quinta-feira, janeiro 31, 2008

O nexo e a verdade

Há um princípio e um fim em tudo o que se torna premente. Que sentido teria a vida, sem nexo? Cada um dá-lhe a direcção e a força que os seus próprios cavalos aguentam. Prego a fundo porque assim se faz gente.
A necessidade faz eclodir o engenho e a ocasião faz explodir o sujeito. Não há máquina sem sonho subjacente, nem solução sem problema adjacente. Sonhar, anima a malta. Acreditar, é o que faz falta. Recordar Gedeão.
Dar de vencida a paixão pela coisa, não valoriza os sentidos - que o disse Leonardo.
O génio é incipiente, o louco é vidente e herói é o agente.
Para tudo existe um meio: a virtude. Mora numa casa a que todos chamam sua mas poucos a pernoitam. Somos virtuosos nas obras desfeitas. Tudo malta porreira. Prato cuspido é prato servido. Cuidemos da obra feita. Valha-nos Deus!
Em todas as coisas há causas que motivam os homens e as mulheres crentes. A fé alimenta o espírito, dedicado e indissolúvel, nas contendas do fala só ou ao cardume de Vieira.
Opulentos espíritos enfardam os magros proveitos dos que não vingam. Barrigas ocas e cabeças boas, não combinam – excepção a Teresa. Uma migalha de pão faz milagres. Justifica-se Sudão?
Na Geografia, somos: “inos”, “eiros”, “eses”, “itas”, ”avos” e “anos”. No Mundo, fazemos de: pequeninos, estrangeiros, fregueses, eruditas, parvos e humanos.
Na Sociedade, parecemos: rabinos, forasteiros, malteses, parasitas, cravos e ciganos.
Na Vida, queremos ser: peregrinos, herdeiros, burgueses, alvos e mundanos.
O que nos motiva é o que nos consome. Falha a sensatez numa casa farta e quebra a lucidez num homem com fome.
O prato cheio não é tudo e vazio não é nada. Nem só por pão morre o Homem. Só a razão é eterna paixão.
A verdade é uma inacabada manta rota de retalhos. Devia ser escrita e subscrita, conjuntamente, por todos aqueles que a: procuraram e a encontraram, ouviram e a contaram, hesitaram e não desistiram, lutaram e tombaram, venceram e convenceram e por nós (que confiamos neles e a aceitamos passiva ou activamente). Somos dela merecedores, não do castigo. Conhecemos o ABC dos tempos mas muito pouco de Z. Oramos a Alá, rezamos a Deus ou somos ateus. E seguimos Buda e apostulamos Cristo e lemos Gandhi e acreditamos nos homens e não somos fariseus.
O que nos fascina é atravessar o denso nevoeiro que envolve o sonho. Esperamos Sebastião?
Perante o Inferno, optemos por Dante. Andamos confusos?

(são 6:30h, vou aquecer chá de cidreira e fazer uma torrada com mel. Volto já.)
______
Pedro Arunca
2008-01-31

quinta-feira, janeiro 24, 2008

A nossa casa

Todos nós recebemos sempre alguém em nossa casa, por educação, ou costume, mostramos todas as divisões da mesma, explicamos o que escolhemos, as vantagens, o que vamos modificar e até estamos abertos a sugestões decorativas. Alguns dirão: é o minimo a fazer, para que o nosso convidado, alguém que estimamos, ou importante para nós se sinta minimamente confortável nos nossos aposentos.
Transporto tudo isso para a nossa vida, sim, as relações... tudo bem mais simples na apresentação da "nossa casa", a nossa pessoa.
Aqui é a minha divisão preferida, gosto de futebol, não perco um jogo, e se possível com algumas cervejas e os meu melhores amigos. Vês! Está justificado o ecrã gigante e o frigorifico cheio de minis...
Está é a divisão onde mostro o meu lado mais terno e sensível para contigo, pois... é o quarto, e por aí fora.
Mostrar a quem nos visita o que na realidade ela vê, bem como a explicação sobre o mesmo. Não sei se tal evitaria problemas ou discussões, mas estou convencido, na minha humilde opinião, que iria evitar a velha e esgotada expressão... Como tu me enganas-te...

quarta-feira, janeiro 16, 2008

O Meu Olhar Sobre o Mundo

África é um Continente de contrastes, e se queremos conhecer uma cidade desenvolvida, e ao mesmo tempo cheia de contrastes, então Marrakech é essa cidade.

Tudo é possível em Marrakech, e tudo existe em Marrakech... desde cobras na praça central, aos condutores dos "petit Taxis", passando pela Medina... tudo é incrível, e impossível de esquecer.
Marrakech é uma cidade que nos fascina por tudo... pelas cores, pelos sabores, pelos odores, pelo povo, pelos sons, pelos contrastes, pelo exotismo, pela arquitectura, e principalmente pelo branco da neve que paira por esta altura do ano no pico das Montanhas do Alto Atlas.

Estas Montanhas têm uma beleza bem característica, porque estão sempre com neve no topo seja Verão ou Inverno. E é tão bom atravessá-las rumo ao Sul...

terça-feira, janeiro 15, 2008

Cão Natal

Nas minhas férias de Natal na Madeira, tive o privilégio de ver isto no Funchal:



Infelizmente, minutos depois o cão envolveu-se com outro cão, e quase que ninguém os separava. Mas essa parte não registei.

Será exploração canina (no vídeo não se percebe, mas o dono bate as palmas e diz "vamos!", e o cão levanta-se agarra o cesto e vai...), mas está genialmente criativo.

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Tudo que eu aprendi na vida…

Porque este é um espaço de partilha, onde deixamos bocadinhos de nós. Porque este é um espaço que me é querido por diversas razões. E porque não sei quando, como ou se, aqui poderei voltar, decidi hoje deixar registadas as palavras que me acompanham há anos, oferecidas por um amigo que espero encontrar de novo um dia qualquer...


"Eu aprendi:
Que não posso exigir o amor de ninguém,
posso apenas dar boas razões para que gostem de mim
e ter paciência para que a vida faça o resto;
Que não importa o quanto certas coisas
são importantes para mim, tem gente que não dá
a mínima e jamais conseguirei convencê-las que posso
passar anos construindo uma verdade
e destrui-la em apenas alguns segundos.

Eu aprendi:
Que posso fazer algo em um minuto e ter que responder
por isso o resto da minha vida;
Que por mais que você corte o pão em fatias,
esse pão continua tendo duas faces,
e o mesmo vale para tudo o que cortamos de nosso caminho.

Eu aprendi:
Que vai demorar muito para me transformar
na pessoa que quero ser, e devo ter paciência;
que posso nunca chegar a ser ou simplesmente não ter tempo;
ou posso acabar por sê-lo sem sequer dar por isso;
Que posso ir além dos limites que eu próprio coloquei;
Que eu preciso escolher entre controlar meus pensamentos
ou ser controlada por eles.

Eu aprendi:
Que os heróis são pessoas que fazem o que acham
que devem fazer naquele momento,
independentemente do medo que sentem;
Que perdoar exige muita prática; condenar é mais fácil !
Que há muita gente que gosta de mim,
mas que muitos não conseguem expressar isso,
ou fui eu que nem reparei.

Eu aprendi:
Que em momentos mais difíceis, a ajuda veio
justamente daquela pessoa que eu achava
que iria tentar piorar a minha vida;
e que a outra que eu esperava que estivesse nem apareceu.
Que eu posso ficar furioso, tenho o direito de me irritar,
mas não tenho o direito de ser cruel.
Que é difícil traçar uma linha entre ser gentil,
não ferir pessoas, e saber lutar pelas coisas que acredita.

Eu aprendi:
Que a palavra amor perde o sentido, quando usada sem critério;
Que certas pessoas vão embora de qualquer maneira;
quer você queira ou não;
Que minha existência pode mudar para sempre em poucas horas,
por causa de gente que nunca vi antes.

Eu aprendi:
Que meu melhor amigo vai me magoar de vez em quando,
que eu tenho que me acostumar com isso;
e que aquela pessoa que eu mais amo ainda me vai magoar mais,
e eu a ela e posso nem perceber porquê.
Que não é bastante ser perdoado pelos outros,
eu preciso me perdoar primeiro;
Que, não importa o quanto meu coração esteja sofrendo,
o mundo não vai parar por causa disso.

Eu aprendi:
Que por mais que eu queira proteger meus filhos,
eles vão se machucar e eu também serei magoada,
isso faz parte da vida;
Que jamais posso dizer a uma criança que seus sonhos são impossíveis.
Será uma tragédia para o mundo se eu conseguir convencê-la disso;
e uma tragédia ainda maior se eu própria me convencer disso junto com ela.

Eu aprendi:
Que as circunstâncias de minha infância são responsáveis
pelo que eu sou, mas não pelas escolhas que eu fiz quando adulto
Que numa briga, eu preciso escolher de que lado estou,
mesmo quando não quero me envolver.
Que, quando duas pessoas discutem não significa que elas se odeiem.
E quando duas pessoas não discutem
não significa que elas se amem.

