Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Sonhos...

... Ainda prefiro os que se tem acordada, paridos da macabra fusão entre razão e emoção, mesmo quando ilusão ou nunca concretizados...

Terça-feira, Novembro 10, 2009

ou... amor?

Dos castelos colhe as pedras polidas pelo tempo, dos sonhos exclui os pesadelos gastos na almofada, na memória arruma as lembranças em baús com bolas de naftalina para que as traças não as corroam. Na praça pública silencia as palavras ocultas por espessos véus e (a re)volta ao abrigo que avalia como refúgio de tempestades. Calmante. Tranquilizante. Ou…

Contornos ocultos de verdades debilmente veladas, feitas de obscuras realidades (des?) mentidas, em amálgamas de afirmações, em rebuscadas frases estudadas, repetidas, gastas, entroncadas em raízes mal cuidadas. Desfloradas, ou…

Indagada a alma retorcida, escondida no corpo contorcido. Violado. Violada. Perde-se. Reencontra-se. Aconchega-se à força (devol)vida. Esfuma-se no maço consumido. Ou…

Regressa à galáxia perfeita da imaginação sobrevoando a felicidade sem lhe tocar. Quebra-se o feitiço como quem quebra uma garrafa (isso não). Enchem-se os pulmões de gases tóxicos a colorir o preto e branco da nuvem em que se senta sem reflectir que o amor não é para ser palrado, mas acarinhado. E a criança mimada esvoaça como pássaro engaiolado nas próprias asas desfeitas, numa liberdade fictícia, ilusória, desperdiçada, ou…

Regressa a sereia ao oceano onde as pérolas que lhe brotam dos olhos se desfazem nas gotas da maré. Reconhece as escamas perdidas, as barbatanas feridas. Os nós apertados da corda que lhe sufocou as guelras numa terra onde o líquido é opaco, viscoso, infectado. Nas profundezas da água límpida lava o corpo como quem desinfecta a alma e deita-se na concha que se fecha como encerrada foi a magia, ou…

Afogam nas areias movediças da praia, a saudade. E perdem(-se) no interior da sua própria voz. Ânsia abafada. Ou...

Perdura a ilusão. A confusão. Atroz paixão. Quiça quimera. Mórbida esperança. Fantasia. Utopia. Ou…

...

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Sugestão...

Normalmente quando aqui deixo um pedaço de mim, faço-o através da música que estou a ouvir no momento, neste caso, e para ser diferente deixo aqui uma sugestão de algo que por curiosidade, comecei a ler derivado ao título tão sugestivo que tem...

"Quando as pessoas boas fazem coisas más... como deixar de ser o seu pior inimigo"

R
ecomendo vivamente, porque no fundo é um livro que revela a faceta da nossa experiência humana, sobre a investigação das polaridades, ambiguidades, e hipocrisias em que vive a nossa sociedade... Simplesmente aconselho...

Domingo, Novembro 08, 2009

...

De guardador de objectos a coleccionador de momentos

Sábado, Novembro 07, 2009

Perfil virtual

O mundo virtual é uma oportunidade para que muitos - pessoas como nós - ampliem a sua rede de contactos e estabeleçam novas relações com diversos fins (profissionais, religiosos, artísticos, sociais, etc). Dá gosto ver os perfis de verdadeiras Ninfas e de soberbos Adónis - gente como nós - à procura do Olimpo no ciberespaço. Daí, estes versos:

Mulheres cultas e belas
Com lábios sensuais
Falam do melhor delas
Exibem seios fenomenais
Pouca roupa nelas
Talvez calor a mais
Sonham com as estrelas
Algumas choram demais
Sonham vidas de novelas
tomam banho de sais
E há quem queria vê-las
no maior dos pedestais

Nós, homens, todos machões
inteligentes, bonitos, musculados
ricos, cultos e muito viajados
armados em cagões
Vivemos à grande, enclausurados,
cheios de ilusões
Mandamos piropos elaborados
para atrair corações
Somos fotógrafos experimentados
captamos emoções
Psicólogos reputados
arranjamos soluções
Fomos todos enganados
no que toca a relações

Sábado, Outubro 17, 2009

Humildade (Há por aí quem muito precise dela)

Caro amigo, pensa, reflete e age. Como diz Confúncio:
"A humildade é a única base sólida de todas as virtudes"

Quinta-feira, Outubro 01, 2009

Cidade

Foram tantos os anos, que recordo todas as ruas que percorremos.
Até a primeira rua percorrida.
Tu na frente e eu a seguir-te.
Olhares cumplices e atentos a tudo quanto passa e o beijo furtivo roubado na primeira esquina sem vivalma.

