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segunda-feira, junho 07, 2010

não precisam ser muitos, mas têm de ser os melhores!

Amigo é para ser escolhido a dedo

Amigos…

Amigo é aquela palavra que define alguém especial. Alguém que perto ou longe, está sempre. Alguém com quem podemos não falar durante um milhão de anos, mas sabemos que está. Alguém com quem podemos conversar sobre tudo porque sabemos que nada será repetido se assim o desejarmos e nem precisamos pedir. Alguém em quem podemos confiar.

Amigo… amigo é aquele com quem comunicamos mesmo em silêncio. Alguém a quem não temos de pedir nada. Alguém com quem partilhamos o riso, a lágrima e os disparates.

Não creio que seja possível viver sem, pelo menos, um grande amigo. Apraz-me saber que não tenho muitos, mas sempre os tive bons, porque quantidade nem sempre é melhor que qualidade e, por isso mesmo os prezo e não os esqueço, nem mesmo àquele que me ensinou que, por vezes, ser-se amigo nos pode custar a vida e que, também por isso, não devemos chamar amigo ao primeiro personagem que nos cruza o caminho, por muito que algum dia tenha gritado eufórico “eu sabia! eu sabia!”.

Porque amigo não tem corpo, não tem rosto mas tem tudo. E é um tudo que perdura para além do espaço, do tempo ou da vida.



6 dias... 6 semanas... 6 meses... 6 anos...

10!

a ti Å®t e a todos os que de alguma forma tornaram isso possível, obrigada

terça-feira, abril 27, 2010

coisas que os pais nos ensinam...

Calma, não deixes que tudo te atinja o coração. Nem tudo vale a pena.

Não procures demais. Não vasculhes. Não desesperes. Não te contorças. Não blasfemes.

Acalma-te e… aguarda.

A vida é assim, para ser vivida devagar, tranquila. Delicia-a. Saboreia-a. Cada minuto, cada momento, cada instante.

Não te assustes o céu não vai cair. A lua não vai fugir. O sol não morrerá. O mar não se afogará.

Não te esforces além do excesso. Não te consumas. Não te empenhes além de ti. Não te devores, não te destruas, não te danifiques. Não te gastes.

Não deixes o medo sugar-te.

Quando tudo parece que vai mal. Quando a tempestade desabar. Quando o problema parecer uma montanha. Relaxa. Aguarda. Não tentes pensar em demasia.

Recosta-te na maresia que te envolve a alma. Descontrai. És tu. Regressa a ti e verás...

... que amanhã é um novo dia.


quando me incutias isso em pequenita, parecia tão simples :)

quarta-feira, abril 07, 2010

meios inteiros

Sou assim meio estranha, meio confusa, meio esquisita, meio confiante, meio desconfiada, meio aberta, meio fechada, meio alegre, meio triste, meio distante, meio frágil, meio segura, meio terna e meio arisca. Eu sei… tantos meios não podem de forma alguma dar um só inteiro. Nada de jeito portanto.

Mas nem por isso serei diferente. Não é possível ser diferente. Deixaria de ser quem sou se não tivesse tantos meios.

Não são meios melhores nem tão pouco piores, são apenas os meios que fazem de mim não um meio ser mas sê-lo por inteiro. E mesmo quando me cortam pelo meio, permanecem inteiros todos os meios.

Por isso não adianta tentar modificar, insistir em completar, forçar ou colar. Porque me agradam os meios de cada um dos meios que sou, mesmo que não exista perfeição pelo meio de qualquer um desses meios...



...que sou por inteiro

quarta-feira, novembro 11, 2009

Sonhos...

... Ainda prefiro os que se tem acordada, paridos da macabra fusão entre razão e emoção, mesmo quando ilusão ou nunca concretizados...

terça-feira, novembro 10, 2009

ou... amor?

