terça-feira, dezembro 23, 2008

Tempo de Natal

A propósito do post anterior sobre o Natal, lembrei-me desta mensagem que recebi hoje a propósito da desejologia para o próximo ano:

"O que eu mais vos desejo para 2009:

Tempo!
Não vos desejo um presente qualquer,
Desejo-vos somente aquilo que a maioria não tem.

Desejo-vos tempo, para se divertirem e para sorrir;
Desejo-vos tempo para que os obstáculos sejam sempre superados
E muitos sucessos comemorados.

Desejo-vos tempo, para planear e realizar,
Não só para vocês, mas também para os outros.

Desejo-vos tempo, não para ter pressa e correr,
Desejo-vos tempo para se encontrarem,
Desejo-vos tempo, não só para passar ou vê-lo no relógio,
Desejo-vos tempo, para que fiquem;
Tempo para vos encantar e tempo para confiar em alguém.

Desejo-vos tempo para tocar as estrelas,
E tempo para crescer e amadurecer.

Desejo-vos tempo para aprender e acertar,
Tempo para recomeçar, se houver fracassos...

Desejo-vos tempo também para poder voltar atrás e perdoar.
Desejo-vos tempo, para ter novas esperanças e para amar.
Não faz mais sentido protelar.

Desejo-vos tempo para ser feliz.
Para viver cada dia, cada hora como um presente.
Desejo-vos tempo, tempo para a vida.

Desejo-vos tempo. Tempo. Muito tempo!"

segunda-feira, dezembro 22, 2008

mais um Natal

Natal… mais um Natal. Olhou pela janela o campo verde, a serra de um lado, o mar do outro. No jardim alguns narcisos espreitavam em redor do pequeno lago gelado. As gotas fortes da chuva escorriam ao longo do vidro. Puxou o cortinado. Aproximou-se da lareira para atear a lenha que crepitava. Sentou-se calmamente, no grande cadeirão ao lado da enorme árvore iluminada. O cabelo grisalho cortado, as rugas no rosto vincadas e a imensa ternura estampada. O ameno ambiente aconchegou-o e fechou os olhos sobre si mesmo.

De pijama azul e pantufas fofas, saltitava em redor dos embrulhinhos multicolores. Os caracóis emolduravam-lhe a face ligeiramente rosada, onde sobressaíam os grandes olhos negros como carvão. Toda a sua expressão se concentrava naqueles enormes olhos, no nariz pequeno e nos lábios muito vermelhos. Nas mãos os pequeninos dedos, de unhas imaculadas, desatavam avidamente os lacinhos e fitinhas sobre o papel colorido. A cada nova surpresa desvendada o sorriso rasgava-se e um radioso aaaaahhhhh soava por entre gargalhadas e obrigados.

Acordou, já passava das oito. Na lareira a lenha ardia em imponente chama escarlate. Atrás de si o peru sobre a mesa, as velas encarnadas nos castiçais de prata, o serviço de porcelana, os talheres do faqueiro, as nozes, as passas, as broas, os chocolates e o famoso bolo-rei. Syle rondava-lhe as pernas, saltitando em breves piruetas, num miar de chamamento. A campainha da porta suava insistente abafando a música de Natal esquecida na velha aparelhagem.

De robustas botas ensopadas, as calças pretas molhadas, o casaco azul salpicado, um chapéu-de-chuva a escorrer. Os caracóis caindo sobre a face, o sorriso aberto nos lábios muito vermelhos e os enormes olhos negros expressivos, no rosto suavemente barbeado. Nas mãos firmes o embrulho.


“está um tempo…”

“pois é filho… o tempo…”


FELIZ NATAL

domingo, dezembro 21, 2008

Christmas Countdown


Um FELIZ NATAL pleno de paz e amor na companhia dos que vos são mais queridos... é o que desejo a todos os @migos do "Pedaços de Nós"

sábado, dezembro 20, 2008

Lágrimas...

Lágrimas... de felicidade ou por ser infeliz
Lágrimas... de dor ou por insensibilidade
Lágrimas... de pertença ou pelo que perdi
Lágrimas... na tua presença ou pela tua ausência

Lágrimas... por amar ou odiar
Lágrimas... em chama ou na frieza do teu olhar
Lágrimas... por orgulho ou humilhação
Lágrimas... por coragem ou cobardia

Lágrimas... por afirmação ou negação
Lágrimas... por ignorância ou por saber demais
Lágrimas... pelo alívio no final de tudo
Lágrimas... por toda a parte ou em parte nenhuma

Lágrimas... sozinho ou no meio da multidão
Lágrimas... por não conseguir explicar
Lágrimas... por não conseguir conter
Lágrimas... por não conseguir compreender
Lágrimas... a razão... de chorar

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Lápis

Morrem de erosão, expostos e diminutos, sob tensão da lâmina afiada. Vida arriscada, riscada em inúmeros riscos, com números e letras. Perdem-se pelos pontos, sem conto, nos contos que nos conta. Chamados às contas, sem darem conta, fazem as contas da nossa cabeça. Sua vida curta, encurta enquanto a nossa história aumenta. Inventa linhas que não segue e caminhos que não reclama. Memória volátil, frágil. Se a mão for ágil, descobrem a fórmula como forma de vida ou acabam em escrita dissolvida. Por vezes escapam à desgraça da borracha que os ameaça, em jeito de traça, salva-se o seu trabalho, no traço dum rosto que traça ou, sem que seu gosto se sinta, sobre a tela e debaixo da cor que tem a tinta.
Alguém viu o meu lápis?

quarta-feira, novembro 26, 2008

Encontros

A vida tem surpresas que talvez compense aguardar.

Quem sabe, segredos tão bonitos que o amor quer revelar.

Nos encontros que esta vida, preparou para nos surpreender, são talvez encontros revelados a quem vive para amar.

Porque quem ama, entrega-se para servir e crescer, pois o amor é uma escolha de quem quer a felicidade.

sexta-feira, novembro 21, 2008

Ciúme

A dada altura todos os meios são válidos para alcançarmos um fim... o da nossa relação. É por isso que os ciúmes me envergonham, porque a agonia dos ciúmes surpreende muita boa gente.

Há quem use preservativo e seja apanhado na mesma. Há quem use óculos e deixe de ver. E há quem seja inteligente, e mesmo assim vá à bruxa.

Os ciúmes acabam sempre por ter a ver com a intensidade da paixão. Ou com a segurança que a outra pessoa nos dá. Ou ainda com a que temos em nós mesmos...
Ninguém sai ileso, embora haja quem se saiba comportar melhor.

Eu confesso que se estiver apaixonada sou ciumenta... saudavelmente ciumenta... Que é sentir aquela dorzinha na barriga sempre que alguma gaja deixa cair qualquer coisa ao chão só para ter que apanhar de rabo espetado para o meu mais-que-tudo. E olhem que a barriga já me doeu muitas vezes, por isso sei do que falo.

O ciúme cego, que não é saudável, só se começa a manifestar em nós quando começamos a fazer coisas que nunca nos veríamos a fazer, tais como espreitar telemóveis, remexer em bolsos, apanhar olhares que na nossa cabeça só podem ser para ele, vasculhar-lhe as coisas, ou cheirá-lo e achar que ele cheira a sexo (que não o nosso). E tudo isto é feio.

Suspeito que os homens não confessam os seus ciúmes com medo que a voz lhes falhe. Já nós mulheres, é só garganta, por isso sai-nos tudo em discurso descoordenado para desfazer o nó que a dúvida emaranhou.

Nenhum homem gosta de assumir que a mulher lhe pode fazer mossa quando é cortejada por outro homem. E ela passou a dar importância ao colega que reparava nos seus pormenores, e ele acaba por asfixiar nos ciúmes que nunca teve. Acontece muito, não é?

Mas também pode acontecer o contrário. Ela nunca achou que havia razões para ter ciúmes. Era mais bonita que ele, e teimava em subestimá-lo. Um dia ele conheceu alguém como ele, e nunca mais viu beleza nela.

Desprezar os ciúmes é mau, mas tornarmo-nos desprezíveis por causa deles é capaz de ser pior. Por isso, entre homens e mulheres venha o ciúme e escolha.

terça-feira, novembro 18, 2008

XX

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.

Escribir, por ejemplo: "La noche está estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos."

El viento de la noche gira en el cielo y canta.

(…)

Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,
y éstos sean los últimos versos que yo le escribo.

Pablo Neruda (1904-1973)

segunda-feira, novembro 03, 2008

A Alma das Letras

Começo desenfreadamente a escrever... Não sei bem porquê... A caneta ganha vida na minha mão direita, e entre os meus dedos ferve. Como a temperatura é elevada neste utensílio! Utensílio?