Sim, recordo, dia após dia, uma estação seguida da outra, percorrendo todas essas ruas; de pedra, esburacadas, planas ou íngremes.
Recordo cada montra em que te detinhas, e a compra que fizeste por duas vezes, para ambos (dizias tu que nos marcaria para o resto das nossas vidas).
Tinhas razão, marcou.

E continuei a percorrer rua após rua, beco após beco, tu na frente, depois lado a lado, e até, nos dias mais frios a tua mão no meu bolso do casaco, encostada a mim.
Recordo também de seguir-te e de colocares a questão:
Ela- Onde estamos?
Eu- Não sei, limitei-me a seguir-te...
Ela- Para onde vamos?
Eu- Não sei, talvez levar as compras para nossa casa...
Ela- Eu vou por esta rua, a minha casa fica para este lado.

E recordo, pela última vez em que vi, o teu olhar e o singelo acenar de mão dizendo...
Adeus...

Segunda-feira, Setembro 21, 2009

Espírito de equipa



“Unir-se é um bom começo, manter a união é um progresso, e trabalhar em conjunto é a vitória”.

Henry Ford

Sábado, Setembro 19, 2009

...

Preciso recomeçar.
Apenas isso.
Tanto isso.
Para ser mais eu.
Para poder ser mais teu.

Sexta-feira, Setembro 18, 2009

O "Pedaços de Nós" faz 4 anos!!! ACREDITAM?!



Parabéns ao "Pedaços de Nós"

Parabéns a todos nós...



Faz hoje 4 anos que começamos este "livro" de nós mesmos, em que temos convivido e participado todos os dias ao longo de todo este tempo. Este blogue tem sido um espaço de todos que nele participam, ou participaram, onde têm sido partilhados pensamentos profundos, sonhos, receios, aspirações... enfim pedacinhos de cada um de nós.

Tenho que agradecer a todos os colaboradores, amigos, seguidores, e eternos anónimos que diariamente têm feito com que o "Pedaços de Nós" continue a existir, e a fazer sentido. O "Pedaços de Nós" não é com toda a certeza o blogue mais comentado, nem o mais visitado, mas para todos nós é o realizar de um projecto, e de um sonho... o escrever o que nos apetecer sem mentir a nós mesmos.

O "Pedaços de Nós" está aqui para durar...

À semelhança do que tenho vindo a fazer todos os anos, também este ano vou fazer um agradecimento público e personalizado a todos aqueles que se foram mantendo mais participativos por me parecer inteiramente justo esse reconhecimento e agradecimento. O meu muito obrigado pelo grande contributo e empenho, e os meus Parabéns muito especiais para:


Domingo, Agosto 23, 2009

Recomeço



Lembras-te?
Foi aqui que ficámos… e é daqui que seguimos novamente
Nada mudou… apenas o tempo passou por nós
A terra girou, a chuva caiu, o sol brilhou como sempre
O mundo seguiu o seu caminho
E eu e tu seguimos com ele
Por onde andei?
Vagueei por aí, como quem anda sem destino
Procurei-te noutros olhares, noutros sorrisos
Mas acabei aqui... no mesmo lugar
Onde sempre estiveste
Onde volto a estar
Se te ouvia?
Fingia não perceber, não querer ouvir
Fechava os olhos para não te ver
E procurava-te noutros rostos, noutras palavras
Oh que luta inútil!
Não eras tu… nunca eras tu
Voltar atrás?
Não… seguir em frente, tu e eu
Deixar a terra girar, a chuva cair e o sol brilhar novamente
E com o mundo seguirmos caminho
Mas desta vez, e mais uma vez…
Juntos.