Eu aprendi:
Que conhecimento e saber nos tornam mais ricos;
E que a vida nos ensina mais que qualquer livro;
Que ensinando o que sei, aprendo;
Que diplomas na parede não me fazem mais respeitável ou mais sábio.

Eu aprendi:
Que pesadelos quando dormimos têm remédio;
mas sonhar acordado é perigoso.
Que o passado deve ser recordado mas não desejado;
Que o futuro é uma incógnita;
Que o presente existe para ser vivido intensamente
um dia de cada vez!
Que nós nascemos, vivemos e morremos,
um dia qualquer,
porque essa é a ordem natural!"


E por tudo o que aprendi neste espaço… obrigada!

Até sempre…


sexta-feira, janeiro 11, 2008

Real Life by AYO

Olá amigas e amigos , como aqui partilhamos um pouco das nossas vidas, aqui fica uma sugestão musical de uma cantora que eu adoro, AYO



Some people say that I'm to open they say it's not good to let them no everything about me and they say one day they will use every little things against me but I don't mind maybe they're right that's just how it is and I got nothing to hide.

I live my life the way I want I got nothing to hide nothing at all life is not a fairy tale life is about more cause life is real.
I live my life the way I want I got nothing to hide nothing at all life is not a fairy tale life they should know that life is real.

A friend of mine gave me an advice he saiybe careful and think twice before you talk about your life protect yourself just keep quiet the more they know the harder they try to spoil your ways to spread lies and even though I know he could be right I just said I...

Me I be ayo ogunmakin fear no foe I am real from head to toe just like my heart and my soul.
Me I be ayo ogunmakin fear no foe I am real from head to toe like life is real and you should know.

domingo, janeiro 06, 2008

"a night to remember"

Gosto de utilizar "my own words", mas às vezes há músicas que falam por mim, e em que sinto que não lhes preciso de acrescentar nem mais uma palavra...
É o caso desta música... "Let's make a night to remember".
A minha noite de Passagem de Ano foi inesquecível, e espero que todos vocês também tenham conseguido fazer da vossa noite "a night to remember", e que a consigam prolongar ao longo de todo o ano de 2008.



Eu gosto do teu jeito esta noite, com o teu cabelo solto pela altura dos teus ombros.
Eu gosto do teu jeito de dançar aquele doce tango lento... o jeito como queres fazer tudo, excepto falar.
E como me encaras com esses olhos de "tira a minha roupa"...
E a tua respiração no meu corpo, deixa-me quente por dentro

Vamos fazer amor, vamos fazer algo incrível, vamos fazer algo sem parar.
Porque eu nunca toquei alguém do jeito que toco o teu corpo.
Agora eu nunca mais te irei deixar ir embora.

Vamos fazer uma noite, inesquecível, de Janeiro até Dezembro.
Vamos fazer amor para nos animar, uma lembrança para nos inflamar.
Vamos fazer mel... macio e delicado.
Vamos fazer açúcar... doce redenção.
Vamos fazer uma noite inesquecível para a vida inteira.

Eu gosto do jeito que tens de te mover esta noite. Gotas de suor a escorrer da tua pele. Eu deitado aqui, e tu deitada aí, e as nossas sombras na parede, e as nossas mãos em todo o lugar.

Eu penso em ti o tempo todo.
Será que não vês como que me deixas louco?
Bom, eu nunca mais me vou segurar outra vez.
Eu não quero que esta noite termine, porque eu nunca toquei alguém do jeito que toco o teu corpo.
Agora eu nunca mais te irei deixar ir embora.

sábado, janeiro 05, 2008

Concerto















Toca-me...

Escuta cada som que sai do meu corpo
Sente em cada pedaço de pele um ritmo
Faz de cada músculo uma tecla de piano
De cada nervo uma corda de guitarra
E deixa-me sentir a melodia que escolhes

Toca alto e forte, se o desejo te ataca
Toca baixinho e suave, se o carinho te move

Mas toca...

Toca-me...

Compõe a tua música no meu corpo
Escreve a tua canção dentro de mim
Inventa e reinventa a nossa orquestra
Faz desta cama o teu palco
E guarda na carne as pautas deste concerto

Toca sem pressa, se a noite for longa
Toca com alma, se o tempo deixar

Mas toca...

Toca-me...

sexta-feira, janeiro 04, 2008

A Revolução



Passamos demasiado suspirando por direitos, liberdade, revoluções.
De uma forma ou de outra, em cada um de nós vive uma convicção, respira uma ideia. Vivemos nossas vidas, praguejando, pensando nas coisas, que algo ou alguém podiam fazer por nós, podiam fazer mais por mim, podiam fazer mais por ti…
Toda a mente produz esperança, todos nós um dia acabamos por dormir com a convicção de uma mudança global, todos nós esperamos a revolução.

Todos queremos, um Mundo mais justo, mais voz, mais palavra.
Julgamo-nos por vezes capazes de mudar o mundo, alterar mentalidades. Sentimo-nos senhores da razão, donos da ideia que um dia, talvez um dia vai mudar o Mundo…

Esquecemo-nos contudo, que toda a grande mudança, toda a grande ideia revolucionária, começa em cada um de nós…
Queremos mudar o Mundo, mudar as cores da vida, esquecemo-nos de mudar a alma, rever as palavras, lavar o coração… Como podemos mudar toda uma ideologia se o que nos move, é o ódio, é o medo que nos faz correr…

Antes de içar a bandeira da revolução, iça primeiro a bandeira do perdão, do reconhecimento e acima de tudo…

Acima de tudo…

Iça primeiro o amor.

Lava a alma de preconceitos, falsas esperanças, limpa as mágoas passadas e sorri…

Sorri…

Que a vida te sorrirá de volta…

Mas nunca te esqueças de lutar, por aquilo que amas, por aquilo que queres e por aquilo em que acreditas…

O que é acreditar afinal?

Love u all


Ps: Que em 2008 surja finalmente a revolução...
A revolução das mentalidades e dos preconceitos!!!

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Feliz 2008

Um grande e feliz 2008 para todos

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Dia da Vassoura


Sem ressaca da comprida noite, estou de volta ao teclado para compor algumas palavras que me traduzam neste dia primeiro.
Conferindo as minhas contas, para apurar o saldo de 2007, noto que parte delas estiveram paradas o ano inteiro. Foram abertas, há não sei quanto tempo e com que capital, e não são movimentadas por nenhum dos titulares. Nem me darei ao trabalho de saber se algumas têm saldo de jeito vou, simplesmente, encerrá-las e apagá-las dos meus registos.
Sou obrigado e estou determinado a simplificar a minha vida, em todos os sentidos. Vou fazer o balanço e análise das minhas contas com: despesas, relações, tempo, ocupações, interesses, hábitos, costumes, consumos e coisas. Vou instaurar, definitivamente, o meu "Dia da Vassoura" para a limpeza geral.
O "Dia da Vassoura" (marcado à toa) foi, durante muito tempo, o meu grito de guerra à limpeza de casa. Nesse dia, muitas das coisas que ganhavam pó - excepto as garrafas de tinto velho -, bolor, ferrugem, "verdete", incomodavam a vista ou que nunca eram utilizadas iam direitinhas ao contentor do lixo ou, se alguém lhe visse utilidade, a outro lar.
Finalmente, o Dia da Vassoura vai ter data certa e ser aplicado em muito mais coisas, para além da casa.
Darei atenção aos "manuais do utilizador", "prazos de validade", prazos de utilidade, frequência de utilização, data da última utilização, grau de utilidade, sinais de inutilidade, funcionalidade, actualidade, espaço de ocupação, rentabilidade, consumo de energia, índice de poluição, grau de satisfação, etc.
Espero, sinceramente, não criar um deserto à minha volta. Quanto à data, vou fazer umas pesquisas nas minhas antigas agendas e pela Net e cá voltarei.

terça-feira, janeiro 01, 2008

Um beijo para as meninas e um abraço para os meninos


segunda-feira, dezembro 31, 2007

Novo 2008

Todos sabemos que a passagem de 31 de Dezembro para 1 de Janeiro mais não é que uma data de calendário que surge como forma de organização social. Contudo, se extrapolarmos para a vida, esta passagem não deixa de ter uma simbologia marcante.

Foram dias, semanas, meses da nossa existência que se passaram, experiências boas, más, conhecimentos que adquirimos, amizades que foram feitas, separações igualmente, enfim, uma panóplia de vicissitudes que só acontecem a quem está vivo e interage.

O que de bom aconteceu, tendemos a guardar dentro de nós pintado dos mais variados tons de azul, rosa, amarelo e até branco. O restante pensamos esquecer... no mais escuro de nós mesmos! Assim, à entrada de um novo ano as expectativas renovam-se. É tempo de olhar o horizonte e desejar que algo de dourado surja envolto em todas as colorações claras e ténues. Poderá ser, poderá não ser... mas, a esperança é aquilo a que nos agarramos a bem de nós próprios.

Assim, desejo a todos os pedaçinhos que me acompanham neste canto de partilha, um 2008 envolto em cores brilhantes. Ou seja, que este novo ano vos traga muito daquilo que cada um de vós ambiciona!

