eu também serei magoada,
isso faz parte da vida;
Que jamais posso dizer a uma criança que seus sonhos são impossíveis.
Será uma tragédia para o mundo se eu conseguir convencê-la disso;
e uma tragédia ainda maior se eu própria me convencer disso junto com ela.

Eu aprendi:
Que as circunstâncias de minha infância são responsáveis
pelo que eu sou, mas não pelas escolhas que eu fiz quando adulto
Que numa briga, eu preciso escolher de que lado estou,
mesmo quando não quero me envolver.
Que, quando duas pessoas discutem não significa que elas se odeiem.
E quando duas pessoas não discutem
não significa que elas se amem.

Eu aprendi:
Que conhecimento e saber nos tornam mais ricos;
E que a vida nos ensina mais que qualquer livro;
Que ensinando o que sei, aprendo;
Que diplomas na parede não me fazem mais respeitável ou mais sábio.

Eu aprendi:
Que pesadelos quando dormimos têm remédio;
mas sonhar acordado é perigoso.
Que o passado deve ser recordado mas não desejado;
Que o futuro é uma incógnita;
Que o presente existe para ser vivido intensamente
um dia de cada vez!
Que nós nascemos, vivemos e morremos,
um dia qualquer,
porque essa é a ordem natural!"


E por tudo o que aprendi neste espaço… obrigada!

Até sempre…


sexta-feira, janeiro 11, 2008

Real Life by AYO

Olá amigas e amigos , como aqui partilhamos um pouco das nossas vidas, aqui fica uma sugestão musical de uma cantora que eu adoro, AYO



Some people say that I'm to open they say it's not good to let them no everything about me and they say one day they will use every little things against me but I don't mind maybe they're right that's just how it is and I got nothing to hide.

I live my life the way I want I got nothing to hide nothing at all life is not a fairy tale life is about more cause life is real.
I live my life the way I want I got nothing to hide nothing at all life is not a fairy tale life they should know that life is real.

A friend of mine gave me an advice he saiybe careful and think twice before you talk about your life protect yourself just keep quiet the more they know the harder they try to spoil your ways to spread lies and even though I know he could be right I just said I...

Me I be ayo ogunmakin fear no foe I am real from head to toe just like my heart and my soul.
Me I be ayo ogunmakin fear no foe I am real from head to toe like life is real and you should know.

domingo, janeiro 06, 2008

"a night to remember"

Gosto de utilizar "my own words", mas às vezes há músicas que falam por mim, e em que sinto que não lhes preciso de acrescentar nem mais uma palavra...
É o caso desta música... "Let's make a night to remember".
A minha noite de Passagem de Ano foi inesquecível, e espero que todos vocês também tenham conseguido fazer da vossa noite "a night to remember", e que a consigam prolongar ao longo de todo o ano de 2008.



Eu gosto do teu jeito esta noite, com o teu cabelo solto pela altura dos teus ombros.
Eu gosto do teu jeito de dançar aquele doce tango lento... o jeito como queres fazer tudo, excepto falar.
E como me encaras com esses olhos de "tira a minha roupa"...
E a tua respiração no meu corpo, deixa-me quente por dentro

Vamos fazer amor, vamos fazer algo incrível, vamos fazer algo sem parar.
Porque eu nunca toquei alguém do jeito que toco o teu corpo.
Agora eu nunca mais te irei deixar ir embora.

Vamos fazer uma noite, inesquecível, de Janeiro até Dezembro.
Vamos fazer amor para nos animar, uma lembrança para nos inflamar.
Vamos fazer mel... macio e delicado.
Vamos fazer açúcar... doce redenção.
Vamos fazer uma noite inesquecível para a vida inteira.

Eu gosto do jeito que tens de te mover esta noite. Gotas de suor a escorrer da tua pele. Eu deitado aqui, e tu deitada aí, e as nossas sombras na parede, e as nossas mãos em todo o lugar.

Eu penso em ti o tempo todo.
Será que não vês como que me deixas louco?
Bom, eu nunca mais me vou segurar outra vez.
Eu não quero que esta noite termine, porque eu nunca toquei alguém do jeito que toco o teu corpo.
Agora eu nunca mais te irei deixar ir embora.

sábado, janeiro 05, 2008

Concerto















Toca-me...

Escuta cada som que sai do meu corpo
Sente em cada pedaço de pele um ritmo
Faz de cada músculo uma tecla de piano
De cada nervo uma corda de guitarra
E deixa-me sentir a melodia que escolhes

Toca alto e forte, se o desejo te ataca
Toca baixinho e suave, se o carinho te move

Mas toca...

Toca-me...

Compõe a tua música no meu corpo
Escreve a tua canção dentro de mim
Inventa e reinventa a nossa orquestra
Faz desta cama o teu palco
E guarda na carne as pautas deste concerto

Toca sem pressa, se a noite for longa
Toca com alma, se o tempo deixar

Mas toca...

Toca-me...

sexta-feira, janeiro 04, 2008

A Revolução



Passamos demasiado suspirando por direitos, liberdade, revoluções.
De uma forma ou de outra, em cada um de nós vive uma convicção, respira uma ideia. Vivemos nossas vidas, praguejando, pensando nas coisas, que algo ou alguém podiam fazer por nós, podiam fazer mais por mim, podiam fazer mais por ti…
Toda a mente produz esperança, todos nós um dia acabamos por dormir com a convicção de uma mudança global, todos nós esperamos a revolução.

Todos queremos, um Mundo mais justo, mais voz, mais palavra.
Julgamo-nos por vezes capazes de mudar o mundo, alterar mentalidades. Sentimo-nos senhores da razão, donos da ideia que um dia, talvez um dia vai mudar o Mundo…

Esquecemo-nos contudo, que toda a grande mudança, toda a grande ideia revolucionária, começa em cada um de nós…
Queremos mudar o Mundo, mudar as cores da vida, esquecemo-nos de mudar a alma, rever as palavras, lavar o coração… Como podemos mudar toda uma ideologia se o que nos move, é o ódio, é o medo que nos faz correr…

Antes de içar a bandeira da revolução, iça primeiro a bandeira do perdão, do reconhecimento e acima de tudo…

Acima de tudo…

Iça primeiro o amor.

