domingo, maio 25, 2008

“Tantos livros na estante. E acabo folheando o coração.” Eugénio Leandro

E quando a saudade aperta, quando o desejo é mais forte, quando o amor sangra, quando o pensamento vagueia...

Recrio-te, revejo-te, possuo-te...

Abraço-te... Abrasas-me...

Beijos reconhecem o corpo. Seios procuram as mãos. Bocas se saboreiam. Ventres se unem. Sexos enlouquecidos de paixão... quentes... firmes... húmidos...

A luz torna-se difusa. O mundo desaparece. Ficas tu...

Odor a corpos nus. Pele em chamas. Coração acelerado.

Deixas-nos voar! Fazes-nos voar! Já não és tu... somos nós!

Doces palavras proferidas em últimas caricias... Olhares encandescentes...

O mundo gira. A química vence a matemática. De dois se faz um, em fusão de escaldantes fluidos. Numa ternura desmedida. Numa explosão de desejo. Numa imensidão de amor.

Renasces!

E, quando raios de Sol penetram e fazem o sonho adormecer, aconchego-me no doce leito. Banho o sonho na tépida água do banho. Visto-me de mim... e de ti... Reinvento-te! Revivo-te!

Assim te vejo, assim te amo, assim te quero!

Assim me acordo...


segunda-feira, maio 19, 2008

O frasco da vida

Às vezes há textos com os quais nos "esbarramos" no meio da nossa "navegação" por este imenso "mar" que é a internet, e com os quais nos sentimos profundamente "tocados". Esta história provocou-me essa sensação, porque é uma situação que infelizmente já nos sucedeu a todos, que é deixar de ter tempo para os amigos, ou outras coisas às quais deveríamos dar mais importância.De facto às vezes esquecemo-nos destas pequeninas coisas...


Um professor diante da sua turma de filosofia, sem dizer uma palavra pegou num frasco grande e vazio, e começou a enchê-lo com bolas de golfe. A seguir perguntou aos estudantes se o frasco estava cheio. Todos estiveram de acordo em dizer que sim. O professor pegou então numa caixa de fósforos e vazou-a dentro do frasco. Os fósforos preencheram os espaços vazios entre as bolas de golfe. O professor voltou a perguntar aos alunos se o frasco estava cheio, e eles voltaram a responder que sim. Logo, o professor pegou numa caixa de areia e vazou-a dentro do frasco. Obviamente que a areia encheu todos os espaços vazios e o professor questionou novamente se o frasco estava cheio. Os alunos responderam-lhe com um sim retumbante.

O professor em seguida adicionou duas chávenas de café ao conteúdo do frasco e preencheu todos os espaços vazios entre a areia. Os estudantes riram-se nesta ocasião. Quando os risos terminaram, o professor comentou:

"Quero que percebam que este frasco é a vida. As bolas de golfe são as coisas importantes, a família, os filhos, a saúde, a alegria, as amigas, as coisas que vos apaixonam. São coisas que mesmo que perdêssemos tudo o resto, a nossa vida ainda estaria cheia. Os fósforos são outras coisas importantes, como o trabalho, a casa, o carro etc. A areia é tudo o resto, as pequenas coisas. Se primeiro colocamos a areia no frasco, não haverá espaço para os fósforos, nem para as bolas de golfe. O mesmo ocorre com a vida. Se gastamos todo o nosso tempo e energia nas coisas pequenas, nunca teremos lugar para as coisas que realmente são importantes. Presta atenção às coisas que realmente importam. Estabelece as tuas prioridades, e o resto é só areia".

Um dos estudantes levantou a mão e perguntou: "Então e o que representa o café?"
O professor sorriu e disse: "Ainda bem que perguntas! Isso é só para lhes mostrar que por mais ocupada que a vossa vida possa parecer, sempre há lugar para tomar um café com um amigo".

Quando as coisas da vida vos parecerem demasiadas, lembrem-se deste exemplo do frasco, porque vale sempre a pena parar e pensar um pouco nestas palavras...

sexta-feira, maio 16, 2008

Duffy... Have Mercy!

Três… um número de sorte, um número vulgar, ou então aquele número que representa o número de semanas em que Mercy se encontra no nº1 da tabela de singles no Reino Unido. Desta vez, o blogue tem que obrigatoriamente ter um post especial sobre a menina Duffy.