Mirando el horizonte, óleo sobre tela, Leonor Maass

domingo, dezembro 30, 2007

Quando um se vai, um outro vem

Sentiu-se triunfante ao chegar. Eufórico, louco, barulhento. Por entre as luzes da ribalta caminhou glorioso até ao pódio.

Jovem ainda, cheio de sonhos, esperanças, projectos.


Ao longo da sua existência chorou, resmungou, blasfemou. Escalou montanhas nunca antes pisadas. Colheu frutos nunca antes saboreados. Percorreu caminhos nunca antes trilhados. Proferiu palavras nunca antes murmuradas. Amou enquanto viveu. E que vida!! Amou no corpo de mulher, nos braços de homem, nos beijos sensuais de cada ser. À luz do dia, na penumbra da noite, na brincadeira de crianças, na solidão de anciãos, nas hormonas de adolescentes, no riso, na dor, na paz e na guerra.

Agora, ali estava, parado, silencioso, meditativo. Percorrendo a memória da sua vida fugaz. Fazendo balanços do seu breve percurso.

Cansado. Extenuado.

Moribundo.

E nem lamentava o seu fim. Bastava-lhe saber que vivera.


Outro o substituiria. Nasceria, como ele, escondendo a insegurança, o tremor, o medo, a dúvida, mas igualmente triunfante, eufórico, louco e barulhento. Disposto a conquistar homens e mulheres. A amá-los em cada gesto, em cada beijo, em cada som, em cada odor. Ciente que, como ele, seria amado e odiado e um dia, como ele, também pereceria velho e cansado, para dar lugar a outro.


Olhou-se uma vez mais no espelho, na ansiedade de se vislumbrar. Mas a sua imagem enevoada, esvaia-se sob a luminosidade intensa daqueles círculos unidos formando um só, como homem e mulher quando se amam e já só teve tempo de sussurrar “oito…” Sucumbiu por entre a última badalada, as luzes, o fogo, o som da rolha a separar-se do gargalo, os abraços, a música, as gargalhadas e as boas-vindas a uma vida que já não é sua. No espelho já não se lia sete mas um poderoso, imponente, majestoso recém-nascido oito… “Boa sorte 2008”



DESEJO-VOS UM EXCELENTE 2008


sábado, dezembro 22, 2007

Porque Natal é quando o Homem quiser

“Sentou-se calmamente à lareira, ouvindo a melodia de Natal que ecoava pela sala, tempos a tempos interrompida pelas exclamações de alegria do puto do andar vizinho. Na árvore as luzes brilhavam cintilantes. Junto a ela as prendas intocáveis. Na mesa uma vela acesa…

Cada qual em seu cestinho as duas gatas fitavam-na como que a interrogar “que se passa? Enganaste-te na data?”

E ela silenciosamente a responder-lhes “Não dizem todos que o Natal é quando o Homem quer? Pois então, este ano o Natal desta casa será amanhã, quando o teu jovem dono chegar!”

Sorriu…

Em tantos anos de vida, nunca imaginara um dia mudar o Dia de Natal. E porque não?! Valia a pena.

Valeu a pena!”



O Orlando já enfeitou a Árvore de Natal, a mim resta-me desejar a toda a família do "Pedaços"...


FELIZ NATAL


(Comentários são no post aí em baixo que vale a pena ler)

domingo, dezembro 16, 2007

O Natal bate

Uma indecência! Estamos à porta do Natal e ainda não houve uma peça neste puzzle sobre isso... está mal! Abro as hostilidades.

Natal implica sempre prendas (não gosto da palavra presentes...). E quanto mais perto estamos da data, maior é a correria e menor é a escolha nas lojas. Por isso, desde o início de Dezembro que começo a pensar naquilo que vou oferecer (cada vez a menos pessoas...), e vou comprando. Este ano até começei a comprar uma prenda de Natal em Setembro!

Ao falar com várias pessoas sobre prendas, todas referem que gostam de dar coisas que tenham utilidade. Não rebato a ideia, mas se é uma prenda numa época assim especial tem de surpreender. E isso, quase sempre, implica inutilidade. Senão bastava oferecer um vale de supermercado.

A surpresa, o sorriso, vem do facto de a prenda ser inesperada, desconcertante. De ser uma surpresa! E isso também significa conhecer bem a quem se dá a prenda.

Pronto, talvez seja uma parvoice minha...
Se gostam tanto de utilidades... ofereçam-me um carrito, sff.

(se alguém souber como, vinha a calhar a canção "Santa Claus is coming to town"...)

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Argentina e Tango


Há dois meses estive na Argentina, foi um local que definitivamente me marcou, muito mesmo. O Tango, a Boémia, as pessoas, a bela Buenos Aires e Calafate (Glaciar Perito Moreno).
Marcou-me como nunca uma viagem me marcou. Por isso, partilho aqui um pouco com vocês esta foto, e este Tango que até tem uma mão Portuguesa.
Gracias Argentina

Una Música Brutal
Gotan Project


Descubrimos vos y yo (Tu e eu descobrimos )
En el triste carnaval (No triste carnaval)
Una música brutal (Uma música brutal)
Melodías de dolor (Melodias de dor)
Despertamos vos y yo (Tu e eu despertamos)
Y en el lento divagar (E no lento divagar)
Una música brutal (Uma música brutal)
Encendió nuestra pasión (Incendiou a nossa paixão)
Dame tu calor (Dá-me o teu calor)
Bébete mi amor (Bebe do meu amor)

domingo, dezembro 02, 2007

"Diz que até não é um mau blog"...!!!

A Litinha, que faz parte desta nossa família, atribuiu através do seu blogue "Life Feelings", o prémio "Diz que até não é um mau blog" ao "Pedaços de Nós" .
Achei uma certa piada a este efeito boomerang que ela deu a este prémio, porque ao atribui-lo ao "Pedaços de Nós", no fundo está também a premiar-se a si própria, por isso desde já lhe dou os Parabéns por este prémio.

Os boomerangs podem ser utilizados com as mais diversas finalidades, podem ter muitas formas e tamanhos dependendo da função que se lhes pretende dar, e quando jogados correctamente, retornam sempre ao seu ponto de origem. Tenho por isso a certeza que a Litinha ao "jogar" este boomerang teve como intenção mostrar a todos nós que ela sente este espaço, como um local onde ela própria encontra as suas origens e raízes neste mundo da blogosfera.
Por outro lado, muito mais do que se premiar a si própria, quer premiar-nos a todos nós que fazemos parte desta família. Estamos assim todos de Parabéns.

Esta família começou a construir-se há mais de dois anos, e desde lá muitas coisas na vida de todos nós aconteceram. Já houve quem mudasse de cidade, quem mudasse de país, quem mudasse de vida, quem mudasse de parceiro(a), quem mudasse de emprego, etc, etc... no entanto este espaço tem continuado aqui sempre connosco, e através dele temos feito inúmeras amizades.
Neste espaço há registos de alguns momentos tristes, e de muitos momentos felizes. Este nosso "diário virtual", está carregado de pedacinhos das nossas vidas, que servem como "registos vivos" de muito do que nos tem acontecido, ou em que acreditamos.

Ele tem sido um espelho de cada um de nós. Quando estamos bem, publicamos textos positivos, e quando estamos tristes, as nossas publicações são muito mais melancólicas. Aqui todos temos tido sempre a liberdade de nos expressarmos livremente, da maneira que cada um quer, sobre o que gosta, e quando deseja.
Ao contrário da vida real, aqui podemos ser nós mesmos, sem dificuldades, ou pudores... basta-nos querer. Podemos divagar, partilhar ideias, esperanças, insucessos, decepções, vitórias, e felicidades.

Será que a Litinha "Diz que até não é um mau blog" o "Pedaços de Nós", por alguns destes motivos?
E vocês? Também sentem o "Pedaços de Nós" como um local que se identifique com as vossas origens e raízes deste mundo blogosférico?

Bem, mas como o "Diz que até não é um mau blog" é um prémio criado pelo skynet, tem as suas próprias regras, que são as seguintes:

1- Este prémio deve ser atribuído aos blogs que consideras serem bons, entende-se como bom os blogs que costumas visitar regularmente e onde deixas comentários
2- Só e somente se recebeste o "Diz que até não é um mau blog", deves escrever um post:
- Indicando a pessoa que te deu o prémio com um link para o respectivo blog
- A tag do prémio
- As regras
- E a indicação de outros 7 blogs para receberem o prémio
3- Deves exibir orgulhosamente a tag do prémio no teu blog, de preferência com um link para o post em que falas dele.
4. (Opcional) Se quiseres fazer publicidade à criatura com demasiado tempo livre para gastar em parvoíces, e que teve a ideia de inventar este prémio, ou seja eu –
Skynet, podes fazê-lo no post que eu fico agradecido


Para não continuar com efeito boomerang criado pela Litinha, não irei atribuir o prémio a nenhum dos membros do "Pedaços de Nós", embora todos o merecessem, por isso os 7 que vou destinguir com o prémio "Diz que até não é um mau blog", são obviamente blogues de quem embora não pertencendo ao "Pedaços de Nós", nos vai seguindo com atenção e carinho, o que só por si já os faz merecer este destaque:

Alma de Pássaro ; As confissões de Margaret ; Demanda de sentido...

sexta-feira, novembro 30, 2007

Para todos os que estão apaixonados


quarta-feira, novembro 28, 2007

Há coisas fantásticas na Madeira!