Lava a alma de preconceitos, falsas esperanças, limpa as mágoas passadas e sorri…

Sorri…

Que a vida te sorrirá de volta…

Mas nunca te esqueças de lutar, por aquilo que amas, por aquilo que queres e por aquilo em que acreditas…

O que é acreditar afinal?

Love u all


Ps: Que em 2008 surja finalmente a revolução...
A revolução das mentalidades e dos preconceitos!!!

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Feliz 2008

Um grande e feliz 2008 para todos

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Dia da Vassoura


Sem ressaca da comprida noite, estou de volta ao teclado para compor algumas palavras que me traduzam neste dia primeiro.
Conferindo as minhas contas, para apurar o saldo de 2007, noto que parte delas estiveram paradas o ano inteiro. Foram abertas, há não sei quanto tempo e com que capital, e não são movimentadas por nenhum dos titulares. Nem me darei ao trabalho de saber se algumas têm saldo de jeito vou, simplesmente, encerrá-las e apagá-las dos meus registos.
Sou obrigado e estou determinado a simplificar a minha vida, em todos os sentidos. Vou fazer o balanço e análise das minhas contas com: despesas, relações, tempo, ocupações, interesses, hábitos, costumes, consumos e coisas. Vou instaurar, definitivamente, o meu "Dia da Vassoura" para a limpeza geral.
O "Dia da Vassoura" (marcado à toa) foi, durante muito tempo, o meu grito de guerra à limpeza de casa. Nesse dia, muitas das coisas que ganhavam pó - excepto as garrafas de tinto velho -, bolor, ferrugem, "verdete", incomodavam a vista ou que nunca eram utilizadas iam direitinhas ao contentor do lixo ou, se alguém lhe visse utilidade, a outro lar.
Finalmente, o Dia da Vassoura vai ter data certa e ser aplicado em muito mais coisas, para além da casa.
Darei atenção aos "manuais do utilizador", "prazos de validade", prazos de utilidade, frequência de utilização, data da última utilização, grau de utilidade, sinais de inutilidade, funcionalidade, actualidade, espaço de ocupação, rentabilidade, consumo de energia, índice de poluição, grau de satisfação, etc.
Espero, sinceramente, não criar um deserto à minha volta. Quanto à data, vou fazer umas pesquisas nas minhas antigas agendas e pela Net e cá voltarei.

terça-feira, janeiro 01, 2008

Um beijo para as meninas e um abraço para os meninos


segunda-feira, dezembro 31, 2007

Novo 2008

Todos sabemos que a passagem de 31 de Dezembro para 1 de Janeiro mais não é que uma data de calendário que surge como forma de organização social. Contudo, se extrapolarmos para a vida, esta passagem não deixa de ter uma simbologia marcante.

Foram dias, semanas, meses da nossa existência que se passaram, experiências boas, más, conhecimentos que adquirimos, amizades que foram feitas, separações igualmente, enfim, uma panóplia de vicissitudes que só acontecem a quem está vivo e interage.

O que de bom aconteceu, tendemos a guardar dentro de nós pintado dos mais variados tons de azul, rosa, amarelo e até branco. O restante pensamos esquecer... no mais escuro de nós mesmos! Assim, à entrada de um novo ano as expectativas renovam-se. É tempo de olhar o horizonte e desejar que algo de dourado surja envolto em todas as colorações claras e ténues. Poderá ser, poderá não ser... mas, a esperança é aquilo a que nos agarramos a bem de nós próprios.

Assim, desejo a todos os pedaçinhos que me acompanham neste canto de partilha, um 2008 envolto em cores brilhantes. Ou seja, que este novo ano vos traga muito daquilo que cada um de vós ambiciona!

Mirando el horizonte, óleo sobre tela, Leonor Maass

domingo, dezembro 30, 2007

Quando um se vai, um outro vem

Sentiu-se triunfante ao chegar. Eufórico, louco, barulhento. Por entre as luzes da ribalta caminhou glorioso até ao pódio.

Jovem ainda, cheio de sonhos, esperanças, projectos.


Ao longo da sua existência chorou, resmungou, blasfemou. Escalou montanhas nunca antes pisadas. Colheu frutos nunca antes saboreados. Percorreu caminhos nunca antes trilhados. Proferiu palavras nunca antes murmuradas. Amou enquanto viveu. E que vida!! Amou no corpo de mulher, nos braços de homem, nos beijos sensuais de cada ser. À luz do dia, na penumbra da noite, na brincadeira de crianças, na solidão de anciãos, nas hormonas de adolescentes, no riso, na dor, na paz e na guerra.

Agora, ali estava, parado, silencioso, meditativo. Percorrendo a memória da sua vida fugaz. Fazendo balanços do seu breve percurso.

Cansado. Extenuado.

Moribundo.

E nem lamentava o seu fim. Bastava-lhe saber que vivera.


Outro o substituiria. Nasceria, como ele, escondendo a insegurança, o tremor, o medo, a dúvida, mas igualmente triunfante, eufórico, louco e barulhento. Disposto a conquistar homens e mulheres. A amá-los em cada gesto, em cada beijo, em cada som, em cada odor. Ciente que, como ele, seria amado e odiado e um dia, como ele, também pereceria velho e cansado, para dar lugar a outro.