Mercy entrou para o nº1 sem ter sido editado em suporte de cd, o que é um outro efeito histórico a adicionar ao facto que em 25 anos nenhuma cantora galesa tinha sido capaz de fazer o mesmo. Rockferry é o título do álbum , e que se espera que acompanhe o sucesso deste single que nos reporta para outros tempos, outras viagens, outros momentos.

Duffy é oriunda do País de Gales, e tem 23 anos, mas um pujança única e muito forte o que, mais uma vez, dá para dizer que a idade é apenas um número. É verdade que Duffy canta, encanta e dá-nos aqueles momentos únicos ao som da sua voz peculiar e genuína! Um arrepio único e fantasticamente perfeito de uma das mais recentes e mais interessantes revelações de 2008...
Até lá, deixo-vos aqui a letra da música "Mercy"

I love you
but I gotta stay true
my morals got me on my knees
Im begging please stop playing games

I dont know what this is
cos you got me good
just like you knew you would

I dont know what you do
but you do it well
I'm under your spell

You got me begging you for mercy
why wont you relase me
you got me begging you for mercy
why wont you release me
I said release me

Now you think that I
will be something on the side
but you got to understand
that I need a man
who can take my hand yes I do

I dont know what this is
but you got me good
just like you knew you would

I dont know what you do
but you do it well
I'm under your spell

You got me begging you for mercy
why wont you relase me
you got me begging you for mercy
why wont you release me
I said you'd better release yeah yeah yeah

Im begging you for mercy
yes why wont you realse me
Im begging you for mercy

you got me begging
you got me begging
you got me begging

Mercy, why wont you realise me
Im begging you for mercy
why wont you release me

you got me begging you for mercy
Im begging you for mercy
Im begging you for mercy
Im begging you for mercy
Im begging you for mercy

Why wont you release me yeah yeah
break it down

quinta-feira, maio 15, 2008

Máscaras

Hoje fui visitar o Museu do Oriente, onde está uma interessante exposição sobre máscaras da Ásia. Fica uma imagem:

E em jeito de reflexão: atrás de que máscaras nos escondemos? Quantas máscaras temos? Gostamos do que vemos ao espelho?

quarta-feira, maio 14, 2008

Esclarecedor

Há uma velha piada de Belfast acerca do homem a quem mandaram parar num bloqueio de estrada e perguntaram qual a sua religião. Quando o homem disse que era ateu perguntaram-lhe: "Ateu protestante ou ateu católico?"

Christopher Hitchens, God is not Great

[lido aqui]

segunda-feira, maio 12, 2008

Coisas do arco do ego

Não sei que peça falta no Lego da minha curta (?), mas verdadeira, inexistência. Não nego o que desconheço, nem alego o que me despertence. Há, de incerteza, qualquer falha no esquema da minha desmontagem. Não fui sempre assim. Sinto-me incapaz de me imaginar assado, por falta de maneiras. Nem santo, nem animal de presépio e muito menos um rei magro. Ai, Jesus. Já fui menino!
Não me atolo no cimento, porque é dura a ecoexistência. Penso e pego no que me vai na inconsistência. Ergo, cogito e pum! Revejo-me mais no Egas monstro e menos no Moniz. Não busco qualquer tipo de prémio. Sinto o desapego de qualquer coisa. Comia uma bolacha.

Não sou fã das alturas, mas nunca me adego em copos baixos. O sangue - meu lado positivo - ainda corre tinto, como um rio. Conduzo desembriagado, contrário ao sentido das coisas, sem desatropelos e não agrafo ninguém contra a parede. Respeitando as bermas, apenas derrubo as placas depois das ervas e dos arbustos que se antecipam aos sinais (do tempo?). Lembro de, em nenhures, ter lido: “Bem-vindo a Moitas” e “Hospital 500m”. Enfim, são os atalhos para a morte dum paciente. Quem não sente tem o corpo dormente.
Sou um contribuinte incomum que declara, comodamente na Net e fora de prazo, os seus impostos e paga, a horas, as respectivas coimas. Evito as bichas e as pessoas das repartições, poupando as senhas de vez. Só de me lembrar da última, vez, que estive numa fila para o IRS, do senhor, com a senha nº 70, declarar a quem o não queria ouvir: - Aquela funcionária está há mais de uma hora com o 69! Sem comentários… Não há pernas que aguentem tantas demoras em pé.