Dos castelos colhe as pedras polidas pelo tempo, dos sonhos exclui os pesadelos gastos na almofada, na memória arruma as lembranças em baús com bolas de naftalina para que as traças não as corroam. Na praça pública silencia as palavras ocultas por espessos véus e (a re)volta ao abrigo que avalia como refúgio de tempestades. Calmante. Tranquilizante. Ou…

Contornos ocultos de verdades debilmente veladas, feitas de obscuras realidades (des?) mentidas, em amálgamas de afirmações, em rebuscadas frases estudadas, repetidas, gastas, entroncadas em raízes mal cuidadas. Desfloradas, ou…

Indagada a alma retorcida, escondida no corpo contorcido. Violado. Violada. Perde-se. Reencontra-se. Aconchega-se à força (devol)vida. Esfuma-se no maço consumido. Ou…

Regressa à galáxia perfeita da imaginação sobrevoando a felicidade sem lhe tocar. Quebra-se o feitiço como quem quebra uma garrafa (isso não). Enchem-se os pulmões de gases tóxicos a colorir o preto e branco da nuvem em que se senta sem reflectir que o amor não é para ser palrado, mas acarinhado. E a criança mimada esvoaça como pássaro engaiolado nas próprias asas desfeitas, numa liberdade fictícia, ilusória, desperdiçada, ou…

Regressa a sereia ao oceano onde as pérolas que lhe brotam dos olhos se desfazem nas gotas da maré. Reconhece as escamas perdidas, as barbatanas feridas. Os nós apertados da corda que lhe sufocou as guelras numa terra onde o líquido é opaco, viscoso, infectado. Nas profundezas da água límpida lava o corpo como quem desinfecta a alma e deita-se na concha que se fecha como encerrada foi a magia, ou…

Afogam nas areias movediças da praia, a saudade. E perdem(-se) no interior da sua própria voz. Ânsia abafada. Ou...

Perdura a ilusão. A confusão. Atroz paixão. Quiça quimera. Mórbida esperança. Fantasia. Utopia. Ou…

...

domingo, agosto 02, 2009

Eu sou capaz...

Eu sou capaz de revirar o mundo. Pontapear a nuvem. Eu sou capaz de agarrar o sol e esmiuçar-lhe o avesso. Agitar as águas no mar, acalmar a vaga, agarrar a onda. Eu sou capaz de arrancar estacas, plantar árvores. E arrancá-las pela raiz. Sou capaz de atingir a velocidade da luz para derrubar barreiras. Ultrapassar-me e não me deixar deter. Sou capaz de voar ao cume da montanha. E do sonho. No sono. Eu sou capaz de gritar tão alto, tão forte, até ensurdecer. Perder a voz pela razão. Porque a minha vontade me faz nascer, renascer, viver. E tornar-me imortal. Eu sou capaz de expulsar, evadir-me, até de mim. Entrar-me pelas entranhas até ao mais profundo eu. Eu sou capaz de me revoltar, fazer calar, cegar, emudecer, na mais pura surdez de quem quer vencer. Eu sou capaz de caminhar sobre a Lua, sobre Marte, sobre Vénus. Sobre o fogo que arde. Sem se ver. Eu só não sou capaz de me perder…

de mim

sexta-feira, junho 19, 2009

gosto...

"… daqueles momentos que surgem do nada (ou do muito?...), não programados nem imaginados, que não são certos nem errados mesmo que reprovados (por quem?), tão pouco explicados, apenas guardados como que arrumados, memorizados, amados, solamente porque… sim?!..."

sábado, maio 09, 2009

porque um dia não há tempo...

Não te preocupes com isso, tens tempo quando cresceres, dizia o pai.

Para quê essa corrida, tens tantos anos à tua frente, reforçava a mãe.

E ela acreditou, convenceu-se que assim era. Tinha muito tempo para viver!

Passaram dias, semanas, meses, anos. De repente, sem pré-aviso, sem ao menos um sinal, viu o tempo futuro escondido. Perdeu-se a memória do tempo passado. Deixou de ser dona do tempo presente.

Desalmada, tresloucada, sôfrega, tentou agarrá-lo, puxá-lo a si, abraçá-lo, numa ânsia intemporal de quem sente o tempo escassear. Sem tempo a perder, valeu-se de todas as armas que o pouco tempo lhe dava. Aproveitou cada milésimo de tempo do tempo que viveu. Arriscou cada minuto, fosse qual fosse o tempo a chegar. Lutou desenfreada contra a falta de tempo. Apanhou todas as migalhas do tempo roubado.