Olhou-se uma vez mais no espelho, na ansiedade de se vislumbrar. Mas a sua imagem enevoada, esvaia-se sob a luminosidade intensa daqueles círculos unidos formando um só, como homem e mulher quando se amam e já só teve tempo de sussurrar “oito…” Sucumbiu por entre a última badalada, as luzes, o fogo, o som da rolha a separar-se do gargalo, os abraços, a música, as gargalhadas e as boas-vindas a uma vida que já não é sua. No espelho já não se lia sete mas um poderoso, imponente, majestoso recém-nascido oito… “Boa sorte 2008”



DESEJO-VOS UM EXCELENTE 2008


sábado, dezembro 22, 2007

Porque Natal é quando o Homem quiser

“Sentou-se calmamente à lareira, ouvindo a melodia de Natal que ecoava pela sala, tempos a tempos interrompida pelas exclamações de alegria do puto do andar vizinho. Na árvore as luzes brilhavam cintilantes. Junto a ela as prendas intocáveis. Na mesa uma vela acesa…

Cada qual em seu cestinho as duas gatas fitavam-na como que a interrogar “que se passa? Enganaste-te na data?”

E ela silenciosamente a responder-lhes “Não dizem todos que o Natal é quando o Homem quer? Pois então, este ano o Natal desta casa será amanhã, quando o teu jovem dono chegar!”

Sorriu…

Em tantos anos de vida, nunca imaginara um dia mudar o Dia de Natal. E porque não?! Valia a pena.

Valeu a pena!”



O Orlando já enfeitou a Árvore de Natal, a mim resta-me desejar a toda a família do "Pedaços"...


FELIZ NATAL


(Comentários são no post aí em baixo que vale a pena ler)

domingo, dezembro 16, 2007

O Natal bate

Uma indecência! Estamos à porta do Natal e ainda não houve uma peça neste puzzle sobre isso... está mal! Abro as hostilidades.

Natal implica sempre prendas (não gosto da palavra presentes...). E quanto mais perto estamos da data, maior é a correria e menor é a escolha nas lojas. Por isso, desde o início de Dezembro que começo a pensar naquilo que vou oferecer (cada vez a menos pessoas...), e vou comprando. Este ano até começei a comprar uma prenda de Natal em Setembro!

Ao falar com várias pessoas sobre prendas, todas referem que gostam de dar coisas que tenham utilidade. Não rebato a ideia, mas se é uma prenda numa época assim especial tem de surpreender. E isso, quase sempre, implica inutilidade. Senão bastava oferecer um vale de supermercado.

A surpresa, o sorriso, vem do facto de a prenda ser inesperada, desconcertante. De ser uma surpresa! E isso também significa conhecer bem a quem se dá a prenda.

Pronto, talvez seja uma parvoice minha...
Se gostam tanto de utilidades... ofereçam-me um carrito, sff.

(se alguém souber como, vinha a calhar a canção "Santa Claus is coming to town"...)

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Argentina e Tango


Há dois meses estive na Argentina, foi um local que definitivamente me marcou, muito mesmo. O Tango, a Boémia, as pessoas, a bela Buenos Aires e Calafate (Glaciar Perito Moreno).
Marcou-me como nunca uma viagem me marcou. Por isso, partilho aqui um pouco com vocês esta foto, e este Tango que até tem uma mão Portuguesa.
Gracias Argentina

Una Música Brutal
Gotan Project


Descubrimos vos y yo (Tu e eu descobrimos )
En el triste carnaval (No triste carnaval)
Una música brutal (Uma música brutal)
Melodías de dolor (Melodias de dor)
Despertamos vos y yo (Tu e eu despertamos)
Y en el lento divagar (E no lento divagar)
Una música brutal (Uma música brutal)
Encendió nuestra pasión (Incendiou a nossa paixão)
Dame tu calor (Dá-me o teu calor)
Bébete mi amor (Bebe do meu amor)

domingo, dezembro 02, 2007

"Diz que até não é um mau blog"...!!!

A Litinha, que faz parte desta nossa família, atribuiu através do seu blogue "Life Feelings", o prémio "Diz que até não é um mau blog" ao "Pedaços de Nós" .
Achei uma certa piada a este efeito boomerang que ela deu a este prémio, porque ao atribui-lo ao "Pedaços de Nós", no fundo está também a premiar-se a si própria, por isso desde já lhe dou os Parabéns por este prémio.

Os boomerangs podem ser utilizados com as mais diversas finalidades, podem ter muitas formas e tamanhos dependendo da função que se lhes pretende dar, e quando jogados correctamente, retornam sempre ao seu ponto de origem. Tenho por isso a certeza que a Litinha ao "jogar" este boomerang teve como intenção mostrar a todos nós que ela sente este espaço, como um local onde ela própria encontra as suas origens e raízes neste mundo da blogosfera.
Por outro lado, muito mais do que se premiar a si própria, quer premiar-nos a todos nós que fazemos parte desta família. Estamos assim todos de Parabéns.

Esta família começou a construir-se há mais de dois anos, e desde lá muitas coisas na vida de todos nós aconteceram. Já houve quem mudasse de cidade, quem mudasse de país, quem mudasse de vida, quem mudasse de parceiro(a), quem mudasse de emprego, etc, etc... no entanto este espaço tem continuado aqui sempre connosco, e através dele temos feito inúmeras amizades.
Neste espaço há registos de alguns momentos tristes, e de muitos momentos felizes. Este nosso "diário virtual", está carregado de pedacinhos das nossas vidas, que servem como "registos vivos" de muito do que nos tem acontecido, ou em que acreditamos.

Ele tem sido um espelho de cada um de nós. Quando estamos bem, publicamos textos positivos, e quando estamos tristes, as nossas publicações são muito mais melancólicas. Aqui todos temos tido sempre a liberdade de nos expressarmos livremente, da maneira que cada um quer, sobre o que gosta, e quando deseja.
Ao contrário da vida real, aqui podemos ser nós mesmos, sem dificuldades, ou pudores... basta-nos querer. Podemos divagar, partilhar ideias, esperanças, insucessos, decepções, vitórias, e felicidades.