Há alguns dias, Art of Love fez publicidade aos Açores. "Vingo-me" com duas fotos que tirei nas minhas férias na Madeira, num passeio pela levada rumo às 25 Fontes:



terça-feira, novembro 27, 2007

Like a desire to live

“Há muitos, muitos séculos atrás, vivia no cume da montanha um animal chamado Zilpe. Tinha tudo que precisava: água, comida, uma soberba paisagem envolvente e uma casa enorme, belissimamente decorada.

Zilpe passava os dias sem nada fazer. Tudo surgia nas suas mãos como um passo de magia que o entediava.
...
Há muitos, muitos séculos atrás, vivia no vale da montanha um animalzito chamado Alipe. Não tinha uma perna, faltava-lhe uma mão, vivia numa toca.

Alipe passava os dias admirando enfeitiçado, a queda-livre das folhas secas com que se alimentava, enquanto ouvia atento a melodia da água corrente do rio.
...
Vilpe vivia melancólicamente, entre o cume e o vale da montanha, invejando o mágico tédio de Zilpe e cobiçando o feitiço de Alipe.
...
Nilpe apenas queria ser um deles! Não importa qual! Um qualquer! Desde que pudesse viver! No cume, no vale, ou entre o cume e o vale da montanha...”

E eu... só queria saber explicar-te...

segunda-feira, novembro 26, 2007

O meu "Pedaço" # 16

Os hotéis fascinam-me por uma variedade de razões. Os hotéis são espaços de uma incrível intimidade, feitos para pessoas anónimas. Os quartos de hotel servem para dormir... gritar... tomar banho... ter sexo... começar relacionamentos... terminar relacionamentos...

No entanto cada vez que entramos num quarto de hotel sentimo-nos como se fossemos a primeira pessoa a lá estar, e não gostamos de encontrar qualquer vestígio de quem lá tenha estado instalado anteriormente. Parece que nos esquecemos que eles são limpos, e renovados cada 24 horas. Fascina-me como nós nos incorporamos num quarto de hotel, e como este se transforma no nosso refúgio.
Cada 24 horas num hotel funciona como se fosse uma vida, com princípio, meio, e fim. Fazemos de cada 24 horas o nosso percurso biológico de vida, o que de certa maneira é similar à nossa condição humana.

Enquanto estamos vivos, nós amamos... gritamos... rimos... dormimos... temos sexo... e por fim morremos. O mundo é limpo da nossa presença, o que na minha perspectiva faz com que o nosso tempo biológico seja breve... muito breve.
É como nos hotéis, em que tudo é relativo, breve, especifico... dura apenas 24 horas cada ciclo.

Os quartos de hotel, assim como os lobbies, os aeroportos, ou os edifícios de escritórios, são lugares feitos de neutralidade, e eu espero, e desejo não passar pela vida com a neutralidade com que sou capaz de passar por um lugar destes.
Quero passar pela vida deixando registros e mim... humanos... e emocionais, porque quer eu goste ou não, sou humano, por muito que às vezes pense, e tente ser um robô.

Será esta comparação demasiado excessiva?
Será que eu estou a desejar demasiado?

domingo, novembro 25, 2007

Coisas que eu sei...

Nos meus tempos de ócio, confesso que um dos meus passatempos favoritos é ver a telenovela... acreditem que esta é uma forma de deixar que o meu espirito vagueie pelo simples facto de estar a olhar para a televisão simplesmente pelo prazer de não pensar em nada e estar no meu canto... e como tal , a novela a que agora assisto, dá pelo nome de "Duas Caras", e para não variar chamou a minha atenção para a música que junto deixo a letra...

Coisas Que Eu Sei - Danni Carlos

Eu quero ficar perto de tudo que acho certo
Até o dia em que eu mudar de opinião
A minha experiência, meu pacto com a ciência
O meu conhecimento é minha distração

Coisas que eu sei
Eu adivinho sem ninguém ter me contado
Coisas que eu sei
O meu rádio relógio mostra o tempo errado
Aperte o 'Play'

Eu gosto do meu quarto, do meu desarrumado
Ninguém sabe mexer na minha confusão
É o meu ponto de vista, não aceito turistas
Meu mundo 'tá' fechado pra visitação

Coisas que eu sei
O medo mora perto das idéias loucas
Coisas que eu sei
Se eu for eu vou assim não vou trocar de roupa
É minha lei

Eu corto os meus dobrados
Acerto os meus pecados
Ninguém pergunta mais, depois que eu já paguei
Eu vejo o filme em pausas
Eu imagino casas
Depois eu já nem lembro do que eu desenhei

Coisas que eu sei
Não guardo mais agendas no meu celular
Coisas que eu sei
Eu compro aparelhos que eu não sei usar
Eu já comprei

Às vezes dá preguiça
Na areia movediça
Quanto mais eu mexo mais afundo em mim
Eu moro num cenário do lado imaginário
Eu entro e saio sempre quando 'tô' a fim

Coisas que eu sei
As noites ficam claras no raiar do dia
Coisas que eu sei
São coisas que antes eu somente não sabia
Coisas que eu sei
As noites ficam claras no raiar do dia
Coisas que eu sei
São coisas que antes eu somente não sabia

Agora eu sei
Agora eu sei
Agora eu sei

sábado, novembro 24, 2007

Partir


Por vezes, numa paragem qualquer, apetece-me partir e levar a saudade comigo. A saudade da paixão, dum colega, dum amigo e dum irmão. Teimo em ver raízes na terra solta onde só o cimento se funde. Confundem-me as luzes que ocultam as verdadeiras cores dos rostos e dos edifícios. Construímos paredes tão altas que apenas nos deixam ver a nossa própria sombra. Os que ficaram do nosso lado, por vezes, ignoramos e aos outros jamais esquecemos. Somos injustos.
Vejo, por mim e por outros que conheço, que gerimos mal: o tempo, os sentimentos e as relações. Somos tão obtusos. Não atingimos que, numa relação plena, devíamos optar por assumir uma atítude inversa e oposta à que adoptamos (alguns!) na condução: ignorar sinais e avisos e demorar o máximo de tempo a percorrer o caminho nos limites máximos da (nossa) velocidade. Confuso? Não! Sugestão: fazer marcha a trás, acender as luzes e voltar a engatar.
Acordo a meio da noite com ganas de sair e enfrentar a escuridão para melhor ver e entender o mundo. A luz ofusca e abafa, só o silêncio ilumina.
Que nos impede, num impulso impetuoso, de beijar e abraçar quem realmente nos agita, arrebate, confunde e baralha as horas e os dias?
Não é um lamento, apenas um momento em que sou, simultaneamente, juiz, réu e vítima de mim.

domingo, novembro 18, 2007

Os benefícios do leite...


sábado, novembro 17, 2007

A Estranha em Mim

Um filme que nos põe ao espelho de nós mesmos, daquilo que somos, do que ignoramos ser. Do estranho que mora dentro de cada um.
Os medos, as inseguranças, as fugas em frente, os ímpetos de coragem.
Nós e o mundo. A sociedade. O crime. As seguranças e inseguranças. A justiça e a injustiça.
Vale a pena ver. E olhar para o que está mais além.

quarta-feira, novembro 14, 2007

O Meu Olhar Sobre o Mundo

Os Açores deixa-nos a sensação brutal de deturpação dos sentidos.
Olhando para o horizonte, e para o céu muitas vezes marcado pelas nuvens pesadas, a primeira sensação com que se fica é de ausência, mas simultaneamente sentimos a possibilidade de encontrar ali um qualquer chamamento.

É quase impossível perceber o que provoca em nós um misto de nostalgia e irresistibilidade que nos deixa sem palavras. Não estou a falar da magnificência da paisagem, das cores, ou do bombardeamento dos sentidos.

Bem pelo contrário, porque as paisagens são relativamente monótonas, marcadas pelo verde e pelo castanho, às quais se juntam as variações que se extremam entre o amarelo e o cinzento, quase sempre marcadas pelo intenso filtro solar de luz a que as nuvens obrigam.

Se há coisas que se explicam melhor com os silêncios do que com as palavras, os Açores são um bom exemplo disso...

fotografias: Å®t Øf £övë
música: "Alma Mater"

terça-feira, novembro 13, 2007

Início de caminhada

Com esta caricatura, que encontrei algures, dou início à minha participação com uma pequena peça neste puzzle chamado "Pedaços de Nós"....

sexta-feira, novembro 09, 2007

Talvez... um dia...

Talvez... um dia...
Eu consiga deixar de amar.
Talvez... um dia...
Ao acordar, ao ver o nascer do dia,
Eu perceba que já nada aqui faço
Que já de nada quero saber
Que de ninguém preciso...

Talvez... um dia...
Só em mim eu consiga pensar,
Ser egoísta...
Como já tantas vezes me acusaram de ser
E aí...
Eu das pessoas me consiga desligar
Porque das coisas... eu já não preciso.