Olhamos para a Política e para a Religião da mesma reforma. Não lhes revejo fronteiras: quase tudo se traduz em promessas e se resume a milagres. Dum lado, os que prometem futuros milagres e não cumprem. Do outro, os que cumprem promessas aos que no passado fizeram milagres. O crente é sempre o pagante. Por isso, apego-me ao futebol e pouco ligo à fé.
Quem não deve não treme.
As bolsas e os mercados não têm terras, fábricas e poços de petróleo, somente determinam o preço que pagamos para viver. Há um monopólio sem regras, onde crescem as ruas hipotecadas e praças vazias que ninguém compra. Se o diabo se lembra de cobrar os seus serviços vamos pagar ainda mais pelo pão. É previsível uma nova explosão demográfica de chineses – dos que não ganham pró arroz . Dirão xau-xau à terra que os viu comer e convertidos em comerciantes repovoarão, com lojas coloridas, as ruas de outros países. Cêntimos que não chegam para o petróleo. Barris de dólares inconvertidos para atestar a minha incapaz viatura. Não tarda, veremos anúncios para venda de carros usados, do tipo:
“Procuro dono com poder de compra”, “Gasto 100€ aos 100” , “Ano 2008. Impecável com 10 km”, etc.
Sete da manhã. A rua cheira-me a batatas fritas. O autocarro que vai para os Prazeres tem escrito: “movido a óleo Fula”. Ou estou fulo ou o pessoal anda mais frígido.

quarta-feira, abril 23, 2008

O meu "Pedaço" # 18

Sei o quanto doem as desilusões.
Não falo daquelas que existem no amor, e que fazem pender a balança uma vez para um lado, outra para o outro, até que um dia tudo se desmorone com um silêncio ensurdecedor.
Falo das relações de sangue, que deveriam perdurar toda a vida, que crescemos a acreditar que são sagradas, e imunes a todos os males.
Mas é mentira!!!
A vida corrói as relações entre adultos, porque as pessoas crescem de formas diferentes, e amadurecem muitas vezes com amargura, raiva, e frustração.
É triste, mas é verdade...
Tenho cada desilusão que a vida me trouxe cravada na pele como se fossem cicatrizes.

segunda-feira, abril 21, 2008

Pedaços de memória

Caminha por aí sem se importar muito com o que encontra. Apenas tentando repescar lembranças sumidas. Alguém lhe reavivara a memória sobre algo que possuira em tempos idos.

Aqui e ali vai reconhecendo uma letra, um parágrafo, uma palavra. Separadas surgem sem nexo, sem sentido, sem significado. Juntas constroem puzzles, ou nadas, ou tudos...

Sem caminhos pré-definidos, avança, recua, pára, vira...

Aqui e além vai tomando novas estradas, cruzando novas estações, ultrapassando novos precalços. Sem querer ou por querer, sei lá, estaciona nalgumas paragens porque algo lhe é familiar ou... porque a fazem sorrir.

Afinal, tudo na vida é uma cadeia e em tudo na vida há coisas que nos fazem rir e gente que nos obriga a sorrir. Uma delas são os amigos, bons ou menos bons porque alguns têm tanto de anjos como de demónios, reais ou não porque o sentimento pode ser forte sem corpo; mais ou menos anónimos, porque como eu ou tu podem não ter nome; mais ou menos coloridos porque como respondia alguém à pergunta “e tu não tens mesmo, mesmo, mesmo amizades coloridas?”:

Não. Já me posso ir embora? É que combinei um café com uma amiga...

E sem querer, a pouco e pouco, foi renascendo talvez porque há pessoas que “costumo ser um bom amigo com quem estar” e não se enganam, mesmo que tenham a mania de sonhar com dias de sonho em que não se levantam às 6:37h da manhã.