Sim, mas também, porta de entrada e saída da minha alma. Confidente, Amiga, sempre perto do meu peito, junto ao coração. Quantas pessoas guardamos assim junto ao nosso peito e coração?

És Tu! Amiga, com o corpo repleto de tinta, que registas o que medito e mais tarde leio. É tão bom poder usar-te, sem a minima preocupação de ouvir um único lamúrio ou queixume. De ti? Que recebo? Apenas tinta a escorrer, como sangue que corre pelas veias e brota para o exterior.

E é no exterior, que ganha forma e corpo, sobre um simples pedaço de papel. E é neste simples pedaço de papel que ambos mostramos em forma de letras...
TODA A NOSSA ALMA

sábado, novembro 01, 2008

"E agora?"

Cena verídica ocorrida hoje num centro comercial da capital:

As escadas rolantes seguem cheias. Todos olham para cima, ou para a escada fronteira que desce. A certa altura, a escada deixa de subir. Pára. Muitos dos seus momentâneos "passageiros" ficam desorientados, espantados, sem saber o que fazer. Uma criança pergunta:
- e agora?

Por regra, não paro em escadas ou passadeiras rolantes, e irrito-me quando as pessoas param e bloqueiam a passagem. Tenho para mim que o objectivo destes apetrechos urbanos é fazer com que as pessoas cheguem mais rapidamente ao outro lado, não servirem-se delas como uma espécie de teleférico junto ao chão.
Por isso, hoje esta cena foi de uma ironia suprema. As pessoas já nem sabem subir escadas e ficam perdidas perante coisas tão simples.
Que raio de pessoas fazem parte desta sociedade?

quarta-feira, outubro 22, 2008

Onde começa… até onde vai…

8 da manhã, um grupo de jovens entre os 11 e os 13 anos agride selvaticamente um cão até o deixar ferido, assustado e enraivecido. Numa aberta o animal consegue fugir entrar num edifício e refugiar-se numa divisão. Sem saber o que se passara, um adulto aproxima-se calmamente e vendo-o ferido e assustado tenta fazer-lhe uma festa para depois o tirar dali e tratar. Mal se aproxima o cão atira-se a ele cravando-lhe fortemente os dentes.

(…)


- E agora? Que lhe acontece?

- Vamos levá-lo para o canil e o mais provável é que seja abatido.

(…)

Processo de inquérito aos miúdos


- Porque bateste assim no cão?

- Eles também estavam a bater.

- Mas tu, porque lhe bateste tu???

- Não sei.

- E tu? Porque estavas tu a bater assim no cão??

- Não sei.

- E tu?

- Eu cheguei lá, eles estavam a bater e eu também bati.

- Mas porquê???

- Não sei.

(…)


O que leva um grupo de jovens a uma atitude destas? Que vivências tiveram durante os 11 ou 13 anos de vida que os transformou nestes agressores? Que valores (ou a falta deles) lhes foram transmitidos ao longo da vida? Que educação estamos a transmitir aos nossos descendentes? Onde começa e até onde vai a selvajaria destes jovens?

:(

sexta-feira, outubro 17, 2008

Viceversa

Tengo miedo de verte
necesidad de verte
esperanza de verte
desazones de verte

Tengo ganas de hallarte
certidumbre de hallarte
pobres dudas de hallarte

Tengo urgencia de oirte
alegria de oirte
buena suerte de oirte
y temores de oirte

O sea,
resumiendo,
estoy jodido
y radiante

Quizá mas lo primero
que lo segundo
y también
viceversa

A belezas das letras, ou as letras em beleza (ou viceversa, não?)
Mario Benedetti é considerado um dos mais importantes escritores uruguaios da actualidade. [descoberto aqui]

quarta-feira, outubro 15, 2008

O síndrome da namorada do filho

Hoje a propósito do pânico manifestado por uma colega, lembrei-me de algumas frases que me parecem válidas para todos.

Não sei se as proferimos exactamente assim quando chegou o momento, mas sei que foi assim que as sentimos e... se connosco resultou... é capaz de também resultar convosco, amiga. É que afinal, no início a namorada do filho é tão difícil para a mãe, como a mãe do filho para a namorada, mas o papel de cada uma nunca se irá permutar e ambas constituem o complemento da vida dele.


Costumo chamar-lhe a síndrome da namorada do meu filho. É um fenómeno que visto à distância, me faz sorrir.


“Socorro, ele vive ao telemóvel, já não é o melhor aluno, não pára em casa e pior, aquela rapariga está afastá-lo da família, dos amigos, de tudo, é um verdadeiro monstro.”


“Sou um homem e sei muito bem o que faço. Que mania de se meterem na minha vida. Estou apaixonado, dão licença?!!!”

“Sabes, se nas aulas estiveres atento, precisarás estudar menos, sobra mais tempo para namorar e se conhecerem melhor, que tal?

Não precisas ser o melhor aluno, mas será bom garantir a entrada na universidade, não vais querer que ela entre e tu continues na escolinha. Quem sabe não entram na mesma? Era giro e ficavam mais perto!”

“Sabes, não precisas ter medo, isto não é um concurso. Ela nunca será minha mãe e tu nunca serás minha namorada. Mas a ti eu já conheço bem e amo-te incondicionalmente, a ela ainda estou a conhecer e… estou apaixonado, preciso tempo”

“Sabes, nós sentimos a tua falta e os teus amigos também. E tu tens tempo e espaço para todos, não tens?!”

“Sabes, ela ainda está insegura, como eu e como tu, tudo isto é novo para nós. Não é um ponto é só uma virgula, eu já volto quando lhe mostrar que tenho tempo e espaço para todos e eu próprio perceber isso”

“Sabes, estás a crescer muito depressa e isso assusta-me…”

“Sabes… a mim também, mas tu ajudas-me”


A era das sogras de bigode e das noras perversas está tão em desuso como as princesas angelicais e as madrastas malvadas.

terça-feira, outubro 07, 2008

Um momento bem disposto





sexta-feira, setembro 26, 2008

Publicidade e Arte

Dez da manhã, levanto-me, primeira mijinha, lavo as mãos e a cara e subo o estore.
Meio zonzo, ligo o computador. Enquanto ele se instala, os meus olhos lutam por vencer a luz do sol que já inundou o escritório. Meto a ****** e o Gmail avisa que tenho quatro novas mensagens. Sobre as duas primeiras:


Serviços domésticos

Trata-se dum filme publicitário a “Móveis para divorciadas”, duma reputada marca. Práticos e modernos, com dupla função, respondem a uma crescente faixa de mercado. Para elas, as instruções mais parecem um mapa de estradas em obras e, ainda por cima (e debaixo), sem a ferramenta necessária, não vão longe. Logo, imagino que o tipo metido no gavetão seja um “amigo com jeito para montagens” e naquele fim-de-semana foi lá, apenas, “dar uma mãozinha” mas não vai ser apresentado aos filhos dela que, entretanto, regressam de casa do pai.

Elas separam-se e depois desenrascam-se como podem. Sabem do lugar das coisas e da sua função mas, sózinhas, não dão conta do serviço. O meu apoio.


Arte nua e crua

Sempre achei que Serralves (com pena minha) ficava no Cu de Judas. Afinal parece que é ao contrário. Bem longe de Cascais.

Mal abri o mail, dei de caras com o dito cujo!

No momento senti-me incomodado, enojado e, de algum modo, violado na minha integridade. Com que lata o artista ousou expôr aquele ponto de vista e qual a motivação de quem lhe abriu as portas (das trás?) de tão distinto museu?

É preciso arrojo, numa grande dose de descaramento, para alguém exibir o orifício traseiro numa demonstração pública de falta de pudor. Não há tela que aguente e se sujeite ao prazer dum analfóbico que nela resolveu esfregar o ávido pincel. Com tal destino nem o cavalete lhe valeu.

Fiquei a matutar na busca de um ponto de vista mais condescendente. A cultura acima de tudo. Embora não ponha lá os cotos, admito já ter visto coisas piores em lugares mais famosos e também bem frequentados. Já vi sangue e dor, retratados por famosos, com direito a prémios. Nada contra desde que esse dinheiro fosse para os vitimizados modelos e para minimizar ou acabar com as guerras, as doenças e a fome que os perseguem. Sou apreciador do erotismo e de todas as artes que o exprimam. As mãos, os olhos, o nariz, os lábios e a língua são pedaços de nós e dum todo atreito a afectos e emoções.

Sujeito a reacções, pode um buraco suscitar diversas opiniões. Para mim um buraco “é nada com uma coisa à volta”, daí eu não dar, sequer, cinco tostões por muitas “obras” feitas sem coisa nenhuma. Se o objectivo é passar mensagens, façam-no ao vivo em sítios com mais gente.

quarta-feira, setembro 24, 2008

O humor é curtido

Nesta dita Sociedade (de irresponsabilidade limitada) é lamentável que o humor não se encontre instituido. Não há nenhuma lei, tratado ou organismo que o reconheça. Não conheço.