Nesse dia...
Se algum dia chegar...
Eu partirei... sem dor
Pois nada sentirei
Fria... gélida... serei
Sem amor...
Sem família...
Sem amigos...
Só eu... mais ninguém...

A partir desse dia...
Pelo mundo vaguearei
A relações fugazes me entregarei
Não me importando com sentimentos
Se magoo... se me magoarei...

Talvez... um dia...
Eu consiga ser
Narcisista, fria, calculista
De tal modo... a tal ponto...
Que a toda a dor resista
Que já nada me atinja.

Nesse dia...
Se algum dia chegar...
Serei, com toda a certeza... mais pobre...
Uma simples pedra com "vida"
Mas, não mais
Desiludida...
Mas, não mais
Ferida...
Mas, não mais
Culpada...
Pois deixarei de acreditar...
Na magia
No romantismo
Na cumplicidade
No amor
Na felicidade
Pois deixarei de acreditar... na VIDA.

Finalmente... um dia...
Talvez... nesse dia...
Eu me sinta em paz
Ao sanar-me... devolva a felicidade à vossa vida
E sinta que voltei a fazer a diferença pela positiva...


Por enquanto...
Enquanto esse dia não chega
Vou tentando perceber...
Como?????
Quando?????
Passei de bestial a besta...

quarta-feira, novembro 07, 2007

Estado de espírito

As criticas não me abalam
Os elogios não me iludem
Sou o que sou e não o que dizem
Vivo o presente
Temo o futuro e foda-se para o passado!

terça-feira, novembro 06, 2007

Ficar por cima

Tenho um grupo de amigas, com as quais costumo jantar uma vez por semana em que quase falamos tanto quanto bebemos. À quarta caipirinha já a conversa ronda o sexo...
Desta última vez dizia-lhes que quando não estou apaixonada por ninguém, costumo gostar de vários gajos ao mesmo tempo, com os quais brinco ao gato e ao rato, sempre que se aproximam de mim. Durmo com um ou outro que vagamente me interessa, até me cansar deles, e que na verdade não tenho pena de ter o coração fechado, porque é muito mais fácil viver assim. De vez em quando abro um pequeno compartimento e alguém entra, mas a verdade é que não fica muito tempo, e ultimamente tenho sofrido na pele a fuga de muitos deles.

Falava-lhes destas minhas dúvidas quanto às razões de fuga de tantos homens, quando uma delas me interrompe para dizer que se calhar o meu problema era o mesmo que o dela... que era o facto de no sexo ela gostar sempre de ficar por cima, e eu baralhada com a falta de novidade, respondo-lhe:
- Sim, é verdade que eu também gosto, e...?
Ela responde-me que normalmente os homens acham que as mulheres que gostam muito de ficar por cima são umas malucas, que não servem para casar, nem para mães dos filhos deles.

Fiquei a achar que tinha encontrado ali a resposta para alguns abandonos súbitos que tenho sentido nos últimos tempos, mas independentemente de ser ou não essa a razão, tenho que admitir que há mulheres que vieram ao mundo, não para serem mães dos filhos de ninguém, mas apenas para receber e dar prazer aos homens, e eu tenho que admitir que me enquadro e revejo dentro deste grupo, mas também concluí que não há nada como nos aceitarmos como somos, porque não deve haver nada que faça alguém mais infeliz do que querer parecer aquilo que não é.

segunda-feira, novembro 05, 2007

Um pedaço de mim

Quem me conhece, sabe que eu vivo de música, encontro sempre lá o que quero dizer, o que estou a sentir, o que estou a pensar, sem que para isso utilize as minhas próprias palavras... no fundo sirvo-me da música como um veículo para transportar tudo aquilo que me vai na alma... Por isso não há dia que não descubra uma música diferente, apenas pelo simples facto de em determinda parte da canção, a letra ter qualquer coisa que me diga algo.

Por isso hoje apenas deixo aqui uma novidade, pra quem não saiba, existe uma nova música "Não olhes para trás" cantada pelo TT e pelo Nuno Guerreiro. Para quem não conheça, o TT é a grande revelação do R&B nacional deste ano. Podem dizer o que quiserem da letra... que é cliché, que não tem conteúdo... mas muita gente critica só porque é em português. Se isto fosse escrito em inglês a maioria do pessoal nem dizia nada. No entanto ouçam aquele instrumental!! Ouçam aquelas vozes... o coro por trás... a harmonia que há entre os dois. Nota-se que houve muito trabalho de estúdio mas as vozes são excelentes só por si. É uma das melhores músicas deste ano e não estou a falar só do mercado musical português...


À noite saio p'ra pensar em ti
Percorro o caminho das estrelas jornada sem fim
Oiço o silêncio que me escuta ao passar
Vejo-te na lua não consigo te alcançar
Espero que a noite te traga a mim, faça com que o mundo me leve a ti
Espero que saibas... do que és capaz
Anda vem comigo
Não olhes para trás
Peço-te que pares , vem comigo, eu sou teu amigo
Eu contigo sou capaz de ver o infinito
Sou capaz de ver que tudo pode ser melhor
Dá-me o toque, dá-me um beijo, dá-me o teu amor
Viajo ao som da tua voz, até sem te ouvir falar
Encontro a nota certa só contigo sei tocar
Tu és a pauta que eu quero ter para mim
Princesa tu és tudo aquilo que eu sempre quis
Espero que a noite te traga a mim, faça com que o mundo me leve a ti
Espero que saibas do que és capaz
Anda vem comigo
Não olhes para trás
Peço-te que pares , vem comigo, eu sou teu amigo
Eu contigo sou capaz de ver o infinito
Sou capaz de ver que tudo pode ser melhor
Dá-me o toque, dá-me um beijo, dá-me o teu amor
Dá-me o teu amor, o teu sabor
Vem ao pé de mim, dá-me o teu calor
Não tenhas medo de apostar em mim
Acredita que ás vezes acabamos assim
Não sabes se vale a pena apostar ou não
Aposta na razão, ouve o teu coração
Anda
Anda, vem gostar de mim
Anda vem gostar de mim
Anda vem gostar de mim
Peço-te que pares , vem comigo, eu sou teu amigo
Eu contigo sou capaz de ver o infinito
Sou capaz de ver que tudo pode ser melhor
Dá-me o toque, dá-me um beijo, dá-me o teu amor
Não olhes para trás

domingo, novembro 04, 2007

Ausências...


Ao som da água dispersa, caminhando no local onde queria e simultaneamente tinha medo de ir, tornou-se compreensível a ideia transmitida através de uma imagem deixada por alguém… aquela era mesmo uma porta para o céu!
Olhando para a realidade, as lembranças e pensamentos emergiam como cascatas. Percebi naquele instante, olhando para aquela imagem antes vista por fotografia, pisando o mesmo chão que antes havia sido percorrido por outrem, sentindo na tão grande ausência, o quanto de verdadeiro me haviam dito: “ A morte leva-nos um amigo e dizem que a vida continua. Continua uma treta! Parou, ali mesmo naquele instante. O que nos aproximava daquela pessoa deixou de existir a partir do momento do seu desaparecimento. Os pontos de conexão quebraram-se. Com quem vamos falar/discutir sobre os assuntos que nos uniam? Com ninguém! Aquela comunicação acabou ali!”
Esse alguém deixou, sem o saber, palavras inesquecíveis - "Don’t Worry, Be Happy"!
No entanto, apesar de querer acreditar nelas, o vazio permanece...

quarta-feira, outubro 31, 2007

Falar do quê?

Há momentos em que não nos apetece falar, basta-nos estarmos presentes. Partilhamos um espaço e um tempo, tal como a visão duma paisagem ou dum filme numa sala cinema. Podemos beijar, deixar nossa mão noutra mão e trocar um olhar, sem que as palavras façam falta. O silêncio supera-se, dá força e lugar a outros sentidos que nos envolvem. Sentimos quando as palavras são desnecessárias, bastando a insinuação dos gestos que se magnetizam por indução.

A memória é mais fiel à imagem do que à palavra. O passado é uma projecção de slides, ao som das músicas que o preencheram, com algumas palavras e frases soltas. Guardamos fotos e poucas legendas. Há quem tenha o seu "Diário" e nele descreva as imagens de cada dia. Reza o ditado: "uma imagem vale por mil palavras". Cada um de nós tem o seu próprio registo. Único.

Cuido de escrever sobre o tudo o que me vem à tona com o rigor da minha objectiva. A memória é algo de tão extraordinário comparável à visão, mas em sentido contrário: vê para dentro.

domingo, outubro 28, 2007

Aquela música...

Quantos de nós já não esteve num lugar em que de repente se está a ouvir uma música e pensa de quem será a música?
Talvez porque a melodia nos diz algo, ou até porque a letra tem algum significado para nós...
Pois foi isso que me aconteceu ontem... e como tal gostava de partilhar aquela música que despertou a minha atenção...