Ou simplesmente porque deixam tanto em nós que nem tentamos quantificar...

domingo, abril 20, 2008

Amy Winehouse

Simplesmente tou fã... aconselho a ouvir o album "Back to Black"...
Hoje apenas deixo aqui uma dica de uma das minhas músicas preferidas...
Love Is A Losing Game

For you I was a flame
Love is a losing game
Five story fire as you came
Love is a losing game

One I wish I never played
Oh what a mess we made
And now the final frame
Love is a losing game

Played out by the band
Love is a losing hand
More than I could stand
Love is a losing hand

Self professed... profound
Till the chips were down
...know you're a gambling man
Love is a losing hand

Though I'm rather blind
Love is a fate resigned
Memories mar my mind
Love is a fate resigned

Over futile odds
And laughed at by the gods
And now the final frame
Love is a losing game

sábado, abril 12, 2008

Silêncio


Pequenos pedaços de mágoa, de raiva e de ódio, sentimentos escondidos nas palavras, palavras que magoam, que num ápice nos rasgam a pele e nos apertam o coração. Tudo são palavras, apenas palavras…
Enormes pedaços de morte, de sufoco e desespero, sensações contidas no silêncio, esse teu silêncio profundo como as trevas que atravessam a minha alma, escuridão tremenda que me assola o coração e me faz desejar…
Desejar não acordar, respirar, abrir os olhos para a ténue luz que me entra no quarto.
Vivo nas sombras da memória, nos cantos escondidos do beijo, na ténue saudade das mãos vagueando perdidas no meu corpo. Perco-me nas recordações da voz do calor do abraço, nas lágrimas caídas no ombro.
Farto de viver nas ondas desta tua ausência, nas ondas deste teu terrível silêncio.
Tudo o que me resta de ti, tudo o que me resta de nós…

Silêncio…

Apenas silêncio

quarta-feira, abril 02, 2008

O Camponês e a Rapariga

Era uma vez um camponês de pensamentos simples e poucas posses que se apaixonou pela rapariga mais bonita da aldeia. Ela tinha tudo o que a ele lhe faltava: graça, inteligência, popularidade, brilho, mistério. Ela era bonita, ele igual a tantos outros. Ela era alegre e divertida, ele timido e metido consigo mesmo. Ela era fogosa e provocadora, ele mais parecia uma mosca morta. Ela tinha graça quando andava, ele parecia que tinha os sapatos pequenos para os pés. Ela brilhava, ele era fosco como uma lâmpada. Ela tinha a força do sol, ele a sombra da lua. Ela não gostava de ninguém e ele gostava dela.

Um dia, junto á fonte, declarou-lhe o seu amor e ela riu-se dele. Então ajoelhou-se aos seus pés e jurou-lhe amor eterno. Ela riu-se novamente e respondeu com escárnio e desprezo: amor eterno, isso não existe. Mas ele não desisitiu. Queria amá-la para sempre e estava disposto a honrar o seu amor por ela.

Então ela olhou para ele com mais atenção e pensou que até podia amar um dia aquele homem, tão igual a tantos outros, e lançou-lhe um desafio. Durante cem dias e cem noites ficarás debaixo da minha janela á minha espera. Faça chuva ou faça sol, caia neve ou trovoada, noite e dia, dia e noite. Cem dias e cem noites. Se aguentares tanto tempo, então é porque mereces o meu amor.
O camponês regressou a casa com o coração cheio de esperança. Cem dias era um preço baixo a pagar para ter a sua amada. O tempo iria voar, tinha a certeza.

No dia seguinte, fez um farnel e foi para debaixo da janela dela. Esperou que ela aparecesse e acenou-lhe quando a viu espreitar por entre as frestas das portadas. O mesmo aconteceu na segunda noite. E na terceira. E na quarta. E em todas as noites que se seguiram.
Todos os dias, a qualquer hora, lá estava ele, á espera de um sinal dela, para lhe mostrar que estava ali, de pedra e cal á espera de merecer o seu amor. Acabou o Verão. Chegou o frio. Depois a chuva. Depois a neve. E o camponês sempre perfilado como um soldado na parada, á espera que ela o espreitasse pelas portadas para lhe poder mostrar que estava ali, a cumprir o seu designio, a resgatar a sua promessa.

Nunca durante todos esses dias ela abriu a janela para o saudar. Nunca lhe abriu a porta e o convidou a entrar e descansar da sua vigilia. Nunca lhe ofereceu um sorriso, uma palavra de afecto, um instante de atenção.
Mas ele continuava lá, agora já cansado, enregelado pelo frio, ferido pela indiferença dela, desgastado pelo vento e pela chuva, faminto e triste, sentindo-se cada vez mais só...