A política, a economia, a saúde, a educação, a segurança, a justiça, a informação, a ciência, a tecnologia, o desporto, e tanta coisa mais, têm o seu merecido lugar na organização do espaço social. Não lhes faltam porta-bandeiras na rua, no papel e nas instituições. Bem-haja a quem as reclama, promove e defende. Não contesto.

A magia do palhaço, a piada oportuna, a cena cómica, o gesto divertido, a anedota, o texto satírico, o discurso irónico, etc, são estímulos desinibidores e indicadores de actividade mental de e para quem se manifesta. Confesso, no entanto, já me ter surpreendido a rir de cenas tristes e inflamados discursos com que alguns sorumbáticos poderosos nos brindam. Involuntáriamente, decerto. Não nego.

O humor é a consciência que fazemos do nosso quotidiano. É grito de alerta e arma de defesa e ataque. Confronta, desperta, transforma e marca. Liberta-nos perante a vida, sem ele que graça teria? Não tem limites ou barreiras e não se confina a bandeiras: é universal e livre. Composto de ciência, inspiração e arte, nessa coisa indefinível. É filosofia. Não contesto.

Somos um universo de emoções e, conscientemente ou não, giramos à volta delas. Das nossas e dos outros. Para o bem e para o mal. Aos anos que vamos carregando, acrescentamos tiques de rigidez que nos tornam ainda mais velhos. Se dermos folga aos músculos do rosto ele cai, como um pano. Por isso me inquieto. Não o praticamos. Não o promovemos. Não o exigimos. Não desisto!


Factos, constatações e interrogações:

o político ri para todos; o génio ri dele próprio; o cego não vê piada em nada; o pobre não tem piada; o rico conta piadas; o coxo, o fanhoso e o gago dão vontade de rir; o avarento não dá um sorriso; o tímido ri de boca fechada; o gordo tem muita piada; o vizinho ri da desgraça alheia; o ignorante ri de tudo e de nada; o convencido ri de lado; o general não pode ordenar um ataque de riso; o humor negro tem um lado cómico; o brasileiro parte o coco a rir; o africano parte a moca a rir; o chinês tem sorriso amarelo; as crianças riem de nós; a Graça está em Lisboa; anedota boa é loira; o alentejo tem montes de piadas; o economista ri pouco; o dentista ri entre dentes; o vigantivo riposta; o poeta rima; humor inteligente é snobismo; o ladrão rouba piada; a hiena ri de quê?; se rir é o melhor remédio porque é que não vem nas receitas médicas?
VIVA O HUMOR!

terça-feira, setembro 23, 2008

O meu "Pedaço" # 19

Há alturas na nossa vida afectiva em que somos capazes de nos comportar como autênticos refugiados, e por isso abrigamo-nos no beijo de quem estiver mais próximo, e escondemo-nos nos lençóis que se nos apresentam mais confortáveis.

Somos capazes de nos comportar como autênticas prostitutas de sentimentos, e de vendermos o amor que sentimos por um pouco de atenção... por um beijo fácil... por uma noite descomprometida... por um amanhecer a dois seguido de... nada...

Não temos medo, nem vergonha de nada, e sentimos que podemos amar à vontade, porque este tipo de relacionamentos não passam da alvorada.

Somos estúpidos... hipócritas... egoístas... e egocêntricos atordoados por delírios esculpidos no meio de dois corpos unidos pelo acaso, que depois se despem um do outro sem se despedirem...

It's always and only a one night stand...

segunda-feira, setembro 22, 2008

O rapaz que já estava morto!!!

Nunca aqui partilhei o meu pedaço "critico-social", hoje abro o coração e deixo algo que me surgiu em mente...


Bem bonita a história do rapaz que um dia decidiu mudar de rumo, largar o gosto do pó que encaminhava a sua vida para o abismo. Foi assim sem mais nem menos, que decidiu mudar, mudar de vez, largar para sempre as memorias que foi consumindo na prata, as memórias escritas ao sabor do garrote e á acidez do limão. Queria ser livre o rapaz, ser livre da dor e da agonia que o abraçava em cada gemido de pânico, em cada pedaço dessa penosa abstinência.

Bonita a história do rapaz, a história da garra, da força, do querer mudar. Mudar para sempre, sentir no rosto a brisa fresca da liberdade, desta sua nova liberdade. Menos bonita, a parte para si desconhecida, a parte em que o rapaz não sabia que já estava morto. Mesmo não estando vestido a rigor, deitado no mármore, o rapaz já estava morto.

Morto nos olhos secos de sua mãe, que tantas lágrimas derramou, em busca da esperança, do momento em que tudo iria finalmente ser diferente. Morto pelas preces humildes de seu Pai, que ao sabor do tempo foram caindo em descrença. Morto por tudo o que fez, por todas essas suas promessas esquecidas no pó, perdidas no tempo.

Por cada passo errado, por cada momento que raiva, por cada roubo, por cada pecado, rapaz acabou por morrer, não por dentro, mas por fora...
Podia ser diferente desta vez, podia ser diferente das outras inúmeras vezes em que prometeu mudar...

Demasiado tarde agora, demasiado tempo perdido, para adiar a sua própria morte.
Poderá mesmo alguém a nossos olhos morrer?
Não por dentro…mas por fora…

sábado, setembro 20, 2008

Lisboa: cidade adoptada


Em tempo de aniversário... uma cidade por adopção, Lisboa.
Há 13 anos, por ter entrado na faculdade, vim para Lisboa.
Aos poucos, foi-se tornando a minha cidade. Fui-a conhecendo aos poucos.
Passei a adoptar alguns sítios como preferidos.
Como locais para relaxar, como pontos de fuga.
Com o tempo, e com a vida, os percursos tornam-se rotineiros.
Ficamos a conhecer os cantos à cidade.

Há quem adjective Lisboa pela sua luz. Eu adjectivo-a pelo Tejo.
Este azul que lhe banha os pés é mágico, apesar de profundamente desperdiçado e separado da cidade.
Refrescante, não apenas do corpo, mas também da alma.
Lisboa. Uma cidade no coração.

quinta-feira, setembro 18, 2008

3º Aniversário

Parabéns ao "Pedaços de Nós"

Parabéns a todos nós...



Tal como numa família com laços de sangue, também no "Pedaços" tem sido necessário enfrentar as dificuldades inerentes a qualquer família. Sim, porque é disso que se trata quando falamos do "Pedaços de Nós"...

Um conjunto de pessoas emocionalmente ligadas, com dinâmicas próprias, que partilham as suas "histórias" em pequenos pedaços. E porque cada família tem as suas normas e regras próprias, a nossa não podia fugir à regra, e como tal, é uma família baseada num sistema de comunicação em interacção constante, com ritmos, intimidades, linguagens verbais, e estilos de vida diferenciados e muito próprios. Por aqui partilham-se afectos e crenças, e gerem-se também conflitos, porque como em todas as famílias, também por aqui há pessoas com valores e visões do mundo diferentes, mas em que se respeitam os espaços individuais de cada um.

E como nada é imutável, também no "Pedaços de Nós" tem sido assim, e por isso mesmo tem passado por diversas fases... Mas como se costuma dizer... "everything must change, nothing stays the same, and everyone will change, because no one stays the same".

Por isso, por esta família passaram ao longo destes três anos cerca de 30 pessoas. Algumas há que partilham este espaço desde o início, e como tal têm ajudado a acolher quem aqui chega de novo, ao mesmo tempo que têm visto partir alguns. Uns por vontade própria, outros devido a agruras e vicissitudes que a vida infelizmente por vezes nos reserva.

Queria deixar uma palavra para todos aqueles que mesmo sabendo que não têm a possibilidade de comentar, são visitas e leitores assíduos deste espaço. E acreditem que não são tão poucos assim. Para eles o nosso agradecimento, e também os Parabéns, porque também o merecem, e porque em certa medida também são responsáveis pela existência deste espaço. Para eles eu digo, que basta sentirem vontade e motivação para tal, para passarem a fazer parte desta família também, passando-se para o lado de cá. Basta querer, e demonstrar essa vontade através de email.

Tenho esperança que neste quarto ano em que este espaço vai entrar seja possível mantermo-nos todos unidos, e tentarmos acolher da melhor maneira os novos membros que possam surgir para esta família tentando fazê-los sentir em casa.