Ivete Sangalo - Quando A Chuva Passar

Pra quê falar
Se você não quer me ouvir?
Fugir agora não resolve nada

Mas não vou chorar
Se você quiser partir
Às vezes a distância ajuda

E essa tempestade um dia vai acabar
Só quero te lembrar
De quando a gente andava nas estrelas
Nas horas lindas que passamos juntos
A gente só queria amar e amar e hoje eu tenho certeza

A nossa história não termina agora
Pois essa tempestade um dia vai acabar

Quando a chuva passar
Quando o tempo abrir
Abra a janela e veja eu sou o sol
Eu sou céu e mar
Eu sou seu infinito
E o meu amor é imensidão

Só quero te lembrar
De quando a gente andava nas estrelas
Nas horas lindas que passamos juntos
A gente só queria amar e amar
E hoje eu tenho certeza
A nossa história não termina agora
Pois essa tempestade um dia vai acabar

sexta-feira, outubro 26, 2007

Pedaços de Uma História


"Há histórias que já começam com um final escrito. São obras fechadas, caminhos traçados. Não adianta querer pintá-las com as cores que mais gostamos ou desejar que o tempo possa mudar o seu rumo. Elas são assim... inalteráveis"
("Páginas ao Vento" publicado a 19 de Março de 2007)
Inalteráveis? Que sabia eu?! A vida mostrou-me que não existem finais escritos.
Como diz o meu amigo Pedro Arunca , "cada dia que passa é uma página do livro que nos compete escrever". E eu escrevi. Escolhi o tipo de papel mais macio que encontrei, peguei na lapiseira que melhor se moldava á minha mão e soltei as palavras que bem entendi. Fui escrevendo, capítulo a capítulo, ao sabor do meu desejo... a história que, um dia, julguei estar terminada. Não estava. E hoje sei...
Não foi um caminho fácil... e tantas vezes quase desisti. Quase.
"Não gosto dos quases que existem na minha vida. Não me libertam. Não me reconfortam. Pelo contrário, transformam tudo o que esteve quase... em quase nada."
( "Quase" publicado a 8 de Julho de 2007)
Corrijo. Gosto deste quase. Dizer que quase desisti, significa que não o fiz. Significa que transformei toda a minha história num desafiante talvez. Talvez tenha sido a minha teimosia, talvez a minha força, talvez até atrevimento... ou, quem sabe, talvez tenha sido apenas o saber esperar que o tempo mudasse o seu rumo.
"E que tempo é este? Amigo? Perdido? Nosso? Ou apenas meu?"
("Tempo" publicado a 12 de Dezembro de 2006)
Era o tempo que eu precisava para chegar aqui. Era o tempo que tu precisavas para saberes onde querias chegar.
Era um tempo amigo... jamais perdido... meu, teu... e sem dúvida, NOSSO.

terça-feira, outubro 16, 2007

O Meu Olhar Sobre o Mundo

Melgaço é uma cidade linda, apesar de pequena, com pessoas simpáticas, onde a beleza das paisagens e a magnitude da natureza se mostram vestidas de tonalidades que preencheriam a mais completa palete de cores.



Conta-me histórias, de tempos, a que eu gostaria de voltar
Tenho saudades, de momentos, que nunca mais vou encontrar
A vida talvez seja só três dias
E eu quero andar sempre devagar, até a ti chegar...


fotografia: Å®t Øf £övë
música: Ninguém (é de ninguém)

segunda-feira, outubro 15, 2007

Like a dream

Não era para ser, mas foi...

Não era para sentir, mas sentiu...

Não era para acontecer, mas aconteceu...

Angústia? Alguma... Receio? Muito... Felicidade? Sempre...

Retroceder? Impossível...

Avançar? Talvez...

Insegurança? Um pouco...


A noite brilhava por entre o escuro. As memórias que não identificava misturavam-se nas recordações sobrantes. Ora se encolhia de medo, ora sorria deliciada. Virava-se, revirava-se, revoltava-se... contorcia-se... alucinada...

Olhou-o. Sem encontrar o seu corpo, viu-o, sentiu-o, ouviu-o, sorriu... sem ansia, sem medos, sem certezas nem interrogações, tranquilizou-se a si mesma num sono prolongado como um beijo demorado. O dele.

sexta-feira, outubro 12, 2007

Consumo

Recebi a conta da EDP. Digo já, não sou daqueles que telefona a dizer a quanto vai o contador da minha casa, e sou sincero, prefiro nem saber.
E acho que deve ser assim, não quero saber o quanto gasto de energia.
Se eu, um dia, tivesse um contador no meu corpo, podia controlar perfeitamente os meus consumos, provavelmente até entrar numa de poupança... mas não, não quero, não faço leituras, não as dou a ninguém, não sei o quanto estou a gastar, nem quanto vou pagar no final.
Nas emoções sou mesmo um gastador, e sabem porquê? Vivo um dia de cada vez, e acreditem que vivo mesmo.

"Ninguém é tão velho que não possa viver mais um ano,
Nem ninguém é tão novo que não possa morrer já"

quinta-feira, outubro 11, 2007

Um Sorriso / Uma Viagem pela Alma

Liberta-te…
Passeia agora bem no fundo de tua alma, sente a vibração que o amor te entrega. Vagueia chafurdando nos sentidos, percorre a fundo a estrada que te leva até ao Nirvana…

Liberta-te…

Solta bem alto esse grito da alma, esse teu inconfundível sorriso, és livre agora, és cada vez mais apenas tu…

Vagueia…

Olha para o céu abrindo os braços, sente o conforto que a vida te traz, o calor que o sol te oferece…

Olha para mim e escuta, apenas escuta…

Por vezes a nossa vida mais parece um deserto melancólico, percorrido entre as areias de tristeza e monotonia por nós criadas, por outros criadas ou simplesmente criadas ao acaso do vento. Mais parece não haver saída, entre a espada e o frio da parede um dia acabamos por acordar, porquê? Fiz algo de mal? A vida é mesmo assim e pronto! Nada mais há por explicar. Até que um dia vemos um sorriso! Um simples e profundo sorriso, um olhar, um olhar profundo que entra bem no fundo de nós e vasculha o nosso coração e a nossa alma. É então que acabamos por descobrir que afinal aquelas melancólicas areias que percorremos no nosso próprio deserto, existe afinal um brilho bonito, um arco-íris de cores que nos fazem sorrir sonhar voar, e é mesmo nesse preciso momento que sentimos que afinal naquele deserto existe uma brisa fresca que nos refresca a alma, e se continuarmos a procurar quase de certeza que vamos encontrar uma queda de água que nos vai matar a sede e nos vai fazer cantar e voltar a sorrir, e quando menos esperarmos vamos começar a ver no horizonte um raio de luz a nascer, um raio de luz que nos rasga a tristeza, uma luz tão forte que atravessa as areias e as faz brilhar, a água passa então a luzir pequenas gotinhas de cores maravilhosas, e lá no fundo mas bem no fundo começamos a ouvir a musica que a brisa nos traz…

Ao som de "Shine On You Crazy Diamond" dos Pink Floyd

segunda-feira, outubro 08, 2007

O meu "Pedaço" # 15

Não me adianta procurar, porque não existem livros para homens que sejam pais... nem na secção de ciências ocultas.
Depois do bebé nascer deixamos de fazer parte da equação natural.
Não se trata de uma conspiração. As mulheres até tentam manter os homens dentro da equação. O problema é que nós não sabemos como nos manter maternos.
Seremos homens capazes de inventar um complexo químico qualquer que nos permita manter integrados neste acto solene de paternidade sem bocejar?
Porque raio ninguém até hoje criou um código de conduta que discipline a actuação do homem numa família?
Talvez seja porque o pai é apenas o selvagem num meio que exige harmonia e paz.
Eu disse... apenas?
Isso já me parece imenso...

domingo, outubro 07, 2007

Viagem


Existem lugares que marcam a nossa vida. São lugares cheios... não cheios de gente, mas cheios de nós.

São lugares que contam a nossa história, sussurram-nos lembranças, gritam os nossos segredos. Guardam em cada parede um olhar, em cada canto uma lágrima, em cada objecto um sorriso. São lugares que nos queimam por dentro e nos roubam a alma por instantes.
Fazem-nos viajar a recantos de nós que julgávamos não mais existirem. Ressuscitam emoções que um dia quisemos deixar morrer.
Voltei a um desses lugares... onde tantas vezes me perdi de mim mesma, e onde tantas outras me encontrei. Onde o tempo parava para me ouvir gritar sentimentos em silêncio... embalados por uma música cuja letra contava uma história igual á minha.
Voltei e revi-me... revi-me em cada canto, em cada objecto, em cada palavra. Senti na pele o calor das noites sem fim e na boca o doce amargo sabor de cada momento ali vivido.

Saí de mim mesma e deixei-me ir... como quem vai em busca de uma qualquer resposta, supostamente deixada ao acaso num dos cantos daquele lugar. Deixei-me novamente embalar pelas velhas musicas que ainda contam a mesma história. Uma história que ainda é a minha.