Na nonagésima nona noite ele esperou mais uma vez por ela. E mais uma vez ela não apareceu. O camponês abanou a cabeça, sentou-se no passeio e chorou durante muito tempo. Tanto tempo que a noite passou e o dia começou a nascer.
Tantas horas de espera, tantos sonhos no seu coração, tanto amor para dar e afinal nada valera a pena. A rapariga continuava a ignorá-lo, a fazer troça do seu amor. Sentado no passeio, chorou e viu as suas lagrimas formarem um fio de água que ia ter ao rio, e este ai ter ao mar. Viu o seu amor diluir-se, sentiu que a sua paixão não era nada, comparada com outras paixões que moveram mundos, povos e montanhas. Era só mais um fio de água que corria para se juntar ao mar.

Foi então que o camponês percebeu. Percebeu que não era ele que não era digno do amor dela, ela é que não merecia o amor dele. Que tudo o que ele amava naquela rapariga era uma ilusão, não existia. Que o seu esforço só lhe tinha servido para aprender a conhecer-se e a aceitar-se melhor a si próprio. Era um homem livre.
E no dia seguinte, quando ela abriu a porta para se entregar a ele, rendida por tanto amor e paixão, ele tinha-se ido embora...


Texto e Imagem gentilmente cedidas por: Claudia Morais, a habitar no blogue " Ser ou não Ser"

Espero que gostem tanto quanto eu....

terça-feira, abril 01, 2008

O Meu Olhar Sobre o Mundo


E eu, e tu
Perdidos e sós
Amantes distantes
Que nunca caiam as pontes entre nós

fotografia: Å®t Øf £övë
música: Pontes Entre Nós

domingo, março 30, 2008

Persegue um sonho...



Persegue um sonho, mas não o deixes viver sozinho!
Deixa-te levar pelas vontades, mas não enlouqueças por elas!
Acelera os teus pensamentos, mas não permitas que eles te consumam!
Procura os teus caminhos, mas não magoes ninguém nessa procura.
Arrepende-te, volta atrás, pede perdão!
Não te acostumes com o que não te faz feliz,
Revolta-te quando julgares necessário.
Alaga o teu coração de esperanças, mas não deixes que ele se afogue nelas.
Se achares que precisas voltar, volta!

Se perceberes que precisas seguir, segue!
Se estiver tudo errado, começa de novo.
Se estiver tudo certo, continua.
Se sentires saudades, mata-as.
Se perderes um amor, não te percas!
Se o achares, segura-o!

Fernando Pessoa

sábado, março 29, 2008

Tempo ao tempo

Já há algum tempo que não escrevia nada aqui… espero não ser penalizado… :)
Por falar em tempo, vou falar de tempo. Mais precisamente das horas de verão.

Prefiro horas de verão. Dias grandes. Sol à noite. Boa disposição até tarde. Sorrisos até à noite.
Dias grandes. Dias positivos. Cheios de energia. Com mais vida.
Horas de inverno deprimem-me. Cortam-me. Só gosto dos primeiros dias. Depois cansam-me.
Verão é cor. Calor. Alegria.
Horas cheias. Horas quentes. Horas grandes. Horas vivas.

É rua. É sol. É esplanada. É mar.

São palavras feitas conversas. São conversas feitas sensações.
É dar tempo ao tempo. Livre.

Gosto das horas de verão.
Pronto!

sexta-feira, março 28, 2008

Memórias da Alma sem Luz

Tenta esquecer a percentagem de água que te compõe, apaga da alma o amontoado de pele e ossos que te estruturam. Guarda bem guardadas todas as memórias no recanto do bolso. Não penses, não chores, tenta afastar os medos. Não sussurres baixinho os segredos…
Viaja apenas com a tinta da alma e escreve… Descreve com mágoa ou carinho toda a composição lógica do ser, todas as dores, todos os males. Despeja agora os suspiros escondidos, as paixões mal revolvidas, a banalidade de uma viagem no parque.
Folha após folha, mágoa por mágoa, lágrima por lágrima, tenta transpor em papel a cor de tua alma…
Agora guarda, guarda em cada recanto de tua casa, em cada palha de teu ninho, guarda cada folha bem longe da alma, bem longe da vista, dia após dia, ano após ano…
Volta a pegar um dia, alguns anos depois, muitas memórias passadas, muita fome vivida, muita dor traída, volta a pegar em tuas memórias, em cada pedaço de alma estampada no papel.
Junta de novo todas as folhas, todas as tuas histórias e atira-as bem alto no ar, mil e uma memórias caídas do céu, sem tempo sem espaço e sem sentido, volta a pegar sem organizar, sem sequer olhar…
Lê de mente aberta, cada pedaço teu…
E descobre quem és, encontra a cor de tua alma, descobre quem realmente és…
Todos nós somos memórias, todos nós somos passado…