Por me parecer justo, não poderia deixar de fazer uma referência personalizada a todos aqueles que se foram mantendo mais participativos durante este ano que agora termina, e que por isso têm tido uma maior responsabilidade na existência e manutenção deste espaço. Daí o meu muito obrigado pelo seu grande contributo e empenho à foryou, à Alexandra, à Ana, ao Gonio, à Litinha, ao Tazaroteno, à Junior, ao Pedro Arunca, ao NunoSioux, e à Dä®k Añgë£.

A todos os outros membros desta família, eu diria que continuam a ser muito importantes, e que o vosso contributo é não só esperado como muito desejado.
Afinal estamos todos de PARABÉNS, e nada somos uns sem os outros...
Beijinhos e abraços a todos.

quarta-feira, setembro 17, 2008

Quem sabe, talvez um dia...

Pousada sobre a mesa jaz uma delicada flôr.
No passado arrancada á terra, hoje, dia após dia, inerte sobre a polida madeira do móvel de entrada.
Sim, tu sabes, é aquela rosa que te ofereci e que nunca levaste.
Sim, continua no mesmo local, tens o exclusivo acesso e direito de propriedade.
A flôr, que no passado era lisa e brilhante, está agora enrrugada e baça, o vermelho-vivo deu lugar ao cinzento-negro, talvez a côr de muitos dos meus dias.
Talvez, quem sabe, um dia a porta seja aberta, a flôr recolhida nas tuas delicadas mãos voltando novamente á vida, e este teu gesto provará que entraste na minha vida.
Quem sabe, talvez um dia...

terça-feira, setembro 16, 2008

Mantenha-se até...

«Mantenha-se no negócio até estar certo de ter encontrado um novo negócio promissor»

Frase citada com frequência por entendidos ou relacionados com o MKT ou vendas como fazendo todo o sentido.
E transpôr esta frase para as relações afectivas?
Ficaria algo assim:
"Mantenha-se numa relação até estar certo de ter encontrado uma nova relação promissora"
"Manter uma relação..."

Milhões de questões, problemas, concessões, alegrias, tristezas, muitas fórmulas e soluções.
..."até..."
"...estar certo..."
Venha o primeiro(a) que tenha certezas sobre algo na vida.
..."ter encontrado..."
Diariamente encontramos pessoas fantásticas, aquela infindável diversidade, que muito contribui para a confusão e dúvida.
..."uma nova relação..."
No seu ínicio são todas, até que o tempo e a erosão dos dias encarrega-se do resto.
..."promissora...". E não são todas? Projectos, planos e mais planos, espectativas criadas, e porque não, muitas promessas?
E no final de tudo?
Quanto a esta citação, adaptada ás relações humanas, não acredito estar terminada ou sequer ter tido o seu inicio, mas talvez o povo tenha alguma razão quanto ás "novas relações promissoras"...
"Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar"...
É o que o povo diz...

segunda-feira, setembro 15, 2008

Alma Vazia...


Já te escapou a alma?

Acordar, abrir com esforço os olhos, ver com dificuldade o cenário lamacento da madrugada. Tentas a espaços erguer a cabeça latejante da almofada, mil e um pesos gravitacionais te empurram para baixo....
Entendes agora as histórias sobre a força da alma, provas o seu lado ensonso, o seu lado maldito.
Hum.....
Se custa assim tanto abrir os olhos, erguer a cabeça para o mundo, matem-me já! (suplicas)
Porque te doí?
Porque está vazia!
Quando te doí?
Quando aperto!
Então não apertes, não respires, deixa de bombear.
Ficarei isenta de dor?
Isenta de tudo, ficarás isenta de tudo! Sem sangue não há alma, sem alma não há dor!
É essa a hora do adeus?
Sim, é essa a hora do silêncio....
Mas não quero deixa de ouvir, não quero deixar de lamber, não quero deixar de sorrir!
Então aperta, aperta agora, aperta por mais que doa..... Um dia há de passar. Tudo há de passar....
Se não passar, deixo de apertar.....

Já te escapou a alma?

domingo, agosto 31, 2008

O meu amigo gato

Apenas nos conhecemos de vista, mas é um amigo que costuma estar nas traseiras do meu prédio.
Está ali, sereno, a dormitar, a olhar um além que desconheço.
Umas vezes, apenas olha para mim. Outras, aproxima-se para receber um mimo.
É o meu amigo gato.
Que gosta de permanecer.

domingo, julho 27, 2008

19 Verdades Absolutas!!!

1 - Para evitar filhos, faz amor com a tua cunhada. Só nascem sobrinhos...
2 - Todos os cogumelos são comestíveis. Alguns só uma vez...
3 - Tenta ser bom com os teus filhos. São eles que vão escolher o teu asilo...
4 - Nasci careca, nú, e sem dentes. Por isso o que vier, é lucro!!!
5 - Amigos vêm e vão, inimigos acumulam...
6 - Se o amor é cego, o que é preciso é apalpar...
7 - Se a mulher fosse boa, Deus tinha uma. E se fosse de confiança, o Diabo não tinha cornos...
8 - Sabem porque é o pão se queima, o leite entorna, e a mulher engravida?
Porque não se tira a tempo...
9 - Alguns homens amam tanto as suas mulheres, que para não as gastarem, preferem usar as dos outros...
10 - Pior que uma pedra no sapato, só um grão de areia no preservativo...
11 - Se um dia te sentires inútil ou deprimido, lembra-te só disto: Já houve um dia em que foste o espermatozóide mais rápido do grupo!!!
12 - Os trabalhadores mais incapazes são sistematicamente promovidos para o lugar onde possam causar menos danos: a chefia...
13 - Os chefes são como as nuvens, quando desaparecem fica um dia lindo...
14 - O que leva os homens a perseguir mulheres com quem não tencionam casar?
O mesmo impulso que leva os cães a perseguir carros que não tencionam conduzir...
15 - É melhor abrir um email com vírus, do que uma carta com antrax!!!
16 - As hierarquias são como as prateleiras, quanto mais altas mais inúteis!!!
17 - O teu futuro depende dos teus sonhos. Não percas tempo... Vai dormir!!!
18 - O amor é como a gripe, apanha-se na rua, e resolve-se na cama...
19 - Os Homens mentiam bem menos, se as Mulheres não perguntassem tanto...

E como estas verdades fazem tanto sentido para mim...

segunda-feira, julho 14, 2008

The Story

Esta é a música que neste momento está associada à publicidade da Super Bock... Aconselho a ouvir...

Brandi Carlile - The Story

All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true... I was made for you

I climbed across the mountain tops
Swam all across the ocean blue
I crossed all the lines and I broke all the rules
But baby I broke them all for you
Because even when I was flat broke
You made me feel like a million bucks
Yeah you do and I was made for you

You see the smile that's on my mouth
Is hiding the words that don't come out
And all of my friends who think that I'm blessed
They don't know my head is a mess
No, they don't know who I really am
And they don't know what I've been through like you do
And I was made for you...

domingo, julho 06, 2008

A caixinha que mudou o mundo

A caixinha que mudou o mundo, não foi a televisão, meus amigos. Foi uma caixinha espevitada de comprimidos azuis, e que diz na embalagem Viagra.
Nunca tive muito contacto com medicamentos, ainda que qualquer infância não seja infância sem brincar aos médicos. Curiosamente atraio imensa gente hipocondríaca. Será que vêem em mim a continuação dos problemas, ou a salvação?

Vamos lá a ver... não é vergonha nenhuma tomar Viagra. Pelo contrário. Felizes os que têm posses, e (à) vontade para o comprar. Para mim é que foi a primeira vez que estive com alguém que o fazia, e fiquei com uma ligeira taquicardia mesmo sem os tomar, e foram milhares as perguntas em atropelo que me surgiram na cabeça...

- Será que um homem se sente ofendido se uma mulher em pleno acto gritar... Viagraaaaaa? Será traição?
- Uma mulher deve oferecer-se para ir buscar os comprimidos com um copinho de água, ou devemos ignorar que ele os toma, para não o ofender?
- E andar com uma caixinha suplente na carteira será de mau tom?

Que fique bem claro que sou capaz de gostar de um homem que tome Viagra, porque isso apenas significará que ele é capaz de fazer das suas fraquezas o seu forte.

quarta-feira, julho 02, 2008

...

Partes mas ficas! Não posso deixar-te ir assim, sem mais nem menos... sem um adeus, sem uma despedida...

Não nos despedimos, lembra?! Por isso ficas! Mesmo que partas, ficas!

Ficas em mim... ficas nos espaços que partilhamos...

Ficas na cama onde nos amamos! Ficas-me na memória, no sentir, no corpo que possuiste...

Oiço-te a voz, toco-te a pele, penetro-te o olhar...

Sinto-te as mãos, beijo-te a alma, fundo-me em ti...

E tu... abafas-me o desejo, engoles-me a lágrima e despes-me da roupa... e de tudo!