Esqueci quem sou e procurei quem fui. Viajei por mim mesma e reencontrei caminhos já esquecidos. Caminhos que ficaram ali guardados, sem nunca levarem a lugar nenhum...
Chegada a hora de ir embora, voltei a mim. Despedi-me de quem fui e abracei quem sou. Deixei que cada refrão me contasse uma história diferente daquela que foi a minha... talvez a que ainda quero viver.

Devolvi cada emoção a cada parede, a cada canto, a cada objecto ... e, lançando-lhes um último olhar á saída, pedi-lhes baixinho que continuassem a guardar as minhas lembranças, para nelas seguir viagem sempre que me apetecer ali voltar.

terça-feira, setembro 25, 2007

Perdi-me

Fiz-me cúmplice do doce frio da espada que me encosta, a esta parede chamada vida.

Habituei o corpo ao fracasso, ao gosto ternurento do despreso.

Perdi-me nos caminhos do não… do talvez um dia. Escrevi com lágrimas e traições a infame estória de minha vida.

Perdi, chorei, sofri, deixei-me cair nos caminhos da descrença da pouca vontade de sorrir…

Perdi-me…

Mas não morri…

Ainda não morri…

domingo, setembro 23, 2007

De Visitante a Participante

O “Pedaços de Nós” fez 2 anos de existência, razão pela qual deixo os meus parabéns a todos vós. Não é fácil manter um espaço em que a diversidade de comunicação é grande. Assim sendo, se ainda existe é porque coabitam moderação e coesão dentro desta “família”.

Fui pois convidada pelo Art a fazer parte dela também. Aceitei com o maior carinho por várias razões.
A primeira, prende-se com o facto de o “conhecer” desde que iniciei a minha caminhada no mundo da blogosfera. Umas vezes com mais contacto, outras menos, mas são as circunstâncias de vida que nos levam a tal. O que interessa no entanto, é o facto de ainda permanecer o elo de ligação.
Em segundo lugar porque já vos leio há algum tempo, e sempre admirei o respeito que é dedicado às mais variadas posturas encontradas neste núcleo. Associo ainda a grande diversidade de informação, se assim o quisermos designar, proporcionadora de uma amplitude na qual pode haver identificação ou não. No entanto, tal como é salientado, a liberdade impera.

Pela minha parte, considero que embora seres sociais, somos acima de tudo unos. Logo, a resposta que cada um de nós dá a um mesmo estímulo tende a variar. E é desse grande leque de respostas que o conhecimento, a aprendizagem, a discussão salutar, podem aparecer com a consequente evolução, seja ela em termos latos ou restritos.
É portanto com esta forma de estar que deixarei aqui a minha contribuição para o crescimento desta família que, apesar de todas as vicissitudes, ainda se encontra reunida após 2 anos de vida.

A foto que usei neste post é o que considero a minha identificação no meio em que todos nós nos encontramos. É possível que já me tenham visto por aí…
O meu MUITO OBRIGADO a todos e um agradecimento especial ao Art.
Obrigado Art, pela oportunidade que me facultaste!

PS: Aparece como identificação as letras Alx. É somente a forma que usei para registo visto que o nome que utilizo é Alexandra.

terça-feira, setembro 18, 2007

2º Aniversário

Parabéns ao "Pedaços de Nós"

Parabéns a todos nós...



Porquê o Cubo Mágico?
Provavelmente porque representa um pouco de cada um de nós aqui no "Pedaços"...
Umas vezes com todas as nossas "cores" em sintonia... outras vezes com as "cores" completamente desligadas umas das outras...
O Cubo Mágico representa um pouco o que é viver... existir... um verdadeiro quebra-cabeças, em que tentamos arranjar maneira de encaixar de forma perfeita todos os pormenores e objectivos da nossa vida.
Na vida, como para resolver o Cubo Mágico, há que ter a capacidade de virar e revirar as peças até obtermos as suas seis faces cada uma com a sua cor. Mas para isso há que conhecer bem o cubo, afeiçoá-lo, alimentá-lo, e dar-lhe um pouco de colinho e carinho, porque os cubos são muito sensíveis, tal como a vida... tal como o "Pedaços de Nós".

sexta-feira, setembro 07, 2007

O Meu Olhar Sobre o Mundo

Óbidos é lindíssima, e o ambiente que a rodeia é deslumbrante.
Cercada por uma muralha espectacular permite-nos passear, e desfrutar da pousada que é divinal. Cada cantinho parece ter sido tirado de um quadro qualquer.
Vale a pena passar lá um fim-de-semana romântico.
Os seus restaurantes e demais lugares, como bares e casas típicas são um sítio óptimo para descansar, e para fugir ao stress citadino. Neste sentido, digo-vos que nem que seja por uma vez na vida vale a pena ir a Óbidos e apreciar o encanto deste lugar único.

Quando posso lá vou eu dar uma escapadela até este lindo lugar, porque pensar num fim-de-semana de pura descontracção e tranquilidade, é uma ideia inevitável... e possível de ser concretizada... é um sonho tornado realidade... para uma sempre necessária revitalização, rodeado de aromas e sabores especiais, entre uma Ginjinha e um Toupeiro, ao som de "Sometimes You Can't Make It On Your Own"...


Tough, you think you've got the stuff
You're telling me and anyone
You're hard enough

You don't have to put up a fight
You don't have to always be right
Let me take some of the punches
For you tonight

Listen to me now
I need to let you know
You don't have to go it alone

And it's you when I look in the mirror
And it's you when I don't pick up the phone
Sometimes you can't make it on your own

We fight all the time
You and I... that's alright
We're the same soul
I don't need... I don't need to hear you say
That if we weren't so alike
You'd like me a whole lot more

I know that we don't talk
I'm sick of it all
Can you hear me when I sing
You're the reason I sing
You're the reason why the opera is in me...

Where are we now?
I've got to let you know
A house still doesn't make a home
Don't leave me here alone...

fotografias: Å®t Øf £övë
música: "Sometimes You Can't Make It On Your Own"

quarta-feira, setembro 05, 2007

Poesia alentejana

Estava há pouco, fazia muito tempo, à volta do Abacate dos meus "Versos de afrudite" quando o meu amigo Cavaleiro da Costa (alentejano de gema e clara alfacinha) me brinda com a porra dum mail com poema que fala assim:

O CARACOLI...

Tava eu tirando moncos
lá da cana do nariz
enquanto fazia uma mija
assim tipo chafariz

Tinha a bexiga tã chêia
que fiquê lá uma hora
quando me assomê em volta
tinha ido tudo embora

Sacudi o coiso e tal
enquanto coçava a bilha
de tal manêra atascado
que o entalê na braguilha

tirê as botas do lodo
que fizera na mijada
sacudi tamém as calças
sempre com ela entalada

pedi ajuda à Ti micas
que cerca dali morava
mas depilou-me os tomates
a força com que a puxava

ensanguentado na pila
fui aos tombos pelo monti
vomitando quasi as tripas
nã sêi se queres que te conti

como comera dôs pães de quilo
e um garrafão p'a empurrare
na admira que tivesse
três horas a vomitare

Detê-me na palha fresca
para ver se descansava
enterrê-me logo em bosta
de uma vaca que passava

E foi assim que essa tarde
conheci um caracoli
os dois deitados na palha
c'os cornos a secare ao soli
_______________
Comentário dele:
"QUANDO TIVER UM BLOG, VOU FAZER POESIA DENTRO DESTA LINHA DE PENSAMENTO. FAZ MAIS O MEU GÉNERO. (á poeta dum cabrão) !!!!
__________________
Minha resposta:

Este fez-me chorare
de tanto já me rire
não me leve a male
mas vou imprimire

Nã diz quem foi autore
Mas escrebe dirêto
Talvez seja doutore
o sacana tem jêto

Poema desta natureza
não é uma brincadêra
Escreve com pena tesa
Não bateu na azinhêra

segunda-feira, agosto 27, 2007

Talvez um dia...


Sim, talvez um dia me dispa de preconceitos e venha a publico admitir as variações das ondas P da minha caixa de fusíveis. Quem sabe nesse dia, talvez me solte das falas mansas e discurse os sentimentos em uma só voz de comando. Mande uns quantos gritos de revolta em torno deste nosso sentimento, que nos empurra a alma para o charco. E quem sabe, talvez nesse dia acabe de vez com este nosso estranho fado que nos obriga a gostar de estar na merda.
Talvez quem sabe um dia…
Assuma de uma vez por todas este meu movimento Narcisista, esta minha estranha forma de me sentir bem. Talvez nesse dia venha a descobrir que não faço suspirar todas as mulheres que se atravessam em meu passeio, que afinal não me observam atentamente enquanto desço a calçada em suaves passos de estilo.
Quem sabe talvez um dia…
Venha mesmo a descobrir a combinação secreta, que abre esse teu coração escondido na dor. Talvez nesse dia te assalte a alma e te roube esse teu sentimento de imponência, que te rasga o sorriso em cada passo teu, em cada momento em que me dizes que não.

Quem sabe…

Talvez um dia…

Venhas a entender a dor que me percorre a alma…

O amor que me assola os sentidos

A raiva que me rasga o coração

Quem sabe talvez um dia...

sábado, agosto 18, 2007

Love or sex?