Será que a Litinha "Diz que até não é um mau blog" o "Pedaços de Nós", por alguns destes motivos?
E vocês? Também sentem o "Pedaços de Nós" como um local que se identifique com as vossas origens e raízes deste mundo blogosférico?

Bem, mas como o "Diz que até não é um mau blog" é um prémio criado pelo skynet, tem as suas próprias regras, que são as seguintes:

1- Este prémio deve ser atribuído aos blogs que consideras serem bons, entende-se como bom os blogs que costumas visitar regularmente e onde deixas comentários
2- Só e somente se recebeste o "Diz que até não é um mau blog", deves escrever um post:
- Indicando a pessoa que te deu o prémio com um link para o respectivo blog
- A tag do prémio
- As regras
- E a indicação de outros 7 blogs para receberem o prémio
3- Deves exibir orgulhosamente a tag do prémio no teu blog, de preferência com um link para o post em que falas dele.
4. (Opcional) Se quiseres fazer publicidade à criatura com demasiado tempo livre para gastar em parvoíces, e que teve a ideia de inventar este prémio, ou seja eu –
Skynet, podes fazê-lo no post que eu fico agradecido


Para não continuar com efeito boomerang criado pela Litinha, não irei atribuir o prémio a nenhum dos membros do "Pedaços de Nós", embora todos o merecessem, por isso os 7 que vou destinguir com o prémio "Diz que até não é um mau blog", são obviamente blogues de quem embora não pertencendo ao "Pedaços de Nós", nos vai seguindo com atenção e carinho, o que só por si já os faz merecer este destaque:

Alma de Pássaro ; As confissões de Margaret ; Demanda de sentido...

sexta-feira, novembro 30, 2007

Para todos os que estão apaixonados


quarta-feira, novembro 28, 2007

Há coisas fantásticas na Madeira!

Há alguns dias, Art of Love fez publicidade aos Açores. "Vingo-me" com duas fotos que tirei nas minhas férias na Madeira, num passeio pela levada rumo às 25 Fontes:



terça-feira, novembro 27, 2007

Like a desire to live

“Há muitos, muitos séculos atrás, vivia no cume da montanha um animal chamado Zilpe. Tinha tudo que precisava: água, comida, uma soberba paisagem envolvente e uma casa enorme, belissimamente decorada.

Zilpe passava os dias sem nada fazer. Tudo surgia nas suas mãos como um passo de magia que o entediava.
...
Há muitos, muitos séculos atrás, vivia no vale da montanha um animalzito chamado Alipe. Não tinha uma perna, faltava-lhe uma mão, vivia numa toca.

Alipe passava os dias admirando enfeitiçado, a queda-livre das folhas secas com que se alimentava, enquanto ouvia atento a melodia da água corrente do rio.
...
Vilpe vivia melancólicamente, entre o cume e o vale da montanha, invejando o mágico tédio de Zilpe e cobiçando o feitiço de Alipe.
...
Nilpe apenas queria ser um deles! Não importa qual! Um qualquer! Desde que pudesse viver! No cume, no vale, ou entre o cume e o vale da montanha...”

E eu... só queria saber explicar-te...

segunda-feira, novembro 26, 2007

O meu "Pedaço" # 16

Os hotéis fascinam-me por uma variedade de razões. Os hotéis são espaços de uma incrível intimidade, feitos para pessoas anónimas. Os quartos de hotel servem para dormir... gritar... tomar banho... ter sexo... começar relacionamentos... terminar relacionamentos...

No entanto cada vez que entramos num quarto de hotel sentimo-nos como se fossemos a primeira pessoa a lá estar, e não gostamos de encontrar qualquer vestígio de quem lá tenha estado instalado anteriormente. Parece que nos esquecemos que eles são limpos, e renovados cada 24 horas. Fascina-me como nós nos incorporamos num quarto de hotel, e como este se transforma no nosso refúgio.
Cada 24 horas num hotel funciona como se fosse uma vida, com princípio, meio, e fim. Fazemos de cada 24 horas o nosso percurso biológico de vida, o que de certa maneira é similar à nossa condição humana.

Enquanto estamos vivos, nós amamos... gritamos... rimos... dormimos... temos sexo... e por fim morremos. O mundo é limpo da nossa presença, o que na minha perspectiva faz com que o nosso tempo biológico seja breve... muito breve.
É como nos hotéis, em que tudo é relativo, breve, especifico... dura apenas 24 horas cada ciclo.

Os quartos de hotel, assim como os lobbies, os aeroportos, ou os edifícios de escritórios, são lugares feitos de neutralidade, e eu espero, e desejo não passar pela vida com a neutralidade com que sou capaz de passar por um lugar destes.
Quero passar pela vida deixando registros e mim... humanos... e emocionais, porque quer eu goste ou não, sou humano, por muito que às vezes pense, e tente ser um robô.

Será esta comparação demasiado excessiva?
Será que eu estou a desejar demasiado?

domingo, novembro 25, 2007

Coisas que eu sei...

Nos meus tempos de ócio, confesso que um dos meus passatempos favoritos é ver a telenovela... acreditem que esta é uma forma de deixar que o meu espirito vagueie pelo simples facto de estar a olhar para a televisão simplesmente pelo prazer de não pensar em nada e estar no meu canto... e como tal , a novela a que agora assisto, dá pelo nome de "Duas Caras", e para não variar chamou a minha atenção para a música que junto deixo a letra...