Partiste mas ficaste!

terça-feira, junho 10, 2008

Orientações

A vida devia vir com GPS integrado

domingo, junho 08, 2008

Interrogação


Após longo tempo desaparecida, deixei-me por cá ficar, lendo o que já havia sido publicado. Reflexões, pensamentos... no fundo, todos eles de uma forma ou outra relacionados com a vida e vivências de cada um de nós. No centro, se formos ler com mais atenção, não existe uma postagem ou resposta que não tenha por base a interrogação que nos coloca a vida tal como a conhecemos e sentimos.

Há dias, entrando numa loja e no meio dos livros dei de frente com um livro que me chamou a atenção pelo nome. Nada mais, nada menos que "Como o acaso comanda as nossas vidas" de Stefan Klein. Nada satisfeita com o título e pensando no que este tipo de palavras nos podem fazer ler, resolvi ver em que estante estava arrumado o dito. Com ar interrogativo procurei e fui dar comigo na área de Psicologia. Psicologia? Que raio está isto aqui a fazer? Ainda não satisfeita folheei e voltei a folhear... António Damásio a comentar? Bem, deixa-me ver com mais atenção! Passei do ar interrogativo para o pasmado e, em seguida para o dilema: Compro/não compro? Acabei por não comprar levada pelo cépticismo mesmo vendo que as referências eram boas.

Hoje pergunto-me porque não o comprei eu?
Esqueci-me que Carl Jung também não deixava o "acaso ao acaso"!
Erro de palmatória!
Porque me lembrei disto hoje?
Porque ao ler-vos dei comigo a pensar na primeira pessoa do singular.
Ainda hoje, passados 13 meses, não consigo esquecer alguém que encontrei por mero "ACASO" e que me fez acreditar de novo no Ser Humano e nas grandes potencialidades que podemos ter se quisermos ou, se a isso formos levados. Durante 6 meses essa pessoa deu-me muito mais a nível de amizade e conhecimentos que muitos damos uns aos outros em anos!

Há 13 meses que não tenho quase todos os dias uma música à minha espera na minha caixa de correio, há 13 meses que não falo de música a fundo, há 13 meses que não falo da vida estando a morte tão perto, há 13 meses que ninguém me diz: "Devias ter sido maestrina!", há 13 meses que... tanta coisa...
Porque é que a vida por "ACASO" nos dá algo de BELO para em seguida nos deixar mais vazios?!
Que fazemos nós com esse espaço outrora tão preenchido e que agora mais não é que um abismo onde não existe nada, nem tão pouco tende para o infinito...

domingo, maio 25, 2008

“Tantos livros na estante. E acabo folheando o coração.” Eugénio Leandro

E quando a saudade aperta, quando o desejo é mais forte, quando o amor sangra, quando o pensamento vagueia...

Recrio-te, revejo-te, possuo-te...

Abraço-te... Abrasas-me...

Beijos reconhecem o corpo. Seios procuram as mãos. Bocas se saboreiam. Ventres se unem. Sexos enlouquecidos de paixão... quentes... firmes... húmidos...

A luz torna-se difusa. O mundo desaparece. Ficas tu...

Odor a corpos nus. Pele em chamas. Coração acelerado.

Deixas-nos voar! Fazes-nos voar! Já não és tu... somos nós!

Doces palavras proferidas em últimas caricias... Olhares encandescentes...

O mundo gira. A química vence a matemática. De dois se faz um, em fusão de escaldantes fluidos. Numa ternura desmedida. Numa explosão de desejo. Numa imensidão de amor.

Renasces!

E, quando raios de Sol penetram e fazem o sonho adormecer, aconchego-me no doce leito. Banho o sonho na tépida água do banho. Visto-me de mim... e de ti... Reinvento-te! Revivo-te!

Assim te vejo, assim te amo, assim te quero!

Assim me acordo...


segunda-feira, maio 19, 2008

O frasco da vida

Às vezes há textos com os quais nos "esbarramos" no meio da nossa "navegação" por este imenso "mar" que é a internet, e com os quais nos sentimos profundamente "tocados". Esta história provocou-me essa sensação, porque é uma situação que infelizmente já nos sucedeu a todos, que é deixar de ter tempo para os amigos, ou outras coisas às quais deveríamos dar mais importância.De facto às vezes esquecemo-nos destas pequeninas coisas...


Um professor diante da sua turma de filosofia, sem dizer uma palavra pegou num frasco grande e vazio, e começou a enchê-lo com bolas de golfe. A seguir perguntou aos estudantes se o frasco estava cheio. Todos estiveram de acordo em dizer que sim. O professor pegou então numa caixa de fósforos e vazou-a dentro do frasco. Os fósforos preencheram os espaços vazios entre as bolas de golfe. O professor voltou a perguntar aos alunos se o frasco estava cheio, e eles voltaram a responder que sim. Logo, o professor pegou numa caixa de areia e vazou-a dentro do frasco. Obviamente que a areia encheu todos os espaços vazios e o professor questionou novamente se o frasco estava cheio. Os alunos responderam-lhe com um sim retumbante.

O professor em seguida adicionou duas chávenas de café ao conteúdo do frasco e preencheu todos os espaços vazios entre a areia. Os estudantes riram-se nesta ocasião. Quando os risos terminaram, o professor comentou:

"Quero que percebam que este frasco é a vida. As bolas de golfe são as coisas importantes, a família, os filhos, a saúde, a alegria, as amigas, as coisas que vos apaixonam. São coisas que mesmo que perdêssemos tudo o resto, a nossa vida ainda estaria cheia. Os fósforos são outras coisas importantes, como o trabalho, a casa, o carro etc. A areia é tudo o resto, as pequenas coisas. Se primeiro colocamos a areia no frasco, não haverá espaço para os fósforos, nem para as bolas de golfe. O mesmo ocorre com a vida. Se gastamos todo o nosso tempo e energia nas coisas pequenas, nunca teremos lugar para as coisas que realmente são importantes. Presta atenção às coisas que realmente importam. Estabelece as tuas prioridades, e o resto é só areia".

Um dos estudantes levantou a mão e perguntou: "Então e o que representa o café?"
O professor sorriu e disse: "Ainda bem que perguntas! Isso é só para lhes mostrar que por mais ocupada que a vossa vida possa parecer, sempre há lugar para tomar um café com um amigo".

Quando as coisas da vida vos parecerem demasiadas, lembrem-se deste exemplo do frasco, porque vale sempre a pena parar e pensar um pouco nestas palavras...

sexta-feira, maio 16, 2008

Duffy... Have Mercy!

Três… um número de sorte, um número vulgar, ou então aquele número que representa o número de semanas em que Mercy se encontra no nº1 da tabela de singles no Reino Unido. Desta vez, o blogue tem que obrigatoriamente ter um post especial sobre a menina Duffy.

Mercy entrou para o nº1 sem ter sido editado em suporte de cd, o que é um outro efeito histórico a adicionar ao facto que em 25 anos nenhuma cantora galesa tinha sido capaz de fazer o mesmo. Rockferry é o título do álbum , e que se espera que acompanhe o sucesso deste single que nos reporta para outros tempos, outras viagens, outros momentos.

Duffy é oriunda do País de Gales, e tem 23 anos, mas um pujança única e muito forte o que, mais uma vez, dá para dizer que a idade é apenas um número. É verdade que Duffy canta, encanta e dá-nos aqueles momentos únicos ao som da sua voz peculiar e genuína! Um arrepio único e fantasticamente perfeito de uma das mais recentes e mais interessantes revelações de 2008...
Até lá, deixo-vos aqui a letra da música "Mercy"

I love you
but I gotta stay true
my morals got me on my knees
Im begging please stop playing games

I dont know what this is
cos you got me good
just like you knew you would

I dont know what you do
but you do it well
I'm under your spell

You got me begging you for mercy
why wont you relase me
you got me begging you for mercy
why wont you release me
I said release me

Now you think that I
will be something on the side
but you got to understand
that I need a man
who can take my hand yes I do

I dont know what this is
but you got me good
just like you knew you would

I dont know what you do
but you do it well
I'm under your spell

You got me begging you for mercy
why wont you relase me
you got me begging you for mercy
why wont you release me
I said you'd better release yeah yeah yeah

Im begging you for mercy
yes why wont you realse me
Im begging you for mercy

you got me begging
you got me begging
you got me begging

Mercy, why wont you realise me
Im begging you for mercy
why wont you release me

you got me begging you for mercy
Im begging you for mercy
Im begging you for mercy
Im begging you for mercy
Im begging you for mercy

Why wont you release me yeah yeah
break it down

quinta-feira, maio 15, 2008

Máscaras

Hoje fui visitar o Museu do Oriente, onde está uma interessante exposição sobre máscaras da Ásia. Fica uma imagem:

E em jeito de reflexão: atrás de que máscaras nos escondemos? Quantas máscaras temos? Gostamos do que vemos ao espelho?

quarta-feira, maio 14, 2008

Esclarecedor

Há uma velha piada de Belfast acerca do homem a quem mandaram parar num bloqueio de estrada e perguntaram qual a sua religião. Quando o homem disse que era ateu perguntaram-lhe: "Ateu protestante ou ateu católico?"