E percebeu. Finalmente, percebeu a importância do tempo que se não tem, quando uma porta se abre permitindo ao tempo fugir. Agora… afaga o tempo que tem como se não tivesse tempo, sem esperar que o tempo venha, não vá o tempo desistir de chegar a tempo e então… perder o tempo, como aqueles que o não têm.

sexta-feira, março 20, 2009

Março 20

“Felicidade é olhar para trás e só ver em frente.

É não ter roupa para vestir mas ter quem a dispa.

É comer sandes de pão, beber sumo de água,

e…

Amar, na simplicidade do teu sorriso, na humidade dos teus beijos, no veludo do teu corpo, na doçura da tua voz, na sabedoria da tua mente, na tranquilidade da tua segurança, na paixão do que és!" (YOUANDME 2007)


E o tempo… a escoar como água em rio.

E o espaço… que ficou… vazio!

E a memória… que se mantém forte. E os dias… em que me manténs viva (!)… nas noites que ficaram mais longas!

E as palavras… que te sussurro agora. E o sentir… que só tu sabes.

E a vida que parou e prossegue. Que não te acolhe mais, nem te deixa apagar aqui… nem tu permitias…

E segue… como tu seguirias…

E o tempo… só (já?) passaram dois tempos… e ainda te…



"A vida é mágica que faz e desfaz, que leva e traz... num olhar desencadeia tudo. A carta joga-se, a vida perde-se... fazem-se apostas que ninguém percebe. Para quê jogar o destino? Se o mundo está suspenso em baralhos que não entendo, dados que não rolam, vícios que não compreendo?... A vida é mágica que faz e desfaz, que importa se o nascer já traz consigo, a campa, a sepultura ou jazigo?" (Å®t Øf £övë 2007)


foryouandme

segunda-feira, março 09, 2009

navegando...


Já não eram as noites mal dormidas. Nem as vagas de ondas de pensamento. Recordações de risos e choros. Não eram as lembranças das zangas e discussões. Não eram os tempos em que brincávamos, nem os disparates que dizíamos. Não eram as palavras que trocávamos. Não era o carinho. Nem tão pouco as mensagens tolas. Não era sequer o medo de perder porque nunca te perco.

É tudo que deixas em mim. É tudo que fica gravado nesse mar que te afaga. São as vagas, é o tempo e a saudade… do teu riso aberto que me transforma em sorriso.

sábado, fevereiro 14, 2009

...

“Gosto de ti assim, em silêncio. Sem palavras que não dizes. Sem juras, sem promessas…

Gosto de ti sem te ter, quando te inundo, imundo.

Gosto de ti porque sim, porque não, assim-assim. Gosto de ti, sim!

Gosto de ti assim, quando dás o que recebes. Quando vês sem olhar. Quando calas o que consentes.

Gosto de ti, quando vou, quando venho e me venho.

Gosto de ti no calor do suor, quando te deixas e me deixas…

Gosto de ti, assim, no silêncio de tudo em ti. Todo…”


...



Gosto de ti assim, em silêncio. Sem palavras inúteis. Sem juras perpétuas. Sem promessas. Sem nada…

Gosto de ti, assim como te vejo. Sem qualidade, no defeito. Sem pressas, nem vagares.

Gosto de ti de noite, quando surges sem avisar. Tomas-me. Possuis. Sem mais…

Gosto de ti aqui, quando te vais, quando voltas. Quando me inundas e o fazes sem programar.

Gosto de ti sem mundo, no espaço do tempo. Agora!

Gosto de ti sem ter de dizer o que senti, do que temi. Assim, sem frases desperdiçadas. Sem amo-tes, sem amanhãs, sem quero-tes.

Gosto de ti assim, sem falar, sem explicar, sem pensar…

Só porque sim.


quarta-feira, janeiro 28, 2009

mensagem

Há momentos em que queremos dizer e não sabemos como…
Há palavras que queremos proferir e não sabemos em que momento…
Há espaços que podemos ocupar, com as palavras que queremos dizer naquele momento…

"Gosto deste espaço. Não porque seja especialmente perfeito, mas apenas por isso mesmo. Não me pertence, mas é meu. É como aquela coisa estranha que sentimos em relação à nossa casa. A casa pode nem ser nossa, mas é a nossa casa. Ou o nosso eu. Todos nos conhecem, mas o eu é só nosso.