NunoSioux 2008 in: Memórias da Alma sem Luz

segunda-feira, março 17, 2008

Coragem

Não sou amarga, por mais que me contrariem o coração. Sou apreciadora de homens com sensibilidade, e com bom senso, embora normalmente o bom senso seja muito relativo...
Desde muito nova que me apaixono com facilidade, por isso decidi trocar o termo "paixão" por "fascínio", porque me fascino com tudo o que as pessoas têm para me mostrar, e com tudo o que lhes posso conquistar. Gosto desta luta, que por vezes se assemelha à improbabilidade de encontrar uma casa de banho limpa num festival de Verão.

Uma desta noites sentados na mesa de um bar, e com a vista mais bonita com que poderia sonhar como pano de fundo, ele por quem me sentia apaixonada, disse-me:
"É estranho, mas eu nunca me senti tão à vontade a falar com ninguém como contigo"
E eu perguntei: "E isso é bom, ou mau?"
Ele respondeu-me: "É assustador"
Depois dele me dizer isto a música do bar parou, e os empregados limparam os últimos copos. Então eu quase a cambalear levantei-me, fui até ao balcão, e ajudada por tudo o que tinha bebido e ouvido, dirigi-me ao barman e disse-lhe:
"Eu percebo que queiram todos ir para casa descansar, mas não parem a música, para não me pararem este momento"
Voltei à mesa dos copos vazios, de todas as palavras que ele ainda não me tinha dito, e de todas as confissões, e voltamos a ouvir a banda sonora da noite, que por acaso era péssima devo dizer, mas o que quer que fosse teria soado bem naquela noite.
Saímos do bar directos para o carro, de mão dada, e unidos pela paixão. Ele deixou-me em casa e fui dormir. Nunca mais estive com ele...!!!

Vejo-o muitas vezes, ele sorri-me a medo, e eu procuro nem olhar para ele. Quando estou acompanhada, ele arrisca em vir dar-me um beijo, porque sabe que assim não corre o perigo de eu o questionar. Vem com o seu ar "politicamente correcto" e pergunta-me: "Estás boa?". Depois afasta-se confiante, e com a sensação de ter cumprido o seu papel.
Deve pensar que eu acho que ele até é um gajo porreiro... e até acho, só que para mim um gajo porreiro é uma coisinha insuficiente, porque na minha avaliação, seja de uma queca, ou de um amor, a positiva só começa a partir da coragem.

Não percebo como ele pode ter sido tão cobarde, e há de certeza quem ache que eu deveria vingar-me dele, enxovalhá-lo, ou desprezá-lo num momento "politicamente correcto", mas eu nunca lhe faria uma coisa dessas, porque a vingança é uma motivação muito perigosa, por isso prefiro sorrir, sabendo que um dia ele vai lembrar-se de mim quando precisar de coragem.
A coragem só podia ser mesmo uma palavra feminina...

sexta-feira, março 14, 2008

Mais um pedaço...

Portal Liquido, Francisco Panachão


Estava a ouvir Maria João Pires a tocar e pensava… “Que raio, de facto, quando algo faz parte de nós, mesmo que só muito tarde seja descoberto, não há nada nem ninguém que nos faça separar daquela sensação”. Isto, porque pensando com os meus botões, tinha a impressão de que nem escrever conseguia, pelo menos, não como antes. Só que, associado ao piano que estava a ouvir surgiu o pensamento: “Se já soubeste tocar piano alguma vez na tua vida, o escrever não é mais do que isso mesmo. Escreve como se tocasses piano!”.