Christopher Hitchens, God is not Great

[lido aqui]

segunda-feira, maio 12, 2008

Coisas do arco do ego

Não sei que peça falta no Lego da minha curta (?), mas verdadeira, inexistência. Não nego o que desconheço, nem alego o que me despertence. Há, de incerteza, qualquer falha no esquema da minha desmontagem. Não fui sempre assim. Sinto-me incapaz de me imaginar assado, por falta de maneiras. Nem santo, nem animal de presépio e muito menos um rei magro. Ai, Jesus. Já fui menino!
Não me atolo no cimento, porque é dura a ecoexistência. Penso e pego no que me vai na inconsistência. Ergo, cogito e pum! Revejo-me mais no Egas monstro e menos no Moniz. Não busco qualquer tipo de prémio. Sinto o desapego de qualquer coisa. Comia uma bolacha.

Não sou fã das alturas, mas nunca me adego em copos baixos. O sangue - meu lado positivo - ainda corre tinto, como um rio. Conduzo desembriagado, contrário ao sentido das coisas, sem desatropelos e não agrafo ninguém contra a parede. Respeitando as bermas, apenas derrubo as placas depois das ervas e dos arbustos que se antecipam aos sinais (do tempo?). Lembro de, em nenhures, ter lido: “Bem-vindo a Moitas” e “Hospital 500m”. Enfim, são os atalhos para a morte dum paciente. Quem não sente tem o corpo dormente.
Sou um contribuinte incomum que declara, comodamente na Net e fora de prazo, os seus impostos e paga, a horas, as respectivas coimas. Evito as bichas e as pessoas das repartições, poupando as senhas de vez. Só de me lembrar da última, vez, que estive numa fila para o IRS, do senhor, com a senha nº 70, declarar a quem o não queria ouvir: - Aquela funcionária está há mais de uma hora com o 69! Sem comentários… Não há pernas que aguentem tantas demoras em pé.

Olhamos para a Política e para a Religião da mesma reforma. Não lhes revejo fronteiras: quase tudo se traduz em promessas e se resume a milagres. Dum lado, os que prometem futuros milagres e não cumprem. Do outro, os que cumprem promessas aos que no passado fizeram milagres. O crente é sempre o pagante. Por isso, apego-me ao futebol e pouco ligo à fé.
Quem não deve não treme.
As bolsas e os mercados não têm terras, fábricas e poços de petróleo, somente determinam o preço que pagamos para viver. Há um monopólio sem regras, onde crescem as ruas hipotecadas e praças vazias que ninguém compra. Se o diabo se lembra de cobrar os seus serviços vamos pagar ainda mais pelo pão. É previsível uma nova explosão demográfica de chineses – dos que não ganham pró arroz . Dirão xau-xau à terra que os viu comer e convertidos em comerciantes repovoarão, com lojas coloridas, as ruas de outros países. Cêntimos que não chegam para o petróleo. Barris de dólares inconvertidos para atestar a minha incapaz viatura. Não tarda, veremos anúncios para venda de carros usados, do tipo:
“Procuro dono com poder de compra”, “Gasto 100€ aos 100” , “Ano 2008. Impecável com 10 km”, etc.
Sete da manhã. A rua cheira-me a batatas fritas. O autocarro que vai para os Prazeres tem escrito: “movido a óleo Fula”. Ou estou fulo ou o pessoal anda mais frígido.

quarta-feira, abril 23, 2008

O meu "Pedaço" # 18

Sei o quanto doem as desilusões.
Não falo daquelas que existem no amor, e que fazem pender a balança uma vez para um lado, outra para o outro, até que um dia tudo se desmorone com um silêncio ensurdecedor.
Falo das relações de sangue, que deveriam perdurar toda a vida, que crescemos a acreditar que são sagradas, e imunes a todos os males.
Mas é mentira!!!
A vida corrói as relações entre adultos, porque as pessoas crescem de formas diferentes, e amadurecem muitas vezes com amargura, raiva, e frustração.
É triste, mas é verdade...
Tenho cada desilusão que a vida me trouxe cravada na pele como se fossem cicatrizes.

segunda-feira, abril 21, 2008

Pedaços de memória

Caminha por aí sem se importar muito com o que encontra. Apenas tentando repescar lembranças sumidas. Alguém lhe reavivara a memória sobre algo que possuira em tempos idos.

Aqui e ali vai reconhecendo uma letra, um parágrafo, uma palavra. Separadas surgem sem nexo, sem sentido, sem significado. Juntas constroem puzzles, ou nadas, ou tudos...

Sem caminhos pré-definidos, avança, recua, pára, vira...

Aqui e além vai tomando novas estradas, cruzando novas estações, ultrapassando novos precalços. Sem querer ou por querer, sei lá, estaciona nalgumas paragens porque algo lhe é familiar ou... porque a fazem sorrir.

Afinal, tudo na vida é uma cadeia e em tudo na vida há coisas que nos fazem rir e gente que nos obriga a sorrir. Uma delas são os amigos, bons ou menos bons porque alguns têm tanto de anjos como de demónios, reais ou não porque o sentimento pode ser forte sem corpo; mais ou menos anónimos, porque como eu ou tu podem não ter nome; mais ou menos coloridos porque como respondia alguém à pergunta “e tu não tens mesmo, mesmo, mesmo amizades coloridas?”:

Não. Já me posso ir embora? É que combinei um café com uma amiga...

E sem querer, a pouco e pouco, foi renascendo talvez porque há pessoas que “costumo ser um bom amigo com quem estar” e não se enganam, mesmo que tenham a mania de sonhar com dias de sonho em que não se levantam às 6:37h da manhã.

Ou simplesmente porque deixam tanto em nós que nem tentamos quantificar...

domingo, abril 20, 2008

Amy Winehouse

Simplesmente tou fã... aconselho a ouvir o album "Back to Black"...
Hoje apenas deixo aqui uma dica de uma das minhas músicas preferidas...
Love Is A Losing Game

For you I was a flame
Love is a losing game
Five story fire as you came
Love is a losing game

One I wish I never played
Oh what a mess we made
And now the final frame
Love is a losing game

Played out by the band
Love is a losing hand
More than I could stand
Love is a losing hand

Self professed... profound
Till the chips were down
...know you're a gambling man
Love is a losing hand

Though I'm rather blind
Love is a fate resigned
Memories mar my mind
Love is a fate resigned

Over futile odds
And laughed at by the gods
And now the final frame
Love is a losing game

sábado, abril 12, 2008

Silêncio


Pequenos pedaços de mágoa, de raiva e de ódio, sentimentos escondidos nas palavras, palavras que magoam, que num ápice nos rasgam a pele e nos apertam o coração. Tudo são palavras, apenas palavras…
Enormes pedaços de morte, de sufoco e desespero, sensações contidas no silêncio, esse teu silêncio profundo como as trevas que atravessam a minha alma, escuridão tremenda que me assola o coração e me faz desejar…
Desejar não acordar, respirar, abrir os olhos para a ténue luz que me entra no quarto.
Vivo nas sombras da memória, nos cantos escondidos do beijo, na ténue saudade das mãos vagueando perdidas no meu corpo. Perco-me nas recordações da voz do calor do abraço, nas lágrimas caídas no ombro.
Farto de viver nas ondas desta tua ausência, nas ondas deste teu terrível silêncio.
Tudo o que me resta de ti, tudo o que me resta de nós…

Silêncio…

Apenas silêncio

quarta-feira, abril 02, 2008

O Camponês e a Rapariga

Era uma vez um camponês de pensamentos simples e poucas posses que se apaixonou pela rapariga mais bonita da aldeia. Ela tinha tudo o que a ele lhe faltava: graça, inteligência, popularidade, brilho, mistério. Ela era bonita, ele igual a tantos outros. Ela era alegre e divertida, ele timido e metido consigo mesmo. Ela era fogosa e provocadora, ele mais parecia uma mosca morta. Ela tinha graça quando andava, ele parecia que tinha os sapatos pequenos para os pés. Ela brilhava, ele era fosco como uma lâmpada. Ela tinha a força do sol, ele a sombra da lua. Ela não gostava de ninguém e ele gostava dela.

Um dia, junto á fonte, declarou-lhe o seu amor e ela riu-se dele. Então ajoelhou-se aos seus pés e jurou-lhe amor eterno. Ela riu-se novamente e respondeu com escárnio e desprezo: amor eterno, isso não existe. Mas ele não desisitiu. Queria amá-la para sempre e estava disposto a honrar o seu amor por ela.