Domingo, Agosto 16, 2009

Um Mundo Inteiro

Um mundo inteiro nos teus lábios...
Sim, os teus lábios, imóveis, pousados um sobre o outro, num silêncio inquietante.
Cerrados ou abertos num bonito sorriso ou tristemente descaídos e até mordidos pelo sabor de um pensamento maroto, ou apenas por prazer.
Sim, os teus lábos, e um mundo inteiro...
E digo «um mundo inteiro» pois, eles, os teus lábios, conseguem albergar a vastidão, encantos e enigmas de "um mundo".
Que mundo esse?
Esse mundo é o meu, e só pode ser o meu.
E sabes porque sei tudo isto?
Porque o meu mundo foi tocado.

Quinta-feira, Agosto 13, 2009

O lado sombrio de todos nós

"Todos escondem quem verdadeiramente são, pelo menos uma vez na vida. Por vezes enterramos essa parte de nós próprios tão profundamente que temos de ser lembrados que ela existe. E às vezes só queremos esquecer quem somos de uma vez."
Serie: Dexter

Terça-feira, Agosto 04, 2009

Retalhos daquilo que leio...

A cada blogue que leio dedico todo o meu carinho, e dou também um pouco de mim a cada um. Encontro sempre algo nas palavras dos outros que fazem reacender a minha chama, que tantas vezes se encontra numa quase ausência de luz. Isso acaba por me fazer reflectir, reencontrar-me e rever-me, como se a minha alma se olhasse a um espelho e se expandisse...

Hoje partilho com vocês pedaços de palavras, de ideias, de sentimentos, de emoções, de vida, e de imagens... que a Maria, Simplesmente cria através das suas palavras e imagens, emprestando-lhes cor, ritmo e movimento... e que sem ter que se explicar, indirectamente nos consegue acender em muitas das nossas noites e momentos, a chama e o brilho duma estrela...


"What is this???!!!"


Um contratempo, podem crer!...
A meio dum trabalho o meu computador disse-me que não sairia dali tão cedo. Como um louco e apesar de ver o meu desespero para terminar um trabalho urgente, resolveu pura e simplesmente "amuar".

Teimosamente, por mais que eu lhe suplicasse que se mexesse porque desejava ter o trabalho concluído na parte da manhã do dia seguinte, nem resposta me dava, ainda para mais, sem atenção à minha fraca capacidade económica e sem olhar à crise instalada nas minhas algibeiras, que se sabem esvaziar mas esquecem-se de encontrar uma forma de se encher, acabou por fazer o que pensou e foi meter-se numa clínica de manutenção de beleza, onde foi desventrado e durante oito dias não tentou saber de mim. A ingratidão afinal não faz parte somente do ser humano.

Isto leva-me a pensar que dentro dele também existe algo mais que desconheço, sentimentos frios e vingativos, levando-o a fazer-me pagar todo o trabalho a que o tenho sujeitado. Vingança fria, bem estudada, levando-me até ao desespero.

Depois do técnico sair, fui ver o que me deixou e ao abrir o saco onde vinha guardado tudo o que lhe tiraram do seu interior, num relâmpago a imaginação levou-me até uma cidade virtual, e não digo a um mundo virtual, porque infelizmente ou felizmente, nem todo o mundo tem acesso a tudo o que ali se encontra.

Cidade global é sim. Ali tens tudo, nada te falta, sentado confortavelmente encontras o que necessitares, arte, música, informação, telefones, contactos, ciência, cinema, rádio, tudo o que possas imaginar e desejar, vindo de perto ou de muito longe, de lugares que nem conheces, muitos que nem sabias que existiam, por onde podes viajar à vontade, e que te dão um conhecimento que de outra maneira não poderias ter e por vezes utilizas mal, outras vezes ficas preso e a sonhar, até amigos novos podes conhecer, uns que poderás conhecer pessoalmente outros... serão sempre virtuais.

