sexta-feira, novembro 09, 2007

Talvez... um dia...

Talvez... um dia...
Eu consiga deixar de amar.
Talvez... um dia...
Ao acordar, ao ver o nascer do dia,
Eu perceba que já nada aqui faço
Que já de nada quero saber
Que de ninguém preciso...

Talvez... um dia...
Só em mim eu consiga pensar,
Ser egoísta...
Como já tantas vezes me acusaram de ser
E aí...
Eu das pessoas me consiga desligar
Porque das coisas... eu já não preciso.

Nesse dia...
Se algum dia chegar...
Eu partirei... sem dor
Pois nada sentirei
Fria... gélida... serei
Sem amor...
Sem família...
Sem amigos...
Só eu... mais ninguém...

A partir desse dia...
Pelo mundo vaguearei
A relações fugazes me entregarei
Não me importando com sentimentos
Se magoo... se me magoarei...

Talvez... um dia...
Eu consiga ser
Narcisista, fria, calculista
De tal modo... a tal ponto...
Que a toda a dor resista
Que já nada me atinja.

Nesse dia...
Se algum dia chegar...
Serei, com toda a certeza... mais pobre...
Uma simples pedra com "vida"
Mas, não mais
Desiludida...
Mas, não mais
Ferida...
Mas, não mais
Culpada...
Pois deixarei de acreditar...
Na magia
No romantismo
Na cumplicidade
No amor
Na felicidade
Pois deixarei de acreditar... na VIDA.

Finalmente... um dia...
Talvez... nesse dia...
Eu me sinta em paz
Ao sanar-me... devolva a felicidade à vossa vida
E sinta que voltei a fazer a diferença pela positiva...


Por enquanto...
Enquanto esse dia não chega
Vou tentando perceber...
Como?????
Quando?????
Passei de bestial a besta...

2 comentários:

Litinha disse...

Muito forte, muito intenso...
Estas palavras mexem com quem as lê!...
Sinto-as como... como hei-de dizer?!... um final de linha?!... o último suspiro?!... o desistir de algo e/ou alguém?!... um baixar de braços?!... a descrença nas pessoas, na vida?!...
Será?!... ou será, apenas, uma péssima e pessimista interpretação minha?!
Permite-me, Visible, dizer que na minha análise do ser-humano, de gente, de pessoas ditas “normais”... para mim, não há quem seja tão bom que chegue a ser bestial, nem ninguém que seja tão pouco que se possa apelidar de besta!...
E mais... sinto que tudo tem um propósito e um tempo para acontecer... é o que retiro e concluo da minha vida... e, estou em crer que com as outras pessoas possa acontecer o mesmo!...
Umas vezes aceita-se, outras luta-se, outras deixamos que a revolta tome (erradamente) o lugar da sapiência tornando-nos obtusos e obstinados, sem crença alguma no futuro e nas pessoas, questionando tudo e todos, a nossa existência em suma...

Tal como disse ao Tazaroteno:

No fundo do poço, há sempre uma cama elástica”...
You must believe!...

Beijinhos.

Å®t Øf £övë disse...

Visible,
Ao ler-te questiono-me, se talvez tudo isto que escreves sejam apenas "talvezes", ou se talvez tudo isto seja verdadeiro e sentido...
Talvez, talvez, talvez...
No meio de tantos "talvezes" em que todos nós vivemos, há pelo menos uma certeza... é que o mundo dá voltas-e-voltas, mas mesmo assim, ou apesar disso, talvez a solução dos nossos erros não esteja no mundo, nem nas suas voltas, mas em nós mesmos.
Talvez... os "talvezes" de hoje não tenham tanta importância amanhã...
Beijinhos.