Então ela olhou para ele com mais atenção e pensou que até podia amar um dia aquele homem, tão igual a tantos outros, e lançou-lhe um desafio. Durante cem dias e cem noites ficarás debaixo da minha janela á minha espera. Faça chuva ou faça sol, caia neve ou trovoada, noite e dia, dia e noite. Cem dias e cem noites. Se aguentares tanto tempo, então é porque mereces o meu amor.
O camponês regressou a casa com o coração cheio de esperança. Cem dias era um preço baixo a pagar para ter a sua amada. O tempo iria voar, tinha a certeza.

No dia seguinte, fez um farnel e foi para debaixo da janela dela. Esperou que ela aparecesse e acenou-lhe quando a viu espreitar por entre as frestas das portadas. O mesmo aconteceu na segunda noite. E na terceira. E na quarta. E em todas as noites que se seguiram.
Todos os dias, a qualquer hora, lá estava ele, á espera de um sinal dela, para lhe mostrar que estava ali, de pedra e cal á espera de merecer o seu amor. Acabou o Verão. Chegou o frio. Depois a chuva. Depois a neve. E o camponês sempre perfilado como um soldado na parada, á espera que ela o espreitasse pelas portadas para lhe poder mostrar que estava ali, a cumprir o seu designio, a resgatar a sua promessa.

Nunca durante todos esses dias ela abriu a janela para o saudar. Nunca lhe abriu a porta e o convidou a entrar e descansar da sua vigilia. Nunca lhe ofereceu um sorriso, uma palavra de afecto, um instante de atenção.
Mas ele continuava lá, agora já cansado, enregelado pelo frio, ferido pela indiferença dela, desgastado pelo vento e pela chuva, faminto e triste, sentindo-se cada vez mais só...

Na nonagésima nona noite ele esperou mais uma vez por ela. E mais uma vez ela não apareceu. O camponês abanou a cabeça, sentou-se no passeio e chorou durante muito tempo. Tanto tempo que a noite passou e o dia começou a nascer.
Tantas horas de espera, tantos sonhos no seu coração, tanto amor para dar e afinal nada valera a pena. A rapariga continuava a ignorá-lo, a fazer troça do seu amor. Sentado no passeio, chorou e viu as suas lagrimas formarem um fio de água que ia ter ao rio, e este ai ter ao mar. Viu o seu amor diluir-se, sentiu que a sua paixão não era nada, comparada com outras paixões que moveram mundos, povos e montanhas. Era só mais um fio de água que corria para se juntar ao mar.

Foi então que o camponês percebeu. Percebeu que não era ele que não era digno do amor dela, ela é que não merecia o amor dele. Que tudo o que ele amava naquela rapariga era uma ilusão, não existia. Que o seu esforço só lhe tinha servido para aprender a conhecer-se e a aceitar-se melhor a si próprio. Era um homem livre.
E no dia seguinte, quando ela abriu a porta para se entregar a ele, rendida por tanto amor e paixão, ele tinha-se ido embora...


Texto e Imagem gentilmente cedidas por: Claudia Morais, a habitar no blogue " Ser ou não Ser"

Espero que gostem tanto quanto eu....

terça-feira, abril 01, 2008

O Meu Olhar Sobre o Mundo


E eu, e tu
Perdidos e sós
Amantes distantes
Que nunca caiam as pontes entre nós

fotografia: Å®t Øf £övë
música: Pontes Entre Nós

domingo, março 30, 2008

Persegue um sonho...



Persegue um sonho, mas não o deixes viver sozinho!
Deixa-te levar pelas vontades, mas não enlouqueças por elas!
Acelera os teus pensamentos, mas não permitas que eles te consumam!
Procura os teus caminhos, mas não magoes ninguém nessa procura.
Arrepende-te, volta atrás, pede perdão!
Não te acostumes com o que não te faz feliz,
Revolta-te quando julgares necessário.
Alaga o teu coração de esperanças, mas não deixes que ele se afogue nelas.
Se achares que precisas voltar, volta!

Se perceberes que precisas seguir, segue!
Se estiver tudo errado, começa de novo.
Se estiver tudo certo, continua.
Se sentires saudades, mata-as.
Se perderes um amor, não te percas!
Se o achares, segura-o!

Fernando Pessoa

sábado, março 29, 2008

Tempo ao tempo

Já há algum tempo que não escrevia nada aqui… espero não ser penalizado… :)
Por falar em tempo, vou falar de tempo. Mais precisamente das horas de verão.

Prefiro horas de verão. Dias grandes. Sol à noite. Boa disposição até tarde. Sorrisos até à noite.
Dias grandes. Dias positivos. Cheios de energia. Com mais vida.
Horas de inverno deprimem-me. Cortam-me. Só gosto dos primeiros dias. Depois cansam-me.
Verão é cor. Calor. Alegria.
Horas cheias. Horas quentes. Horas grandes. Horas vivas.

É rua. É sol. É esplanada. É mar.

São palavras feitas conversas. São conversas feitas sensações.
É dar tempo ao tempo. Livre.

Gosto das horas de verão.
Pronto!

sexta-feira, março 28, 2008

Memórias da Alma sem Luz

Tenta esquecer a percentagem de água que te compõe, apaga da alma o amontoado de pele e ossos que te estruturam. Guarda bem guardadas todas as memórias no recanto do bolso. Não penses, não chores, tenta afastar os medos. Não sussurres baixinho os segredos…
Viaja apenas com a tinta da alma e escreve… Descreve com mágoa ou carinho toda a composição lógica do ser, todas as dores, todos os males. Despeja agora os suspiros escondidos, as paixões mal revolvidas, a banalidade de uma viagem no parque.
Folha após folha, mágoa por mágoa, lágrima por lágrima, tenta transpor em papel a cor de tua alma…
Agora guarda, guarda em cada recanto de tua casa, em cada palha de teu ninho, guarda cada folha bem longe da alma, bem longe da vista, dia após dia, ano após ano…
Volta a pegar um dia, alguns anos depois, muitas memórias passadas, muita fome vivida, muita dor traída, volta a pegar em tuas memórias, em cada pedaço de alma estampada no papel.
Junta de novo todas as folhas, todas as tuas histórias e atira-as bem alto no ar, mil e uma memórias caídas do céu, sem tempo sem espaço e sem sentido, volta a pegar sem organizar, sem sequer olhar…
Lê de mente aberta, cada pedaço teu…
E descobre quem és, encontra a cor de tua alma, descobre quem realmente és…
Todos nós somos memórias, todos nós somos passado…


NunoSioux 2008 in: Memórias da Alma sem Luz

segunda-feira, março 17, 2008

Coragem

Não sou amarga, por mais que me contrariem o coração. Sou apreciadora de homens com sensibilidade, e com bom senso, embora normalmente o bom senso seja muito relativo...
Desde muito nova que me apaixono com facilidade, por isso decidi trocar o termo "paixão" por "fascínio", porque me fascino com tudo o que as pessoas têm para me mostrar, e com tudo o que lhes posso conquistar. Gosto desta luta, que por vezes se assemelha à improbabilidade de encontrar uma casa de banho limpa num festival de Verão.

Uma desta noites sentados na mesa de um bar, e com a vista mais bonita com que poderia sonhar como pano de fundo, ele por quem me sentia apaixonada, disse-me:
"É estranho, mas eu nunca me senti tão à vontade a falar com ninguém como contigo"
E eu perguntei: "E isso é bom, ou mau?"
Ele respondeu-me: "É assustador"
Depois dele me dizer isto a música do bar parou, e os empregados limparam os últimos copos. Então eu quase a cambalear levantei-me, fui até ao balcão, e ajudada por tudo o que tinha bebido e ouvido, dirigi-me ao barman e disse-lhe:
"Eu percebo que queiram todos ir para casa descansar, mas não parem a música, para não me pararem este momento"
Voltei à mesa dos copos vazios, de todas as palavras que ele ainda não me tinha dito, e de todas as confissões, e voltamos a ouvir a banda sonora da noite, que por acaso era péssima devo dizer, mas o que quer que fosse teria soado bem naquela noite.
Saímos do bar directos para o carro, de mão dada, e unidos pela paixão. Ele deixou-me em casa e fui dormir. Nunca mais estive com ele...!!!

Vejo-o muitas vezes, ele sorri-me a medo, e eu procuro nem olhar para ele. Quando estou acompanhada, ele arrisca em vir dar-me um beijo, porque sabe que assim não corre o perigo de eu o questionar. Vem com o seu ar "politicamente correcto" e pergunta-me: "Estás boa?". Depois afasta-se confiante, e com a sensação de ter cumprido o seu papel.
Deve pensar que eu acho que ele até é um gajo porreiro... e até acho, só que para mim um gajo porreiro é uma coisinha insuficiente, porque na minha avaliação, seja de uma queca, ou de um amor, a positiva só começa a partir da coragem.