Estranho… mas o que é certo é que enquanto escrevo através de um teclado, estou a usar as mãos da mesma forma que usaria para tocar…

Vi há dias um filme que já aqui foi falado (“A Estranha em mim”).
Já muita coisa mexeu comigo e este foi mais um dos filmes que na verdade, tocou fundo!
Para além de uma interpretação genial, o filme trata de um assunto deveras subjectivo mas muito importante. Até que ponto conhecemos os nossos limites?
Lembro-me de numa determinada aula um professor nos ter dito: “A linha que separa o normal do patológico, é somente um fio de cabelo!”. Esta frase em determinado contexto faz todo o sentido, mas se fizermos uma analogia para os limites que acima falo, estamos perante a mesma situação…

Só experimentamos determinadas sensações/sentimentos se formos expostos a factos que nos determinem essa direcção. Enquanto tal não acontece, podemos fazer uma ideia, mas… muito ténue. Todavia, se algo nos obrigar a ter que chegar ao nosso limite, é como se passássemos uma película de água, da qual nem nos apercebemos.

Lembro-me de algures no mesmo filme, ouvir uma frase idêntica a esta: “ Uma estranha é o que és agora e… já não há regresso!”.

Recordo a frase de Albert Einstein, muito usada por uma grande amigo que já não se encontra entre nós - “A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original”.

Não é fácil depararmo-nos com o estranho que há em nós, mas uma vez encontrado, seja de que forma for, não há regresso possível ao que antes éramos. Passamos a existir de uma forma diferente, modificamo-nos e, talvez essa seja a nossa forma de evolução…

sexta-feira, março 07, 2008

Pedaços de mim

Às vezes é dificil prosseguir... Parece que tudo é contra... Parece que o céu desaba... Parece que ninguém entende e tudo conspira...

Às vezes a saudade aperta... Às vezes não se pode explicar... Ou não se consegue...

Às vezes não lembramos e ficamos confusos... Às vezes não compreendemos... Ou não queremos...

Como é que explico que te recordo. Que te sinto. Que te oiço.

Como lhes explico que durante aqueles dias e todas aquelas noites nos mantivemos abraçados... E que isso fez aquelas máquinas não pararem.

Às vezes é possível sentir mesmo quem não está. Às vezes o beijo é tão longo que não acaba.

Às vezes o amor é tão forte que se torna eterno. E eu sei que partiste mas ficaste em mim.

Como explicar que eu sei. Eu também sei tal como eles, mas como posso dizer-lhes... se não quero...

sábado, fevereiro 23, 2008

O Meu Olhar Sobre o Mundo

Fui descansar "à sombra" da Serra da Lousã, um local magnífico... a serra, porque a cidade não é muito atractiva. A parte nova é desinteressante, e a zona antiga está praticamente abandonada, apesar dos inúmeros solares e palacetes que por lá existem.

Mas a Serra da Lousã tem algo de especial que ainda não sei bem o que é. Talvez sejam as maravilhosas e exuberantes paisagens, algumas de cortar a respiração pela sua beleza e magnitude... ou talvez tenha sido a companhia.
O que de melhor a Lousã nos oferece é o seu espaço natural... a serra, com as suas aldeias serranas com casas de xisto... lindas, onde os sentidos despertam, e em que dá vontade de conhecer todos os seus recantos. Um bom local para quem quiser viver longe de tudo, apenas rodeado pelo silêncio, pelos veados, javalis, e milhafres.

Ao falar da Serra da Lousã não me posso esquecer de falar no Castelo de Arouce, situado no topo de um outeiro, e que se assemelha à quilha de um navio.
A Serra da Lousã é um local especial, quase mágico. Adorei lá estar, porque me ajudou a hierarquizar as prioridades da vida, e faz-me perceber e acreditar que a simplicidade nos torna mais humanos, porque nos faz sentir que ser diferente num mundo igual, faz de nós pessoas tão especiais, únicas, e belas.
A Serra da Lousã tem este encanto: o de despertar em nós sentidos...

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

:)

Há monstros assim. Feios, maus e estúpidos.

Há momentos assim. Felizes, eufóricos, hilariantes.

Às vezes há milagres que acontecem.

Às vezes há monstros que se vencem.


Há lugares que marcam a memória.

Há gente gravada na recordação.

Há pedaços que nos mantém vivos.

Há vitórias que se aguardam, se desejam, se alcançam.

E sabem tão bem!

(Beijo. Obrigada. Até já)