Gosto deste espaço. Gosto de me refugiar aqui, onde desconheço cada conhecido. Onde sabem quem sou mesmo sem me conhecerem. Sinto-me confortável, onde não me interrogam mais do que sabem que responderei. Onde não me pedem mais do que darei. Onde sei que cada um é superior a mim, sem que eu seja inferior. Onde não tenho hora marcada, não reservei lugar, mas terei sempre um cativo.

Gosto do silêncio, do ruído e da melodia. Gosto de não ser obrigada a dizer que gosto e mesmo assim gostar, sem tão pouco saber explicar."


porque alguém me pedia que te dissesse o quanto gosta deste espaço e eu só consegui dizê-lo assim, Å®t

sábado, dezembro 27, 2008

um pato mal encarado rebocando duas bolas e um barrigudo de uma perna só

Olhou-o de frente, fitando-o insistentemente, profundamente.

Gordo, barrigudo, de uma perna só, fazia-se acompanhar de um pato que puxava desesperadamente duas bolas redondas e ocas.

Vacilou… não tinha bem a certeza se desejava confiar nele, afinal… que lhe poderia dar de valor?

Voltou-se intimidada em busca do outro que já conhecia, talvez não fosse grande coisa, talvez nem fosse bonito. Meio atabalhoado, meio enxofrado. Um bocado agressivo, tempestuoso e um bocadinho mentiroso, mas ainda assim… algo generoso, um pouco bondoso, embora um niquinho preguiçoso. Chamou-o, na voz mais alta que conseguia “espera, não te vás embora!” mas já estava a ir.

Restava-lhe o gordo, barrigudo de uma perna só, que se fazia acompanhar de duas ocas bolas, rebocadas por um fatigado pato.

“não sou melhor, nem pior; não sou bom e nem sou mau; definitivamente não serei igual, mas serei teu!”

Mirou-o desconfiada, melindrada, acanhada, desorientada… e de repente… avançou determinada “e porque não?!” afinal, o gordo barrigudo de uma perna só, estava mesmo ali e… o pato era o mesmo e podia entreter-se a encher as duas bolas. “bora lá!”, num ápice, por entre foguetes e jorros de espumante, entregou-se ao jovem gordo, barrigudo de uma perna só, acompanhado de um pato meio tosco, puxando duas velhas bolas.


2009

que o vosso seja excelente!

segunda-feira, dezembro 22, 2008

mais um Natal

Natal… mais um Natal. Olhou pela janela o campo verde, a serra de um lado, o mar do outro. No jardim alguns narcisos espreitavam em redor do pequeno lago gelado. As gotas fortes da chuva escorriam ao longo do vidro. Puxou o cortinado. Aproximou-se da lareira para atear a lenha que crepitava. Sentou-se calmamente, no grande cadeirão ao lado da enorme árvore iluminada. O cabelo grisalho cortado, as rugas no rosto vincadas e a imensa ternura estampada. O ameno ambiente aconchegou-o e fechou os olhos sobre si mesmo.

De pijama azul e pantufas fofas, saltitava em redor dos embrulhinhos multicolores. Os caracóis emolduravam-lhe a face ligeiramente rosada, onde sobressaíam os grandes olhos negros como carvão. Toda a sua expressão se concentrava naqueles enormes olhos, no nariz pequeno e nos lábios muito vermelhos. Nas mãos os pequeninos dedos, de unhas imaculadas, desatavam avidamente os lacinhos e fitinhas sobre o papel colorido. A cada nova surpresa desvendada o sorriso rasgava-se e um radioso aaaaahhhhh soava por entre gargalhadas e obrigados.