Gosto tanto de ouvir-te como de tocar-te.
Só depende do momento.
Quando os dois momentos são um só, fica perfeito.
E então, gosto de olhar-te,
Enquanto te cheiro
E perco-me a sentir-te...

sábado, agosto 11, 2007

Nada Vence as Paixões Profundas de Cada Um

As paixões opõem-se às paixões, e podem servir de contrapeso umas às outras; mas a paixão dominante não se pode conduzir senão pelo seu próprio interesse, real ou imaginário, porque ela reina despoticamente sobre a vontade, sem a qual nada se pode. Contemplo humanamente as coisas, e acrescento nes­se espírito: nem todo o alimento é próprio para todos os cor­pos; nem todos os objectos são suficientes para tocar deter­minadas almas. Quem acredita serem os homens árbitros soberanos dos seus sentimentos não conhece a natureza; consiga-se que um surdo se divirta com os sons encantado­res de Mureti, peça-se a uma jogadora, que está a jogar uma grande partida, que tenha a complacência e a sabedo­ria de se enfadar durante a mesma, nenhuma arte pode fazê-lo.
Os sábios enganam-se quando oferecem a paz às paixões: as paixões são inimigas dela. Eles elogiam a mo­deração para aqueles que nasceram para a acção e para uma vida agitada; que importa a um homem doente a delicadeza de um festim que lhe repugna? Nós não conhecemos os defeitos de nossa alma; mas ainda que pudéssemos conhecê-los, raramente havería­mos de os querer vencer.
As nossas paixões não são distintas de nós mesmos; al­gumas delas são todo o fundamento e toda a substância da nossa alma. O mais fraco dos seres iria querer perecer para se ver substituído pelo mais sábio? Dêem-me um es­pírito mais justo, mais amável, mais penetrante, aceito com alegria todos esses dons; mas se me tiram também a alma que deve desfrutar dele, esses presentes não são nada pa­ra mim.
Isso não dispensa ninguém de combater os seus hábitos e não deve inspirar aos homens nem abatimento nem tristeza. (...) A virtude sincera não abandona os seus amantes; os próprios vícios de um homem bem-nascido podem passar a contribuir para a sua glória.

Luc de Clapiers Vauvenargues, in 'Das Leis do Espírito'

segunda-feira, julho 23, 2007

A vida serve para foder, amar, e morrer...

Passamos a vida a tropeçar em desencontros, em chegar tarde de mais ao que queremos viver. Por isso é que vivo tudo o que me dá na real gana. Estes últimos anos foram prodigiosos, sinto que rejuvenesci... sim, porque o sexo renova.
A quantidade de flirts, noites com Harmony, e outras menos harmoniosas que passei, fazem-me saber bem o que quero... quero continuar a viver de uma forma despreconceituosa. A opinião dos outros sobre a minha vida é pouco relevante.
É bom saber que vou sempre a tempo de viver o que quero, porque o coração nunca se deve adiar.

domingo, julho 22, 2007

Poema com palavras usadas

( Tardei em responder ao meu próprio desafio... mas cá está!)

Mega & JB

Reconhecer o talento
Ocultar os disparates
Dinheiro excêntrico
Aplausos aos dislates

Coleccionador de nomes
Minha sombra, meu ego
Imperfeições sublimes
Sentimento sem apego

Fantástico é o poder
Libertar o criador
Fantástico é parecer
Essa a arte do sedutor

Público poderoso
Agir para o que for
Trabalhar e expor
Num museu fabuloso
_____________
Pedro Arunca
2007/07/22

domingo, julho 08, 2007

Quase...


"Pior que a convicção de um não
ou a incerteza de um talvez
é a desilusão de um "quase"
é o quase que me incomoda, que me entristece,
que me mata trazendo tudo o que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou, ainda joga
Quem quase passou, ainda estuda
Quem quase morreu, está vivo
Quem quase amou, nunca amou"
(Luís Fernando Veríssimo)
Muitas vezes penso nas coisas que quase fiz, nas palavras que quase disse, nos lugares onde quase cheguei, nas pessoas que quase conheci, nos desejos que quase realizei, nos momentos que quase vivi.
Não penso nelas como uma perda... na verdade, nunca cheguei a tê-las. Estive perto. Estive quase.
Nunca ninguém me disse que não as podia ter. Nunca ninguém me disse que não as merecia. Apenas me desencontrei de umas e cheguei tarde a outras.

Consigo lidar bem com as perdas definitivas. Sou Escorpião e, tal como dizem os astros, morro e renasço facilmente. Supero o que não é possível. Esqueço o que não está ao meu alcance.
Um não doi, magoa, fere... mas liberta-me e faz-me querer virar a página. Consegue ter em mim um poder regenerador, que me faz querer seguir em frente, mesmo que noutra direcção.

Já o talvez desafia-me, atiça-me, motiva-me. Saber que talvez possa ir por ali, ou por acolá... saber que talvez possa chegar onde quero... que talvez possa ser, sentir, viver o que desejo... deixa-me inquieta, ansiosa e desperta em mim uma teimosia sem limites.
O talvez incomoda, enerva, fervilha... mas tem um gosto doce de possibilidade, que só perderá ao transformar-se num não.

Mas o quase... deixa uma sensação de vazio. Vazio de algo que esteve próximo, mas não chegou a estar.
É um talvez que deixou de o ser, mas que nunca chegou a ser não. É um livro que perdi, sem ter acabado de ler.
Dizer que se esteve "quase a.." poderá parecer reconfortante. Afinal, significa que tentámos, que fizemos alguma coisa e que quase conseguimos. Não foi uma derrota imediata. Tivemos possibilidade e estivemos quase lá.
Quase... mas não chegámos a estar.

Não gosto dos quases que existem na minha vida. Não me libertam. Não me reconfortam. Pelo contrário, transformam tudo o que esteve quase... em quase nada.

sexta-feira, julho 06, 2007

Hey Joe...

O Pedro Arunca propôs-nos publicarmos aqui no "Pedaços de Nós" um texto retirado de um jornal, o qual ele irá utilizar como base de inspiração para construir um poema.
Vou transcrever um artigo de opinião do Fernando Marques, intitulado "Hey Joe...", e publicado no Jornal de Notícias do dia 01/07/2007.

Quando eu for rico como Joe Berardo e tiver uma colecção de arte ainda mais moderna e contemporânea do que a dele, hei-de lembrar-me que o dinheiro pode comprar aplausos para os meus disparates, mas jamais será capaz de ocultar as minhas imperfeições. Hei-de lembrar-me de não agir como dono do mundo, porque, querendo parecer o que não sou, serei exactamente aquilo que pareço uma ilusão.

Quando eu for excêntrico como Joe Berardo e quiser expor os meus valiosos tarecos artísticos num museu, hei-de lembrar-me que não fui eu que os fiz; e que, por isso, é inútil e ridículo emprestar-lhes o meu nome, oferecer-lhes a minha sombra, sobrepor-lhes o meu ego. Hei-de lembrar-me de os libertar do meu sentimento de posse, do meu apego, para que, destituídos de mim, exprimam o que realmente são.

Quando eu for poder como Joe Berardo, hei-de lembrar-me de designar as pessoas pelos seus nomes. Hei-de lembrar-me de não dizer "O homem não está a ser bem aproveitado, talvez até nem precise de trabalhar", como se esse homem sem nome - que, por acaso, se chama António Mega Ferreira e, por acaso, é presidente do CCB e, por acaso, é um criador e não um coleccionador - fosse apenas mais um objecto do meu acervo.

Quando eu for extraordinário, sublime, fantástico, belo e sedutor como Joe Berardo, hei-de lembrar-me de permitir que os outros sejam tão extraordinários, sublimes, fantásticos, belos e sedutores como eu. Por exemplo, hei-de lembrar-me de reconhecer o talento de Rui Costa e o direito que ele teve de cumprir o melhor da sua carreira fora do Benfica. E hei-de lembrar-me - apesar do tipo fabuloso que eu serei quando for extraordinário, sublime, fantástico, belo e sedutor como Joe Berardo - de pensar duas vezes antes de emitir juízos públicos sobre outras pessoas. Não porque isso pesasse realmente no curso próspero da minha vida. Apenas para evitar que eu, um homem tão rico, excêntrico, poderoso, extraordinário, sublime, fantástico, belo e sedutor como Joe Berardo, tivesse que andar sempre a pedir desculpas pelos meus dislates.

Pedro desejo-te boa sorte para esta iniciativa, e espero que o texto te inspire...

Texto original pode ser lido [Aqui]

quarta-feira, julho 04, 2007

Poema com palavras usadas

Não, não é uma campanha nem uma corrente. É um desafio a que me proponho. Só preciso que, pelo menos um dos inquilinos deste blogue, me forneça um, dois ou três textos (artigo, notícia, ensaio, etc) retirado(s) dum jornal e/ou revista conhecido(s) (DN, JN, Público, Expresso, etc).
A ideia é tentar construir um poema a partir das palavras usadas nesse(s) texto(s).
O(s) texto(s) deverá(ão) ser "postados" previamente (digitalizado se possível e mantido na posse do "postador").

Um abraço