Coisas Que Eu Sei - Danni Carlos

Eu quero ficar perto de tudo que acho certo
Até o dia em que eu mudar de opinião
A minha experiência, meu pacto com a ciência
O meu conhecimento é minha distração

Coisas que eu sei
Eu adivinho sem ninguém ter me contado
Coisas que eu sei
O meu rádio relógio mostra o tempo errado
Aperte o 'Play'

Eu gosto do meu quarto, do meu desarrumado
Ninguém sabe mexer na minha confusão
É o meu ponto de vista, não aceito turistas
Meu mundo 'tá' fechado pra visitação

Coisas que eu sei
O medo mora perto das idéias loucas
Coisas que eu sei
Se eu for eu vou assim não vou trocar de roupa
É minha lei

Eu corto os meus dobrados
Acerto os meus pecados
Ninguém pergunta mais, depois que eu já paguei
Eu vejo o filme em pausas
Eu imagino casas
Depois eu já nem lembro do que eu desenhei

Coisas que eu sei
Não guardo mais agendas no meu celular
Coisas que eu sei
Eu compro aparelhos que eu não sei usar
Eu já comprei

Às vezes dá preguiça
Na areia movediça
Quanto mais eu mexo mais afundo em mim
Eu moro num cenário do lado imaginário
Eu entro e saio sempre quando 'tô' a fim

Coisas que eu sei
As noites ficam claras no raiar do dia
Coisas que eu sei
São coisas que antes eu somente não sabia
Coisas que eu sei
As noites ficam claras no raiar do dia
Coisas que eu sei
São coisas que antes eu somente não sabia

Agora eu sei
Agora eu sei
Agora eu sei

sábado, novembro 24, 2007

Partir


Por vezes, numa paragem qualquer, apetece-me partir e levar a saudade comigo. A saudade da paixão, dum colega, dum amigo e dum irmão. Teimo em ver raízes na terra solta onde só o cimento se funde. Confundem-me as luzes que ocultam as verdadeiras cores dos rostos e dos edifícios. Construímos paredes tão altas que apenas nos deixam ver a nossa própria sombra. Os que ficaram do nosso lado, por vezes, ignoramos e aos outros jamais esquecemos. Somos injustos.
Vejo, por mim e por outros que conheço, que gerimos mal: o tempo, os sentimentos e as relações. Somos tão obtusos. Não atingimos que, numa relação plena, devíamos optar por assumir uma atítude inversa e oposta à que adoptamos (alguns!) na condução: ignorar sinais e avisos e demorar o máximo de tempo a percorrer o caminho nos limites máximos da (nossa) velocidade. Confuso? Não! Sugestão: fazer marcha a trás, acender as luzes e voltar a engatar.
Acordo a meio da noite com ganas de sair e enfrentar a escuridão para melhor ver e entender o mundo. A luz ofusca e abafa, só o silêncio ilumina.
Que nos impede, num impulso impetuoso, de beijar e abraçar quem realmente nos agita, arrebate, confunde e baralha as horas e os dias?
Não é um lamento, apenas um momento em que sou, simultaneamente, juiz, réu e vítima de mim.

domingo, novembro 18, 2007

Os benefícios do leite...


sábado, novembro 17, 2007

A Estranha em Mim

Um filme que nos põe ao espelho de nós mesmos, daquilo que somos, do que ignoramos ser. Do estranho que mora dentro de cada um.
Os medos, as inseguranças, as fugas em frente, os ímpetos de coragem.
Nós e o mundo. A sociedade. O crime. As seguranças e inseguranças. A justiça e a injustiça.
Vale a pena ver. E olhar para o que está mais além.

quarta-feira, novembro 14, 2007

O Meu Olhar Sobre o Mundo

Os Açores deixa-nos a sensação brutal de deturpação dos sentidos.
Olhando para o horizonte, e para o céu muitas vezes marcado pelas nuvens pesadas, a primeira sensação com que se fica é de ausência, mas simultaneamente sentimos a possibilidade de encontrar ali um qualquer chamamento.

É quase impossível perceber o que provoca em nós um misto de nostalgia e irresistibilidade que nos deixa sem palavras. Não estou a falar da magnificência da paisagem, das cores, ou do bombardeamento dos sentidos.

Bem pelo contrário, porque as paisagens são relativamente monótonas, marcadas pelo verde e pelo castanho, às quais se juntam as variações que se extremam entre o amarelo e o cinzento, quase sempre marcadas pelo intenso filtro solar de luz a que as nuvens obrigam.

Se há coisas que se explicam melhor com os silêncios do que com as palavras, os Açores são um bom exemplo disso...

fotografias: Å®t Øf £övë
música: "Alma Mater"

terça-feira, novembro 13, 2007

Início de caminhada

Com esta caricatura, que encontrei algures, dou início à minha participação com uma pequena peça neste puzzle chamado "Pedaços de Nós"....

sexta-feira, novembro 09, 2007

Talvez... um dia...

Talvez... um dia...
Eu consiga deixar de amar.
Talvez... um dia...
Ao acordar, ao ver o nascer do dia,
Eu perceba que já nada aqui faço
Que já de nada quero saber
Que de ninguém preciso...

Talvez... um dia...
Só em mim eu consiga pensar,
Ser egoísta...
Como já tantas vezes me acusaram de ser
E aí...
Eu das pessoas me consiga desligar
Porque das coisas... eu já não preciso.

Nesse dia...
Se algum dia chegar...
Eu partirei... sem dor
Pois nada sentirei
Fria... gélida... serei
Sem amor...
Sem família...
Sem amigos...
Só eu... mais ninguém...

A partir desse dia...
Pelo mundo vaguearei
A relações fugazes me entregarei
Não me importando com sentimentos
Se magoo... se me magoarei...

Talvez... um dia...
Eu consiga ser
Narcisista, fria, calculista
De tal modo... a tal ponto...
Que a toda a dor resista
Que já nada me atinja.

Nesse dia...
Se algum dia chegar...
Serei, com toda a certeza... mais pobre...
Uma simples pedra com "vida"
Mas, não mais
Desiludida...
Mas, não mais
Ferida...
Mas, não mais
Culpada...
Pois deixarei de acreditar...
Na magia
No romantismo
Na cumplicidade
No amor
Na felicidade
Pois deixarei de acreditar... na VIDA.

Finalmente... um dia...
Talvez... nesse dia...
Eu me sinta em paz
Ao sanar-me... devolva a felicidade à vossa vida
E sinta que voltei a fazer a diferença pela positiva...