Mas atenção uns serão a realidade, outros... sonhos e outros ainda poderão estar à tua espera para te tramar. É uma cidade virtual que se oferece à tua imaginação, que a pouco e pouco irás construindo e explorando como um paraíso onde gostarias de viver, onde todos, hoje e cada vez mais, se vão refugiando, até porque à medida que os sonhos se transformam em pesadelos, é procurado por uma humanidade que se sente cada vez mais solitária.

Perguntas: "What is this???!!!"
É o meu... ou o teu computador...

Domingo, Agosto 02, 2009

Eu sou capaz...

Eu sou capaz de revirar o mundo. Pontapear a nuvem. Eu sou capaz de agarrar o sol e esmiuçar-lhe o avesso. Agitar as águas no mar, acalmar a vaga, agarrar a onda. Eu sou capaz de arrancar estacas, plantar árvores. E arrancá-las pela raiz. Sou capaz de atingir a velocidade da luz para derrubar barreiras. Ultrapassar-me e não me deixar deter. Sou capaz de voar ao cume da montanha. E do sonho. No sono. Eu sou capaz de gritar tão alto, tão forte, até ensurdecer. Perder a voz pela razão. Porque a minha vontade me faz nascer, renascer, viver. E tornar-me imortal. Eu sou capaz de expulsar, evadir-me, até de mim. Entrar-me pelas entranhas até ao mais profundo eu. Eu sou capaz de me revoltar, fazer calar, cegar, emudecer, na mais pura surdez de quem quer vencer. Eu sou capaz de caminhar sobre a Lua, sobre Marte, sobre Vénus. Sobre o fogo que arde. Sem se ver. Eu só não sou capaz de me perder…

de mim

Sábado, Agosto 01, 2009

O Caminho Errado


...Mas há também quem saiba quem é a sua pessoa certa, e continue a perder-se com as erradas. E quando isto acontece é sempre um sinal de que se está em plena "travessia do deserto", e que se está sem rumo na vida... que se está completamente perdido...

Há que saber evitar, ou sair destas situações, sob pena de se continuar a persistir indefinidamente no caminho errado.

Quarta-feira, Julho 29, 2009

O meu "Pedaço" # 23

A infidelidade pode ser como uma armadilha que inicialmente nos abraça, e que depois acaba por nos estrangular.

Não há nada melhor do que a própria infidelidade para acabar com uma relação, mesmo que esta acabe por se ir mantendo ao longo dos anos, isto porque acaba por ficar sempre no ar a pairar uma nuvem de desconforto, mesmo que seja bem camuflada por mentiras bem articuladas com fundos de verdade.

A infidelidade, mesmo que mais ninguém repare, é como uma nódoa, que só se torna visível para as pessoas que estão dentro da própria relação. Está sempre ali, ao alcance dos nossos olhos, e dificilmente lhe conseguimos desviar o olhar...

Sábado, Julho 25, 2009

Quase excêntrico pequenino

Na semana em que houve mais um excêntrico em Portugal (algures em Corroios), também eu me senti um quase excêntrico muito pequenino:

Faltaram-me alguns zeros...

Terça-feira, Julho 21, 2009

Gripe Suina (A)


A única maneira de nos podermos rir com esta gripe que é uma verdadeira pandemia

Sexta-feira, Julho 03, 2009

Adivinhem quem vem para jantar...


Estaria muito longe da realidade?
Começo por confessar que não tenho a mínima intenção de fazer o dito...
Nunca os achei apelativos. Gosto de olhar para a blogosfera como um local onde publico textos, e onde gosto de ler textos dos outros... apenas isso. E através deste processo acabo por criar laços com determinados blogues. Nos blogues não se vêem caras nem corações, mas consegue-se o mais importante que é criar afectos através das palavras e dos pensamentos, e deixar tudo o resto para o nosso imaginário.

Mas confessem lá se não seria um jantar memorável?

Onde - Um restaurante muito em conta
Quando - Uma noite da semana passada (quarta? quinta? o que é que isso interessa?)
Quem - Todos nós aqui do "Pedaços" (aquilo a que os senhores da restauração chamam um grupo: mais de dez, e menos de vinte)
Porquê - Ninguém faz a mínima ideia
Como - É aqui que as coisas se tornam interessantes, como se perceberá ao acompanhar o relato imaginário, quase minuto a minuto, à maneira dos sites de futebol. Então seria assim:

20:37 - Olhando para a porta do tal restaurante muito em conta, ainda só estão três macacos à porta. O resto da malta ao que parece encara de forma um bocadinho elástica a expressão 20.30h.

