sábado, outubro 21, 2006

O meu "Pedaço" # 11

Tenho a impressão de estar feliz. Já não é mau...
Tenho tido uma vida de merda, mas a culpa tem sido minha. O mais que posso dizer é que ao menos tem sido interessante.
Tem graça!!!
Não me lembro de alguma vez ter estado feliz... antes... nem em criança...
Senão lembrava-me de certeza.
Porque é muito bom.
Deve ser...
Mas afinal quem sou eu para estar feliz?
Não tenho razões para estar feliz... mas estou... feliz é aquilo que neste momento mais estou...
Mais pelo menos do que em qualquer momento de que me lembre, ocorrido durante a minha vida despreocupada e interessante.
Nunca encontro respostas para os enigmas mais importantes da minha vida... apenas encontro soluções de recurso.
Porque será?

3 comentários:

Dä®k Añgë£ disse...

Art,
É do inferno de pessoa que eu sou que vem a tua felicidade. Durante muito tempo fiz de ti um miserável... mais até do que um miserável. Agora fiz com que deixasses de ser infeliz.
Ai, Ai, Ai...
Beijinhos.

. disse...

Art, dizes: “Tenho a impressão de estar feliz.”
Se tens a impressão de estar feliz, é porque efectivamente foi estimulada dentro do teu ser, a dádiva que é a felicidade! E não digas que “Já não é mau...”! É muito bom! É uma graça que deves agarrar, nem que seja meramente uma impressão.
Se te sentes feliz, é porque te permitiste ser feliz. Porque te deixaste invadir pelas coisas boas da vida, ou melhor, pela VIDA!
A vida é assim mesmo; tantas vezes o tudo parece tão pouco... poderíamos sentir o prazer desse tudo, mas insatisfeitos seres humanos que somos, quando temos muito, lamentavelmente ousamos querer ainda mais e achar pouco o muito que se tem, logo e em consequência, não nos sentimos felizes. Outras vezes, no pouco e do pouco, conseguimos entrever e fazer o muito, o muito que mesmo sendo pouco, nesses momentos é o bastante e capaz de nos encher a alma e o coração, e aí surge aquele estado que chegamos até a questionar que seja possível de existir, mas que existe verdadeiramente: a sensação de felicidade. E questionamo-nos, mas porque é que me sinto feliz se até tenho consciência que nada tenho!? Porque a felicidade existe, mais próxima de nós, mais do que imaginamos... está aqui bem dentro do nosso peito, do nosso coração... tão desassossegada com vontade de se manifestar e impor... mas que tão poucas vezes lhe damos a possibilidade de nos conquistar... e tão poucas vezes temos a coragem de a conquistar...
Mas afinal quem sou eu para estar feliz?
Digo-te que és tudo, o tudo que é ser um ser humano... tens sentimentos, emoções... passíveis de serem agarrados/as pelas rédeas do teu querer e tomar como teu... aquilo que te é de direito...
A vida é um enigma, é certo, difícil de definir e compreender, mas é nesta conflituosa dificuldade, nas várias tentativas de desvendar e solucionar problemas, que reside e conseguimos cruzar com a felicidade, na maioria das vezes, é nessas “soluções de recurso” que ela se manifesta... “Porque será?” – perguntas. Penso que seja porque achamos que quando já nada pode resultar, “baixamos” o nosso escudo protector e deixamos que tudo aconteça... sem muito pensar, sem muito ansiar... assim... de espírito aberto e receptivo...
Beijinhos.

Anónimo disse...

Art, querido Art,

Como o mundo dá voltas, não é verdade?
E, como se costuma dizer, não há amor como o primeiro!
Poderão existir outros amores avassaladores, vividos com grande intensidade, arrebatadores até, mas aquele que apelidamos de primeiro, que até por vezes nem foi o primeiro, mas foi aquele que nos marcou, nos iniciou, nos despertou para sentimentos nunca antes sentidos…, esse fica eternamente no nosso coração.
Assim aconteceu comigo e aqui estou eu novamente a fazer parte desta família… sim, porque este foi o meu primeiro “amor”, foi aqui no ”Pedaços de Nós…” que aprendi e me permiti partilhar um pouco do meu “eu” à mercê dos juízos e conselhos de quem me quis ler; foi aqui que principiei a dar voz à minha frágil voz; foi aqui que aprendi que para comunicar e estabelecer elos de amizade não é imprescindível que se compartilhe o mesmo espaço em presença física; foi aqui com a troca de pensamentos, vivências, que me senti a crescer como ser humano…
Como referi, em jeito de desabafo a alguém por quem nutro grande carinho, a minha vida desenrola-se e assemelha-se a um círculo… quando penso que descobri a porta de saída, a verdade é que retorno ao ponto de partida… e aqui estou novamente no ponto de partida…

Art, neste teu “Pedaço” que partilhas connosco, dizes que tens a impressão de estar feliz, curiosamente, também eu me sinto assim neste momento da minha vida… Porquê? Não sei! Mas também não quero questionar-me na procura de saber o porquê desta sensação de serenidade que me induz, talvez ilusoriamente, a um estado de felicidade… O meu único interesse é manter e prolongar o máximo possível este bem-estar… quem sabe não me acostume a ele e o conquiste de vez… e ao invés de meros momentos de felicidade sejam, eternos momentos…!

Permite-me agora, Art, opinar sobre a proposta que fazes aqui no “Pedaços”, felicito-te e apoio a tua iniciativa, façamos crescer esta família com novos membros… plagiando-te “Vamos continuar a fazer deste espaço uma ponte de contacto entre todos nós”!

Para finalizar, deixa-me agradecer-te Art, por de novo me abrires a porta e me acolheres…

Um enorme beijinho.