Por enquanto...
Enquanto esse dia não chega
Vou tentando perceber...
Como?????
Quando?????
Passei de bestial a besta...

quarta-feira, novembro 07, 2007

Estado de espírito

As criticas não me abalam
Os elogios não me iludem
Sou o que sou e não o que dizem
Vivo o presente
Temo o futuro e foda-se para o passado!

terça-feira, novembro 06, 2007

Ficar por cima

Tenho um grupo de amigas, com as quais costumo jantar uma vez por semana em que quase falamos tanto quanto bebemos. À quarta caipirinha já a conversa ronda o sexo...
Desta última vez dizia-lhes que quando não estou apaixonada por ninguém, costumo gostar de vários gajos ao mesmo tempo, com os quais brinco ao gato e ao rato, sempre que se aproximam de mim. Durmo com um ou outro que vagamente me interessa, até me cansar deles, e que na verdade não tenho pena de ter o coração fechado, porque é muito mais fácil viver assim. De vez em quando abro um pequeno compartimento e alguém entra, mas a verdade é que não fica muito tempo, e ultimamente tenho sofrido na pele a fuga de muitos deles.

Falava-lhes destas minhas dúvidas quanto às razões de fuga de tantos homens, quando uma delas me interrompe para dizer que se calhar o meu problema era o mesmo que o dela... que era o facto de no sexo ela gostar sempre de ficar por cima, e eu baralhada com a falta de novidade, respondo-lhe:
- Sim, é verdade que eu também gosto, e...?
Ela responde-me que normalmente os homens acham que as mulheres que gostam muito de ficar por cima são umas malucas, que não servem para casar, nem para mães dos filhos deles.

Fiquei a achar que tinha encontrado ali a resposta para alguns abandonos súbitos que tenho sentido nos últimos tempos, mas independentemente de ser ou não essa a razão, tenho que admitir que há mulheres que vieram ao mundo, não para serem mães dos filhos de ninguém, mas apenas para receber e dar prazer aos homens, e eu tenho que admitir que me enquadro e revejo dentro deste grupo, mas também concluí que não há nada como nos aceitarmos como somos, porque não deve haver nada que faça alguém mais infeliz do que querer parecer aquilo que não é.

segunda-feira, novembro 05, 2007

Um pedaço de mim

Quem me conhece, sabe que eu vivo de música, encontro sempre lá o que quero dizer, o que estou a sentir, o que estou a pensar, sem que para isso utilize as minhas próprias palavras... no fundo sirvo-me da música como um veículo para transportar tudo aquilo que me vai na alma... Por isso não há dia que não descubra uma música diferente, apenas pelo simples facto de em determinda parte da canção, a letra ter qualquer coisa que me diga algo.

Por isso hoje apenas deixo aqui uma novidade, pra quem não saiba, existe uma nova música "Não olhes para trás" cantada pelo TT e pelo Nuno Guerreiro. Para quem não conheça, o TT é a grande revelação do R&B nacional deste ano. Podem dizer o que quiserem da letra... que é cliché, que não tem conteúdo... mas muita gente critica só porque é em português. Se isto fosse escrito em inglês a maioria do pessoal nem dizia nada. No entanto ouçam aquele instrumental!! Ouçam aquelas vozes... o coro por trás... a harmonia que há entre os dois. Nota-se que houve muito trabalho de estúdio mas as vozes são excelentes só por si. É uma das melhores músicas deste ano e não estou a falar só do mercado musical português...


À noite saio p'ra pensar em ti
Percorro o caminho das estrelas jornada sem fim
Oiço o silêncio que me escuta ao passar
Vejo-te na lua não consigo te alcançar
Espero que a noite te traga a mim, faça com que o mundo me leve a ti
Espero que saibas... do que és capaz
Anda vem comigo
Não olhes para trás
Peço-te que pares , vem comigo, eu sou teu amigo
Eu contigo sou capaz de ver o infinito
Sou capaz de ver que tudo pode ser melhor
Dá-me o toque, dá-me um beijo, dá-me o teu amor
Viajo ao som da tua voz, até sem te ouvir falar
Encontro a nota certa só contigo sei tocar
Tu és a pauta que eu quero ter para mim
Princesa tu és tudo aquilo que eu sempre quis
Espero que a noite te traga a mim, faça com que o mundo me leve a ti
Espero que saibas do que és capaz
Anda vem comigo
Não olhes para trás
Peço-te que pares , vem comigo, eu sou teu amigo
Eu contigo sou capaz de ver o infinito
Sou capaz de ver que tudo pode ser melhor
Dá-me o toque, dá-me um beijo, dá-me o teu amor
Dá-me o teu amor, o teu sabor
Vem ao pé de mim, dá-me o teu calor
Não tenhas medo de apostar em mim
Acredita que ás vezes acabamos assim
Não sabes se vale a pena apostar ou não
Aposta na razão, ouve o teu coração
Anda
Anda, vem gostar de mim
Anda vem gostar de mim
Anda vem gostar de mim
Peço-te que pares , vem comigo, eu sou teu amigo
Eu contigo sou capaz de ver o infinito
Sou capaz de ver que tudo pode ser melhor
Dá-me o toque, dá-me um beijo, dá-me o teu amor
Não olhes para trás

domingo, novembro 04, 2007

Ausências...