20:52 - Lá vão chegando todos a conta-gotas, ou será aos "Pedaços"... alegres, atrasadíssimos... tão portugueses...

21:00 - Entram no tal restaurante muito em conta com a meia hora da praxe de atraso.

21:08 - Sentam-se, e vão abrindo os pacotes miniatura de manteiga, comendo umas entradas, e ninguém se atreve a fazer a pergunta: "Será que ele vem mesmo?"

21:10 - Sem se conseguir conter, alguém faz a pergunta que está no espírito de todos os presentes: "e então, acham que ele vem mesmo?". As pessoas disfarçam, e fingem olhar para a televisão, mas como sempre há alguém que não resiste e desdobrando o guardanapo e colocando-o no seu colo, ousa responder: "É melhor esquecerem... desde já vos digo que ele não vem. Olhem lá, por que é que não vêem o que ele estará a publicar no blogue dele a esta hora?". Faz-se um enorme silêncio, e só se ouve um leve murmúrio das pontas dos dedos, matraqueando suavemente os ecrãs dos telemóveis, iPhones, iPhods, e afins...

21:32 - Começam a chegar os primeiros pedidos: costeletas de encher o prato, bacalhau com natas...

21:35 - E eis que ele aparece. E como que por magia o tal restaurante muito em conta parece que sofre uma descarga eléctrica, enchendo-se de luz, com todos os nossos olhares apavorados centrados naquela "coisa"... Sim, "coisa" é a melhor palavra, para classificar aquilo que tinhamos diante dos nossos olhos.

Vou então resumir a "coisa" da forma mais minimalista que me seja possível. Uma verdadeira mistura de Jean-Paul Gaultier e Dolce & Gabbana: sapatos com tacões agulha de dez andares com uma cobertura de cristais, um casaco metalizado com fechos dourados, umas calças cor fúschia, um gorro, e como cereja no topo do bolo... um crachá preto com letras vermelhas, que diz: "Eu sou o Å®t Øf £övë".

21:38 - A tal "coisa" vira-se para nós e diz: "Boa noite a todos. Vou só ali à casinha. Já volto."

22:10 - Sai do WC transfigurado. Algumas pessoas já vão na sobremesa, e há mesmo quem já peça os cafés. Impávido, senta-se, e consulta o menu...

22:50 - A imprevisibilidade do acontecimento não termina aqui, mas o que se estaria para passar nos próximos 40 minutos, torna-se inenarrável... e como S.Tomé... só mesmo estando lá para ver...

23:08 - O massacre continua. Ele não pára, não abranda, não larga...

23:21 - Bocas caladas. Apenas o barulho do multibanco a imprimir papéis para os que pagam com cartão. O silêncio é semelhante ao que se segue às grandes tragédias, tipo sismos, maremotos, apocalipses...

23:34 - Rituais de despedida...

23:37 - As luzes começam a apagar-se dentro do restaurante muito em conta. Por muito subtil que seja, o que os empregados estão a fazer, repetindo vezes sem conta "Boa noite, boa noite, até à próxima", é enxotar-nos. E enxotados saímos para a rua, à espera do flash que eternize este memorável jantar.

23:49 - E agora, tchanan, tchanan, tchanan, eis a fotografia de grupo, tirada por um dos empregados de mesa (o mais paciente dos seres humanos, garanto-vos), imagem que desvenda por fim o que faltava desvendar:


E vocês? Imaginavam-me... Imaginavam-se... assim?

Terça-feira, Junho 30, 2009

Descobri

«Descobri...
Que não sou disciplinado por virtude, mas como reacção contra a minha negligência.
Que pareço generoso para encobrir a minha mesquinhez.
Que passo por prudente por ser pessimista.
Que sou conciliador para não sucumbir ás minhas cóleras reprimidas.
Que só sou pontual para que não se saiba que pouco me importa o tempo alheio»

Gabriel Garcia Marquez (Memórias das minhas putas tristes)

Não resisti em colocar este pequeno excerto deste fabuloso escritor pois permite pensar um pouco.