Acordou, já passava das oito. Na lareira a lenha ardia em imponente chama escarlate. Atrás de si o peru sobre a mesa, as velas encarnadas nos castiçais de prata, o serviço de porcelana, os talheres do faqueiro, as nozes, as passas, as broas, os chocolates e o famoso bolo-rei. Syle rondava-lhe as pernas, saltitando em breves piruetas, num miar de chamamento. A campainha da porta suava insistente abafando a música de Natal esquecida na velha aparelhagem.

De robustas botas ensopadas, as calças pretas molhadas, o casaco azul salpicado, um chapéu-de-chuva a escorrer. Os caracóis caindo sobre a face, o sorriso aberto nos lábios muito vermelhos e os enormes olhos negros expressivos, no rosto suavemente barbeado. Nas mãos firmes o embrulho.


“está um tempo…”

“pois é filho… o tempo…”


FELIZ NATAL

terça-feira, novembro 18, 2008

XX

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.

Escribir, por ejemplo: "La noche está estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos."

El viento de la noche gira en el cielo y canta.

(…)

Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,
y éstos sean los últimos versos que yo le escribo.

Pablo Neruda (1904-1973)

quarta-feira, outubro 22, 2008

Onde começa… até onde vai…

8 da manhã, um grupo de jovens entre os 11 e os 13 anos agride selvaticamente um cão até o deixar ferido, assustado e enraivecido. Numa aberta o animal consegue fugir entrar num edifício e refugiar-se numa divisão. Sem saber o que se passara, um adulto aproxima-se calmamente e vendo-o ferido e assustado tenta fazer-lhe uma festa para depois o tirar dali e tratar. Mal se aproxima o cão atira-se a ele cravando-lhe fortemente os dentes.

(…)


- E agora? Que lhe acontece?

- Vamos levá-lo para o canil e o mais provável é que seja abatido.

(…)

Processo de inquérito aos miúdos


- Porque bateste assim no cão?

- Eles também estavam a bater.

- Mas tu, porque lhe bateste tu???

- Não sei.

- E tu? Porque estavas tu a bater assim no cão??

- Não sei.

- E tu?

- Eu cheguei lá, eles estavam a bater e eu também bati.

- Mas porquê???

- Não sei.

(…)


O que leva um grupo de jovens a uma atitude destas? Que vivências tiveram durante os 11 ou 13 anos de vida que os transformou nestes agressores? Que valores (ou a falta deles) lhes foram transmitidos ao longo da vida? Que educação estamos a transmitir aos nossos descendentes? Onde começa e até onde vai a selvajaria destes jovens?

:(

quarta-feira, outubro 15, 2008

O síndrome da namorada do filho

Hoje a propósito do pânico manifestado por uma colega, lembrei-me de algumas frases que me parecem válidas para todos.

Não sei se as proferimos exactamente assim quando chegou o momento, mas sei que foi assim que as sentimos e... se connosco resultou... é capaz de também resultar convosco, amiga. É que afinal, no início a namorada do filho é tão difícil para a mãe, como a mãe do filho para a namorada, mas o papel de cada uma nunca se irá permutar e ambas constituem o complemento da vida dele.


Costumo chamar-lhe a síndrome da namorada do meu filho. É um fenómeno que visto à distância, me faz sorrir.


“Socorro, ele vive ao telemóvel, já não é o melhor aluno, não pára em casa e pior, aquela rapariga está afastá-lo da família, dos amigos, de tudo, é um verdadeiro monstro.”


“Sou um homem e sei muito bem o que faço. Que mania de se meterem na minha vida. Estou apaixonado, dão licença?!!!”

“Sabes, se nas aulas estiveres atento, precisarás estudar menos, sobra mais tempo para namorar e se conhecerem melhor, que tal?

Não precisas ser o melhor aluno, mas será bom garantir a entrada na universidade, não vais querer que ela entre e tu continues na escolinha. Quem sabe não entram na mesma? Era giro e ficavam mais perto!”

“Sabes, não precisas ter medo, isto não é um concurso. Ela nunca será minha mãe e tu nunca serás minha namorada. Mas a ti eu já conheço bem e amo-te incondicionalmente, a ela ainda estou a conhecer e… estou apaixonado, preciso tempo”

“Sabes, nós sentimos a tua falta e os teus amigos também. E tu tens tempo e espaço para todos, não tens?!”