Ao som da água dispersa, caminhando no local onde queria e simultaneamente tinha medo de ir, tornou-se compreensível a ideia transmitida através de uma imagem deixada por alguém… aquela era mesmo uma porta para o céu!
Olhando para a realidade, as lembranças e pensamentos emergiam como cascatas. Percebi naquele instante, olhando para aquela imagem antes vista por fotografia, pisando o mesmo chão que antes havia sido percorrido por outrem, sentindo na tão grande ausência, o quanto de verdadeiro me haviam dito: “ A morte leva-nos um amigo e dizem que a vida continua. Continua uma treta! Parou, ali mesmo naquele instante. O que nos aproximava daquela pessoa deixou de existir a partir do momento do seu desaparecimento. Os pontos de conexão quebraram-se. Com quem vamos falar/discutir sobre os assuntos que nos uniam? Com ninguém! Aquela comunicação acabou ali!”
Esse alguém deixou, sem o saber, palavras inesquecíveis - "Don’t Worry, Be Happy"!
No entanto, apesar de querer acreditar nelas, o vazio permanece...

quarta-feira, outubro 31, 2007

Falar do quê?

Há momentos em que não nos apetece falar, basta-nos estarmos presentes. Partilhamos um espaço e um tempo, tal como a visão duma paisagem ou dum filme numa sala cinema. Podemos beijar, deixar nossa mão noutra mão e trocar um olhar, sem que as palavras façam falta. O silêncio supera-se, dá força e lugar a outros sentidos que nos envolvem. Sentimos quando as palavras são desnecessárias, bastando a insinuação dos gestos que se magnetizam por indução.

A memória é mais fiel à imagem do que à palavra. O passado é uma projecção de slides, ao som das músicas que o preencheram, com algumas palavras e frases soltas. Guardamos fotos e poucas legendas. Há quem tenha o seu "Diário" e nele descreva as imagens de cada dia. Reza o ditado: "uma imagem vale por mil palavras". Cada um de nós tem o seu próprio registo. Único.

Cuido de escrever sobre o tudo o que me vem à tona com o rigor da minha objectiva. A memória é algo de tão extraordinário comparável à visão, mas em sentido contrário: vê para dentro.

domingo, outubro 28, 2007

Aquela música...

Quantos de nós já não esteve num lugar em que de repente se está a ouvir uma música e pensa de quem será a música?
Talvez porque a melodia nos diz algo, ou até porque a letra tem algum significado para nós...
Pois foi isso que me aconteceu ontem... e como tal gostava de partilhar aquela música que despertou a minha atenção...


Ivete Sangalo - Quando A Chuva Passar

Pra quê falar
Se você não quer me ouvir?
Fugir agora não resolve nada

Mas não vou chorar
Se você quiser partir
Às vezes a distância ajuda

E essa tempestade um dia vai acabar
Só quero te lembrar
De quando a gente andava nas estrelas
Nas horas lindas que passamos juntos
A gente só queria amar e amar e hoje eu tenho certeza

A nossa história não termina agora
Pois essa tempestade um dia vai acabar

Quando a chuva passar
Quando o tempo abrir
Abra a janela e veja eu sou o sol
Eu sou céu e mar
Eu sou seu infinito
E o meu amor é imensidão

Só quero te lembrar
De quando a gente andava nas estrelas
Nas horas lindas que passamos juntos
A gente só queria amar e amar
E hoje eu tenho certeza
A nossa história não termina agora
Pois essa tempestade um dia vai acabar

sexta-feira, outubro 26, 2007

Pedaços de Uma História


"Há histórias que já começam com um final escrito. São obras fechadas, caminhos traçados. Não adianta querer pintá-las com as cores que mais gostamos ou desejar que o tempo possa mudar o seu rumo. Elas são assim... inalteráveis"
("Páginas ao Vento" publicado a 19 de Março de 2007)
Inalteráveis? Que sabia eu?! A vida mostrou-me que não existem finais escritos.
Como diz o meu amigo Pedro Arunca , "cada dia que passa é uma página do livro que nos compete escrever". E eu escrevi. Escolhi o tipo de papel mais macio que encontrei, peguei na lapiseira que melhor se moldava á minha mão e soltei as palavras que bem entendi. Fui escrevendo, capítulo a capítulo, ao sabor do meu desejo... a história que, um dia, julguei estar terminada. Não estava. E hoje sei...
Não foi um caminho fácil... e tantas vezes quase desisti. Quase.
"Não gosto dos quases que existem na minha vida. Não me libertam. Não me reconfortam. Pelo contrário, transformam tudo o que esteve quase... em quase nada."
( "Quase" publicado a 8 de Julho de 2007)
Corrijo. Gosto deste quase. Dizer que quase desisti, significa que não o fiz. Significa que transformei toda a minha história num desafiante talvez. Talvez tenha sido a minha teimosia, talvez a minha força, talvez até atrevimento... ou, quem sabe, talvez tenha sido apenas o saber esperar que o tempo mudasse o seu rumo.
"E que tempo é este? Amigo? Perdido? Nosso? Ou apenas meu?"
("Tempo" publicado a 12 de Dezembro de 2006)
Era o tempo que eu precisava para chegar aqui. Era o tempo que tu precisavas para saberes onde querias chegar.
Era um tempo amigo... jamais perdido... meu, teu... e sem dúvida, NOSSO.

terça-feira, outubro 16, 2007

O Meu Olhar Sobre o Mundo

Melgaço é uma cidade linda, apesar de pequena, com pessoas simpáticas, onde a beleza das paisagens e a magnitude da natureza se mostram vestidas de tonalidades que preencheriam a mais completa palete de cores.



Conta-me histórias, de tempos, a que eu gostaria de voltar
Tenho saudades, de momentos, que nunca mais vou encontrar
A vida talvez seja só três dias
E eu quero andar sempre devagar, até a ti chegar...


fotografia: Å®t Øf £övë
música: Ninguém (é de ninguém)

segunda-feira, outubro 15, 2007

Like a dream

Não era para ser, mas foi...

Não era para sentir, mas sentiu...

Não era para acontecer, mas aconteceu...

Angústia? Alguma... Receio? Muito... Felicidade? Sempre...

Retroceder? Impossível...

Avançar? Talvez...

Insegurança? Um pouco...


A noite brilhava por entre o escuro. As memórias que não identificava misturavam-se nas recordações sobrantes. Ora se encolhia de medo, ora sorria deliciada. Virava-se, revirava-se, revoltava-se... contorcia-se... alucinada...