Não percebo como ele pode ter sido tão cobarde, e há de certeza quem ache que eu deveria vingar-me dele, enxovalhá-lo, ou desprezá-lo num momento "politicamente correcto", mas eu nunca lhe faria uma coisa dessas, porque a vingança é uma motivação muito perigosa, por isso prefiro sorrir, sabendo que um dia ele vai lembrar-se de mim quando precisar de coragem.
A coragem só podia ser mesmo uma palavra feminina...

sexta-feira, março 14, 2008

Mais um pedaço...

Portal Liquido, Francisco Panachão


Estava a ouvir Maria João Pires a tocar e pensava… “Que raio, de facto, quando algo faz parte de nós, mesmo que só muito tarde seja descoberto, não há nada nem ninguém que nos faça separar daquela sensação”. Isto, porque pensando com os meus botões, tinha a impressão de que nem escrever conseguia, pelo menos, não como antes. Só que, associado ao piano que estava a ouvir surgiu o pensamento: “Se já soubeste tocar piano alguma vez na tua vida, o escrever não é mais do que isso mesmo. Escreve como se tocasses piano!”.

Estranho… mas o que é certo é que enquanto escrevo através de um teclado, estou a usar as mãos da mesma forma que usaria para tocar…

Vi há dias um filme que já aqui foi falado (“A Estranha em mim”).
Já muita coisa mexeu comigo e este foi mais um dos filmes que na verdade, tocou fundo!
Para além de uma interpretação genial, o filme trata de um assunto deveras subjectivo mas muito importante. Até que ponto conhecemos os nossos limites?
Lembro-me de numa determinada aula um professor nos ter dito: “A linha que separa o normal do patológico, é somente um fio de cabelo!”. Esta frase em determinado contexto faz todo o sentido, mas se fizermos uma analogia para os limites que acima falo, estamos perante a mesma situação…

Só experimentamos determinadas sensações/sentimentos se formos expostos a factos que nos determinem essa direcção. Enquanto tal não acontece, podemos fazer uma ideia, mas… muito ténue. Todavia, se algo nos obrigar a ter que chegar ao nosso limite, é como se passássemos uma película de água, da qual nem nos apercebemos.

Lembro-me de algures no mesmo filme, ouvir uma frase idêntica a esta: “ Uma estranha é o que és agora e… já não há regresso!”.

Recordo a frase de Albert Einstein, muito usada por uma grande amigo que já não se encontra entre nós - “A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original”.

Não é fácil depararmo-nos com o estranho que há em nós, mas uma vez encontrado, seja de que forma for, não há regresso possível ao que antes éramos. Passamos a existir de uma forma diferente, modificamo-nos e, talvez essa seja a nossa forma de evolução…

sexta-feira, março 07, 2008

Pedaços de mim

Às vezes é dificil prosseguir... Parece que tudo é contra... Parece que o céu desaba... Parece que ninguém entende e tudo conspira...

Às vezes a saudade aperta... Às vezes não se pode explicar... Ou não se consegue...

Às vezes não lembramos e ficamos confusos... Às vezes não compreendemos... Ou não queremos...

Como é que explico que te recordo. Que te sinto. Que te oiço.

Como lhes explico que durante aqueles dias e todas aquelas noites nos mantivemos abraçados... E que isso fez aquelas máquinas não pararem.

Às vezes é possível sentir mesmo quem não está. Às vezes o beijo é tão longo que não acaba.

Às vezes o amor é tão forte que se torna eterno. E eu sei que partiste mas ficaste em mim.

Como explicar que eu sei. Eu também sei tal como eles, mas como posso dizer-lhes... se não quero...

sábado, fevereiro 23, 2008

O Meu Olhar Sobre o Mundo

Fui descansar "à sombra" da Serra da Lousã, um local magnífico... a serra, porque a cidade não é muito atractiva. A parte nova é desinteressante, e a zona antiga está praticamente abandonada, apesar dos inúmeros solares e palacetes que por lá existem.

Mas a Serra da Lousã tem algo de especial que ainda não sei bem o que é. Talvez sejam as maravilhosas e exuberantes paisagens, algumas de cortar a respiração pela sua beleza e magnitude... ou talvez tenha sido a companhia.
O que de melhor a Lousã nos oferece é o seu espaço natural... a serra, com as suas aldeias serranas com casas de xisto... lindas, onde os sentidos despertam, e em que dá vontade de conhecer todos os seus recantos. Um bom local para quem quiser viver longe de tudo, apenas rodeado pelo silêncio, pelos veados, javalis, e milhafres.

Ao falar da Serra da Lousã não me posso esquecer de falar no Castelo de Arouce, situado no topo de um outeiro, e que se assemelha à quilha de um navio.
A Serra da Lousã é um local especial, quase mágico. Adorei lá estar, porque me ajudou a hierarquizar as prioridades da vida, e faz-me perceber e acreditar que a simplicidade nos torna mais humanos, porque nos faz sentir que ser diferente num mundo igual, faz de nós pessoas tão especiais, únicas, e belas.
A Serra da Lousã tem este encanto: o de despertar em nós sentidos...

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

:)

Há monstros assim. Feios, maus e estúpidos.

Há momentos assim. Felizes, eufóricos, hilariantes.

Às vezes há milagres que acontecem.

Às vezes há monstros que se vencem.


Há lugares que marcam a memória.

Há gente gravada na recordação.

Há pedaços que nos mantém vivos.

Há vitórias que se aguardam, se desejam, se alcançam.

E sabem tão bem!

(Beijo. Obrigada. Até já)

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Palavras para quê???

Normalmente no Pedaços de Nós, gosto sempre de mencionar uma música (a que estou a ouvir no momento), pois acho que é uma maneira simples de deixar um pedaço de mim...
Esta música ouvi-a pela 1ª vez na semana passada, mas depois de ouvir todo o álbum simplesmente amei... até porque desconhecia a cantora em questão... aconselho...

Leona Lewis - Bleeding Love

Closed off from love
I didn't need the pain
Once or twice was enough
And it was all in vain
Time starts to pass
Before you know it you're frozen

But something happened
For the very first time with you
My heart melts into the ground
Found something true
And everyone's looking round
Thinking I'm going crazy

But I don't care what they say
I'm in love with you
They try to pull me away
But they don't know the truth
My heart's crippled by the vein
That I keep on closing
You cut me open and I

Keep bleeding
Keep, keep bleeding love
I keep bleeding
I keep, keep bleeding love
Keep bleeding
Keep, keep bleeding love
You cut me open

Trying hard not to hear
But they talk so loud
Their piercing sounds fill my ears
Try to fill me with doubt
Yet I know that the goal
Is to keep me from falling

But nothing's greater
Than the rush that comes with your embrace
And in this world of loneliness
I see your face
Yet everyone around me
Thinks that I'm going crazy, maybe, maybe

And it's draining all of me
Oh they find it hard to believe
I'll be wearing these scars
For everyone to see

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Valentine's Day

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sexta-feira, fevereiro 01, 2008

O meu "Pedaço" # 17

E se houvesse um medicamento que depois de tomado nos fizesse esquecer a pessoa que amamos?
As farmácias seriam invadidas de gente à sua procura.
E se existisse uma operação que nos removesse a parte da memória que nos faz lembrar esse mesmo alguém?
As listas de espera para essa cirurgia ficariam enormes.
Mas não existe... não há... não se vende... nem se opera...

Então pode-se esquecer?
Pode... digo eu... usando a técnica vulgarmente chamada de "fogo contra fogo", que consiste em lançar outro fogo na direcção do que vem a arder.
O que há a fazer é queimar o que ainda houver de bom, e fazer com que as coisas que estejam associadas à pessoa que queríamos, não nos pareçam assim tão agradáveis. Aqui o grande problema pode ser o vento reacender as chamas.

E o que poderá ser esse vento?
Pode ser uma chamada dela - Há que não atender o telefone.
Pode ser uma vontade de lhe ligarmos nós - Apague-se já o número.
Pode ser uma fotografia dela ainda guardada, ou uma carta que imbecilmente relemos, ou quem sabe aceitarmos um convite para um café em casa dela... Bem, mas isto já não seria bem vento, mas possivelmente um tornado.

Portanto, voltando à técnica do "fogo contra fogo", o mais importante é queimarmos tudo à volta sem usarmos um único fósforo, e assim, extinguirmos o pouco que ainda pudesse existir, não permitindo recaídas, que sabemos que só iriam adiar o inevitável.