“Sabes, ela ainda está insegura, como eu e como tu, tudo isto é novo para nós. Não é um ponto é só uma virgula, eu já volto quando lhe mostrar que tenho tempo e espaço para todos e eu próprio perceber isso”

“Sabes, estás a crescer muito depressa e isso assusta-me…”

“Sabes… a mim também, mas tu ajudas-me”


A era das sogras de bigode e das noras perversas está tão em desuso como as princesas angelicais e as madrastas malvadas.

quarta-feira, julho 02, 2008

...

Partes mas ficas! Não posso deixar-te ir assim, sem mais nem menos... sem um adeus, sem uma despedida...

Não nos despedimos, lembra?! Por isso ficas! Mesmo que partas, ficas!

Ficas em mim... ficas nos espaços que partilhamos...

Ficas na cama onde nos amamos! Ficas-me na memória, no sentir, no corpo que possuiste...

Oiço-te a voz, toco-te a pele, penetro-te o olhar...

Sinto-te as mãos, beijo-te a alma, fundo-me em ti...

E tu... abafas-me o desejo, engoles-me a lágrima e despes-me da roupa... e de tudo!

Partiste mas ficaste!

domingo, maio 25, 2008

“Tantos livros na estante. E acabo folheando o coração.” Eugénio Leandro

E quando a saudade aperta, quando o desejo é mais forte, quando o amor sangra, quando o pensamento vagueia...

Recrio-te, revejo-te, possuo-te...

Abraço-te... Abrasas-me...

Beijos reconhecem o corpo. Seios procuram as mãos. Bocas se saboreiam. Ventres se unem. Sexos enlouquecidos de paixão... quentes... firmes... húmidos...

A luz torna-se difusa. O mundo desaparece. Ficas tu...

Odor a corpos nus. Pele em chamas. Coração acelerado.

Deixas-nos voar! Fazes-nos voar! Já não és tu... somos nós!

Doces palavras proferidas em últimas caricias... Olhares encandescentes...

O mundo gira. A química vence a matemática. De dois se faz um, em fusão de escaldantes fluidos. Numa ternura desmedida. Numa explosão de desejo. Numa imensidão de amor.

Renasces!

E, quando raios de Sol penetram e fazem o sonho adormecer, aconchego-me no doce leito. Banho o sonho na tépida água do banho. Visto-me de mim... e de ti... Reinvento-te! Revivo-te!

Assim te vejo, assim te amo, assim te quero!

Assim me acordo...


segunda-feira, abril 21, 2008

Pedaços de memória

Caminha por aí sem se importar muito com o que encontra. Apenas tentando repescar lembranças sumidas. Alguém lhe reavivara a memória sobre algo que possuira em tempos idos.

Aqui e ali vai reconhecendo uma letra, um parágrafo, uma palavra. Separadas surgem sem nexo, sem sentido, sem significado. Juntas constroem puzzles, ou nadas, ou tudos...

Sem caminhos pré-definidos, avança, recua, pára, vira...

Aqui e além vai tomando novas estradas, cruzando novas estações, ultrapassando novos precalços. Sem querer ou por querer, sei lá, estaciona nalgumas paragens porque algo lhe é familiar ou... porque a fazem sorrir.

Afinal, tudo na vida é uma cadeia e em tudo na vida há coisas que nos fazem rir e gente que nos obriga a sorrir. Uma delas são os amigos, bons ou menos bons porque alguns têm tanto de anjos como de demónios, reais ou não porque o sentimento pode ser forte sem corpo; mais ou menos anónimos, porque como eu ou tu podem não ter nome; mais ou menos coloridos porque como respondia alguém à pergunta “e tu não tens mesmo, mesmo, mesmo amizades coloridas?”:

Não. Já me posso ir embora? É que combinei um café com uma amiga...

E sem querer, a pouco e pouco, foi renascendo talvez porque há pessoas que “costumo ser um bom amigo com quem estar” e não se enganam, mesmo que tenham a mania de sonhar com dias de sonho em que não se levantam às 6:37h da manhã.

Ou simplesmente porque deixam tanto em nós que nem tentamos quantificar...