Olhou-o. Sem encontrar o seu corpo, viu-o, sentiu-o, ouviu-o, sorriu... sem ansia, sem medos, sem certezas nem interrogações, tranquilizou-se a si mesma num sono prolongado como um beijo demorado. O dele.

sexta-feira, outubro 12, 2007

Consumo

Recebi a conta da EDP. Digo já, não sou daqueles que telefona a dizer a quanto vai o contador da minha casa, e sou sincero, prefiro nem saber.
E acho que deve ser assim, não quero saber o quanto gasto de energia.
Se eu, um dia, tivesse um contador no meu corpo, podia controlar perfeitamente os meus consumos, provavelmente até entrar numa de poupança... mas não, não quero, não faço leituras, não as dou a ninguém, não sei o quanto estou a gastar, nem quanto vou pagar no final.
Nas emoções sou mesmo um gastador, e sabem porquê? Vivo um dia de cada vez, e acreditem que vivo mesmo.

"Ninguém é tão velho que não possa viver mais um ano,
Nem ninguém é tão novo que não possa morrer já"

quinta-feira, outubro 11, 2007

Um Sorriso / Uma Viagem pela Alma

Liberta-te…
Passeia agora bem no fundo de tua alma, sente a vibração que o amor te entrega. Vagueia chafurdando nos sentidos, percorre a fundo a estrada que te leva até ao Nirvana…

Liberta-te…

Solta bem alto esse grito da alma, esse teu inconfundível sorriso, és livre agora, és cada vez mais apenas tu…

Vagueia…

Olha para o céu abrindo os braços, sente o conforto que a vida te traz, o calor que o sol te oferece…

Olha para mim e escuta, apenas escuta…

Por vezes a nossa vida mais parece um deserto melancólico, percorrido entre as areias de tristeza e monotonia por nós criadas, por outros criadas ou simplesmente criadas ao acaso do vento. Mais parece não haver saída, entre a espada e o frio da parede um dia acabamos por acordar, porquê? Fiz algo de mal? A vida é mesmo assim e pronto! Nada mais há por explicar. Até que um dia vemos um sorriso! Um simples e profundo sorriso, um olhar, um olhar profundo que entra bem no fundo de nós e vasculha o nosso coração e a nossa alma. É então que acabamos por descobrir que afinal aquelas melancólicas areias que percorremos no nosso próprio deserto, existe afinal um brilho bonito, um arco-íris de cores que nos fazem sorrir sonhar voar, e é mesmo nesse preciso momento que sentimos que afinal naquele deserto existe uma brisa fresca que nos refresca a alma, e se continuarmos a procurar quase de certeza que vamos encontrar uma queda de água que nos vai matar a sede e nos vai fazer cantar e voltar a sorrir, e quando menos esperarmos vamos começar a ver no horizonte um raio de luz a nascer, um raio de luz que nos rasga a tristeza, uma luz tão forte que atravessa as areias e as faz brilhar, a água passa então a luzir pequenas gotinhas de cores maravilhosas, e lá no fundo mas bem no fundo começamos a ouvir a musica que a brisa nos traz…

Ao som de "Shine On You Crazy Diamond" dos Pink Floyd

segunda-feira, outubro 08, 2007

O meu "Pedaço" # 15

Não me adianta procurar, porque não existem livros para homens que sejam pais... nem na secção de ciências ocultas.
Depois do bebé nascer deixamos de fazer parte da equação natural.
Não se trata de uma conspiração. As mulheres até tentam manter os homens dentro da equação. O problema é que nós não sabemos como nos manter maternos.
Seremos homens capazes de inventar um complexo químico qualquer que nos permita manter integrados neste acto solene de paternidade sem bocejar?
Porque raio ninguém até hoje criou um código de conduta que discipline a actuação do homem numa família?
Talvez seja porque o pai é apenas o selvagem num meio que exige harmonia e paz.
Eu disse... apenas?
Isso já me parece imenso...

domingo, outubro 07, 2007

Viagem


Existem lugares que marcam a nossa vida. São lugares cheios... não cheios de gente, mas cheios de nós.

São lugares que contam a nossa história, sussurram-nos lembranças, gritam os nossos segredos. Guardam em cada parede um olhar, em cada canto uma lágrima, em cada objecto um sorriso. São lugares que nos queimam por dentro e nos roubam a alma por instantes.
Fazem-nos viajar a recantos de nós que julgávamos não mais existirem. Ressuscitam emoções que um dia quisemos deixar morrer.
Voltei a um desses lugares... onde tantas vezes me perdi de mim mesma, e onde tantas outras me encontrei. Onde o tempo parava para me ouvir gritar sentimentos em silêncio... embalados por uma música cuja letra contava uma história igual á minha.
Voltei e revi-me... revi-me em cada canto, em cada objecto, em cada palavra. Senti na pele o calor das noites sem fim e na boca o doce amargo sabor de cada momento ali vivido.

Saí de mim mesma e deixei-me ir... como quem vai em busca de uma qualquer resposta, supostamente deixada ao acaso num dos cantos daquele lugar. Deixei-me novamente embalar pelas velhas musicas que ainda contam a mesma história. Uma história que ainda é a minha.

Esqueci quem sou e procurei quem fui. Viajei por mim mesma e reencontrei caminhos já esquecidos. Caminhos que ficaram ali guardados, sem nunca levarem a lugar nenhum...
Chegada a hora de ir embora, voltei a mim. Despedi-me de quem fui e abracei quem sou. Deixei que cada refrão me contasse uma história diferente daquela que foi a minha... talvez a que ainda quero viver.

Devolvi cada emoção a cada parede, a cada canto, a cada objecto ... e, lançando-lhes um último olhar á saída, pedi-lhes baixinho que continuassem a guardar as minhas lembranças, para nelas seguir viagem sempre que me apetecer ali voltar.