Sábado, Junho 27, 2009

Uma questão de expectativas

"And I don't know
This could break my heart or save me
Nothing's real
Until you let go completely
So here I go with all my thoughts I've been saving
So here I go with all my fears weighing on me"



Lá está a famosa questão das expectativas a entrar na minha vida
Envolvermo-nos ou não eis a questão?!
Se nos envolvermos e as coisas correrem mal,
a culpa é nossa, pois não ajustamos as expectativas à realidade,
mas se por outro lado ignoramos e o resultado for o mesmo,
a culpa é nossa porque não fizemos tudo,
Então o que fazer?!
Como conjugar entre demasiadas expectativas e nenhumas?
É que eu não consigo um meio termo,
não consigo estar numa relação ou numa especie de relação sem esperar nada,
vou ter que arranjar uma maneira de ajustá-las...


"Picked all my weeds but kept the flowers"

Domingo, Junho 21, 2009

Alargar horizontes na horizontal

Saí do escritório à hora de almoço, e como estava um dia cheio de sol, resolvi trocar o almoço por um café numa esplanada à beira-mar. Já na esplanada, de óculos escuros, e com o café na mesa, comecei a aperceber-me da conversa que vinha da mesa do lado...

Eram dois casais que falavam pelos cotovelos... ou pelo menos um dos homens, que para além de não se calar, falava muito alto, e gesticulava. Estava a falar de uma Mafalda qualquer, e repetia vezes sem conta uma das palavras que mais me irritam: "Oiça!", "Oiça!", "Oiça!".

As mulheres que os acompanhavam, simplesmente não falavam, e cheguei a pôr em dúvida se o estariam a ouvir, ou se já estariam a sonhar com uma limpeza de pele, ou aquela camisola que mandaram guardar na loja para o marido pagar. O tal que não se calava, falando da tal Mafalda, diz então: "Que habilitações tem ela para o cargo, não sei, mas toda a gente sabe que ela subiu na horizontal".

Eu já ouvi esta expressão umas centenas de vezes, e para além de me irritar, discordo completamente deste chavão. Porque será que qualquer mulher bonita que chegue a um cargo importante numa empresa, tem de ver a sua honra em dúvida? Porque será que um "começo por baixo" tem de acabar numa "subida na horizontal"? E porque será que nunca se acha que os homens sobem na "horizontal"? Quererá isto dizer que só as mulheres é que usam o sexo para fazerem carreira?

A mim não me parece, até porque conheço muitos homens que se serviram dos seus atributos físicos para alargarem o horizonte na horizontal. Mas na verdade todos eles saem sempre ilesos e sem mácula das suas conquistas, reforçando até a sua prateleira de troféus.

Numa empresa em que trabalhei havia um chefe novo e bonito, que já conhecia os gemidos de quase todas as minhas colegas, e eram elas que tinham o rótulo de "comidas", enquanto ele continuava a ser o jovem bonito e galante que ia preenchendo a estante.

Porque será que nunca ouvi nenhuma delas dizer que o tinha "comido"? Porque será que nunca ninguém duvidou da subida meteórica dele? Terá subido na horizontal?

Depois de todos estes pensamentos e dúvidas, do café tomado, e do corpo aquecido pelo sol, voltei para o trabalho, porque pelo sim pelo não há que garantir a carreira...

Sexta-feira, Junho 19, 2009

gosto...

"… daqueles momentos que surgem do nada (ou do muito?...), não programados nem imaginados, que não são certos nem errados mesmo que reprovados (por quem?), tão pouco explicados, apenas guardados como que arrumados, memorizados, amados, solamente porque… sim?!..."

Quinta-feira, Junho 18, 2009

Aveiro...

...uma cidade que me apaixonou!

Terça-feira, Junho 09, 2009

Bons Feriados...

Na companhia desta sugestão musical Israelita


The Idan Raichel Project - Mi Ma'amakim

Sábado, Junho 06, 2009

Por Ti... Com os Meus Olhos

Já não é a primeira vez que vos digo que gosto de espreitar por esta janela, porque é de onde ao longe eu vejo romãs, e onde apesar da ventania, as sílabas são sempre inventadas e reinventadas... por ela através dos seus olhos e das suas palavras...

Já foste a paixão
das minhas horas
desmarcadas,
já foste a precisão
incompleta,
a inacabada
loucura de um verbo.

Já foste o desenho
da minha vida
e a voz mansa
dos meus sonhos.

Foste tudo.

Hoje és a desilusão
perfeita do caos.


Por Ti... Com os Meus Olhos - Março 2009

Depois de "Canela e Erva Doce" e "Golpe de Asa", chegou agora a hora de Paula Raposo editar o seu terceiro livro de poesia "Nevou este Verão".

Paula Raposo nasceu em Lisboa, decorria o ano de 1954. Chegou a frequentar a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, mas não passou do primeiro ano. Interrompidos os estudos, foi trabalhar para um banco; trabalho que deixou em 1987, para trabalhar num escritório de contabilidade. Hoje em dia, concilia a sua carreira de escritora e poetisa com actividade que continua a desenvolver nesse escritório.

A sua poesia é livre, sem deslumbramentos formais no que respeita a métrica e rima, contendo em si uma contemplação constante, um encanto místico, onde o amor está sempre presente. A autora (in)define-se numa só frase: "Não sou definível, sou apenas uma mulher como as outras". (Magna Editora)

Quinta-feira, Junho 04, 2009

Reflexão

Após umas merecidas férias, cá estou eu pronta para mais uma "jornada"!

Nestas férias aproveitei para juntar o útil ao agradável, praia e pôr a leitura em dia... e gostei tanto do livro que resolvi partilhar um excerto, aqui vai...

"Ah, se fosse novo outra vez! Nunca ouves ninguém dizer: "Gostava de ter sessenta e cinco anos."Sorriu.
"Sabes o que isso reflecte? Vidas insatisfeitas. Vidas incompletas. Vidas que não encontraram sentido nenhum. Porque se encontrares sentido na vida, não desejas voltar atrás. Queres ir para a frente. Queres ver mais, fazer mais. Estás mortinho para chegar aos sessenta e cinco."
"Ouve, tens que saber uma coisa. Todos os jovens têm que saber uma coisa. Se estiveres sempre a batalhar contra o envelhecimento, vais ser sempre infeliz, porque isso vai acontecer de qualquer maneira."
"E, Mitch?" Baixou a voz.
"O facto é que vais mesmo acabar por morrer."

As Terças com Morrie de Mitch Albom

Espero que gostem!

Quarta-feira, Junho 03, 2009

Amor em Lágrimas


"Ouve o mar que soluça na solidão
Ouve, amor, o mar que soluça
Na mais triste solidão
E ouve, amor, os ventos que voltam
Dos espaços que ninguém sabe
Sobre as ondas se debruçam
E soluçam de paixão
E ouve, amor, no fundo da noite
Como as árvores ao vento
Num lamento se debruçam
E soluçam para o chão"

Composição: Vinicius de Moraes / Claudio Santoro

Terça-feira, Junho 02, 2009

Já me tinha esquecido...


Já me tinha esquecido de como era...
Esta calmaria, esta bonança, este sossego
O acordar sem o peso de uma luta a travar
O dia que corre simples e leve
A sensação de que tudo está no devido lugar
Já me tinha esquecido deste silêncio...
Desta ausência de barulho mental
Do querer saber, entender, questionar
Ausência de ideias e palavras que se chocam
Silêncio que me deixa descansar
Já me tinha esquecido do sabor...
De disfrutar do tempo sem pressa
Ou de não querer faze-lo parar
Da certeza de tudo o que sou e quero
Da liberdade de nada esperar
Já me tinha esquecido desta voz...
Que apenas fala de dias de sol
Que nada nega, cala ou consente
E que vai cantando sorrisos á toa
Num mundo que encontra novamente
Já me tinha esquecido de como era...
... esta sensação de estar em paz.